Como anunciei em post recente aqui no Abordagem Policial, a Polícia Militar da Bahia (PMBA) realizou na semana passada (de 29 de junho a 03 de julho) o Curso de Atendimento Pleno ao Cidadão, que visa a capacitação de policiais para realizarem a lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), que é um simples relato de uma ocorrência policial onde há o cometimento de infração penal (crime ou contravenção) de menor potencial ofensivo. Na maioria dos estados brasileiros, as polícias militares não realizam tal procedimento, sendo exclusividade dos delegados de polícia, após ouvir o relato dos participantes da ocorrência e da primeira autoridade a ter contato com o fato: o policial militar.

Com a lavratura do termo circunstanciado pelos policiais militares, como já ocorre em estados como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, esse caminho é diminuído, pois o breve e simples relato que é o TCO, é feito logo pelo policial militar, após verificadas as circunstâncias em que, de fato, ocorreu a infração. O TCO, seja ele feito por um delegado ou por um PM, é enviado para um Juizado Especial Criminal, que marcará uma audiência e tomará as medidas devidas em relação ao infrator (que deve concordar em comparecer ao JECrim).
Tive o prazer de participar do curso, que foi o primeiro do Brasil, ministrado por oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina, referência nacional na implementação do TCO. O Major Martinez, coordenador, ao tratar do curso realizado pela PMBA, em parceria com a PMSC, esclareceu as vantagens da lavratura do TCO pelos policiais militares:
“A elaboração do termo circunstanciado de ocorrência nas infrações penais de menor potencial ofensivo no local dos fatos, pelo policial que está no local, de forma imediata e rápida, com encaminhamento direto a Justiça, representa um grande avanço em relação ao exercício e à promoção da cidadania.
Por um lado, o cidadão exerce o direito de não ser conduzido coercitivamente a uma repartição policial quando a lei lhe dá o direito de relatar o que ocorreu, assumir o compromisso de comparecer em juízo e ser liberado.
Por outro, o policial exerce seu papel de forma mais efetiva e pedagógica, pois ao elaborar o termo circunstanciado pessoalmente, na frente dos envolvidos, cria as condições para uma resolução mais rápida e eficaz para todos: vítima, vizinhança e o próprio ofensor, fortalecendo um modelo de justiça mais calcado na celeridade e informalidade e focado na resolução de conflitos.”
Obviamente que a implementação duma medida dessas depende de negociações políticas e até de mudanças culturais no exercício da segurança pública. Mas a realização do curso, apesar de só ter sido aberta a oficiais e aspirantes-a-oficiais (73 ao todo), mostra a disposição da corporação para entender a mudança que está virando tendência em diversos estados brasileiros — com o incentivo da SENASP. Fazer o TCO é fácil, tecnicamente os praças baianos têm condições de realizar o procedimento. Mas acredito que o problema não está aí, e sim na motivação à tropa como um todo (e como isso é complexo!). Se a tropa for convencida, nenhuma força externa conseguirá demover essa tendência, e a Polícia Militar da Bahia, como dizem os oficiais da PMSC, terá seus PM’s fazendo TCO “no capô da viatura”.
PS1: Parabéns à Força Invicta, Associação dos Oficiais da PMBA, pela operacionalização do curso;
PS2: Disse a Promotora Isabel Adelaide no 1º Seminário Temático da PMBA: “As polícias militares devem ter autonomia para a realização de um Termo Circunstanciado, que nada mais é do que o ato de documentar um fato”. Amém!;
PS3: Se você não está entendendo bem o que é TCO, em breve traremos outros posts sobre o assunto. Aguarde.
Azambuja
julho 6th, 2009 at 21:03
Existe meios motivacionais para que a tropa se empenhe nesta nova forma de documentar fatos ?, interessante, os nosso caros colegas Policiais Civis (que estão de parabéns), conseguem inteligentemente angariar melhoras significativas em seus vencimentos e nós PMs ficamos com a parte pior que é aumento de atribuições como este TCO !. pradoxo.
Azambuja
julho 6th, 2009 at 21:05
(Onde se lê pradoxo, le-se paradoxo).
Major PMSC Martinez
julho 6th, 2009 at 21:29
Parabéns ao administradorees do Blog Abordagem Policial pela matéria, os quais tive o prazer de conhecer na Bahia.
Gostaria de parebenizar também neste espaço o Major Corrêa da PMBA e presidente da Força Invicta pela iniciativa, quando em junho deste ano me procurou no ENEME em João Pesssoa perguntando se poderia propor ao Comandante-Geral a realização do curso, no que respondi positivamente sem pensar.
Ao senhor Cel PMBA Mascarenhas, Cmt G da PMBA, nossa admiração pela disposição de querer inovar promovendo o primeiro curso de TCO do Brasil no padrão SENASP.
Aos Oficiais da PMBA que realizaram o curso e que demonstraram uma impressionante vontade de mudar para melhor.
Confesso que o curso me surpreendeu bem como aos demais Oficiais da PMSC, Major Araújo Gomes (organizador das apostilas), Cap Júlio César e Cap André Luiz (instrutores), pela vontade demonstrada por todos os Oficiais Alunos.
Foi uma honra para mim ter participado do curso que, como disse, tem tudo para ser um marco entre as PMs do Brasil, pela coragem e desprendimento da PMBA em avançar num tema que enfrenta fortes resistências que insistem em manter o modelo falido do IP e da justiça morosa.
O TCO lavrado pela PM e encaminhado diretamente ao JECrim qualifica a repressão de maneira a aproximar a justiça do fato e das partes, ao mesmo tempo que se utiliza de mecanismos alternativos à pena privativa de liberdade.
Fábio Brito - ASPRA-BA
julho 6th, 2009 at 22:30
Quanto mais eu rezo, mais assombrações jurídicas me aparecem…
Como se já não tivéssemos atribuições demais e remuneração de menos…
Ainda invadimos a competência da Polícia Judiciária…
Por isso, que sou a favor de um CICLO COMPLETO DE POLÍCIA E JUSTIÇA CRIMINAL…
E como dizia o Prof. Raimundo: “E o salário: Oh!”
marcus
julho 7th, 2009 at 0:56
Na Bahia nós queremos melhores salários, PEC 300 e melhores condições de trabalho e não mais atribuições que são da Polícia Civil inoperante. Parece piada de péssimo gosto.
Alberto Magno
julho 7th, 2009 at 1:17
Confesso que considerando as necessidades da comunidade, estou muito alegre em saber q a PMBA, irá oferecer este serviço ao seu cliente, abolindo de uma vez por todas este mister da inoperante PCBA. Más por outro lado, esqueceram de garantir na mesma proporção o aumento salarial tão sonhado e digno, fica registrdo a minha indignação.
Abraço fraterno.
PMBA realiza primeiro curso de TCO do Brasil | Blogosfera Policial
julho 7th, 2009 at 1:20
[...] o Curso de Atendimento Pleno ao Cidadão, que visa a capacitação de policiais para realizarem a l ler mais [...]
Euvaldo Santos
julho 7th, 2009 at 1:48
O TCO é um documento dispensável. Quem for vítima de um crime de menor potencial ofensivo (Lesão corporal, ameaça), etc pode se deslocar diretamente ao JECRIM e deflagrar a persecução penal. Sendo dispensável, por que só delegados poderiam faze-lo?
Victor
julho 7th, 2009 at 2:06
Talvez se as pessoas que precipitadamente desacreditam na ideia tivessem o privilégio de participar do curso e entender de fato o que ocorre, não exporiam descrença tão deplorável.
Ezequiel.
julho 7th, 2009 at 8:23
O novo! o novo sempre vem. Apenas um lembrete para aqueles quem já estão com pessimismo ou com um suto de vaidade…Portanto, PREPAREM-SE PARA O NOVO.
Leandro
julho 7th, 2009 at 12:31
São de ideias como essa que a PMBA precisa…agora devemos concretizar ainda mais essa ideia, levando essa capacitação a todos, alcançando todas as classes da polícia
pois a PMBA presta um serviço de extrema importância a sociedade baiana.
marcopolo
julho 7th, 2009 at 12:54
Sómos pau pra toda obra! carregamos loucos, atuamos nas rodovias federais, fazemos segurança privada em eventos, entre outros tantos, agora é o tco. Plano de carreira para os praças e melhores condições de trabalho e salário dígno não se discurte, então nos preparemos para carregar mais este fardo.
Marcelo Lopes
julho 7th, 2009 at 12:59
Precisamos ,sim, urgentemente, de melhorias salariais e nas condições de trabalho, mas é um erro não agregarmos valor ao nosso trabalho em prol da qualidade da segurança segurança pública.
marcopolo
julho 7th, 2009 at 13:11
Marcelo Lopes desculpe-me discordar de vc, mas é impossível acreditar em bons serviços prestados por servidores tão desvalorizados. Antes eramos os primos pobres das policias federais, agora ganhamos o status de prima pobre da pc, mas agora pra minha felicidade vou poder facer tco, mim faça uma garapa!!!!
Daniel Abreu
julho 7th, 2009 at 13:44
Melhorar condições de trabalho e vencimentos é um dos passos que a policia militar está dando, assim como a lavratura do TCO.
E, só pra deixar registrado os erros de alguns: Lavrar termo circunstanciado não é atribuição da PC somente. PM’s podem e devem no meu ponto de vista, lavra-lo.
marco
julho 9th, 2009 at 0:02
Não sei quanto ganha um PM na Bahia, mas aqui no ES não é muito e muito semelhante ao que ganha um professor, ou seja, quase nada.
Achar que podemos cobrar empenho de um “polícia” que tem que fazer bicos de segurança para reforçar o soldo é ingenuidade… Mas mesmo assim a grande maioria segue atendendo muito bem a população, que só dá valor quando está em apuros…
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julho 9th, 2009 at 17:26
[...] de policiais para lavrar o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Ivestigador de Polícia de SP.
julho 10th, 2009 at 0:17
Cuidado pra não tomar um tiro nas costas enquanto fica abaixado no capô da Vtr fazendo policia judiciária em vez de fazer o seu policiamento preventivo, já que os espertos querem usurpar a função da Policia Civil. Esta pratica ilegal está com os di contados, aqui em SP o novo SSP já colocou algumas coisas em seu devido lugar, escolta de presos será feita pela PM, Policias civis não farão mais policiamento preventivo e PMs não farão mais TCs que é de competência da Polícia Judiciária, e tem mais os Estados não podem legislar sobre matéria Penal, querem investigar ou serem autoridades policias, estão na polícia errada, fizeram o concurso errado, ou não conseguiram passar no concurso da Civil e fizeram pra meganha, leiam a CF, o CPP, o CP e vejam se aprendem alguma coisa, não fiquem usurpando a função dos outros, a inveja mata.
Investigador de Polícia de SP.
julho 10th, 2009 at 0:23
antes que falem alguma coisa, está consertado “Investigador”, há mais alguns erros provocado pelo teclado, se é que vão perceber !!!!
marcopolo
julho 11th, 2009 at 19:28
Duvido que ´´investigador de polícia de SP“ seja realmente um policial civil, ainda mais de São Paulo, todos nos sabemos como o Pessoal do sul/sudeste olham para os Nordestinos, quando olham, vc podia se auto denominar PC de Brasília, uma vez que é a Policia Estadual mais valorizada do Brasil, mas valeu pela provocação companheiro!!
Alexandre Barcellos
novembro 12th, 2009 at 15:18
HAHAHAHAHA, essa Policia Civil é uma piada mesmo, a começar pelo seu efetivo inoperante, corrupto e preguiçoso…. “Investigador”, quem nao dá assistencia, abre concorrencia e perde a preferencia”, ja diz o ditado… Alias, pelo jeito, vc na deve ser formado em Direito…. Leia mil vezes a CF no art. 144 e veja onde diz que o “Delega” é Autoridade policial e a PC é Policia Judiciaria…..Ser e EXERCER FUNÇOES sao coisas completamente diferentes…Ah, nao preciso fazer concurso pra delegado. Aqui e GO um oficial como eu é bacharel em Direito, ganha a mesma coisa que o Delegado, tem mais moral e respeito, portanto, prefiro ser policial de verdade !!!
Valter
novembro 15th, 2009 at 0:32
Caro colegas
A elaboração do TCO vai facilitar, e muito, o nosso trabalho, pois hoje já temos que colher as versões das partes, elaborar o relatório, e depois apresentar tudo “mastigado” na delegacia, para o escrivão ou funcionário da prefeitura emprestado para a PC fazer o TCO. ( Delegado aqui em SP não fica no DP).
Elaborar um TCO, é pouca coisa a mais do que já escrevemos hoje no BOPM (como por exemplo, informar a vítima sobre o prazo de representação e colher a assinatura de compromisso do autor em comparecer ao Jecrim quando intimado). Logo não ter que apresentar no DP, onde, muitas vezes somos mau atendido, vai facilitar muito nosso trabalho.
Agora, o que eu não entendo é o fato dos PCs não concordarem com isso, já que será menos serviço para eles também, e como todos nós sabemos eles não gostam de trabalhar muito mesmo.
Valter
novembro 15th, 2009 at 0:40
Ha, “Dr.” Investigador de Policia de SP, se as prefeituras retirar todos os funcionários municipais ou guardas civis, que estão emprestados para a polícia civil, vcs vão à falência, pois são eles que tocam isso aí.