Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 
As concepções atuais de gestão de empresas, sejam elas públicas ou privadas, buscam consolidar a qualidade na prestação de serviços e ou produtos como fator primordial para o sucesso de qualquer empreendimento. São apresentadas metodologias, ferramentas, gráficos, concepções avançadas, entretanto, muitas vezes, mesmo com todo esse aparato, a organização não consegue desenvolver bem as suas metas e objetivos. Creio que as respostas se encontram justamente relacionadas com o baixo nível de prioridade nos campos da comunicação, liderança e motivação. Observamos que estas três palavras guardam uma relação harmônica. Para Eltz (2005), a origem da palavra comunicação está no latim "communicare" , ou seja, "pôr em comum", o que pressupõe entendimento das partes envolvidas. Nesta mesma linha, Ribeiro (1992) acentua que, depois da sobrevivência física, a comunicação é a mais básica e vital necessidade humana. Assim, não se pode falar em qualidade de relacionamento sem um bom desenvolvimento da comunicação. Infelizmente, e vale ressaltar isso, na maioria das vezes entendemos comunicação apenas como projeção de mensagens pelos mecanismos disponíveis. O escritor Rubens Alves faz um alerta interessante quando relembra que temos muitos cursos de oratória e, nunca se ouviu falar em um curso de "escutatória". Essa capacidade de escutar o outro dentro do espectro da comunicação é a habilidade que mais enobrece um líder. As organizações têm sofrido de uma carência de lideranças dispostas a ouvir os sentimentos, os anseios, as sugestões e mesmo os reclames dos seus colaboradores. E assim, lembrando de Maslow e de sua pirâmide das necessidades, as organizações vivenciam a crise de motivação, ou melhor, da falta dela. Chefes que nunca se aventuram no universo da escuta, possivelmente sofrem de miopia no que diz respeito à visão estratégica da organização. Neste ponto, concordo com SENGE (2006, P.239) quando assevera que: "As organizações que tencionam criar visões compartilhadas estimulam continuamente seus integrantes a desenvolver suas visões pessoais. Se não tiver sua própria visão, restará às pessoas simplesmente 'assinar em baixo' a visão do outro. O resultado é a aceitação, nunca o comprometimento" Concluo retomando essa palavrinha mágica, tão ausente em nosso vocabulário organizacional: COMPROMETIMENTO. Pessoas comprometidas são motivadas, inovadoras, criativas e lideram mesmo em momentos de crises. Esse tripé organizacional formado pela comunicação, liderança e motivação, necessita ter como base a busca desse comprometimento, dessa visão compartilhada, pois juntos, podemos enxergar mais longe e com maior nitidez. *José Carlos Vaz é policial militar, poeta, especialista em Comunicação Social com Ênfase em Ouvidoria (UNEB – 2006) e Especialista em Polícia Comunitária (UNISUL - Santa Catarina - 2009).
Considerado por muitos a arma de fogo mais famosa do mundo, o Fuzil Avtomat Kalashnikova 1947, "AK-47", para os íntimos, é daqueles objetos que marcam época. Criado na Rússia em 1947 por Mikhail Kalashnikov, o fuzil tem adeptos atualmente em dezenas de países do mundo, notadamente na região do antigo bloco comunista na Guerra Fria: "Os dados oficiais não dizem quantos são, mas notícias de jornais e letras de funks e raps proibidos do PCC, mostram que os fuzis AK-47 já chegaram ao Brasil. É difícil, aliás, dizer onde a arma não chegou. Criado na Rússia comunista, o AK-47 apareceu em 92 países, participou de 90% das batalhas da 2ª metade do século XX (às vezes dos dois lados da disputa), e foi a arma usada para matar pelo menos 7 milhões de pessoas. Venceu os rifles americanos no Vietname, substituiu a lança de tribos guerreiras da África, virou ícone da bandeira de Moçambique, monumento na Nicarágua e, hoje, está nas mãos de terroristas islâmicos e traficantes cariocas. Aos 60 anos, o AK-47 conta a história do século XX." Leia mais no Obvious. Atualmente o AK-47 é fabricado em Israel, Geórgia e no Irã. Recentemente, em 2005, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez a aquisição de 100.000 unidades para suas forças armadas, e não ficou só nisso: "Segundo as autoridades daquele país, a Venezuela terá o direito de fabricar o AK-47 dentro de algum tempo, tendo referido que os acordos estabelecidos entre a Venezuela e a Rússia incluem transferência de tecnologia juntamente com a licença para fabricar AK-47 sem restrições de tipo algum." Leia mais no Área Militar... O fuzil se tornou popularíssimo em países africanos que passam ou passaram por guerras civis, como Libéria, Angola, Sudão e Moçambique (chegando a valer US$ 10 cada). Neste último, o AK-47 tornou-se símbolo do país, e foi parar em sua bandeira, como símbolo daquele povo, que em 1994 assinou o Acordo Geral de Paz. Na Nicarágua, com a vitória da Frente Nacional de Libertação Sandinista, que derrubou a ditadura da família Somoza, o Avtomat Kalashnikova é a arma ostentada pelo guerrilheiro do monumento que simboliza a vitória. Especificações Técnicas Mas por que o AK-47 se tornou tão popular? Simplesmente porque ele atende ao trinômio "manutenção, manuseio e preço". Dizem que em menos de um minuto é possível montar a Kalashnikova, que possui não mais que 8 peças-base. Além disso, é resistente à lama, água e areia, por isso seu sucesso em países do Oriente Médio, na África e até nas regiões mais inóspitas da América Latina. Veja abaixo algumas especificações do AK-47: - Calibre: 7,62; - Cartucho: 7,62 x 39 mm; - Cadência de Tiro: 600 tiros por minuto; - Velocidade de saída do projétil: 700 m/s; - Alcance total: 1500 m; - Alcance útil: 300 m; - Peso: 4,3 Kg desalimentada e 4,8 Kg alimentada; - Comprimento: 87 cm; - Alimentação: carregadores de 20, 30 ou 90 munições. Abaixo, deixo alguns links para o leitor que deseje se aprofundar mais na história e nas características deste que é um dos principais fuzis de assalto do mundo: AK-47: a arma do século XX #1 - Obvious; AK-47: a arma do século XX #2 - Obvious; AK-47: a arma do século XX #3 - Obvious; The AK site. Kalashnikov Home Page; Fabricante do AK-47. O Especial Armas de Fogo é uma série de posts publicados sempre nas terças-feiras, tratando das principais armas de fogo utilizadas no Brasil e no Mundo. Caso você tenha sugestões, mande um email para abordagempolicial@gmail.com
Tive o prazer de receber em minha residência, na última semana, dois exemplares do livro "Técnicas Policiais - Uma questão de sobrevivência", de autoria do Capitão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS) Paulo Franco, juntamente com o Tenente Cruz, Sargento Leal e Soldado Rubens, que trata de procedimentos e técnicas operacionais para a atividade policial. Trata-se de um livro simples, pequeno (com cerca de 100 páginas), mas com um conteúdo muito relevante para qualquer policial brasileiro. A equipe de policiais que citamos, possui vasta formação, com cursos referências no Brasil e no mundo, como o Curso de Operações Policiais Especiais (SWAT/Flórida), Curso de Ações Táticas Especiais (TIGRE/PCPR) e o Curso de Ações Táticas (GATE/PMMG). Com fotos e figuras ilustrativas, Técnicas Policiais foi feito para o policial ler no dia-a-dia, relembrando procedimentos de maneira rápida, através de explicações suscintas. Vejam abaixo o release com o conteúdo da obra: O livro TÉCNICAS POLICIAIS - UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA, de autoria do Cap Franco, 1° Ten Cruz, 1° Sgt Leal e Sd Rubens, todos da Brigada Militar/RS é ilustrado com várias fotos e com conteúdos muito bons para instrução e treinamento, tais como: Abordagem (conceito, base legal, conceitos gerais, princípios da abordagem, fases da abordagem), Tipos de Busca (busca rápida, minuciosa, em delinqüente e em mulheres), Procedimentos na abordagem, Posições para busca pessoal (de pé com apoio, sem apoio, de joelhos, deitado), Abordagens em veículos, Uso de Algema, Tipos de algemas e técnicas diversas para algemar) Condução de Detido, Abordagem a Ônibus, Abordagem em Locais Hostis, Abordagem em Locais com Aglomeração de Pessoas, Abordagem em Edificações, Uso da Lanterna, Ocorrência de Alto Risco (Gerenciamento de Crise - conceito, características, procedimentos do policial, Síndrome de Estocolmo, O que pode ou não ser negociado, Contato com o Captor, Condutas Importantes, Isolamento do Ponto Crítico, Concepção e Técnica de Isolamento, Classificação da Crise, Níveis de Resposta, Principais Fontes de Informação, Tipologia dos Causadores do Evento Crítico, Regras Básicas para a Negociação, Ocorrência com Explosivos – Aspectos Legais, Classificação, Fiscalização, Características físicas e químicas, Classificação quanto a velocidade de detonação, Explosão, Procedimentos quando da ameaça de Bomba (falsa ou real), Técnicas de varredura e muito mais. Do conteúdo destaco dois tópicos interessantíssimos: o Capítulo 9, que trata do Uso da Lanterna, e o Capítulo 11, "Ocorrência com Explosivos", dois assuntos que são pouco tratados na literatura policial - e mesmo nos cursos de formação. Vale a pena conferir. Para comprar o livro, obviamente, você tem que ser policial. O site www.tecnicaspoliciais.com.br disponibiliza informações sobre a obra e o contato do Capitão Franco, para os interessados em adiquirí-la: Capitão Franco - Brigada Militar/RS Fones: 0XX51-9958 1728 - Porto Alegre/RS Email: prpfranco@ibest.com.br PS: Como comumente perguntam os leitores, informo que este post NÃO FOI PAGO, e que nossa intenção aqui é divulgar trabalhos que contribuam para o aperfeiçoamento da atividade policial, como é o caso. Se algum dia receber algo para escrever sobre um produto, deixarei isso bem claro no post.
A técnica é uma das principais aliadas dos direitos humanos no âmbito policial. Aliada à legalidade e à ética, temos a plenitude do respeito ao que humanamente é aceitável e digno de elogio. Digno de elogio como a ação desencadeada pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro na última sexta-feira, onde um criminoso foi morto quando, imobilizando uma refém, ameaçava explodir uma granada. Não que a morte do assaltante seja algo positivo, mas as vidas que foram preservadas mediante a ação da PM, caso a granada fosse acionada, devem ser comemoradas. A técnica utilizada foi o tiro de comprometimento disparado por um atirador de elite (sniper). Quando a refém estava continuamente desfalecendo, o Major Busnello, chefe de Planejamento de Operações do 6º Batalhão (Tijuca), atingiu o meliante na cabeça. Abaixo, comentários do Jornal do Brasil sobre a ação do Major: “O policial (Major Busnello), com 16 anos de corporação, já fez curso no Batalhão de Operações Especiais da Polícia, (BOPE). Segundo ele, foi a primeira vez que trabalhou numa situação dessas. – Foi difícil, ela poderia desfalecer a qualquer momento. [...] O major Busnello afirmou que o tiro tinha que incapacitar o bandido, já que ele estava muito agressivo e impedia com o dedo a explosão da granada. A arma usada na operação foi um fuzil adaptado Para-Fal, da Imbel, de uso exclusivo das Forças Armadas.” Parabéns aos policiais empregados na ocorrência, e à PMERJ como um todo. É através de ações como essas, pautadas no trinômio “técnica, ética e legalidade”, que as polícias brasileiras vão ser, como neste caso, aplaudidas pela sociedade brasileira. Assista ao vídeo da ação da PMERJ:
Rio de Janeiro já tem 50 policiais mortos em 2016 
Estudo mostra que maioria de menores infratores não tem pai em casa 
A multa de trânsito é considerada um terror para os condutores de veículos. Vez ou outra um amigo me liga, pedindo ajuda para formular um Recurso de Infração de Trânsito, dizendo que por eu ser policial, sei identificar melhor as falhas numa autuação etc. Sempre lembro que o correto é andar na linha, cumprir rigorosamente as normas estabelecidas pelo Código Brasileiro de Trânsito e suas resoluções, para não correr riscos de gastar dinheiro à tôa. Mas se por algum motivo você foi autuado e está achando o procedimento injusto, a Constituição Federal lhe garante o direito da ampla defesa, podendo então exercê-la através do Recurso de Infração de Trânsito, onde apontará os porquês da autuação ter sido injusta. Antes de falarmos propriamente do Recurso de Infração, vamos entender a diferença entre três conceitos fundamentais relacionados à infração de trânsito: autuação, notificação e multa. Diferença: autuação, notificação e multa Quando algum condutor de veículo pratica uma infração de trânsito, e essa infração é detectada por qualquer agente de trânsito, este deverá confeccionar um documento chamado Auto de Infração de Trânsito (AIT), onde constará todas as peculiaridades da infração, desde o nome do infrator e placa do veículo até o artigo que identifica a infração no código. À lavratura deste documento chamamos "autuação", que nada mais é que o registro de que foi detectada a infração de trânsito. A notificação é a informação ao proprietário de que foi detectado que uma infração foi cometida com o seu veículo. Caso no momento da infração o veículo não estivesse sob sua responsabilidade, a notificação recomenda que ele indique o condutor responsável. O prazo para que o órgão de trânsito notifique o proprietário é de 30 dias, a contar da data do cometimento da infração. Notem que se o condutor assinar, no momento da autuação pelo agente de trânsito, o AIT, este já está declarando estar ciente da infração, logo, já estará notificado. Já a multa, é uma penalidade prevista no Código de Trânsito para determinadas infrações, sendo classificadas em leve, média, grave e gravíssima. Isso significa que o agente de trânsito não tem o poder de multar, no máximo, podendo autuar e, caso o infrator se disponha a assinar o Auto, formalmente notificá-lo. Todos os autos são remetidos à autoridade competente da circunscrição para que seja julgada sua consistência, e, se for o caso, se aplicará a penalidade cabível. Recursos e Defesa : prazos e inconsistências comuns Como já disse, a Constituição Federal garante a todo cidadão o direito de se defender da acusação de cometimento de qualquer infração. Por isso, no Direito do Trânsito, toda vez que alguém é notificado por uma infração, ele tem o direito de interpor recurso, expondo motivos que provem a inconsistência do auto de infração de trânsito ou em outro procedimento relativo à infração. O prazo para que a defesa da autuação, seja apresentada é o mesmo dado para que o proprietário indique o condutor responsável, e já vem expresso na notificação. Essa é a chamada "defesa prévia", e pode ser emitida pelo acusado assim que fique ciente da autuação. Além dessa defesa prévia, existem duas possibilidades de recurso: Recurso em Primeira Instância Este só pode ser apresentada após a notificação, devendo ser interposto até a data do vencimento da multa. Após o vencimento da multa o recurso interposto será considerado Intempestivo, não havendo mais obrigatoriedade do julgamento por parte da autoridade de trânsito. É bom lembrar que o não-pagamento da multa até o seu vencimento elimina a concessão de 20% de desconto no seu valor. Recurso em Segunda Instância O recurso em segunda instância serve para contestar o julgamento do Recurso de Primeira Instância, mas percebam que aqui é exigível que o infrator tenha já pago a multa. Para que injustiças não sejam cometidas, é importante que o cidadão autuado observe se não há falhas nos procedimentos referentes à autuação. Abaixo, listamos incosistências comuns, que devem ser observadas também pelos agentes de trânsito, que ao cometer tais falhas estão contribuindo para não punir um infrator: - Erro de digitação; - Impossibilidade do cometimento de infração com determinado veículo; - Divergência de marca, modelo ou cor do veículo autuado; - Erro na identificação do local da infração; - Não-cumprimento dos prazos (principalmente de notificação); - Inexistência de competência do agente. Junto a cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou rodoviário funcionarão Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI, órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento dos recursos interpostos contra penalidades por eles impostas. As JARI têm regimento próprio e apoio administrativo e financeiro do órgão ou entidade junto ao qual funcionam. Geralmente os próprios órgãos de trânsito disponibilizam o modelo de documento para confecção das defesas e recursos de multa de trânsito, mas deixo a sugestão ao leitor duma série de modelos que o site Celtral Jurídica disponibiliza, já com o corpo do documento tratando das incosistências comuns, divididas em "Nulidades do Ato de Infração" e "Defesa Quanto à Materialidade da Infração". Mas lembrem sempre: o ideal é não precisar sequer fazer recursos, e sempre cumprir o que dispõe o CTB e suas resoluções.
Em 490 A. C., o Soldado grego Feidípedes saiu correndo de Maratona até Atenas, a uma distância de 40 mil metros, para anunciar a vitória da Grécia sobre a Pérsia. Tal feito ficou marcado na história, pois a tão famosa corrida olímpica denominada de maratona deveu-se a esse feito. Houve uma época que as mensagens enviadas duravam vários dias até que chegassem ao seu destino final. Os mensageiros além de enfrentarem o longo percurso, também contavam com as mais variadas situações adversas como o terreno, que às vezes era íngrime e cheio de obstáculos; o clima, que nem sempre era igual ao de origem; a alimentação, que o próprio mensageiro tinha que providenciar. Tais fatores adversos provocavam um desgaste físico no mensageiro a ponto de nem todos cumprirem a missão. Deveras é de se notar a importância da informação desde os tempos da Antigüidade Clássica. Informações de cunho religioso, político e militar, as quais serviam para que muitos se mantivessem atualizados acerca dos acontecimentos que norteavam os rumos daquela época, contribuindo com a troca de saberes adquiridos pelo homem ao longo de sua existência; saberes esses responsáveis pelo surgimento e aperfeiçoamento dos diversos ramos da ciência, facilitando os afazeres dos homens, tornando os seus instrumentos e maquinários mais adequados para a prática do trabalho. Devido a essa própria capacidade humana de guardar e transmitir informações, os diversos instrumentos de comunicação foram sendo aperfeiçoados, passando de gravuras em pedras, gestos, fala, até os sofisticados sistemas de mensagens eletrônicas com o advento da internet. Hoje, dispõe-se de uma gama de produtos tecnológicos que auxiliam a troca de informações entre as pessoas, sem as dificuldades que Feidípedes teve em sua missão. Tudo isso em tempo real; vemos, ouvimos, escrevemos e falamos ao mesmo tempo que nosso interlocutor. É a rapidez da troca de informações. Rapidez essa que muitas pessoas e instituições vêm se beneficiando para atender as exigências de um mundo globalizado, usando-a para oferecer um serviço de excelência e ao mesmo tempo não deixando seus concorrentes se distanciarem cada vez mais, pois também se trata de uma corrida em que cada um deve estar sempre a um passo a frente procurando o aperfeiçoamento. Portanto, o policial militar engajado nesse mundo globalizado, não pode deixar ser atropelado pela bola de neve e tem que acompanhar a rapidez dessa troca de informações em prol de seu preparo tecnico-profissional, cada vez mais requisitado pelos diversos segmentos da sociedade. É necessário que o profissional de segurança pública não se sinta compelido a se aperfeiçoar, mas que tenha satisfação em fazê-lo. Veja que alguns criminosos mudaram a tática em praticar delitos. São os denominados criminosos virtuais, pois furtam dinheiro pela grande rede, praticam pedofilia e também se aperfeiçoam; a sociedade quer um trabalho mais eficiente, a mídia exige mais e está aí pronta para criticar o profissional de segurança pública caso ele dê um pequeno vacilo. O policial militar tem que estar sempre um passo a frente desses criminosos, tem que estar em constante aperfeiçoamento, levando-se em conta os gostos e as vocações de cada profissional . Mas, para isso, é necessário que o Estado crie mecanismos e condições para atender a essa tendência, ajudando a custear parte ou integralmente, conforme o caso, o aperfeiçoamento do policial militar. Ora, sabe-se que a Polícia Militar é uma corporação. Cada policial militar forma essa corporação. O povo quer uma Polícia Militar de qualidade e não de quantidade. Se cada policial militar procurar se aperfeiçoar com ajuda ou sem ajuda do Estado, então a corporação oferecerá um serviço de qualidade, o qual implicará na satisfação da sociedade. Essa proposição é mais que verdadeira. Lembrem-se: apressemo-nos em nos aperfeiçoar sempre! *Givanildo Miranda do Amaral formou-se Soldado de 1ª classe da PMBA no NFSD do 13º BPM em Teixeira de Freitas no ano de 2000, licenciou-se em Matemática pela UNEB em 2006 e atualmente pertence ao efetivo da 43ª CIPM.
O abuso sexual a crianças e adolescentes geralmente é visto sob o viés da repugnância ao ato praticado por um homem ou mulher com estrutura física e mental já desenvolvida, em desfavor de um ser ainda em formação, inconsciente das repercussões que suas atitudes podem gerar para si mesmo e para os que com ele se relaciona. Temos uma reação instantânea de indignação quando sabemos, por exemplo, que existem meninas de 11, 12 anos de idade, que praticam sexo oral em troca de centavos em postos de gasolina de estradas brasileiras. Parece ser uma postura instintiva, certamente ligada ao nosso senso de preservação da espécie, que depende da integridade dos infantes para não se findar. Esse senso é importantíssimo, mas quero chamar a atenção do leitor para algo menos natural, instintivo, algo mais ligado às constatações racionais que surgem frente ao problema do abuso sexual a crianças e adolescentes. Tomemos o caso hipotético das meninas que nos referimos acima, que na faixa dos 10 anos de idade são exploradas sexualmente por homens já (des)feitos. Muito certamente essas crianças não possuem pais e mães, ou qualquer estrutura familiar adequada para dar-lhes o suporte educativo e formativo minimamente adequado. Pior, não possuem quem lhes proteja, alguém que, mesmo não sabendo ao certo o grau de complexidade da formação da personalidade de um indivíduo, pelo menos tem princípios básicos, genéricos, arraigados na maioria das pessoas com senso comum. Me refiro ao que vulgarmente costumamos entender por "bem" e "mal", essas crianças não possuem sequer quem lhes puna ou amedronte por "fazer coisas feias", "fazer coisa errada", por "se envolver com o que não presta". Daí percebemos que o descaso ou a inexistência familiar é a primeira condição para o oferecimento de infantes vítimas às inescrupulosas intenções. Vejam que falo em inexistência da proteção, que é um extremo, e em descaso - que quase chega ao extremo contrário, que é o cuidado. O descaso pode ser até mesmo um acidente por falta de atenção no cuidado, à qual chamamos descuido. Por isso a importância de pais cuidadosos e engajados na educação dos seus filhos estarem sempre alertas aos riscos desses abusos. Chegamos então aos problemas que levam crianças e adolescentes ao descuido, sem uma estrutura que as guarneçam de abusos, estrutura comum até mesmo em outras espécies, que têm sempre mecanismos de conservação de sua prole, geralmente tendo a mãe como principal figura. Frisemos que a pobreza é um dos principais elementos responsáveis pelo descuido educacional nas famílias. Isso quer dizer que as famílias pobres são moralmente piores? Não, mas as preocupações com necessidades primárias, principalmente com saúde e alimentação, leva todo ser humano a desenvolver improvisadamente atividades que não estejam ligadas à sua sobrevivência. Some-se a isso a inércia de um Estado que não procura compensar essas carências, que além de deixar a população desprovida de necessidades básicas à sua sobrevivência, não supre a ausência, por exemplo, de uma mãe solteira que trabalha para sustentar uma casa, sem muito tempo para sua família, pois é sabido que nossas escolas e centros educacionais são lastimavelmente ineficientes. Eis que os imãs de compensação ao déficit de atenção e proteção (embora negativa, não deixa de ser compensação) surgem seduzindo essas pessoas, notadamente o tráfico de drogas e a prostituição, que por um lado absorvem a miséria e a desestruturação social e, por outro, alimentam o hedonismo de um mundo cada vez mais inconsequente e fugaz. É desse contexto que as meninas que citamos acima são produto. E aqui chegamos ao clímax de nossas reflexões: com a carga de perversões psíquicas que o abuso sexual promove, a principal consequencia social para esses seres ainda em formação é tornarem-se eles mesmos problemas para a sociedade, pois a falta de perspectiva que lhes é imposta cria o impedimento de sonhar e crescer, antes mesmo disso ser possível. Com o agravante da gravidez ocasional e precoce, pessoas nascem condenadas aos mesmos problemas, pois não terão a estrutura básica essencial que já mostramos ser necessária. Não quero, nem tenho competência para tal, traçar modelos para os problemas que acometem nossa sociedade, mas essas reflexões nos levam ao entendimento de questões cruciais dos dias de hoje, que guardam íntima relação com a segurança pública. No caso do abuso sexual a crianças e adolescentes, a indignação não deve ocorrer apenas por entendermos abjeta tal prática, mas também porque as consequencias para a sociedade são desastrosas, e as causas tem fortes elos com problemas outros, aos quais convencionamos chamar de "problemas sociais". Enquanto não entendermos essa relação, e começarmos a atuar para desfazê-la, a indignação instintiva será apenas uma atitude comodista.
Quem é militar - seja federal ou estadual - sabe a importância que tem o uniforme no dia-a-dia operacional. Extendo a afirmação a outros profissionais de segurança, guardas municipais, policiais civis e seguranças particulares, que muitas vezes precisam se proteger de intempéries comuns ao serviço de rua. Boa parte desses profissionais já precisaram rastejar, transpor muros ou cercas, ajoelhar em asfaltos e calçamentos etc. Ainda há os pilotos de aeronaves e bombeiros, que se vêem com o risco iminente de ter contato com fogo em qualquer ocorrência (incêndios, acidentes), notadamente os últimos. Para todas essas possibilidades e riscos, é preciso estar com um uniforme resistente e especialmente preparado para esses tipos de situações - levando em consideração o conforto, a flexibilidade e a temperatura minimamente ideais para o desempenho da atividade. Atualmente, existem dois tecidos com ampla aceitação entre os militares, dotados de peculiaridades que ajudam a enfrentar os problemas citados acima. O primeiro é o Ripstop, popularizado na maioria das polícias brasileiras (institucionalmente ou não), por sua resistência aos rasgões, que não são raros nos uniformes comuns. O segundo é o tecido de Nomex, fibra fabricada pela empresa DuPont, que é utilizado por profissionais como pilotos de aeronaves e de carros de automobilismo, sendo altamente resistente ao calor. Neste post vamos explicar de maneira rápida qual a composição desses materiais, e o porquê de utilizá-los... O Ripstop Ripstop ("rip" é rasgão em inglês, e "stop" é parar) é todo tecido que tem em sua composição fios de nylon dispostos de maneira quadriculada, impedindo que ele seja desfiado quando rasgado. Como se vê na figura abaixo, o tecido ripstop tem fibras largas (em preto) intercaladas às fibras mais finas do tecido: O que faz do Ripstop um tecido ideal para a atividade policial é que os rasgões que por acaso ocorram no uniforme, não se alastram, ou seja, quando encontram as fibras mais largas o rasgão "pára". As fibras são feitas de um polímero que é esticado ao máximo até se tornar duro. Neste ponto o material está na sua tensão máximao, sendo então cortado em fatias muito finas para se fazer fios, e posteriormente o tecido. Furar com um prego, por exemplo, um tecido ripstop é até fácil, mas o dano ao tecido não passará do furo, já que as fibras não permitem que mais do que isso ocorra. Abaixo, veja um tênis feito de Ripstop, que também é utilizado para fabricar fitas adesivas, mochilas e balões: A Nomex A Nomex é uma fibra produzida pela DuPont, e é resistente a altas temperaturas e a descargas elétricas. O site da DuPont descreve a íntima relação do produto com a atividade militar: O tecido feito de Nomex, da DuPont, foi utilizado pela primeira vez por militares em 1965, quando a Marinha dos EUA fez um macacão de vôo utilizando nossa fibra. Hoje, a fibra Nomex é parte integrante de acessórios de pilotos e tripulantes de aeronaves, como macacões, balaclavas, coletes e luvas. Seus benefícios são inúmeros. Resistente à chama, o tecido feito de Nomex só queima enquanto houver contato imediato com a fonte da chama. Além de criar uma barreira isolante, impedindo a queima do material, a fibra de Nomex também diminui consideravelmente a transferência de calor, aumentando o tempo de permanência do usuário em um ambiente de alta temperatura. Leia todo o texto no site da DuPont (em inglês) Abaixo, uma bombeiro utilizando roupa feita de Nomex: Tecidos de Nomex são caros e geralmente são adquiridos por corporações policiais ou de bombeiros. Trata-se de uma grande invenção, primeiro pela segurança que oferece, segundo por ser um material leve e flexível. Assista este vídeo de poucos segundos, que mostra a incrível resistência do tecido de Nomex à chama. * * * É preciso que os policiais atentem para a importância da utilização de um bom uniforme, que serve não apenas para a boa apresentação pessoal, mas principalmente para a segurança e resistência ao dia-a-dia com intempéries de todos os tipos. O uniforme de Ripstop, por exemplo, respeitadas as peculiaridades regulamentares do uniforme de cada corporação, é de preço acessível, podendo qualquer profissional adquirir algumas peças. Às polícias cabe perceberem isso, e entender que este é um aspecto muito ligado à auto-estima e à motivação do policial - como algumas já fazem.
O Brasil já tem seu representante no Oscar 2010, "Salve Geral", protagonizado por Andréa Beltrão e dirigido por Sérgio Rezende. O filme se passa em maio de 2006, quando o Primeiro Comando da Capital sitiou a cidade de São Paulo, com mais de 25.000 presos rebelados, 251 ataques (inclusive a unidades policiais) e centenas de mortos. Leia o texto Ataques do PCC em São Paulo: 3 anos. "Salve Geral" está sendo acusado, antes mesmo de ter sido lançado nos cinemas, de criar um vínculo afetivo entre o público e os presidiários, crítica que é rebatida de modo veemente pelo blogueiro Jorge Antônio de Barros, o Repórter de Crime: Assim como "Tropa de Elite" foi considerado fascista porque mergulhou na visão estereotipada de um policial de unidade especial, há quem vá considerar "Salve Geral" um filme liberal por mostrar as estranhas do crime organizado. Esse caráter documental é que faz dele um filme excepcional. Quatro meses após os ataques de São Paulo, Sérgio Rezende decidiu fazer o filme concluído apenas três anos após o episódio. É o que eu chamaria de "instant-movie", um filme baseado em fatos reais. A realidade brasileira tem assunto para um "instant-book" por mês e um "instant-movie" por ano. Está aí o grande crítico de cinema José Carlos Avellar, que participou da conversa com Sérgio Rezende, no café do Unibanco Artplex, quinta-feira passada: - Nos últimos dez anos, o cinema brasileiro tem se especializado em histórias baseadas em fatos reais - diz Avellar. Assista a entrevista que o Jorge fez ao diretor Sérgio Rezende "Salve", na gíria de criminosos paulistas, significa "recado", o que nos leva a compreender bem o porquê de chamar aquele "11 de setembro brasileiro" como um "Salve Geral", título do thriller de Rezende. Leia a Sinopse do filme: No Dia das Mães de 2006, a cidade de São Paulo está sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é o Comando, uma poderosa organização criminosa. No meio do caos está a viúva Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: tirar o filho adolescente da cadeia. Rafael, 18 anos, está preso por ter se envolvido num incidente que terminou com a morte de uma jovem. Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do Comando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas à sua organização. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando os desafios, no limite entre a legalidade e o crime. Paralelamente, o Comando vive uma acirrada luta interna de poder e ao mesmo tempo enfrenta o inimigo comum: o sistema penitenciário. A crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é imediata. O Comando envia seu código: Salve Geral. E São Paulo vira um inferno. Inspirado em fatos verídicos, ‘Salve Geral’ conta uma história de ficção das mulheres por trás do Comando e mostra que quando a lei e a ética são postas em questão o que impera é a força. Assista ao trailer de Salve Geral Seja qual for a visão estabelecida por Salve Geral, ter os holofotes na discussão dos problemas relacionados à segurança pública brasileira, notadamente ao sistema penitenciário, é sempre positivo. Recentemente, em Salvador, passamos por problemas parecidos aos de São Paulo, mas em menor escala. Isso demonstra que a sociedade brasileira ainda está sujeita a esse tipo de barbaridade, não obstante já passados três anos do ocorrido. A princípio, o filme já é um sucesso, pela discussão estabelecida. Falta ver, a partir de 02 de outubro nos cinemas, em quais perspectivas ela se localiza.
Em junho de 2006, após já ter completado todas as etapas do concurso para ingresso na Academia de Polícia Militar (APM), eu e meus futuros colegas de turma vivíamos aflitos aguardando nossa convocação para início do Curso de Formação de Oficiais (CFO). De modo que tem me soado familiar a agonia dos candidatos do último concurso (2009), que vivem o mesmo dilema, com a diferença de que já estamos em setembro, e ainda não foram convocados para sua jornada de três anos na APM. Emails e mais emails chegam de leitores do Abordagem Policial procurando saber quando esses quase-alunos da Academia vão ser chamados, se isso ocorrerá ainda este ano e, se não, quando será. Além disso, e também em virtude disso, a UNEB, responsável pela realização do vestibular do CFO, não incluiu nas inscrições do seu vestibular, que já se iniciou, as vagas para o CFO. Eis que mais emails chegam questionando o porquê dessa ausência, e quando será aberto um novo concurso. Pensando nesses dois públicos, trago aqui algumas informações e orientações para os candidatos de 2009 já aprovados, e para os que estão aguardando a abertura de novo concurso para se inscrever. Vamos lá: Quando iniciará o CFO 2009? O que precisa se deixar claro, inicialmente, é que não existem informaçõe oficiais acerca do início das aulas para os candidatos aprovados no concurso 2009. Mas, diante das circunstâncias, provavelmente isso não acontecerá este ano. Para se ter uma idéia de como seria complicado convocar a nova turma ainda este ano, basta observar que existem disciplinas nos cursos que já se encontram na APM que estão previstas para terminar sua carga-horária em outubro, daqui a um mês. Segundo informações de oficiais da APM, a equipe de comandantes e coordenadores do curso já está formada, mas é consenso que haveria um prejuízo grande para os alunos caso o curso começasse neste momento - as férias do CFO já tem data marcada, e sempre vão de meados dezembro a meados de janeiro. Lembro que em minha turma tivemos um pelotão (cerca de 25 alunos) que, por pendências judiciais, entraram após a maioria, e para se adequarem ao restante da turma tiveram que sacrificar seus finais de semana, feriados e horários de descanso. Caso a remota possibilidade de convocação ainda neste ano ocorra, é possível que esses expedientes sejam adotados. Não se sabe ao certo o motivo da demora, mas uma das inconveniências que seriam sanadas com o início das aulas da turma 2009 em janeiro de 2010 seria a adequação do ano letivo ao ano do calendário - levando as formaturas a ocorrer sempre nos dezembros. Atualmente, as turmas se formam no meio do ano, geralmente no mês de junho, como ocorreu neste ano. Seguindo esse raciocínio, o próximo concurso iria selecionar candidatos para iniciarem o curso apenas em 2011, como veremos a seguir. Haverá concurso para o CFO em 2010? A Secretaria de Administração do Estado da Bahia (SAEB), através do Portal do Servidor, disponibilizou o seguinte cronograma de concursos para o grupo segurança pública de 2008 a 2011: Dos quatro concursos de 200 vagas para aluno-a-oficial apenas um foi realizado, e se refere ao que acabamos de comentar acima. Já que a UNEB não incluiu em seu processo seletivo as vagas para o CFO, a pergunta que fica é: quando acontecerá o próximo concurso? O atraso da turma que deveria iniciar suas aulas agora em 2009 certamente acarretará num atraso na realização de um novo concurso. Usando a lógica, caso os já aprovados sejam nomeados em janeiro de 2010, o concurso ocorrerá em junho de 2010, e as aulas começarão em janeiro de 2011. Acredito nessa possibilidade justamente pelo motivo já exposto acima: o Curso de Formação de Oficiais se adequaria ao que ocorre em toda organização de ensino, com o ano letivo coincidindo seu início e término com o calendário. Desde quando fiquei sabendo dessa quantidade de vagas para o CFO, 200 por turma, desconfiei da implementação desses concursos, já que atualmente a Academia de Polícia Militar não possui estrutura física para acomodar tal contingente - pelo menos não com as práticas previstas em regulamento, como o internato, em que o aluno deve dormir e se alimentar na escola. Não duvido que o número de vagas seja reduzido, já que o cronograma que publicamos aqui é mera previsão pautada nas necessidades de efetivo da corporação. Daí percebemos que o problema não diz respeito só aos que querem se inscrever no concurso, pois a entrada de novos alunos influencia toda a política de pessoal da Polícia Militar. É pressuposto básico para a promoção de tenentes a capitães a formação de novos tenentes, uma vez que as funções não podem ficar vagas, tampouco ser exercidas por quem tenha prerrogativas para atividades de maior responsabilidade. Logo, seis meses de atraso no ingresso de uma turma no CFO significa relativo atraso futuro nas promoções. *  *  * Apenas com essa breve análise pudemos ver quantos fatores são influenciados com um mero atraso na entrada de uma turma no CFO ou na realização de um novo concurso. Política de promoções, qualidade na formação, estrutura física e de pessoal para a manutenção do curso etc. Para os candidatos aprovados, além de acompanhar o Diário Oficial periodicamente, sugiro que aproveitem, com prudência, os dias que estão tendo com suas famílias e amigos, pois a rotina da Academia de Polícia Militar, infelizmente, exige certa abdicação desses benefícios. Àqueles que querem se inscrever no próximo concurso, continuem estudando, já que a abertura de novo edital ocorrerá em breve. É uma pena que exista o clima de incertezas, e que muitos tenham tomado decisões em suas vidas pautados em expectativas frustradas. Desde já se percebe as imperfeições da administração pública, que poderia informar melhor seus futuros servidores. Mas creio que todos sabem que o serviço público, se não é o Inferno de Dante, também não chega a ser um mar de rosas. Ou não?