Defesa Pessoal/Artes Marciais nas Polícias

Durante algum tempo, a equipe do Abordagem Policial discutiu sobre o assunto, e não foram poucas as divergências. Porém, existe um ponto que a maioria, ou até mesmo toda a equipe, concorda(?); as tradições herdadas das Forças Armadas e o despeito para com o supracitado assunto, têm, de certa forma, impedido o desenvolvimento e a adaptação da Defesa Pessoal Policial ao cotidiano e à verdadeira missão das PM’s. Como já pratiquei, e estudo a respeito a mais tempo do que os outros integrantes, a missão me foi paga, e com muita satisfação venho expor minhas opiniões, ao tempo que abro um espaço para debates e discussões.

Ao vasculhar antigos materiais sobre artes marciais nas polícias, encontrei um antigo Manual de Ataque e Defesa do Exército, que era utilizado mais ou menos entre 1980 e 1989 pela APM-BA. O manual basicamente ilustra e demonstra como utilizar técnicas marciais de projeção, estrangulamentos e outros golpes que, aplicados corretamente, certamente deixariam o oponente fora de combate. O material tem, em sua maioria, técnicas de Judô e Jiu-Jitsu. Trazendo para a nossa realidade, e saindo do ambiente “marcial”, que deriva nada mais nada menos de Marte, antigo deus da guerra, percebemos que não é aplicável ao cotidiano e às ações policiais a utilização dessas técnicas, pois nosso objetivo ao entrar no ambiente hostil, é, na maioria das vezes, senão em todas, de isolar, conter, conduzir, utilizando a força necessária para que os policiais envolvidos, as vítimas (caso haja) e os agressores saiam ilesos.

A priori, a intenção deste texto foi trazer para os leitores qual das artes marcial era mais eficiente e produtiva no nosso meio de trabalho. Primeiramente eu iria listar as técnicas utilizadas pelas principais polícias do Brasil e do mundo. Porém, como preciso dar uma opinião para que apareçam divergências (e o debate), eu decidi mostrar o modelo que eu considero ideal no momento.

Para as atividades de polícia, quando há necessidade de contato físico, é imprescindível que o agente controle a situação e esteja sempre com o alvo dominado, por isso, é de extrema importância que o mesmo esteja habituado a utilizar técnicas de torção, imobilização e outros golpes mais ofensivos e menos letais. Normalmente, na Bahia, as aulas de Defesa Pessoal são ministradas por professores de Judô – arte que ainda não conseguiu um consenso quanto a sua eficiência na prática. Como todo mundo acha que o policial tem que ser perfeito, e pelo menos no que tange a essa parte, concordo, o agente de segurança tem que ser formado e técnico no estilo que eu chamaria de “Defesa Pessoal Policial” que é o conjunto de técnicas e habilidades necessárias para o desempenho da sua função, e não tão-somente em uma arte marcial que não foi adaptada para a realidade.

Na pesquisa feita, achei um modelo que considero viável e de grande potencialidade. É o modelo utilizado pelo tenente Ricardo Robson da Silva (instrutor de defesa pessoal da Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo), que é a adaptação das técnicas que mais necessitamos. O treinamento consiste em aulas de desarme, imobilização, condução, combate com a tonfa (bastão policial), além da aplicação do gás de pimenta, que nada mais é que um instrumento de defesa pessoal. Esse programa ainda é avaliado e estudado a cada seis meses, com a intenção de ambientar as aulas com as necessidades que surgem. Acredito que tal método deveria, no mínimo, ser analisado pelas outras polícias. Aqui na Bahia, tenho certeza que temos oficiais capacitados para aplicar tais idéias, e talvez o que falte seja o mero incentivo.

Na pesquisa também encontrei um curso, desenvolvido pelo Mestre Fernando Loio, que pretendo fazer um dia, que é o ULTIMATE FULL DEFENSE. É algo mais particular, mas como informativo deixarei aqui no blog. O curso oferece as seguintes matérias:

- Preparação Psíquica para o confronto;
- Filosofia de Segurança;
- Conceitos;
- Atitude;
- Prevenção;
- Reação;
- Gradiente da Força;
- Técnicas de Algemar;
- Chaves e imobilizações policiais;
- Golpes Contundentes / Traumatizantes;
- Zonas de Ataque;
- Posicionamento;
- Abordagem de suspeitos;
- Uso e defesa contra armas – Bastão, Tonfa, Armas de Fogo, Facas;
- Close Combat;
- Combate com facas;
- Técnicas de Tiro – instintivo, mirado e no escuro;
- Infiltração;
- Técnicas de entrada;
- Progressão Policial;
- Combate em Ambientes Fechados;
- Acompanhamento;
- Escoltas;
- Proteção pessoal;
- Tipos e Características das Armas;
- Condicionamento físico.


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6 Comentários

  • Artur Sampaio
    20 set 2009 | Permalink |

    Procurando uma arte marcial que pudesse ser utilizado de forma mais eficiente no dia-a-dia policial, conheci o Jukadô, que é uma arte que utiliza técnicas de judo, karatê, jiu-jitsu e aikido. Gostaria de ter mais informações e saber mais sobre sua eficácia.

  • Diego
    15 jan 2010 | Permalink |

    Como faço para fazer o curso?

  • 12 mar 2011 | Permalink |

    Ola amigo Daniel Abreu!
    Primeiramente parabèns pelo exelente artigo, gostaria de aproveitar e falar que a PMERJ tem um método de defesa próprio e específico para a atividade policial, chamado (MDPM) MÉTODO DE DEFESA POLICIAL MILITAR, onde temos diversas técnicas, que são paltadas em nossa realidade policial no uso progressivo da força, as técnicas vão da imobiloisação, condução, bastão, tonfa, algemação, desarme até quedas e rolamentos com todo o equipamento que o policial se encontra na rua (serviço), o MDPM hoje é matéria obrigatória na formação do policial, onde ele tem 40 horas de aula, um grande abraço a todos…

  • david Sousa Silva
    16 jan 2012 | Permalink |

    saudações sou praticante de artes marciais a 19 anos pratico taekwondo sou faixa preta 3° dan gostaria de aprender e desenvolver um trabalho junto a policia

    .

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