Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 
por Marcelo LopesPor que é tão difícil discutirmos a instituição policial militar? Hoje, mais do que nunca, em virtude dos últimos fenômenos sociais observados no Brasil, notamos que o debate sobre os rumos da corporação estão mais latentes do que nunca. Dentro e fora da corporação. Nas universidades, nas câmaras legislativas, nos bares, enfim. Dentro dos quartéis não é diferente. Num Brasil que urra a cada segundo, explicitando suas crescentes necessidades, fica proporcionalmente difícil estabelecer prioridades: quem urrar mais alto terá maior chance de se fazer ouvir, e com certeza não estamos urrando em uníssono - o que torna nossa visibilidade opaca.Isso se torna patente e insustentável. Como é possível conceber que um secretário de administração de um estado chegue aos meios de comunicação e diga que o acordo de reajuste salarial com a polícia ainda não foi feito em virtude da própria corporação "não saber o que quer"? Um absurdo e uma verdade. Temos que, de forma institucionalizada, criar fóruns de discussão dentro da própria corporação. Temos que retomar àquilo que nos remete à palavra “corporação”. A cabeça não anda sem os pés, não adianta o coração bater se veias, vasos e artérias estão entupidas. Se quisermos criar uma sinergia institucional, de modo a sermos de fato um corpo, precisamos nos permitir discutir. A nós mesmos. De forma que desta multiplicidade de vetores internos, nós possamos ter uma resultante que efetivamente seja a expressão mais verdadeira daquilo que somos.É triste ter a real percepção de que a tropa não vê nos oficiais seus legítimos representantes. Pelo contrário, tamanha é a desconfiança. De forma maquiavélica conseguiram esquartejar nossa corporação, de modo que a cabeça pensa sozinha e os pés andam quando querem. Resultado: o organismo é que padece e a sociedade é que se ressente. No dia em que o corporativismo saudável for a máxima de nossos anseios institucionais e que os regulamentos e a cultura organizacional não sejam causa de impedimento de debates francos e honestos, estaremos dando um passo firme rumo à possibilidade de exercer nossa verdadeira força institucional diante da sociedade e de estarmos mais satisfeitos e orgulhosos de nós mesmos.