por Danillo Ferreira
O jornal O Globo divulgou uma pesquisa sobre valores do brasileiro, realizada pela agência Nova S/B em parceria com o Ibope. Dentre vários aspectos, a pesquisa indagou se as pessoas, sendo um policial combatendo o crime, torturariam suspeitos. Vejam o resultado:

Assumo que fiquei surpreso com os resultados, pois acreditava que os índices de aceitação da tortura seriam maiores entre as pessoas com menor formação acadêmica. Analisando o poder aquisitivo do público percebemos que quanto mais abastados maior a aceitação. Certamente isso indica que a parcela mais rica da população não se importa muito com os métodos utilizados para acabar com a criminalidade, se respeitarão ou não os direitos humanos, enquanto que os mais pobres, por terem mais contato com esse tipo de desrespeito à Constituição, são mais contrários à prática.
Há quem se pergunte: e se a maioria da população passar a apoiar a tortura, como a polícia deve agir? Apesar da óbvia improbabilidade disso ocorrer, sabemos que não apenas o costume é fonte das ações policiais. A lei, reguladora do bem estar social, deve ser a âncora das organizações de segurança pública. Certamente vivemos um momento em que a alta criminalidade torna as pessoas propensas a aderir à tática do “salve-se quem puder”, achando que medidas primitivas e irracionais controlarão a delinqüência. Ao contrário, precisamos de racionalidade, observância da lei, estratégias e táticas modernas de gestão, necessário apoio logístico e de pessoal. À população se desculpa tais índices, o que não pode ocorrer no âmbito dos profissionais de segurança pública – os policiais.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com














