Ser policial não é fácil. Ser policial militar é menos fácil ainda. Lembro da primeira semana do meu ingresso na Academia, das cobranças, dos valores exaltados, das mudanças pelas quais eu teria que passar para me tornar um oficial da Polícia Militar da Bahia, enfim, de toda a disciplina e do mundo sem par de regras e regulamentos que a partir daquele momento eu deveria seguir. É sempre um choque, um abalo, mesmo para os que já faziam parte da corporação, como praças.
Com o tempo, vamos percebendo que existem conveniências, política, vontades pessoais, obsessões, e que numa corporação de milhares de homens existem várias outras corporações — “pai” para uns, “padastro” para outros — que se interrelacionam num conflito com estabilidade definida pelo momento, pelas circunstâncias. Com o tempo a polícia se mostra uma instituição onde as coisas se relativizam com uma velocidade impressionante.
“Cuidado com seus ídolos de barro, pois eles podem se desmanchar na primeira chuva que cair”, diz um Capitão que conheço. A frase se acomoda bem ao momento, pois, como disse Victor no Blitz Policial, “ainda que a Constituição assegure indistintamente a presunção de inocência antes da condenação irrecorrível, não há como crer que tantos meses de investigação, culminando inclusive no flagrante do recebimento de milhares de reais, seja resultado de algum equívoco sem alicerce“.
Não que eu coloque minha mão no fogo por ninguém, mas fico me perguntando sobre a legitimidade das punições que foram emanadas, as carências sempre alegadas, os elogios, as “justiças” e as “disciplinas”.
Por mais que se queira dizer o contrário, manchetes como as que se seguem abaixo, tornam menos motivados os mais desmotivados. Depois do patente contraste da Lei de reestruturação da PMBA com a Lei Orgânica da Polícia Civil da Bahia (grande mérito dos policiais civis, que brigaram e conquistaram seus anseios) e do recente fato desabonador da nossa atuação, ocorrido em Madre de Deus, isso é mais que suficiente para concluirmos que, de alguma forma, estamos errando enquanto corporação:
Jornal A Tarde: Três coronéis da PM são presos em operação contra corrupção em Salvador;
IBahia: Fraude: coronéis e outras 11 pessoas são presas
Itapoan: Ex-comandante da PM é preso por fraude em licitação
Correio: Três coronéis da Polícia Militar foram presos nesta quinta-feira (5)
A instituição é perfeita, os homens é que são os culpados, argumentarão. Concordo, em parte. Só me pergunto onde está aquilo que citei no primeiro parágrafo, e que detectei nas minhas primeiras semanas como PM. Repito: “as cobranças, os valores exaltados, as mudanças pelas quais temos que passar para se tornar um oficial da Polícia Militar da Bahia, enfim, toda a disciplina e o mundo sem par de regras e regulamentos que a partir daquele momento devemos seguir”. Quantos anos se consegue apregoar esses parâmetros sem colocá-los em prática? Ou melhor, por quantos anos nós, Polícia Militar, permitimos isso a um nosso agente?
Mas não devemos esmorecer. Lembro que o foco do nosso serviço é a sociedade, é a ela que devemos nos dedicar. Além do mais, percebamos que os fatos apontam para uma polícia mais proba, tal qual a inspiração do nome da operação realizada, Némesis, Deusa da Ética, que ilustra essa postagem. É sempre um choque, um abalo, tal qual o que me referi no primeiro parágrafo — mas com o sinal invertido.
Um choque, um abalo. | Blogues de Policia
março 6th, 2009 at 2:04
[...] Leia o post completo » Esse assunto também foi abordado aqui…PROJETO 200 ANOS (831) – NOVIDADE NA BLOGOSFERA – BLOG DO 2º CPAEm off (e a quem interessar possa)…Relatório de Inteligência dos EUA, revela como a águia conduziu diretamente a política brasileira no período do Governo militarComandante da Marinha defende ENDBig Bang [...]
Victor
março 6th, 2009 at 6:29
Pois é Danillo, para uns a manchete é uma alegria, estão indo à forra, para outros é um balde de água fria. Você escreveu aqui e eu também por lá a palavra Choque, que me remete àquele brado da tropa em forma, e fico imaginando como seria a mesma situação em forma, só que em vez de exclamar, o mesmo Choque fica com uma interrogação no fim. O nosso hino, a canção Força Invicta, talvez seria cantada por alguns com palavrões no meio dos versos, de tanta revolta que o fato tende a provocar.
R: Pois é. Como se costuma dizer, “cortar na própria carne” sempre dói – mas evita os cânceres.
Eduardo Leite
março 6th, 2009 at 20:35
A nossa sociedade colhe o que vem plantando há séculos: a importância desmedida aos valores materiaias em detrimento dos bens existenciais. Lamentamos profundamente o ocorrido com esses coronéis da nossa querida PMBA.
A vocês jovens oficiais e novos praças, continuem acreditando na importância de uma sociedade digna e justa.
R: Pois é, Dr. Eduardo. Parece que estamos submersos num setor público eivado de vícios e mazelas. A única esperança, redundantemente, é a esperança.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 21:47
Se revirar esse angu, sai carne. com certeza, tem mais gente envolvida nessa sujeira. O que posso dizer para esse fato é CADEIA para todos os envolvidos, porém, como estamos no Brasil, isso tudo vai acabar em PIZZA.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 21:52
Essa empresa Júlio Simões, ainda vai derrubar muita gente, pode escrever isso. MP preste mais atenção nessas práticas licitatórias realizadas, principalmente pelas PM.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 21:56
Se fossem praças envolvidos, a repercussão e o escracho certamente seriam maiores. Por quê será que não apareceu algum oficial para criticar esses LADRÕES, como o fez aquele major que chamou a Anamara do BBB10 de vagabunda. Bando de hipócritas.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 21:58
Esses fatos corroboram para que a nossa PEC-300 perca e não ande.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 21:59
digo … perca força e não ande.
anônimo
fevereiro 28th, 2010 at 22:26
digo … perca força e não ande. Cadeia para esses LADRÕES
8
junho 23rd, 2010 at 2:46
wy29
http://002evolves.blogspot.com