Técnicas de Memorização (Um outro instrumento de trabalho para o policial)

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Armas, coletes, viaturas, técnicas operacionais, conhecimento jurídico. Sem dúvida, são instrumentos indispensáveis para o exercício da função policial. Mas com relação à especialização do capital humano, as Secretarias ainda não atentaram no sentido de fornecerem um outro instrumento de trabalho: técnicas aplicadas que disciplinem a concentração e a memorização de dados e informações.

Não raras, são as vezes que o policial tem necessidade de memorizar textos, nomes técnicos, conceitos, números etc num lapso de tempo que, pra ele, é precioso. E para isto ele se esforça lendo e relendo, por várias vezes, o assunto, e ainda não tem segurança de reproduzir aquilo que leu (quando não se esquece de tudo). Isso acontece porque o método utilizado para a fixação de informações ainda é o método tradicional. Por isso, todos se cansam antecipadamente, só em saber que precisam estudar para uma avaliação teórica.

Não é o que acontece com aquele que conhece a Mnemotecnia. Trata-se de uma série de sistemas, métodos e princípios que renovam a forma com que se lê e a maneira com que se apreende os dados. Todas as informações lidas são decodificadas e organizadas em arquivos e mapas mentais, que farão com que os dados se eternizem na memória do indivíduo. O difícil não será mais memorizar! O difícil agora será esquecer.

Segundo estudos, 50% do conteúdo memorizado por leituras repetidas é perdido depois de apenas duas horas. Em nossos tempos, enquanto se desenvolvem máquinas de aprendizagem e instrução subliminar, alguns ainda passam por longos períodos de estafante leitura repetitiva para gravar informações que serão em breve esquecidas. As técnicas de memorização permitiriam ao policial ou profissional de segurança pública reter e evocar instantaneamente qualquer informação com rapidez, eficiência, como a placa de um carro, sem desgaste físico e mental. As técnicas mnemônicas ampliam a reflexão e estimulam o exercício sistemático do aprendizado.

O policial sempre precisará de sua memória! Memória para lembrar da fisionomia dos meliantes que prendeu. Memória para lembrar dos fatos a fim de que não sejam esquecidos quando questionado pelo juiz. Memória para não esquecer o discurso que ele fará muitas vezes. Memória para ensinar e palestrar.

Seu cérebro é mais potente que qualquer computador ou qualquer outra ferramenta disponível no mercado. Você apenas não tem o manual de instruções. Estima-se que nosso cérebro tenha 10 trilhões de neurônios e que o número das possíveis combinações entre eles (sinapses) seja maior que o número de partículas do universo. Para muitos de nós, o computador permanece desligado por desconhecermos o seu funcionamento.

Mas qual o caminho, o que fazer? O mais ideal é o Curso de Memorização presencial. Há algumas apostilas disponíveis na Internet, em revistas, que apresentam conselhos e alguns métodos de estudo, mas a Mnemotecnia exige considerações que só pessoalmente podem ser apresentadas de modo eficaz. Sistemas como o Pró-Lug, Grafonético e Lig irão fazer parte do conteúdo programático.

Com as técnicas, por exemplo, o instruendo pode memorizar cem palavras, na ordem, em menos de 5 minutos, com tranqüilidade. E poderá, de olhos vendados, dizer qualquer palavra ao lhe ser fornecido o número de ordem. É um exemplo de até onde vai a Mnemotécnica.

É preciso que se modifique a leitura. Que se aprenda a decodificar os números. É preciso trabalhar na causa. “Sublatas causa, tolitur efectum”: eliminando as causas, eliminam-se os efeitos.

Cícero, advogado, político e orador latino, afirmou: A memória é o tesouro e a guardiã de todas as coisas. Platão, filósofo grego, discípulo de Sócrates já dizia há alguns séculos antes de Cristo: Todo conhecimento não passa de lembrança.

Certa feita, um garoto e um velho foram capinar um quintal. Todas as vezes que o garoto olhava para o velho, este estava sentado. No final, o velho teve rendimento superior, embora o garoto tivesse trabalhado mais. O jovem então perguntou ao senhor qual foi o segredo. E o senhor lhe disse: Caro mancebo, quando você me olhava e me via sentado, era porque eu estava afiando a minha enxada (…).

O poeta Salomão, antigo rei de Israel, já dizia que se o machado estiver cego e não se afiar o corte, então se deve redobrar a força, portanto, precisamos aprimorar nossas ferramentas. Certo que as armas, coletes, viaturas, técnicas operacionais, conhecimento jurídico etc são imprescindíveis ao exercício de nossa atividade. Todavia não podemos esquecer que se soubermos utilizar bem a memória, poderemos chegar a lugares, antes, inalcançáveis.

Comments

  1. Por Vagner Lemos - 2º Sgt QPPMGO

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  2. Por Alves

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