Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 
por Marcelo LopesPor que é tão difícil discutirmos a instituição policial militar? Hoje, mais do que nunca, em virtude dos últimos fenômenos sociais observados no Brasil, notamos que o debate sobre os rumos da corporação estão mais latentes do que nunca. Dentro e fora da corporação. Nas universidades, nas câmaras legislativas, nos bares, enfim. Dentro dos quartéis não é diferente. Num Brasil que urra a cada segundo, explicitando suas crescentes necessidades, fica proporcionalmente difícil estabelecer prioridades: quem urrar mais alto terá maior chance de se fazer ouvir, e com certeza não estamos urrando em uníssono - o que torna nossa visibilidade opaca.Isso se torna patente e insustentável. Como é possível conceber que um secretário de administração de um estado chegue aos meios de comunicação e diga que o acordo de reajuste salarial com a polícia ainda não foi feito em virtude da própria corporação "não saber o que quer"? Um absurdo e uma verdade. Temos que, de forma institucionalizada, criar fóruns de discussão dentro da própria corporação. Temos que retomar àquilo que nos remete à palavra “corporação”. A cabeça não anda sem os pés, não adianta o coração bater se veias, vasos e artérias estão entupidas. Se quisermos criar uma sinergia institucional, de modo a sermos de fato um corpo, precisamos nos permitir discutir. A nós mesmos. De forma que desta multiplicidade de vetores internos, nós possamos ter uma resultante que efetivamente seja a expressão mais verdadeira daquilo que somos.É triste ter a real percepção de que a tropa não vê nos oficiais seus legítimos representantes. Pelo contrário, tamanha é a desconfiança. De forma maquiavélica conseguiram esquartejar nossa corporação, de modo que a cabeça pensa sozinha e os pés andam quando querem. Resultado: o organismo é que padece e a sociedade é que se ressente. No dia em que o corporativismo saudável for a máxima de nossos anseios institucionais e que os regulamentos e a cultura organizacional não sejam causa de impedimento de debates francos e honestos, estaremos dando um passo firme rumo à possibilidade de exercer nossa verdadeira força institucional diante da sociedade e de estarmos mais satisfeitos e orgulhosos de nós mesmos.
por Danillo FerreiraÉ comum vermos policiais se queixando do "mau tratamento" que a imprensa dá a suas ações. Indignam-se com exageros e omissões que os grandes meios de comunicação cometem ao reportar fatos relacionados com a atividade de polícia – seja ela civil ou militar. Por outro lado, principalmente em virtude daquelas distorções, a sociedade enxerga os policiais como indivíduos que não possuem uma técnica para atuar, que agem sem embasamento teórico-científico, daí vem a impressão geral de que o policial só age sem impessoalidade: aborda porque "não foi com a sua cara", está lhe olhando porque você é negro, que trabalha indiscriminadamente "dando porrada" nos outros. Não se questiona a receita de um médico, mas prontamente se deslegitima a ação policial – apesar de terem ambos uma formação específica para atuar.Qual postura nós, policiais, devemos tomar diante de tal falta de credibilidade perante a sociedade e dessa onda de informações pretensiosas que atingem nosso ofício? Como combater os erros da todo-poderosa mídia tradicional? Como difundir a imagem real do que somos, de como trabalhamos e pensamos? A resposta é: blogando!"Seu blog é a sua TV Globo, a sua Folha de S. Paulo, a sua Reuters pessoal", escreveu Alexandre Inagaki a pouco tempo. Como vem acontecendo nos Estados Unidos, com os militares que participam da Guerra do Iraque questionando, mostrando outras versões e até desqualificando as notícias da imprensa em relação à Guerra através dos milblogs (military blogs), é possível que a adesão a este recurso por parte dos policiais brasileiros expanda nosso poder de expressão e convencimento. Além disso, é uma forma viável para a discussão de vários assuntos, em nosso caso, a Segurança Pública. É um meio de produção, difusão e aquisição de conhecimento.O Diário do Stive fez a pouco tempo uma campanha: Crie seu blog!, onde ensinava coisas básicas para se fazer um blog, além de indicar links interessantes para quem pouco entende do assunto. Convocamos todos policiais que não se sujeitam aos preconceitos que por aí reinam em relação à nossa profissão para criar seu blog e ser mais uma voz ativa na blogosfera policial.* * *Este post faz parte do Movimento Blog Voluntário, que tem como objetivo cooptar cada vez participantes do mundo da internet, gerando idéias, mais informações e conhecimento na World Wide Web. Visite o site do movimento, cadastre-se e convide mais pessoas a participarem deste universo.
Está chegando ao fim o Prêmio Ibest. Na última semana de votação os moderadores do Prêmio resolveram suprimir a porcentagem de votos dos candidatos - tudo para criar o "efeito surpresa" do resultado. Até aqui, termos sido os representantes dos blogs policiais foi uma grande honra - mesmo porque fomos indicados dentre outros candidatos da blogosfera policial que certamente conseguiriam melhor desempenho nas votações. Fomos selecionados em duas categorias: Blogs de variedades e Regionais/Bahia. Se você votou no Abordagem, agradecemos desde já o reconhecimento, se não, clique aqui para votar na categoria Regionais e/ou na categoria Blog de Variedades. Você terá que fazer um breve cadastro no site para votar. Vamos mostrar que a blogosfera policial tem força...* * *O Abordagem é "Blog da Semana" no Pensar Enlouquece, de Alexandre Inagaki.E por falar em reconhecimento, não podemos deixar de agradecer a presença do Abordagem Policial na lista de Blogs da Semana do Pensar Enlouquece, blog de Alexandre Inagaki, um dos gurus da blogosfera brasileira.* * *Já que aqui no Abordagem fizemos os 10 mandamentos do policial e o Blog da Segurança Pública deixou 10 soluções simples para melhorar a PMDF, convocamos mais três blogs policiais a fazer uma lista de 10 tópicos tratando sobre algum tema relacionado à segurança pública. A missão será paga ao Diário de um PM, Diário do Stive e ao Blitz Policial, que deverão pagar a missão para outros blogs policiais. Lembrem-se: Missão paga é missão comprida!
por Danillo FerreiraA leitura da sentença de Tiradentes (óleo sobre tela de Leopoldino Faria).Eis que foram capturados os traidores, e estão todos condenados à forca. A leitura da sentença dura 18 horas. Eles queriam acabar com a forma de governo vigente e com o exército permanente – todos os cidadãos usariam armas e serviriam quando necessário, tal qual ocorre atualmente na Suíça. República, era o que queriam, quiçá extinguir a escravidão, tudo inspirado em ideais iluministas, tomando como exemplo os norte-americanos. Mas estavam condenados à forca os inconfidentes, quando a Rainha Dona Maria revoga as penas de todos, convertendo-as em banimento, excetuando-se uma, a de Joaquim José da Silva Xavier, um Alferes do Exército (o equivalente a tenente), que de vez em quando prestava serviço como dentista, daí a alcunha de "Tiradentes".Tiradentes foi enforcado e esquartejado em plena praça pública, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792, onde se construíra um cenário típico dos antigos suplícios: presença da tropa, discursos e aclamações à rainha. Apesar de não ter o perfil da maioria dos inconfidentes, homens ricos e estudados, e de certamente não possuir os mesmos anseios pessoais no levante que fora frustrado (o historiador Boris Fausto, em seu livro "História do Brasil", explica que Tiradentes posicionara-se contra a Coroa por ter perdido o comando de um destacamento), Tiradentes assume toda a culpa pelos planos revoltosos.Algum tempo depois, Joaquim José vira herói na República (que viria a ser diferente da sonhada pelos inconfidentes), o dia de sua morte torna-se feriado nacional, ele é declarado Patrono Cívico da Nação Brasileira e Patrono das Polícias Militares. O rosto do inconfidente, que até hoje não se tem certeza de como era, foi retratado semelhante ao que se supunha ser a de Cristo – barbas grandes, cabelos longos que chegam ao ombro. "Ao subir ao cadafalso, beijou os pés do carrasco. Depois rezou o credo. Era um Cristo entregando-se à sua sorte. [...] A mistura de herói cívico e religioso tem paralelo na Joana d'Arc dos franceses. Mas nem Joana d'Arc chegou a tanto, ou seja, a repetir o próprio Cristo", escreveu Pompeu de Toledo.Tiradentes Esquartejado, em tela de Pedro Américo (1893).Ainda hoje não se sabe o que é verdade e o que é mito criado apenas para saciar a fome de um herói nacional para os brasileiros. O movimento tinha como intenções claras pôr fim aos excessivos impostos da Coroa portuguesa, e talvez tenham usado o "ideal republicano" apenas como desculpa para agregar uma nobreza aos seus objetivos. Não obstante, Tiradentes sempre foi um nome utilizado em diversos seguimentos políticos e ideológicos. Como patrono das polícias militares, ele não deve ser visto como mera figura ilustrativa para manter a tradição das corporações. Tiradentes deve ser, para as PM’s, a inspiração dos ideais franceses da "liberdade, igualdade e fraternidade", mesmo que não tenham sido esses seus verdadeiros ideais, ocultos na história. Os princípios republicanos, democráticos e da cidadania foram as causas da morte de Joaquim José da Silva Xavier, e são também as causas dos policiais militares. É assim que Tiradentes deve ser construído.*Serviram como base para este artigo o livro História do Brasil, de Boris Fausto, a coluna do Roberto Pompeu de Toledo na Revista Veja, a Wikipédia e o blog da Renata Pimenta.
O Ministério da Justiça lançou o prêmio Libertas: enfrentamento ao tráfico de pessoas:Hoje o tema 'Tráfico de Pessoas' está na agenda do governo brasileiro. Com a aprovação da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Decreto nº 5.948 de 26/10/2006) e do Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (PNETP), Decreto nº 6.347 de 08/01/2008, há um esforço de atuar para enfrentar o problema do tráfico em seus mais diversos aspectos.Nesse contexto, faz-se necessário, entre outras ações, fomentar o meio acadêmico para refletir sobre as diversas nuances do tráfico de pessoas, com a intenção de divulgar bons trabalhos e incorporá-los como subsídios para a elaboração de políticas públicas mais efetivas e condizentes com a realidade brasileira.O I Prêmio Libertas é dividido em duas categorias: estudantes de graduação e graduados em instituições de ensino redenciadas pelo Ministério da Educação. Os trabalhos inscritos devem ter como base os protocolos e convenções que tratam do crime.Para os estudantes de graduação, serão entregues R$ 2 mil ao terceiro colocado, R$ 3 mil ao segundo e R$ 5 mil ao primeiro colocado. Já para os graduados serão R$ 5 mil, R$ 7 mil e R$ 10 mil, respectivamente.". Leia mais no site do Ministério da Justiça. O tema é mais direcionado aos estudiosos e pesquisadores de crimes de competência federal, entretanto, se trata de uma medida incentivadora da produção de conhecimento – algo muito importante para o contexto da segurança pública. Os governos estaduais bem que podiam promover constantemente medidas semelhantes, tal como fez o Governo da Bahia há algum tempo atrás.* * * Global Voices: referência internacional ao Abordagem.O Stive alertou para um artigo no site estrangeiro GlobalVoices em que foram citados alguns blogs policiais brasileiros. A autora do artigo é a brasileira Paula Góes, que mora em Londres. No texto ela fala sobre a interação que o Tenente Alexandre vem promovendo com os demais blogs policiais. Clique aqui para ler o texto em inglês e aqui para ler em português.
Desconheço se existe qualquer estudo sobre as motivações dos candidatos que almejam ingressar nas instituições policiais militares através do Curso de Formação de Oficiais (CFO). Tendo em vista a atual demanda por emprego, não é demais supor que muitos tratam o concurso como "mais um", uma chance, dentre várias, de adquirir um emprego. Com a estabilidade oferecida pelo cargo público e pela idéia de que o Aluno-a-Oficial "recebe para estudar", a atratividade do concurso é grande. Não apenas por necessidades financeiras, mas também por precisar dar uma "resposta social" (à família, amigos, vizinhos...), muitos indivíduos prestam o vestibular para o CFO ao mesmo tempo que concorrem a outros tantos (Correios, Ministério Público, INSS, etc.). "No que passar está bom", é o raciocínio. Há quem veja o ingresso na polícia como algo transitório, um meio para estabilizar-se e galgar condições tidas como melhores, geralmente para chegar a outros cargos públicos financeiramente mais rentáveis (delegado, juiz, promotor, etc.). O personagem Rambo: há quem ache que a atividade policial se assemelhe com seu espírito "selva". Foto: Imagem do filme. Dessa análise surge-nos o primeiro e muito ocorrente tipo de candidato: o que ignora a natureza da função PM, despreza as responsabilidades a que estará submetido, pois seu interesse inicial é gozar do status de funcionário público, mais do que tornar-se, no sentido literal da palavra, um servidor público PM. Tais indivíduos podem tornar-se frustrados e infelizes como policiais, mas devem entender o comprometimento exigido pela profissão. O segundo tipo de candidato quer ser policial, mas engana-se quanto ao que é, verdadeiramente, a profissão. Uns almejam ser algo como o famoso personagem do cinema norte-americano, Rambo, com suas aventuras na selva. Outros desejam participar de investigações mirabolantes, no estilo FBI, e, citando um fenômeno recente, há quem queira incorporar a arbitrariedade do Capitão Nascimento. A falta de procura por conhecimento é que leva essas pessoas a enxergarem erroneamente a profissão. Um oficial da polícia pode trabalhar numa repartição administrativa, numa unidade operacional especializada (o BOPE da PMERJ por exemplo), numa unidade de policiamento comunitário, etc... A dica é que o candidato se inteire das peculiaridades da função PM, ou corre o risco de ver seus anseios desacatados. Por fim, o vocacionado. Este é aquele que deseja dedicar-se à causa comum, atuando como gestor de segurança pública, mantenedor da ordem. É o indivíduo que quer garantir os direitos humanos, quer adquirir a inteligência emocional de negociar mesmo quando agredido. É aquele disposto, comprometido, probo, corajoso e proativo. O policial vocacionado é aquele que tem o cidadão como pupilo dos seus objetivos profissionais. Obviamente que há variações neste panorama de intenções dos candidatos, duas ou mais dessas características podem combinar-se, outras tantas podem existir. O certo é que, independentemente de quais são os motivos iniciais dos candidatos ao CFO, a busca por informações relativas à sua futura profissão é essencial para evitar desenganos.
Rio de Janeiro já tem 50 policiais mortos em 2016 
Estudo mostra que maioria de menores infratores não tem pai em casa 
Pegando carona na série de posts que o Tenente Alexandre vem fazendo sobre os cursos e os concursos de ingresso na PM, resolvemos tratar aqui do concurso para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PMBA, que é realizado anualmente através da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), concomitantemente aos demais vestibulares da universidade (direito, enfermagem...). Desde já os candidatos se preparam para o vestibular do CFO, que ocorre no final deste ano ou no início do próximo. No último concurso (2008), quando se extinguiram as cotas destinadas a praças da PMBA e aos formandos do Colégio da Polícia Militar (CPM), as concorrências foram de 39 candidatos para cada vaga (masculino) e 68 candidatas para cada vaga (feminino). O candidato deve ter no mínimo 18 e no máximo 30 anos de idade, possuir estatura mínima de 1,60m, para candidatos do sexo masculino e 1,55m, para candidatos do sexo feminino e ter o ensino médio completo. Vale lembrar que a prova escrita é apenas a primeira etapa do concurso, restando outras quatro, todas de caráter eliminatório: - 1ª ETAPA - EXAME VESTIBULAR - 2ª ETAPA - EXAME PSICOLÓGICO - 3ª ETAPA - EXAME MÉDICO-ODONTOLÓGICO - 4ª ETAPA - TESTE DE APTIDÃO FÍSICA - 5ª ETAPA - SINDICÂNCIA SOCIAL Clique aqui para acessar o edital do CFO 2008 e entender cada uma dessas etapas. Esse é o primeiro de uma série de posts que faremos sobre o assunto, logo publicaremos outros mais aprofundados.
por Danillo Ferreira1 - Não se omitirás: O policial não deixará de fazer o que lhe prescreve a lei. Mesmo que seja um incômodo ao seu descanso, servirá a sociedade prevendo ou reprimindo desmandos que representem desordem e incômodo aos cidadãos;2 - Não compensarás tuas frustrações: O poder confiado pela sociedade ao policial não deve servir para preencher lacunas em sua personalidade. As incompetências pessoais devem ser solucionadas na vida pessoal de cada um;3 - Não serás arbitrário: Discricionariedade não significa arbitrariedade. Ser discricionário é agir conforme as necessidades através de um juízo embasado e racional. Ser arbitrário é deixar de lado tal juízo, é não regrar suas ações;4 - Não serás subserviente: Obedecer a ordens não significa transformar-se num servo ou vassalo de seus superiores. Apesar de grande parte das pessoas verem os policiais (principalmente os militares) como seres inertes e passivos, sabemos que esta não é uma regra;5 - Não serás "chefe": Ser funcionalmente superior não lhe torna alguém intocável ou imune a erros. A administração contemporânea não admite mais o "chefe", a figura do "patrão" que faz do "empregado" o que bem entende. Estar num patamar hierárquico acima é ter maior poder de agregar valores e conhecimento de subordinados para reverter em ganhos para a sociedade;6 - Serás formador de si: Não há desculpas para justificar a inércia intelectual e técnica dum policial. Cursos, leituras e discussões são recursos acessíveis a todos atualmente, e, não obstante sirvam de evolução para a instituição policial, é também um crescimento do indivíduo que se especializa;7 - Serás questionador: O policial deve ter postura inquieta perante a realidade. A aceitação da conjuntura estabelecida sem análise crítica já não é admissível na grande maioria das organizações, nas polícias não pode ser diferente;8 - Serás proativo: Esperar ordens para agir é fazer apologia ao "chefe" que se entende detentor de todos os poderes sobre seus subordinados. Agir por iniciativa própria é característica do policial compromissado com sua missão social;9 - Serás prudente: "Pensar antes de agir" é uma velha máxima que não pode deixar de ser considerada na ação policial. Se o indivíduo não reflete sobre seus atos e as conseqüências deles, não servirá para servir à sociedade - pois o servidor não raro pensa por várias pessoas ao mesmo tempo. Estar entendido da conjuntura do seu trabalho ajuda a agir moderadamente;10 - Servirás à sociedade: Quem manda nas polícias e nos policiais são as demandas da sociedade. Vaidades pessoais e outras necessidades particulares devem ser descartadas quando na prestação do serviço policial. Na hora de decidir o que fazer, o policial escolherá o que mais está de acordo com o bem-estar social.
por Danillo FerreiraO blog Utopia em Segurança Pública, do Tenente Ferreira, no clima da campanha "Usura não!", lançou duas questões a serem respondidas por blogs policiais, relacionadas a atuais questões da segurança pública nacional, o Abordagem foi um dos convocados a se manifestar. Respondemos e esperamos as respostas dos demais blogueiros:PERGUNTAS:1 - O que motiva aos setores governamentais, a não investirem no setor de segurança pública?2 - A ilegalidade dos movimentos de greve não mantém os profissionais da área de segurança reféns dessa exclusão social promovida pelos órgãos governamentais, tendo em vista que o diálogo é praticamente ineficaz, e os baixos salários nos confinam a uma condição desumana, e incondicente com a nossa função precípua e constitucional?RESPOSTAS:1 - Todos sabemos que os setores governamentais, políticos, dependem de votos nas eleições para virem a ser governantes. Assim, no caso dos governos estaduais, diretamente responsáveis pela segurança pública, há a preocupação dos gorvernadores, por exemplo, em se reelegerem, ou elegerem seus representantes para dar continuidade a suas ambições no poder, sejam elas quais forem. Segurança pública não rende bônus eleitoral. Além disso, tomando as polícias militares e civis como exemplo, não há, por parte dessas, o retorno financeiro direto ao governo que instituições como os DETRAN's têm (é o caso da Bahia). Por fim, lembremos que a atividade de polícia é relativamente cara - armamento, coletes, viaturas, etc.. É óbvio que os estados arrecadam proporcionalmente às suas necessidades, mas o discurso atual é o da falência e da carência, e conseqüentemente quem sofrerá com isso é o setor "menos importante", pelos motivos já expostos.2 - Sim: a ilegalidade da greve dos PM's limita o poder de barganha da classe na negociação de benefícios com o governo, isto é óbvio. A legalização da greve seria uma medida muito importante para os policiais militares e até mesmo para os governos estaduais, que não correriam o risco de passar por levantes desproporcionais e incondizentes com o conceito de "greve". Na Bahia, em 2001, muito do que seria plausível numa greve fora exacerbado, causando um verdadeiro caos social. A legalização da greve limitaria as greves, que já ocorrem vezeiramente, mas sem regularização.
O Diário de um PM, através da segunda edição do "Semanário da Blogosfera Policial", faz um apelo aos blogs que tratam de segurança pública no Brasil, no sentido de incentivar a interação, via links, dos blogueiros policiais. O Tenente Alexandre cita a campanha "Usura Não", do blog Treta, que prega que "Quem linka em abundância favorece aos leitores, aos linkados e a si próprio, ajudando a construir uma teia efetivamente bem amarrada de editoriais e fortalecendo a blogosfera como um todo. E quem disse isso foi gente do quilate de um Meio Bit ou um Fábio Seixas. Alguém ainda duvida que linkar é preciso?". O Abordagem adere à campanha contra a AVAREZA DE LINKS e por uma internet mais recíproca.A campanha do Treta: formação de uma rede eficiente de discussão da segurança pública.* * *O Blog da Segurança Pública publicou na semana passada: "Uma das coisas que me faz ter ainda um fio de esperança em relação à segurança no Rio de Janeiro é o fato de que lá, ao contrário daqui, são dezenas, ou quiçá centenas de policiais procurando pensar a segurança, debater a temática e difundir suas idéias. Isso é facilmente visível pela quantidade e qualidade de blogs mantidos por policiais militares e civis daquele estado.". O BSP se refere à pouca quantidade de blogs que tratam de segurança pública no Distrito Federal, o que ocorre também aqui na Bahia. Os únicos debatedores do assunto na WEB são o Abordagem e o Blitz Policial. Esperamos que as praças e os oficiais da PMBA e os servidores da Polícia Civil da Bahia se incluam neste mundo da blogosfera policial. Quanto mais aumentarmos a rede de discussão do assunto mais teremos evoluções.* * *O Tenente Barrim, da PMERJ, autor do Reflexões em Segurança, respondeu à "provocação" que fizemos aqui quanto à relação existente entre a descriminalização do aborto e a segurança pública. Leia: Sobre natalidade e segurança pública.
por Danillo FerreiraMinha visão é que, se não temos uma polícia unificada legalmente, com polícia judiciária, ostensiva e técnica fazendo parte de uma mesma corporação, devemos integrá-las o máximo possível, principalmente quando se refere às negociações com o Governo do Estado por melhorias nas três instituições. Dessa maneira, é satisfatório ler a reportagem de A Tarde que diz que "Os representantes da Associação dos Policiais da Bahia (Aspol) vão sentar-se à mesa junto com o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpoc), Sindicato dos Peritos Criminalistas (Sinpec) e o Governo do Estado para tentarem negociações salariais.".As três polícias baianas: por que não agir como uma só?Segundo a reportagem, foi suspenso numa Assembléia realizada hoje o "Estado de Greve" que, na prática, nada foi além da demonstração por parte dos PM’s de sua insatisfação perante o miúdo reajuste salarial que o quadro de praças da corporação recebeu. Não se ouviu falar em desvirtuamento do serviço nesse período em que se declarara o tal "Estado de Greve". O deputado estadual Capitão Tadeu foi designado interlocutor da PM nas negociações.Já que, também segundo o A Tarde, os representantes da Polícia Civil discutirão sua lei orgânica, não seria demais sugerir a discussão, por parte dos representantes da PM, de alguns temas que são anseios dos policiais militares, além da questão do reajuste salarial. Exemplos:- Plano de carreira das praças;- Necessidades logísticas (armamento, coletes, viaturas...);- Ajuste das promoções dos oficiais;- Aprovação da GAP III para os Aspirantes-a-Oficial;- Aumento do efetivo.Obviamente que algumas dessas necessidades só podem ser resolvidas a longo e médio prazo, mas seria um bom momento para serem postas em pauta, tal como os anseios das polícias Civil e Técnica. Unidas, essas três corporações só têm a ganhar, assim como a sociedade em seu todo.
Após a votação e aprovação dos reajustes e demais peculiaridades do Projeto de Lei 17.111, os ânimos parecem se acalmar na negociação entre as entidades representantes das polícias civil e militar da Bahia e o Governo do Estado. A Polícia Civil suspendeu a greve por 72 horas, isso porque o Governo, através da Secretaria de Relações Institucionais do Estado, resolveu reabrir as negociações. Segundo o jornal A Tarde, dentre outros temas, "será discutida a Lei Orgânica da Polícia Civil, que prevê novo plano de cargos e salários para a instituição". O Sindicato dos Policiais Civis (SINDPOC) não descarta a possibilidade de retorno da greve, caso as negociações não sejam satisfatórias. Por parte da PM, foi divulgado que "O presidente da Associação dos Sargentos de Ilhéus, Geraldo Pereira e o diretor jurídico da Associação de Policiais de Jequié e Região (Aspojer), soldado Deyvison Batista, condenaram hoje, durante reunião na Assembléia Legislativa, a decretação do estado de greve por policiais militares.". * * * No post anterior tivemos um comentário dum leitor denominado "Suez", reprovando o texto postado, afirmando que se teria feito uma apologia às ações do Governo da Bahia em relação às atuais questões salariais. Decidi que os comentários fossem apagados, por conter termos inadequados para o objetivo deste blog. Independentemente disso, sinto-me no direito e na obrigação de responder o comentário (não ao impropério, mas ao posicionamento que o leitor achou que tive). Por partes: 1 - Não sou a favor dos salários que atualmente os policiais militares da Bahia percebem. Essa é uma questão óbvia, clara, já descrita por mim mesmo em vários outros posts (quem lê o Abordagem há algum tempo sabe disso). Se eu, o Aluno-a-Oficial PM Danillo Ferreira, achasse o contrário, também exporia tal opinião aqui; 2 - O Abordagem Policial não é um "mero difusor de informação", tampouco faz "marketing sensacionalista", como o Sr. Suez frisou em comentários de outro blog policial. Mais uma vez o leitor peca por não acompanhar as postagens do blog, que vão desde comentários sociológicos/legais até curiosidades/informações sobre Segurança Pública; 3 - Os colaboradores do blog, os Alunos-a-Oficial Danillo Ferreira, Marcelo Lopes, Victor Fonseca, Washington Soares e Daniel Abreu, pretendem com este trabalho, discutir Segurança Pública. É puramente isso que nos interessa e nos motivou ao cria o Abordagem: produzir conhecimento através deste espaço - algo que as polícias militares de todo o Brasil carecem, para que não fiquemos a mercê dos chamados "formadores de opinião"; 4 - Uma mera informação que postamos tem o intuito de fomentar uma discussão. Ou seja: o texto postado é o início de uma dialética que esperamos ter continuidade através dos comentários - aqui no blog ou até na comunidade do orkut; 5 - Convidamos o Sr. Suez a expressar suas opiniões através do blog, sempre, mas de forma contida, sem o uso de termos degradantes, e, é claro, identificando-se. Se for Policial Militar principalmente: esse é o foco do nosso blog. A Coluna do Leitor está aberta, os comentários também, bem como a comunidade e o email. Se alguém acha que o blog está pecando, repito, terá toda a abertura para opinar e mudá-lo até mesmo tornando-se um colaborador. Esperamos, assim, a resposta do leitor Suez, sem leviandade, sem rivalidade nem intriga. Queremos conhecimento: é assim que fazemos uma segurança pública melhor.
Por volta das 21:00 da segunda-feira (31) o colega Victor Fonseca me ligou, perguntando se tinha lido no site do Jornal A Tarde a reportagem que anunciava um “estado de greve” na Polícia Militar da Bahia. No momento, eu tinha acabado de chegar da reunião no Clube dos Oficiais da PMBA, que tratava justamente sobre a questão do reajuste salarial que tem gerado esse imbróglio todo. Na reunião, o Major Sílvio Correia, presidente da Associação dos Oficiais da PM (AOPM), esclareceu que não passavam de boatos as informações sobre uma efetiva greve na PMBA. A situação, ele dizia, era de negociação, com o Deputado Estadual Capitão Tadeu sendo o intermediador entre as associações de PM’s e o Governo do Estado. Após ter passado ao Victor as palavras do Major, fui ler o que dizia A Tarde e os outros noticiários que tratavam do assunto. Em A Tarde se lê que a “Polícia Militar declara estado de greve”. Informação questionável, pois passa a impressão que a PM, oficialmente, declarou-se em greve. Mais à frente a reportagem afirma que “Os militares prometeram deflagrar a greve, caso tal projeto seja aprovado pelos deputados”. A verdade é que, na assembléia em que representantes das associações dos PM’s se reuniram cogitou-se tal possibilidade, em virtude da insatisfação com o projeto 17.111, que reajusta os salários da categoria. Segundo o jornalista Raul Monteiro, em seu blog, “o deputado estadual Capitão Tadeu (PSB) anunciou que os policiais militares decidiram entrar em estado de greve, o que significa que podem parar suas atividades a qualquer momento. Ele informa que se esforça no sentido de buscar uma solução que evite a deflagração da paralisação.”. Ou seja, em termos práticos, até o momento, não há greve, paralisação, motim, revolta ou qualquer outro tipo de ação nesse sentido por parte dos policiais militares. Na assembléia que ocorreu nesta segunda, segundo o Bahia Notícias, compareceram cerca de 50 policiais militares, representando uma categoria que conta com mais de 20 mil homens espalhados por toda a Bahia. Quanto à greve da Polícia Civil, aparentemente, começa a perder força. O Poder Judiciário declarou a ilegalidade da greve nesta segunda, e noticiou-se que delegacias no interior do Estado já voltam à normalidade. Espera-se que governo e associações cheguem a um denominador comum, em que as duas partes estejam satisfeitas. Uma greve da Polícia Militar, nos moldes da ocorrida em 2001 aqui na Bahia, é algo muito danoso à sociedade, podendo trazer conseqüências drásticas. Estaremos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos. Vejam mais no Blitz Policial.