Não é razoável julgar a obra dum artista através das atitudes relacionadas a sua personalidade. O fato dum músico se mostrar antipático ao seu público não tira o mérito de suas composições musicais – não obstante isso ocorrer muitas vezes. Enfim, a relação artista-pessoa existe antes da composição da obra (algo que é íntimo do compositor). Depois da obra concebida, não cabe ao apreciador julgá-la através da personalidade do autor. É a partir desse ponto de vista que deve-se julgar as declarações do premiado diretor de “Tropa de Elite“, José Padilha, numa entrevista à revista “Playboy“:
DROGAS:
“Já fumei maconha várias vezes. Não tenho problema com isso. Se você plantar em casa e fumar, qual é o problema? É diferente de comprar de um traficante”.
POLICIAIS:
“Mal treinado, o policial ganha 700 reais. E a sociedade pede que ele vá lá na favela cheia de nego armado e lute com eles. Qual é a jogada que o cara vai fazer?”.
Com essas declarações, há quem ache que a intenção do autor do filme era outra, a de exibir o usuário como “coitadinho”; sendo que o ocorrido foi o inverso. O fato é que dizer que não há problema em fumar maconha “plantada em casa” é condenável para alguém com tal influência na mídia. Mas, como dito acima, isso não tira o mérito do filme – que trouxe questões viscerais da segurança pública brasileira para debate, mesmo que tenha sido de maneira involuntária.
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junho 23rd, 2010 at 2:46
elkpprj
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