A vinculação da atividade policial com o militarismo dá margem a incontáveis análises, sob as óticas mais desfavoráveis ou positivas que se possa imaginar. Aqui será tratado somente o aspecto positivo da situação de militar diante das circunstâncias que cercam determinadas ações policiais.

A ação intimidativa e, por conseguinte, preventiva, prevista no texto constitucional pela missão ostensiva a ser desempenhada é corroborada por virtudes do militarismo, como a ordem, a disciplina e, sobretudo, a marcialidade. O desembarque de uma tropa, seja em praça de guerra ou no mais sereno local de ação, juntamente com ações de demonstração de força, usualmente dissuadem o potencial ofensivo do “mal” a ser combatido, e isso envolve a forma com que o efetivo é disposto em sua chegada ao local de atuação, sua apresentação pessoal, o aparato bélico, equipamentos que porta e uma vasta gama de detalhes peculiares que contribuem para o sucesso de uma missão.

Figura 1 – Ação em morro – BOPE/ PMERJ

Aplicando-se tais idéias à prática vê-se que, desde a aproximação da fração elementar mais reduzida ao comboio mais grandioso, muito se pode concluir sobre seu provável desempenho na execução da missão. Não há um determinismo que condicione necessariamente os resultados obtidos com essa variável que aqui se analisa, obviamente; o exame é de como essas nuanças podem acabar sendo decisivas para o êxito. Ações hodiernas como as desencadeadas pelo BOPE nos morros do Rio de Janeiro, ou pontuais como as da PMBA no Carnaval em Salvador, e ainda as corriqueiras a qualquer momento, exigem uma ação vigorosa, enérgica, verdadeiramente ostensiva.

Não se pretende, notadamente, a promoção gratuita do que se entende por embuste nos meios militares, e sim o aproveitamento de toda a capacidade persuasiva oferecida pelo adjetivo militar que o policial carrega em seu brasão, seu uniforme, viatura, graduação/patente, em seus equipamentos e, por que não dizer, em seus hinos, cantigas ou até em suas continências. Cada um desses traços é responsável por criar um espírito de corpo, uma identidade comum que fortalece as guarnições nos combates e saudavelmente as diferencia dos demais indivíduos comuns.

Figura 2 – Manifestação de estudantes – PMBA

Destarte infere-se que a passagem da famosa “fila” de policiais em meio aos circuitos carnavalescos, em eventos especiais ou festas de largo tenha função tão grandiosa; que a distribuição de patrulhas ordeiramente em incursões a morros traduz um ideal de poder representado pela técnica, pela unidade de comando; a aproximação tática de uma guarnição que carrega consigo o que de bom o militarismo lhe oferece aumenta sua potência.

Há quem defenda que tudo isso poderia ser alcançado sem a alcunha de militar, que a Polícia Rodoviária Federal tenha essa ostensividade sem o compromisso com a hierarquia e a disciplina advindas das Forças Armadas, ou até que as Polícias Civil e Federal alcancem esses objetivos quando necessários. São pontos de vista a ser considerados, esse texto não tem pretensão de se tornar unânime ou absoluto.

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