Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 
Na doutrina policial, há uma classificação de eventos denominados especiais, e nessa categoria estão incluídos os jogos de futebol, que no Brasil adquirem repercussão ainda maior, dada a tradição do esporte. Analisar as variáveis envolvidas é tarefa árdua, em virtude do universo de peculiaridades que envolvem esses eventos, os quais têm como sendo um dos sinônimos, para fins policiais, o de "serviço diferenciado", que "... consiste na execução de tarefa afeta à atividade de segurança pública, com usuário determinado, não listada como atribuição ordinária de qualquer dos órgãos referidos no 'caput' e desincumbida mediante solicitação que implique no emprego de pessoal e meios deslocados de seus locais ou horários de atuação por força de alteração do planejamento ordinário da Unidade considerada.", conforme a LEI Nº 6.896 DE 28 DE JULHO DE 1995, estabelecedora do FEASPOL, Fundo Especial de Aperfeiçoamento dos Serviços Policiais. Abordagens preventivas nas entradas do estádio – Foto: A TARDE Há movimentação financeira significativa, a começar pela arrecadação das bilheterias, que em jogos de maior porte chega a girar em torno de meio milhão de reais, chegando a necessitar de escolta policial no transporte desses valores. A quantia, muitas vezes, acaba sendo multiplicada nas mãos dos cambistas, que até pouco tempo costumavam arriscar-se em busca de alguns trocados, valendo-se da vantagem de evitar que o torcedor enfrentasse tumultos ou longas filas na aquisição. Hoje há sinais de possível envolvimento com pessoal infiltrado em processos de produção e distribuição dos bilhetes, conforme noticiado pela imprensa ultimamente, em partidas nas quais o esgotamento deu-se no primeiro dia de vendas, sem que houvesse aparente movimentação de público suficiente para alcançar tal proeza de adquirir todas as entradas em tempo recorde. Mecanismos de cadastramento e limitação de quantidade têm sido aplicados no intuito de combater tal prática, mas o êxito pleno ainda não foi alcançado. A atividade dos cambistas não é exclusividade local, há registro nos grandes eventos mundiais, como copa do mundo e olimpíadas, o que, entretanto, não justificaria tolerância ou leniência. Sugere-se a adoção de medidas como a antecipação e descentralização das vendas, com cabines em shoppings, estações e outros locais de fácil acesso. A LEI No 10.671, DE 15 DE MAIO DE 2003, denominada Estatuto do Torcedor, que será citada ainda em outros trechos, garante no parágrafo 5º do artigo 20 que “Nas partidas que compõem as competições de âmbito nacional ou regional de primeira e segunda divisão, a venda de ingressos será realizada em, pelo menos, cinco postos de venda localizados em distritos diferentes da cidade.”. Há lugares em que as bilheterias não funcionam no dia do jogo, ou pelo menos no turno ou dia da partida, medida polêmica que exige antecipação do público, mas contribui com a segurança no local. Essa organização é de responsabilidade dos clubes, mas constantemente a PM é chamada para estabelecer a ordem nesses locais. Policiais da ROTAMO controlam movimento na fila para compra de ingressos – Foto – A Tarde Na economia em torno de uma partida predomina a informalidade, há o confronto constante dos guardadores de carro devidamente sindicalizados contra os “biscateiros”, sendo que os chamados “flanelinhas” chegam a envolver-se em brigas entre si na disputa por espaço, cobrando quantias cada vez mais polpudas e inclusive antecipadamente para estacionar veículos sobre canteiros, jardins, em contra mão, fila dupla e outras dispositivos em desacordo com o artigo 180 da LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997, o Código de Trânsito Brasileiro, trazendo transtornos para o tráfego e até mesmo multas para os proprietários, que ainda temem por arrombamentos, danos ou ter seu carro rebocado. O Estatuto do Torcedor prevê o provimento de transporte coletivo e estacionamento seguro no capítulo VI, e tacitamente é desobedecido por quem deveria cumpri-lo. Os acessos às praças desportivas geralmente são marcados pela grande aglomeração de pessoas: ônibus superlotados chegam com torcedores exaltados ao ponto de pendurarem-se em janelas ou até subirem no teto, provocando caos no trânsito; se aliam a esses fatores os problemas de estacionamento já citados e o clima festivo da maioria dos jogos, onde carros portando bandeiras e som em alto volume contribuem para a agitação do ambiente. Igualmente é no final da partida, com a evacuação muitas vezes marcada pelo empurra-empurra, passageiros transportados do lado de fora dos ônibus, amontoados nas portas de modo precário, ao som dos buzinaços e algazarras. Torcedores em cima do ponto de ônibus – Foto: A Tarde Conta-se ainda com a atividade dos vendedores ambulantes que, entre cadastrados ou não, comercializam diversos tipos de bebidas e alimentos, sem a devida coleta de impostos, fiscalização de higiene ou segurança, possibilitando que se espalhem pela área próxima e até dentro do estádio latas, garrafas de vidro, espetos, facas e outros objetos que facilmente se tornam armas, maximizando lesões corporais. Há a presença de frigideiras, chapas e churrasqueiras em áreas de acesso e circulação, com o risco de provocarem acidentes e queimaduras no caso de algum tumulto ou simples descuido. Destaca-se no contexto a situação do álcool, o qual, vendido livremente, acaba por potencializar o surgimento de conflitos. Certamente o poder de polícia do Estado legitimaria uma proibição do comércio de bebidas alcoólicas dentro do estádio, medida que já esteve em pauta em Minas Gerais, por exemplo. Tal decisão desagradaria grande parte da torcida, mas o benefício trazido pela limitação deve ser avaliado com racionalidade. Nas torcidas a praxe é a descontração, o clima festivo, muitas vezes animado por gritos, cânticos e até grupos percussivos, contudo a aglomeração está sempre sofrendo a ação de fatores psicológicos: o sentimento de grupo, seja das torcidas organizadas, uniformizadas ou de cada indivíduo isoladamente, os faz sentir-se como um corpo, e devido à sua grandeza, passa a crer na detenção de poderes ilimitados; ensejam no desafio para duelo, visando sempre a criação de um inimigo na disputa, seja ele a equipe adversária, representada pelos atletas ou torcida; o próprio time, quando vai mal; os árbitros ou a polícia, com resultado de danos à integridade física de indivíduos ou à estrutura física da área. É o momento do desabafo, da descarga de stress, explosão de emoções, válvula de escape dos dramas cotidianos. A infra-estrutura precisa estar sempre apta a receber tamanho impacto, e no país que sediará a copa de 2014 essa não é uma realidade alcançada. Recentes relatórios condenaram diversos estádios no país, entre eles o Otávio Mangabeira, conhecido como Fonte Nova, que há algumas semanas foi noticiado como o pior estádio do país, entre 29 avaliados pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), e neste domingo, 25 de novembro de 2007, foi palco da maior tragédia do futebol brasileiro, superando o ocorrido em 4 de março de 1971, dia da reinauguração, onde acabara de ganhar o anel superior, local do acidente de ontem. Àquele tempo, o motivo foi um falso boato de desabamento; agora veio a tornar-se realidade. Local da arquibancada que cedeu - Fotos: A Tarde Naquela ocasião, 2 torcedores morreram e mais de 2 mil foram feridos; dessa vez a calamidade foi a quantidade de mortos, noticiada em 7, que no momento comemoravam efusivamente a classificação da equipe para a série B. Há pouco mais de um ano, na data de 28 de outubro de 2006, foi registrado tumulto durante a partida do Bahia contra o Ipatinga, jogo decisivo onde o time sofria derrota, razão que desencadeou a invasão do campo por parte da torcida, interrompendo a partida. Houve arrombamentos e depredação generalizada, além de confronto entre policiais e torcedores nas arquibancadas e em campo. Pessoas em cima das traves e acidentadas na invasão do campo – Fotos: Correio da Bahia Neste Bahia e Vila Nova a situação era semelhante, porém oposta quanto aos ânimos, já que a expectativa maior era de comemoração, e assim houve após o jogo, com trios elétricos e artistas na saída do estádio, todavia a festa foi suspensa diante do acontecimento trágico e fatal. Informações indicam que neste domingo havia 472 policiais atuando na segurança, contra 295 naquele sábado de 2006. Mesmo com esse reforço, foi inevitável a invasão de campo, que provocou lesões e fraturas em muitos torcedores quando tentavam pular muros e grades para alcançar o campo; ocorreu ainda a queda de um alambrado nesse ensejo. Torcedores pulam grades e alambrado despenca - Fotos: UOL O que poderia ser uma manifestação alegre virou vandalismo, com torcedores a arrancar placas de grama no campo, rasgando redes e uniformes dos atletas, que chegaram a ficar apenas de cueca na fuga para o vestiário, além de terem pulado em cima do banco de reservas, toldos e até no carrinho-maca. É improvável que forças policiais consigam conter a euforia de 60 mil pessoas em um ambiente como aquele, o melhor possível é tentar a contenção e limitar os excessos. Destruição de carro-maca e toldo - Fotos: A Tarde Nada disso, porém, superou o mal maior: a queda de parte da arquibancada. A cena era chocante para os que passavam próximos, com diversos corpos estendidos sobre degraus da escada, onde escorria muito sangue. Algumas vítimas foram vistas agonizando e entrando em óbito, com deformações e fraturas expostas. Local da queda e corpos estendidos – Fotos: A Tarde Policiais militares foram responsáveis por providenciar o rápido isolamento do local, e dentro da versatilidade e universalidade de funções exercidas, tiveram que acalmar ânimos, conter a agitação, auxiliar a prestação de socorro e consolar os amigos e parentes que surgiam a cada instante, manifestando dor e desespero diante da cena trágica que envolvia as vítimas, algumas socorridas e encaminhadas para hospitais, outras já cobertas à espera da perícia e transporte do Instituto Médico Legal. Alguns cidadãos choraram nos ombros e se confortaram abraçando soldados que os confortavam. Disso tudo, fica a perspectiva de uma reflexão e a tentativa de buscar soluções, como as já citadas em parágrafos acima. Há quem seja favorável pelo aumento do preço do ingresso, em troca de um serviço de melhor qualidade, com reformas e manutenção periódica na infra-estrutura, maior segurança e comodidade. São temas para debate nesse novo rumo que aquela histórica praça desportiva irá tomar, seja pela reconstrução, demolição, reforma ou medida que parecer mais produtiva, de modo que jamais na história registre-se novamente tamanha fatalidade.
Criada na Polícia Militar da Bahia pelo decreto nº 7.926, na data de 18 de abril de 2001, a Companhia de Polícia de Ações em Caatinga - CPAC surgiu como uma nova unidade especializada para atuar no sertão baiano, tendo uma missão precípua bastante similar à constitucionalmente prevista para a Polícia Federal, a de combater as plantações e o tráfico na região conhecida como “Polígono da Maconha”, além da repressão em roubos a banco, cargas, ônibus e demais delitos de grande porte ocorridos no interior do estado, em circunstâncias onde as tropas ordinárias não estão plenamente aptas a atuar. Seus combatentes utilizam o uniforme 15°a, conhecido e popularizado pela similaridade com o dos soldados americanos no Iraque. O camuflado caatinga é bem coerente com a ambiência de atuação da unidade, e como todo uniforme diferenciado, confere ao militar um status precioso, que deve ser mantido com a disciplina tática e a aplicação da técnica nas ações, no que a CPAC tem correspondido satisfatoriamente, e remetendo ao dito no parágrafo anterior, a companhia atuou na Operação Prometeu, em junho, junto à Polícia Federal, Polícia Militar de Sergipe e de Pernambuco, com sucesso noticiado em rede nacional pela imprensa. Batalhão de Choque da PMSE e CPAC da PMBA na Operação Prometeu – Foto: Allan de Carvalho/SSP (site da PMSE) No âmbito estadual, a população soteropolitana tem todo ano a oportunidade de contar diretamente com o trabalho desta durante o Carnaval, onde novamente é digna de elogios e admiração. Interceptação de briga e auxílio à prestação de socorro dos bombeiros militares - Foto: Terra Ainda durante os procedimentos para a publicação desse texto, foi noticiado pela imprensa o desencadeamento de uma nova ação de grande porte da CPAC, junto às Polícias Federal e Civil, além do Corpo de Bombeiros e outras unidades da PMBA, novamente para combater o plantio e o tráfico nas fronteiras do norte do estado. Foi utilizada a nomenclatura de “Operação Labareda”, modismo sensacionalista sob a ótica de alguns críticos, de prática propagada principalmente pela Polícia Federal junto à imprensa nacional, mas isso é tema para discussão em outro momento. Policiais e agentes envolvidos na Operação Labareda - Foto: A Tarde É notório entre seus policiais o orgulho por servir nesta unidade, que goza de diferenciado prestígio no alto comando da corporação, bem como na sociedade, conforme registrado pela revista Veja, na seção Cartas na edição de 24 de outubro de 2007, onde um baiano teve publicado seu comentário alusivo à reportagem especial da capa anterior sobre o filme Tropa de Elite, com o registro: “Sugiro a filmagem de Tropa de Elite 2, usando como cenário o semi-árido baiano, onde os comandos especiais da Polícia Militar baiana combatem os plantadores de maconha e os assaltantes de banco. Parabéns pela reportagem. Parabéns pelo filme. Antonio Ricardo Cassa Louzada Eunápolis, BA” Ainda que a cidade do leitor não corresponda ao ambiente de atuação corriqueiro da CPAC, o elogio a alcança em lato sensu. Vanguardista no seguimento, a unidade é referencial para todas as demais especializadas criadas nesse âmbito, como a CIAC, CAEMA, CAEL, CAERC, CAESG e CAESA, tendo inclusive liderado recentemente, entre 14 e 17 de outubro, a Operação Sertão Livre II, oportunidade em que compartilhou parte de sua experiência com cinco das “menos antigas”, alcançando mais uma vez êxito exemplar. CPAC na Operação Sertão Livre II – Foto: Site da PMBA A multiplicação dessas unidades operacionais parece confrontar parcialmente com a perspectiva da polícia comunitária, dado seu caráter repressor, ostensivo, distante do perfil cidadão, em virtude de sua farda, equipamento, viaturas e demais caracteres, temática recentemente discutida por este blog. Imagens do curso – Foto: Orkut Atuar na CPAC é uma pretensão de muitos policiais militares que, além do valoroso curso de combate rural em áreas de caatinga, ministrado pela própria PMBA no período de 8 dias na seca tórrida da caatinga baiana, terão que demonstrar princípios e virtudes como disciplina, lealdade e bravura, facilmente perceptíveis naqueles que honrosamente vestem a farda e acima de tudo incorporam o espírito “Sertão!” de ser e agir.
por Marcelo LopesSem dúvida a fiscalização da tropa é uma das principais ferramentas para se ter certeza do bom andamento do serviço. É preciso se assegurar de que as ordens e determinações estão sendo cumpridas de modo satisfatório, a fim de que o serviço prestado seja sempre melhorado e eventuais disfunções possam ser, ainda no nascedouro, corrigidas.Ninguém duvida da importância da fiscalização, mas, o trabalho fiscalizador, por si só, além de ser impossível em sua plenitude, em virtude da pirâmide organizacional da Policia Militar ter uma base muito larga, efetivamente não se constitui numa práxis transformadora do comportamento humano. Não pretendo discorrer acerca da chamada disciplina consciente, até porque, tal expressão, em virtude de já ter sido vítima de inúmeros sofismas encontra-se por demais desgastada.Precisamos entender que somente se condiciona aquilo que é superficial, aparente e mecânico. Com certeza o condicionamento a determinadas situações e procedimentos fazem parte do dia a dia de todos nós, alguns de importância vitais outros nem tanto. Não se discute a importância do condicionamento dos membros de uma corporação com relação a seu processo histórico de construção da personalidade organizacional, mas sem dúvida é o trabalho árduo, através do convencimento, da persuasão, da conscientização e do constante questionamento que faz com que a organização possa se criticar, se melhorar internamente de modo a refletir seus avanços socialmente. O condicionamento por si só não impõe mudança, mas perpetua as velhas formas.Conceber que vincar a farda, estufar o peito, engraxar o coturno e colocar-se numa atitude expectante por si só faz a ostensividade da Policia Militar é realmente uma falácia, apesar de que, aos olhos dos mais desavisados possa parecer verdade. Ostensividade pressupõe atitude, compromisso, senso crítico, acreditar na importância da excelente execução da missão, portanto, não é trabalho de condicionamento e sim de convencimento. Um trabalho de condicionamento sem o devido convencido no plano das idéias se torna extremamente penoso para quem é obrigado a cumprir tais determinações e produz disfunções de toda natureza. A fiscalização pura e simples condiciona o homem a fazer aquilo que somente a fiscalização cobra, de modo tácito impede que se expanda toda a capacidade potencial produtiva do policial. O condicionamento deve ser conseqüência da consciência. O principal recurso da Policia Militar é o ser humano, e o principal recurso do ser humano é a capacidade intelectiva, a racionalidade - somente trabalhando este lado estaremos mudando comportamento e aperfeiçoando nossos condicionamentos em prol da melhora corporativa.A Policia Militar deve sempre ter como meta o processo revolucionário em alguns instantes, evolucionário sempre, no sentido de construir a consciência de todos os seus membros para melhor adequar a consciência individual com objetivo corporativo, a fim de minimizar frustrações e corrigir disfunções. Como disse, o trabalho é árduo, o tempo de mudança de uma corporação não é tempo de mudança individual, quanto mais alto o grau hierárquico, maior será o desgaste pessoal, mas sem dúvida este caminho proporcionará mudanças estruturais que acarretarão numa melhor qualidade organizacional.
por Daniel AbreuMuitas vezes, nós, policiais, nos acomodamos com a situação de paz, e erroneamente nos afastamos dos princípios e técnicas aprendidas nos cursos de formação e outros cursos que por ventura façamos durante a nossa carreira. A rotina sempre tranqüila que alguns enfrentam, acaba trazendo a falsa sensação de segurança, o que acarreta na mudança da postura no posto de serviço e no desestímulo pelo aprendizado de novas técnicas e aperfeiçoamento das manobras e atuações práticas do currículo policial. Há de ser lembrado que, se o serviço está tranqüilo, e alterações acontecem raramente na área de atuação do policial militar, isso significa que o policiamento ostensivo está surtindo efeito, e evitando a prática de ações delituosas no local. Acredito que, constantemente, todos os policiais deveriam passar por reciclagens práticas e teóricas das disciplinas ligadas ao nosso cotidiano, e, além disso, serem avaliados anualmente quanto ao seu desempenho físico, sendo que, todos esses pontos seriam avaliados para a promoção do mesmo. Claro que adotar esses procedimentos não seria tão simples como parece, pois a administração teria que providenciar condições necessárias para o cumprimento dessas metas, bem como locais onde as atividades possam acontecer. Além de melhorar a capacitação do profissional, essas atividades trariam benefícios a qualidade de vida dos membros da corporação, e conseqüentemente um aumento no rendimento dos recursos humanos da PM.Melhorar o desempenho dos policiais não está só ligado a fatores de aprendizagem, nem a capacidade física. Muitas vezes um soldado, no seu “PO”, só precisa de uma motivação, um “plus”, como costumam dizer na caserna. Precisa de alguém que não complique as coisas, e que faça o serviço fluir de forma natural. O papel do oficial, principalmente do tenente, na função de Coordenador de Área, é justamente facilitar o serviço e não criar problemas ou empecilhos, observando os limites da hierarquia, disciplina, eficácia e o bom andamento do serviço. Afinal, além de gerenciar crises rotineiras fora do quartel, o policial militar tem que estar preparado para qualquer adversidade, pois interage diretamente com o mais difícil material de trabalho existente, o homem.A vontade de escrever sobre a reciclagem foi justamente por perceber a falta de padronização nas ações rotineiras das polícias militares, e a existência de várias correntes doutrinárias no âmbito técnico-operacional. Ainda existe a necessidade de se estudar as técnicas, que a cada dia são aperfeiçoadas, e de se legitimar a utilização das mesmas, de forma a torná-las fortes e consistentes o suficiente para respaldar as ações e operações policiais militares. Salientando também que somado a perda da identidade de autoridade, esses problemas têm acarretado ao desrespeito da figura do Soldado de polícia, figura esta que representava, ou representa, a força, a coragem e a honra das organizações militares, sendo hoje por diversas vezes questionados durante o serviço sobre sua atuação, e por isso mesmo a necessidade efetiva da legitimação da nossa doutrina. A sociedade moderna, a cada dia que passa exige mais do técnico de segurança pública, e este precisa estar com seus artigos e parágrafos afiados para responder a altura, e mostrar definitivamente que a polícia militar faz um trabalho sério, legal e de qualidade.
Rio de Janeiro já tem 50 policiais mortos em 2016 
Estudo mostra que maioria de menores infratores não tem pai em casa 
É consenso entre os estudiosos que a Segurança Pública é um setor que não deve ser privatizado. Os motivos são óbvios: o Estado deve possuir a exclusividade do uso da força e o poder da relativa supressão de direitos dos cidadãos, isso conforme especificações legais. Relegar tal função a entidades privadas é, no mínimo, correr o risco de tornar as atividades ligadas à preservação da ordem pública mero instrumento para aquisição de lucro. No Brasil, a atividade de segurança privada é permitida, e está regulamentada pela Lei nº 7.112/83, onde se dispõe sobre os limites da atuação dos agentes privados de segurança. A Portaria nº 387/2006, que altera e consolida as normas aplicadas sobre segurança privada, explicita quais são as atividades de segurança privada: vigilância patrimonial, transporte de valores, escolta armada, segurança pessoal e curso de formação de vigilantes. O referido curso de formação de vigilantes terá, no mínimo, 16 dias (160 horas/aula), onde serão ministradas as seguintes matérias: - Noções de segurança privada; - Legislação aplicada; - Direitos humanos e relações humanas no trabalho; - Sistema de segurança pública e crime organizado; - Prevenção e combate a incêndio e primeiros socorros; - Educação física; - Defesa Pessoal; - Armamento e tiro; - Vigilância - Radiocomunicação e alarmes; - Criminalística e técnica de entrevista. Os dois diplomas legais trazem outras peculiaridades importantes: determina o porte, por parte dos vigilantes, da Carteira Nacional dos Vigilantes (CNV); limita o porte de armas de fogo pelos vigilantes apenas quando em serviço, sendo permitido apenas os revólveres calibres 32 ou 38, e espingardas calibre 12, 16 ou 20; proíbe o uso de uniformes semelhantes aos das Forças Armadas e polícias; dá direito ao vigilante de ter prisão especial por ato decorrente do exercício da atividade. Ressalte-se também a existência da Portaria nº 20/2006, baixada pelo Chefe do Departamento Logístico do Exército, onde se autoriza a utilização de armas não-letais (gases e sprays químicos, armas de choque elétrico, etc.) por parte das empresas de segurança. Em pesquisa realizada pelo IBGE no ano de 2004, detectou-se a existência de 401 484 pessoas trabalhando formalmente como seguranças particulares, distribuídos em 2 213 empresas. Enquanto isso, as polícias militares dos estados, conforme nos mostra os dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), possuíam um efetivo total de 390 451 homens. Além disso, sabe-se que o número de vigilantes que trabalham informalmente supera em, pelo menos, 25% a quantidade dos oficialmente cadastrados, o que leva-nos ao assustador número de, no mínimo, 500 000 homens trabalhando em tão delicado setor com nenhuma regulamentação estatal. A receita dessas empresas em 2004, de acordo com a mesma pesquisa, chega a quase oito bilhões e meio de reais, fato que leva ao entendimento, sim, de que há certa ausência do Estado como assegurador de segurança para a população. Entretanto, observemos que o papel exercido por um policial é insubstituível. O vigilante, apesar de sua presença intimidar o acontecimento de delitos, não possui o que chamamos de poder de polícia, não podem, por exemplo, realizar uma abordagem em indivíduos suspeitos, além de uma série de outras situações que apenas o indivíduo assegurado pelo Estado tem autorização para agir. Diga-se também que o Estado ainda forma os melhores profissionais na área (compare-se os 16 dias de formação do vigilante com os 9 meses de formação do soldado da polícia militar), além de ser o único ente com legitimidade, como já explicamos, para salvaguardar os direitos e interesses da sociedade. Aos agentes públicos de segurança, policiais militares e civis principalmente, cabe o entendimento deste cenário, até mesmo para que possam replicar à altura os argumentos de que a Segurança Pública está sendo feita por particulares. * * * O Jornal A Tarde do último domingo trouxe uma matéria de capa que trata do crescimento da segurança clandestina no Estado da Bahia. Os dados, mais recentes que os explanados aqui, mostram a mesma tendência: a quantidade de policiais é inferior que a de seguranças privados. Além disso, mostra que para cada segurança legalizado no Estado, há três ilegais.
Criadas em um contexto desfavorável diante da instabilidade social, as unidades de policiamento de choque eclodiram sobretudo nas décadas de 70 e 80, compondo pelotões, companhias e batalhões em estados como Bahia, Rondônia e no Distrito Federal, tendo agido primordialmente nas ações de manutenção da ordem através do controle de distúrbios civis, nomenclatura bastante sugestiva para o entendimento das políticas de segurança à época. Sua história remete a uma postura diferenciada das demais unidades de policiamento, dada a distinta missão. Tal doutrina repercutiu numa imagem geralmente negativa por parte da população, que via na figura da polícia de choque um empecilho à sua plena liberdade de expressão, bem como em um conceito desfavorável junto aos demais policiais, por conta de usualmente exercer a função de "polícia da polícia", efetuando a guarda de presídios onde ficam reclusos os militares que cometeram delitos. Comumente nessas unidades são mantidas tradições como a realização de paradas periódicas, a observância de regulamentos e outras práticas típicas do militarismo, cuja execução é facilitada pela manutenção da tropa aquartelada na maior parte do tempo, e assim deve ser para que haja condições de realizar aprimoramentos técnicos, garantindo a qualificação técnica digna de referência, e até uma sensação de reserva moral da polícia que necessita existir na tropa preparada para agir como último recurso em ações de risco, em operações especiais ou em ocorrências de maior porte tático. Perseguição ao bandido "Piti" (Foto: Correio da Bahia) Parte dessa pretensão, por vezes conhecida pela alcunha de "mistério", tem sido comprometida pela vulgarização do emprego das tropas de choque em circunstâncias indevidas, seja pela carência de disciplina e preparo de parte da tropa ordinária, ou pela inviabilidade no quesito de interesses econômicos em manter grande efetivo fora das ruas, por assim dizer. O fardamento diferenciado é o cartão de visitas da tropa, e à medida que aumenta a freqüência de exibição em situações corriqueiras diminui-se seu potencial de persuasão. Lavagem do Bonfim (Foto: A Tarde) Esse conjunto de aspectos analisados, como fatores econômicos, sociais, políticos e institucionais, têm acarretado prejuízos à missão ideal do tipo de policiamento de choque, onde não deve haver atuações em rondas ordinárias, eventos comuns ou ações de rotina; a tropa se destina à execução de operações especiais, ações de maior porte, que ponham a prova o que se espera como diferencial de uma unidade operacional especializada.