Vídeo onde Policial Militar mata Camelô em São Paulo

O vídeo abaixo mostra o exato momento em que um policial militar do Estado de São Paulo atira na cabeça de um camelô que tentou tirar o espargidor de pimenta da mão do PM. O vídeo está suscitando muitas discussões técnico-operacionais e jurídicas, já que o policial militar foi preso em flagrante. Confira:



Um coronel, três majores e dois capitães presos

Apreensão feita pelo Ministério Público na operação. Foto: SESEG

Apreensão feita pelo Ministério Público na operação. Foto: SESEG-RJ

Chamou a atenção do país a operação desencadeada conjuntamente pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela Secretaria de Segurança Pública e pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar, onde 24 policiais militares foram presos, entre eles o Coronel PMERJ Comandante de Operações Especiais e mais três majores e dois capitães.

Confira detalhes da operação, que aponta para a existência de um esquema de corrupção bastante sofisticado:

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar deflagram, nesta segunda-feira (15/09), em vários pontos do Rio, a Operação Amigos S.A., para desmantelar quadrilha formada por pelo menos 24 policiais militares que integravam o 14° BPM (Bangu), inclusive os integrantes do Estado-Maior, e exigiam pagamento de propina de comerciantes, mototaxistas, motoristas e cooperativas de vans, além de empresas transportadoras de cargas na área do batalhão.

A denúncia foi encaminhada pelo GAECO à 1ª Vara Criminal de Bangu, que expediu 43 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão preventiva, dos quais 24 são contra PMs. Até o início da tarde desta segunda-feira, foram presas 22 pessoas, das quais cinco oficiais. Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em espécie. Desse total, R$ 287 mil foram localizados na casa do major Edson Alexandre Pinto de Góes e R$ 33 mil na residência de outro PM que integrava a quadrilha. Documentos que demonstrariam a distribuição da propina foram recolhidos e serão analisados para identificar a ocorrência de lavagem de dinheiro.

Entre os denunciados estão seis oficiais que eram lotados no 14° BPM (Bangu): o ex-comandante coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, atual chefe do Comando de Operações Especiais (COE), e o ex-subcomandante major Carlos Alexandre de Jesus Lucas – ambos lotados atualmente no Comando de Operações Especiais –, os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço de Inteligência). Também são acusados de integrar a quadrilha 18 praças e um civil.

Entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os acusados e mais 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM.

A quadrilha exigia propinas que variavam entre R$ 30 e R$ 2.600 e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu.

De acordo com a denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo que a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) era repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes ‘Estado Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”.

Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu pelo crime de associação criminosa armada, que não consta do Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os 24 PMs também poderão ser obrigados a pagar indenização por danos morais à Polícia Militar, pelo dano causado à imagem da corporação. Os integrantes da quadrilha ainda serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão, que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual.

Fonte: MP-RJ

Ao Jornal O DIA, Fábio Galvão, Subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), disse que “a tática era endurecer a fiscalização, justamente para que os trabalhadores fossem obrigados a pagar propina. Todos responderão por formação armada de quadrilha e na Justiça Militar pelo crime de concussão e propina”. Sobre a semelhança com a atuação dos acusados e uma milícia o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Cláudio Caio Souza disse que “a milícia é um grupo paramilitar. Eles não. Eles agiam fardados e na área de atuação do batalhão”.



O Delegado dedicado

O Delegado dedicado

 

– Doutor, o senhor viu a capa do jornal de hoje? A delegacia da Zona Norte reduziu os roubos por lá.

– Vi sim. Temos que apertar o trabalho aqui. Teremos promoção em breve e o safado do Josimário não pode se destacar assim.

– Sim, senhor. Vou colocar o pessoal da folga pra adiantar as investigações.

– Certo. Liga também para aquele juiz nosso amigo pra conceder uns mandados de prisão para uma operação contra o tráfico. Vou falar com a PM para ajudar. Tenta contato também com a imprensa.

– Tudo certo. Providencio tudo hoje. O senhor vai para a inauguração da nova Delegacia da Zona Leste?

– Não. Nem o Governador nem o Secretário de Segurança estarão lá.

– Ok… Outra coisa: o Agente Caco publicou um livro sobre o investigação policial e o lançamento vai ser hoje. O senhor vai comparecer?

– Esse Agente tá muito ousado. Escrevendo sobre tudo, aparecendo muito. Não vou nem mandarei representante. Temos que ler o que ele anda escrevendo, pode ser que tenha repercussão negativa para a Delegacia. Traga um livro desse pra mim.

– Sim, senhor!

 

*Ficção Policial é uma série de posts do Abordagem Policial de caráter literário. Nenhum dos fatos ou personagens ilustrados são reais.



Uma Polícia (112)

Forças Armadas na Maré

Forçar armadas na Maré, Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

A seção “Uma Polícia” traz fotos e vídeos que apresentem ao leitor do Abordagem Policial imagens de polícias em todo o mundo.



Tirinha Policial (112)

*Tirinha Policial é uma série de posts publicados no blog Abordagem Policial, com tirinhas ou charges que se relacionam direta ou indiretamente com o contexto da segurança pública.



PM desabafa: “me senti um lixo hoje”

O vídeo abaixo contém o áudio de um policial militar do estado do Rio de Janeiro que participou da ocorrência em que o Comandante da UPP Nova Brasília, Capitão PM Uanderson Manoel da Silva foi vitimado com um tiro no peito. O oficial estava sem farda e sem colete durante a troca de tiros:

Confira detalhes.



Delegada se confunde ao vivo entre crime doloso e culposo

Muitas vezes policiais precisam dar entrevistas ao vivo, sob a pressão de ter acabado de atuar em uma ocorrência. Foi o que aconteceu com esta delegada, que acabou se confundindo na conceituação de homicídio doloso e culposo:

Via Treta.



PMs trocam tapas

O vídeo a seguir, aparentemente gravado por PMs de Alagoas (é o que a bandeira no uniforme dá a entender), está repercutindo nas redes sociais, e mostra policiais militares em uma passagem de xerifado (é quando um aluno de determinado curso deixa de ser líder de uma turma e passa a um colega a responsabilidade). Alguns colegas entendem que esse tipo de prática é resultado de “vibração”, empolgação e desprendimento dos incômodos físicos em prol de um objetivo maior: ser aprovado no curso e alcançar o título que o curso concede. Outra corrente, da qual faço parte, entende que não parece muito profissional e digna esse tipo de prática (os risos no vídeo denunciam isso), que não deve ser admitida mesmo que o policial se disponha a isso. Certamente há formas técnicas viáveis para testar o condicionamento físico e a disposição do policial para exercer determinada função ou missão.

Via Jorge Costa



Para entender a privatização de presídios

Pequena reportagem para esclarecer o funcionamento dos presídios privados, “última moda” para a solução das questões penitenciárias no país:

Via Robson Sávio



PRF cria mais de 900 cargos comissionados

Policiais Rodoviários Federais em atuação

Policiais Rodoviários Federais em atuação. Foto: Agência Brasil

Algo que tem recebido muitas críticas em polícias Brasil afora passará a ser disseminado na Polícia Rodoviária Federal (PRF): mais de 900 cargos comissionados foram aprovados pelo Senado Federal, visando nomear Policiais Rodoviários Federais em cargos de chefia e direção. Os chamados “cargos de confiança” nas polícias costumam ser criticados por submeter seus integrantes a critérios políticos para a ocupação de cargos do alto e médio escalão:

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta terça-feira (2), projeto de lei da Câmara (PLC 72/2014) que cria 969 funções gratificadas no Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF). A proposta cria ainda 384 funções de confiança e 5 cargos em comissão. Seus ocupantes deverão exercer atividades de direção, chefia e assessoramento e serem titulares de cargos efetivos dentro do próprio órgão. A matéria segue para votação no Plenário do Senado em regime de urgência.

De iniciativa do Poder Executivo, a proposta recebeu parecer pela aprovação do relator, senador Vital do Rego (PMDB-PB). Além da remuneração do cargo efetivo ocupado, quem exercer uma destas funções comissionadas terá direito a um adicional, que não será incorporado à remuneração do cargo efetivo nem vai integrar os proventos de aposentadoria.

As funções de confiança estão distribuídas por quatro níveis, devendo a maior ser fixada em R$ 5.132,83 e a menor, em R$ 1.336,71, a partir de janeiro de 2015. Ao mesmo tempo em que cria 969 funções gratificadas e 5 cargos em comissão, o PLC 72/2014 extingue 6 funções gratificadas e 53 cargos em comissão.

Fonte: Agência Senado.

Abaixo, a tabela com os valores das funções comissionadas:

Funções comissionadas da PRF

Leia aqui o Projeto de Lei Completo.

 



Delegado emite documento exigindo tratamento de “Doutor”

Um leitor do Abordagem Policial enviou para nossa equipe o documento a seguir, emitido por um Delegado de Polícia Civil de Minas Gerais, e que está gerando bastante polêmica por causa da preocupação do policial com o pronome de tratamento:

Delegado exige tratamento de "doutor"



Como a Holanda reduziu mortes no trânsito

Um dos temas que deve cada vez mais ser preocupação dos policiais, incluindo a formação, é o urbanismo. Não são poucas as implicações da estruturação dos espaços públicos na prática de violências – incluindo o trânsito, mas mais que isso. Em breves relatórios policiais podem indicar a gestores municipais, por exemplo, a necessidade de determinadas medidas que viabilizem a prevenção da violência em uma comunidade

Especificamente sobre a questão do trânsito, que gera dezenas de milhares de mortes todos os anos no país, vale a pena assistir o pequeno vídeo abaixo, que mostra como a Holanda conseguiu reduzir mortes no trânsito de suas cidades. Nada parece inaplicável à realidade de várias cidades brasileiras:

Dica de Ena Lélis



Uma Polícia (111)

Força Nacional de Segurança presta continência à Presidenta Dilma nodesfile de 7 de setembro

Força Nacional de Segurança presta continência à Presidenta Dilma no desfile de 7 de setembro. Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

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Tirinha Policial (111)

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Para não ficar desmoralizado…

Para não ficar desmoralizado...

Tinha cinco anos quando seu pai foi à casa do vizinho reclamar do som alto. Após a reclamação, demorou um pouco, o vizinho novamente aumentou o volume. Para não ficar desmoralizado, seu pai foi lá e deu uns esbregues no impertinente.

Com dez anos, chegou em casa chorando, depois de ter apanhado do colega após discutirem pela bola no jogo de futebol. Seu pai logo disse: “da próxima vez, revide. Filho meu não fica desmoralizado”.

Para não sair desmoralizado, enfrentou o rapaz que beijava sua ex-namorada na frente de todo o colégio. Tinha quinze anos.

Com dezenove, não aceitou a desmoralização de um espertinho que tentou cortar a fila no banco. Deu-lhe um empurrão para nunca mais fazer aquilo.

Aos vinte e um tinha se tornado policial. Em uma das abordagens que realizava na rua, o suspeito sorriu. Para não ficar desmoralizado…

 

*Ficção Policial é uma série de posts do Abordagem Policial de caráter literário. Nenhum dos fatos ou personagens ilustrados são reais.