Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 
por Marcelo Lopes“O modelo de funcionamento policial, além de reativo, é inercial, porque tende a reproduzir padrões tradicionais, sem que haja qualquer avaliação a respeito de sua eficiência ou adequação às novas exigências da sociedade democrática e plural contemporânea” Luiz Eduardo SoaresAs mudanças no mundo moderno acontecem de forma assustadora. A sociedade nos últimos tempos se modernizou de forma exponencial. A revolução social, causada pela democratização da informação, pelos altos graus de interatividade, pelo crescente fortalecimento do conceito de cidadania e a internalização consciente dos nossos direitos e garantias fundamentais nos obrigam constantemente a refletir sobre os nossos próximos passos, e de que maneira, nós, profissionais da Segurança Pública, poderemos melhor servir, e de modo satisfatório atender as complexas e crescentes demandas sociais.Desde a Constituição de 1988 que as mudanças vêm acontecendo de forma mais acelerada e processos mais profundos e complexos de transformação são diariamente construídos pelas forças que regem a sociedade. Não podemos ficar à margem, observando, como se estas mudanças não nos dissessem respeito. Não podemos aceitar que as tradições nos impeçam de nos modernizar, e quando digo modernizar não estou falando somente em tecnologia, computadores, banco de dados, fibra ótica etc., e sim, em uma sintonia constante entre a polícia e a população, porque socialmente moderno para um corpo que tem a pretensão de prover Segurança Pública é procurar entender, e da melhor forma, atender, aos anseios do povo.Estas palavras não são político-partidárias, não se vinculam a nenhuma corrente ideológica ou algo do tipo. Elas são, na realidade, uma lembrança de que somos policiais militares e que nossa principal missão é servir, e a polícia tem de ser a policia que a população quer, e ainda, perceber que esta população tem uma dinâmica infinitamente diferente das instituições centenárias ou tradicionalistas.Acredito no profissionalismo e na legalidade, mas na legalidade que se legitima a cada dia, nos anseios sociais e na carência da população. Todo nosso esforço deve ser direcionado ao cumprimento de nossa missão. Devemos nos adequar àquilo que o povo espera de nós e não o contrário. Perguntar-nos incessantemente e tentar responder-nos com mais veemência ainda, se o caminho que estamos percorrendo está convergente com os anseios da população deve ser um exercício diário, sob pena de nos enclausurarmos em nós mesmos e de forma fatídica perdermos o bonde da história.”Quem perdeu o trem da história por querer, saiu do juízo sem saber, foi mais um covarde a se esconder diante de um novo mundo” Beto Guedes
por Danillo FerreiraAo tentar ler o título deste texto, certamente o leitor viu-se com a língua amarrada; isso por se tratar de uma palavra alemã, com intrincadas combinações silábicas, desconhecidas do nosso português. Entretanto, o significado da palavra não pode nos ser tão estranho, como o é sua pronúncia. “Auftragstaktik” é um conceito de operações táticas que os alemães utilizam em suas Forças Armadas desde a II Guerra Mundial. E, por mais controverso que possa parecer, temos a aprender com o exército que um dia fora comandado por Adolf Hitler.A “Auftragstaktik” se baseia na idéia de que os líderes, nas diversas camadas hierárquicas em que atuam, devem ter potencial de adaptabilidade, pois o campo de batalha moderno exige do combatente esta característica em virtude de sua alta complexidade. Assim, um Tenente, por exemplo, deve apenas mostrar sua intenção para seus Sargentos numa determinada missão, pois, novamente em virtude da complexidade do campo de batalha, o comandado irá encontrar situações diversas que, mais do que os parâmetros estabelecidos pelo comandante, determinarão sua atuação.Essa visão pressupõe duas situações: a primeira é que o comandado terá o discernimento e o preparo necessário para atuar, pois se assim não for, o comandante não poderá delegar-lhe algum poder decisório. A outra é que, não obstante o comandante delegue-lhe o poder, isso não significa que aquele não lhe dará os meios para efetuar a operação – trocando em miúdos, não se trata do inconveniente “se vire”.Importando para a realidade policial militar, podemos dizer que a “Auftragstaktik” é tão, ou mais, conveniente a essa do que para as Forças Armadas. As PM’s, que têm como primordial função a manutenção da Ordem Pública, necessitam que seus agentes estejam sempre dispostos a mudarem suas táticas e técnicas em virtude das grandes possibilidades de transformação que a sociedade possui (inclusive sua parcela delinqüente). Assim, faz-se necessário que mesmo o menos antigo soldado esteja em conformidade com a possibilidade dessas mutações.Daí porque é desaconselhável a um comandante, em qualquer esfera de comando, “engessar” uma missão, detalhando passo-a-passo a atuação do comandado, mesmo porque essa previsão certamente não se realizará. Como escreveu o Marechal-de-Campo prussiano Helmuth von Moltke:A vantagem que um comandante pensa obter por meio da contínua intervenção pessoal é, mais que nada, ilusória. Engajando-a, ele se atribui uma tarefa que na verdade é de outros, cuja eficiência ele assim destrói. Ele multiplica as suas próprias tarefas até o ponto em que já não consegue cumprí-las como um todo. * * *- Para os mais atentos, este blog agora passa a ostentar novo layout, mais conveniente para as intenções dos colaboradores.- Agradecemos a publicação de alguns textos deste blog no website oficial da PM de Goiás.
por Daniel AbreuÉ inegável que a maioria das polícias militares do Brasil não têm atingido suas metas, nem tampouco correspondido às expectativas do seu “usuário”, o povo. O serviço tem se tornado cada vez mais difícil e trabalhoso, a sociedade tem colaborado cada vez menos com a paz social, e a responsabilidade pela manutenção da ordem está pesando cada vez mais nos ombros dos agentes de Segurança Pública.Diariamente, novas pesquisas de tecnologia e alguns outros estudos vêm sendo desenvolvidos, visando amenizar a situação precária, diminuir o desgaste da rotina e agilizar o serviço policial militar, tornando as ações e operações mais rápidas e eficazes.Compartilhando das idéias do Aluno Oficial Marcelo Lopes, e partindo da premissa de que uma das principais funções dos gestores e administradores de Segurança Pública é facilitar e melhorar as condições de trabalho no que lhe couber, apresentarei algumas novas tecnologias e estudos realizados, acreditando que a modernização das instituições responsáveis pela ordem pública seja um dos caminhos para atingir o objetivo constitucionalmente proposto.Pesquisando e tentando relacionar as novidades com a realidade financeira do nosso país, cheguei a uma breve conclusão de quê, um dos principais problemas das nossas milícias é criar um quadro estatístico que armazene e organize os registros dos delitos, de modo que uma preparação científica seja elaborada através desses dados, e a distribuição do efetivo seja de certa forma “efetiva”, já que a oferta não tem acompanhado a demanda. No Rio de Janeiro, esse tipo de tecnologia tem funcionado na forma de um banco de dados informatizado que se atualiza com os registros de crimes das delegacias, e os converte em um mapa digitalizado, mostrando detalhes do crime e como eles se desenvolvem.Um grande problema da realidade policial baiana é a precariedade nas comunicações. Atualmente, está dividida entre o HT e o telefone celular. Porém, tem se observado que inúmeros obstáculos circundam esses meios de comunicação, como a defasagem e os defeitos técnicos do HT, e a resposta lenta dos celulares, que só permitem a comunicação entre dois policiais por vez.Visando melhorar a intracomunicação policial, o governo do Estado de São Paulo, através de um convênio com empresas de telefonia celular e afins, conseguiu a instalação do Backbone, que possibilita através de microondas, uma comunicação digital de rádio protegida por senha, bem como videoconferência. Todo esse sistema, combinado com o HPD (High Performance Data), que possibilita a transmissão de dados das ocorrências, pesquisas de dados e imagens, dinamiza a ação policial, tornando-a mais eficaz e eficiente.Apesar de estarmos evoluindo com a questão tecnológica, como a implantação do GRAER (Grupamento Aére) na PM-BA, e ainda que esse projeto seja referência nacional, nossa corporação conta com certa defasagem de aparelhos, das instalações e das viaturas. Nos resta o comprometimento e a esperança de que seguiremos os bons exemplos, nos conscientizaremos da nossa situação como servidores públicos e nos empenharemos cada vez mais no desempenho da nossa função, que acarretará no reconhecimento do serviço prestado à comunidade, e nos trará aquela sensação de dever cumprido, que é para muitos o único motivo para que se acorde cedo, engraxe o coturno e ponha, verdadeiramente, “a mão na massa”.
por Marcelo LopesSegundo o dicionário, a palavra “vocação” significa tendência, propensão ou inclinação para qualquer estado, profissão, ofício, disposição natural do espírito e até predestinação.O que se observa é que o mundo capitalista e competitivo tem tornado as profissões meros meios de sobrevivência, um caminho pelo qual se consiga obter e manter conforto, bens, status e toda uma estrutura para satisfazer uma série de necessidades virtuais e artificiais, mas que nos leva a crer serem reais e profundas. Via de regra, não mensuramos o sacrifício pessoal que fazemos para sustentar tudo isso.Meu intuito aqui não é fazer com que se corra, de forma irresponsável, em busca da felicidade. Não. É justamente o contrário. É o de termos consciência de que o ideal é uma coisa, mas o possível, o real, é outra. Seria realmente fantástico só fazer o que se gosta, mas isto, de forma plena, com certeza é utopia; então, dentro daquilo que é possível, sem dúvida, devemos enfatizar a valorização do compromisso. Temos que valorizar a capacidade do ser humano, que consciente do sacrifício e dos dissabores a que está sujeito, assume um compromisso, e se regozija em saber que é uma pessoa cumpridora de suas obrigações e também titular dos conseqüentes benefícios.Sempre vejo em jornais, revistas ou até em conversas com colegas a tentativa de explicar, ou de alguma forma associar, as disfunções da atividade policial, com a falta de vocação, o que refuto. Nada justifica. Nós, policiais, devemos ser primordialmente compromissados. A atividade é árdua, por vezes somos mal compreendidos, nem sempre as coisas dão certo, nem sempre estamos com a razão, enfim, mas apesar de todos os pesares devemos perseverar em fortalecer nosso compromisso com a sociedade, em sermos o fiel da balança, em sermos referência de legalidade e cidadania.Com aquilo que não concordamos, não devemos pactuar. Insatisfações, desejos de mudança, reclamações, devem existir. De outro modo não evoluiríamos. Mas os princípios fundamentais, aos quais nós nos comprometemos em proteger e defender, sob pretexto nenhum devem ser violados.
por Danillo Ferreira“Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação mas não a ausência dela; o temor, mas não a tranqüilidade.” - Arthur SchopenhauerA citação acima ajuda a entender uma das peculiaridades da profissão policial militar. Refiro-me ao papel preventivo que legalmente cabe às PM’s no Brasil, e que, por vezes, é um dos motivos que fazem a população “esquecer” da importância que essas instituições têm para o país. Assim, é comum se ouvir a frase: “PM: Ruim com ela, pior sem ela”. Diversas vezes, quando ocorreram greves nas polícias militares de vários estados, os cidadãos perceberam o mal evitado por estas instituições.Com sua ostensividade, e, assim, com a ação de presença de homens representantes do Estado, o bandido em potencial fica acuado, sentindo cerceada qualquer conduta que venha delinqüir a ordem pública. Obviamente, para que esse tipo de atividade funcione de maneira adequada, faz-se necessário a proporcional medida de homens e viaturas por número de habitantes em uma determinada área, algo que nem sempre as polícias dispõem. Certamente esse é um dos principais problemas que os administradores das polícias enfrentam – a distribuição racional e necessária de seu efetivo e recursos geradores de ostensividade.Daí, temos que as áreas mais críticas para a Segurança Pública atualmente, não por coincidência, são as que menos possuem essa presença policial à vista dos cidadãos. Na tentativa de solucionar o problema, as polícias estão tentando dominar e se fazer presente nos locais inóspitos mesmo para homens legitimados pelo Estado e armados para reagir a qualquer resistência criminosa. Nesse sentido, temos a ação da PMERJ no Complexo do Alemão, e, aqui na Bahia, a atual empreitada da PM-BA, em parceria com a Polícia Civil, no Nordeste de Amaralina, bairro com um dos maiores índices de criminalidade em Salvador.Voltando à citação de Schopenhauer, lembremos que embora a atuação preventiva seja menos sentida pelas pessoas, ela deve ser valorizada como a mais importante função da Polícia Militar. A repressão, quando necessária, deve acontecer, mas deve ser evitada o máximo. É mais importante para a polícia e para a sociedade o não acontecimento da desordem, do que um possível bônus por ter reprimido um delinqüente. Como diz a sabedoria popular: “É melhor prevenir do que remediar”.PM-BA: Mais de 400 homens no Nordeste de Amaralina (Elói Corrêa/ Agência A Tarde)