Um dos grandes problemas por que passa a Polícia Militar da Bahia é a falta de efetivo nas ruas – uma reclamação dos policiais e da população como um todo. Assim, atualmente há 3200 soldados em formação, um reforço significante, mas que não reverterá o déficit de pessoal da PMBA. Dentre outros entraves para o aumento de homens nas ruas, sem falar, obviamente, em contratações, temos a grande quantidade de policiais desviados de sua atividade fim, o policiamento ostensivo. Ora, se assim não fosse, quem trabalharia despachando documentos nas repartições da PM? Quem realizaria o trabalho administrativo, que é indispensável? Temos, pois, vários policiais que apesar de terem sido formados “combatentes”, com instruções de abordagem, tiro, e outras do mesmo caráter, tem como seu instrumento de trabalho apenas um computador e um telefone, vivendo longe do dia-a-dia das ruas.
Soldados Temporários de Alagoas: liberação de PM’s do serviço administrativo para o operacional – Foto: Site da PMALVisando atacar esse problema, e “proporcionar ocupação, qualificação profissional e renda aos jovens”, o Governador colocou em pauta na Assembléia Legislativa o Projeto de Lei nº 17.271/2008, que “institui, no âmbito da Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia, o Serviço Auxiliar Administrativo e dá outras providências”. O Serviço Auxiliar Administrativo é similar ao que já foi implementado em outros estados, com a instituição do soldado temporário (vide o texto que o colega Abrahão Farias escreveu sobre o assunto). O embasamento do projeto é a Lei Federal 10.029/2000, que autoriza a prestação voluntária de serviços administrativos e de serviços auxiliares de saúde e de defesa civil nas Polícias Militares e nos Corpos de Bombeiros Militares.
A lógica é a seguinte: substituir os PM’s que atualmente servem administrativamente por prestadores de serviço temporários, liberando esses PM’s, que foram formados para exercer o policiamento ostensivo nas ruas, para essa atividade. Os prestadores de serviço deverão ter entre 18 e 23 anos, e servirão à PM durante um ano, prorrogável por mais um, caso seja interesse do indivíduo e da corporação. Receberá pelo menos um salário mínimo e no máximo dois (valor compatível com o salário, por exemplo, de uma secretária da iniciativa privada). Passará por curso de treinamento com o mínimo de um mês de duração, e não terá direito a porte de arma de fogo, nem gozará do poder de polícia. Além disso, usará no uniforme identificação da condição de auxiliar administrativo temporário.
Dando uma lida no Projeto de Lei, e observando as condições acima descritas, surgem logo algumas preocupações:
- A formação desses auxiliares não pode conter aspectos ligados ao policiamento ostensivo, devendo lhes ser vedadas informações e instruções que possam ser utilizadas de maneira criminosa quando acabar-se o vínculo com a PM;
- A seleção não pode eximir-se de ser rigorosa nos aspectos sociais e de antecedentes do indivíduo, uma vez que a administração pública, principalmente as instituições policiais militares, tem dever de probidade;
- É insuficiente que se tenha apenas a designação diferente no uniforme dos auxiliares. O uniforme deve ser diferente do que os PM’s usam;
- Os auxiliares serão militares? Prestarão continência e terão noções que apenas os que já serviram uma força armada têm? Se sim, com que supervisão, com que limites?
Levando em consideração tais preocupações, entendo que é perfeitamente possível que o projeto traga benefícios para a administração da PMBA. Os dois pontos cruciais a serem observados são o edital de convocação e a formação desses auxiliares. A substituição de policiais por contratados que ganhassem menos e que exercessem a mesma função, liberando efetivo para as ruas, há muito tempo deveria ser feita – a questão crucial gira em torno de como se deve fazer. A título de prova, vejam que o salário de uma secretária de nível técnico, por exemplo, não chega, em qualquer estado do país, ao que é pago pela PMBA a um soldado – que ganha pouco, mas se considerarmos a atividade de polícia, perigosa, insalubre e desgastante. Ainda cabe discussão ao projeto, e muita cautela ao implementá-lo.
PAULO RAFAEL
fevereiro 26th, 2009 at 19:07
Seu blog é excelente! Sou um concorrente para uma das vagas do concurso da PM BA, e fico feliz de ter pessoas na internet que realmente visam informar e a ajudar os candidatos não só visando ganhar dinheiro.
Parabéns
R: Obrigado, Paulo. Continue acompanhando o Abordagem, pois sempre teremos novidades para os concurseiros, principalmente os baianos.
PAULO RAFAEL SANTOS DOS ANJOS
fevereiro 26th, 2009 at 19:12
DIVULGAREI ESSE BLOG A TODOS OS COLEGAS DE CURSINHO E CONSERTEZA ELES TAMBÉM IRÃO APLAUDIR A ATITUDES DOS ARGANIZADORES DESSE BLOG. MAIS UMA VEZ PARABÉNS!
R: Obrigado, Paulo. Contamos com você!
Patricia
maio 1st, 2009 at 10:09
Interessante o projeto de lei,tão relevante quanto pertinente,porque a necessidade de policiais nas ruas é visível.
R: Essa é a intenção, Patricia… Colocar mais policiais nas ruas.
paulo
agosto 5th, 2009 at 19:34
boa noite! gostaria de saber de voçê quantas pessoas foram chamadas para a SEGUNDA chamada no concurso de POLÍCIA MILITAR DA BAHIA 2006.
OBRIGADO!
Eustáquio Murilo PMMG
dezembro 14th, 2009 at 15:24
Boa tarde!
Gostei da abordagem sobre assunto de Auxiliares Administrativos. Minas Gerais possui o segundo maior número de policiais militares do Brasil, só perde para São Paulo no que tange ao efetivo da ativa. Acredito que se uma atitude desta fosse adotada pela policia mineira seriam muitos militares liberados para o emprego Operacional, proporcionando um melhor policiamento Ostensivo.