Uma reclamação recorrente nas academias, sejam elas policiais ou não, se refere à dificuldade da implementação do que teoricamente fica estabelecido através de estudos na realidade prática da segurança pública. Desse fato decorrem inúmeras críticas e censuras, por exemplo, à legislação que normatiza as penalidades, a atuação das polícias etc. Nesse sentido, é louvável a existência de um órgão público que visa justamente aproximar a academia da produção legislativa, fazendo virar realidade o que se discute e pesquisa nas universidades. Estou me referindo à Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL) do Ministério da Justiça, que “produz anualmente mais de 500 pareceres sobre os mais diversos temas jurídicos que instruem a elaboração de novos textos normativos, a posição do governo no Congresso, bem como a sanção ou veto presidencial”.
Não sei bem como anda o funcionamento da secretaria, mas, em princípio, ela tem uma importância fundamental para fomentar mudanças. Recentemente, a SAL publicou uma pesquisa tratando das peculiaridades das condenações por tráfico de drogas no Brasil. Informações importantes vieram à tona, como a constatação de que o número de presos por tráfico de drogas (69.049 presos) só perde para os detentos por cometimento de Roubo qualificado (79.599 presos).
Quando se procurou saber o perfil do condenado por tráfico de drogas em função da quantidade de drogas que portava, chegou-se ao seguinte contrasenso:

Pois é, caro leitor. Chegamos à constatação científica de que os grandes responsáveis pelo tráfico de drogas no Brasil não são punidos. Em contrapartida, “a maioria dos condenados por tráfico de drogas no Brasil são réus primários, foram presos sozinhos, com pouca quantidade de drogas e não tem associação com o crime organizado”. Esse perfil se refere a 67% dos condenados.
Por isso, faz sentido o questionamento do Ministério da Justiça:
“o ministério quer levantar perguntas como, por exemplo, se é conveniente que este perfil de condenado receba a pena de prisão ou se não seria mais interessante a possibilidade de se aplicar penas alternativas, hoje vedada por lei”
Até que ponto temos a ganhar com a criminalização desses indíviduos que fazem parte do varejo, uma vez que criminalizar, no Brasil, é quase como condená-lo ao ciclo de injustiças cometidas pelo próprio Estado, muitas vezes maiores do que a injustiça que o infrator cometeu à sociedade, tornando-o uma vocacionado para o atacado. A mesma pergunta deve ser feita em relação ao usuário, que criminalizado vê-se relegado a um mundo obscuro, tendo que utilizar-se, em dados momentos, de ilegalidades mais graves do que o consumo para sustentar seu vício.
Como se vê, a discussão é ampla, e as dúvidas são muitas. Mas aposto no sentido da descriminalização, já que, a cada dia que passa, vemos o atual sistema de punição ao tráfico e ao consumo criar ciclos de injustiça e recrudescimento de fatalidades. O relatório “Tráfico de Drogas e Constituição”, da SAL, aponta para essa tendência, e nos convida para a reflexão sobre o assunto.
PS: A pesquisa é a primeira de uma série de estudos que o Ministério da Justiça está realizando em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), intitulada “Série Pensando o Direito”. O trabalho é assinado por pesquisadores da UNB e da UFRJ: Luciana Boiteux, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, Beatriz Vargas, Vanessa Oliveira Batista, Geraldo Luiz Mascarenhas Prado e Carlos Eduardo Adriano Japiassu (colaborador).
Quem é preso por tráfico de drogas? | Blogosfera Policial
setembro 16th, 2009 at 11:40
[...] através de estudos na realidade prática da segurança pública. Desse fato decorrem inúmeras ler mais [...]
Alex da Silva Melo
setembro 16th, 2009 at 12:53
O erros de gráficos.
Achei interessante o tema abordado pelo colega Danilo Ferreira, que tratou da questão do tráfico de drogas e de quem realmente é preso por essa prática criminosa. Lendo o texto muito bem apresentado diga-se de passagem, fiquei até um pouco espantado. Mas, me pus ao seguinte questionamento: Como agem os traficantes de drogas? Se formos analisar a fundo as práticas adotadas por estes, veremos que na maioria das vezes eles preferem portar uma pequena quantidade. E por que eles fazem isso? A resposta a essa pergunta seria que é bem mais fácil, prático e econômico pra eles se desfazer de uma pequena quantidade de droga do que de uma quantidade maior.
Os traficantes hoje em sua maioria, aproveitam até das novas tecnologias de comunicação (internet, celular, entre outras) para efetuarem o seu comércio. E, quando são surpreendidos pelos policiais. Só é encontrado aquela pequena quantidade de entrega. Ou seja, o traficante não fica mais de vacilo com uma grande quantidade de droga. Na verdade ele só sai do seu local de fabrico e armazenamento com a pequena quantidade a ser entregue. Essa seria uma das variáveis pra indicação apresentada no gráfico.
Já em se tratando da descriminalização, acho que aconteceria algo pior do que o que aconteceu com a legalização do comércio do Cigarro. Imaginem os senhores que se já gastamos muito com a recuperação de pessoas tratadas com vícios em cigarros e bebidas alcoólicas e das doenças que derivam desses vícios. O quanto que teria de ser investido para tratar pessoas dependentes de Crack, Cocaína e outras drogas. Penso que alternativa de legalização deste tipo de drogas seria um retrocesso de tudo que se conseguiu até o momento com a proibição. Sou a favor de se rever as punições e de criar medidas alternativas de se recuperar essas pessoas. De equipar não só a polícia como forma de prevenção e repressão ao tráfico. Mas, também, as outras instituições que se encontram falidas (Igreja, Família). O Estado tem que deixar de subir morros somente com a polícia achando que esta vai resolver tudo. E, passar também a oferecer aos jovens de lá: Educação, saúde, emprego, lazer. A “guerra” contra o tráfico está longe do seu fim. O que não podemos é aceitar que como não conseguimos acabar com o tráfico somente com ações policias, que esta deve ser legalizada. O que devemos fazer é buscar novas alternativas.
José Luis
setembro 16th, 2009 at 20:48
Penso que quando é primário, com pouca quantidade, deve ter tratamento privilegiado, com penas alternativas! O X da questão não é o tamanho da punição, mas a certeza.
O malandro, depois que for pego na primeira fez, vai pensar dezenas de vezes antes da segunda, pois já vai conhecer o sistema e saber que não é princadeira…
Cadeia no Brasil é faculdade de bandido. O malandro entra júnior e sai PHD, em um ciclo que nunca fecha…
Policial Militar
setembro 17th, 2009 at 0:08
Se formos aprofundar mais ainda essa pesquisa, iremos constatar que desses condenados por tráficos de drogas, a grande maiorias deles, foi presa quando transportava a droga em caminhões, ou carros, ou foram aviões das favelas brasileiras, ou seja, se formos verificar a fundo, constataremos que nenhum grande traficante foi condenado.
Ou seja a Polícia do Brasil ainda é aquela Polícia do “pé na porta” dos barracos da periferia. Triste política de segurança. pública
Waldimir Soares
setembro 17th, 2009 at 0:12
Olha, este assunto merece ser tratado com toda seriedade possível. Muitas vertentes têm de ser analisadas. Não é só a questão da primariedade que se deve levar em conta, mas sim o porquê do ingresso na vida criminosa. Sabe-se que o comércio de drogas no mundo é o primeiro colocado no ranking de lucratividade, chegando a cifras dos trilhões anuais. O sistema penitenciário falido, o judiciário sobrecarregado, elitizado e lento… as forças policiais despreparadas para o enfrentamento do crime organizado, pois, até hoje não possuem o banco de dados nacional e nem tecnologia e ponta para o enfrentamento, a educação no país virou piada nacional, basta dizer que quem não estuda pode chegar a ser presidente… Coisas pequenas como estas (e muitas outras maiores) devem ser analisadas e pesam, com certeza, em qualquer parecer sobre o assunto. Certamente, deve-se saber “quem ganha com a facilitação ou aumento do tráfico de drogas”. A resposta para todas as perguntas pode estar por aí.
danilo Cerqueira
setembro 17th, 2009 at 21:27
Concordo com o que todos falaram, mas gostaria de atentar para um novo nicho que surge no mundo do tráfico, hoje noto no dia a dia que o tráfico e o consumo se misturaram, e já não se sabe diferenciar quem só usa e quem só trafica. Nos bairros periféricos nota-se que grande parcela dos usuários de drogas são responsáveis também, pelo armazenamento, transporte, empacotamento e venda, mas sabemos que no dito popular não passam de peixe pequeno, contudo eles são os responsáveis pelo cometimento de homicídos, roubos e furtos nas localidades em que se encontram instalados. E vivo me perguntando o que fazer? já que eu como PM não posso atuar nas fronteiras para impedir que toneladas de drogas entrem no país, o que fazer ? já que não sou PRF para atuar nas rodovias e impedir que toneladas de drogas atravessem as rodovias deste país. E atualmente vem me restando, subir e descer morros, atrás de jovens de 15, 16 , 17 anos, armados, drogados, que traficam na periferia de uma cidade que mais parace um queijo suíço podre.
Tenho sonhado no dia que um conjunto de metas iniciem a revitalização de uma geração perdida.
Luci chimilovski
setembro 18th, 2009 at 22:06
Este assunto me chamou atenção porque estou com um gran de problema de familia, que parece não existir solução, como que pode duas pessoas serem condenadas a 8 anos e nove meses de prisão por uma delas portar menos de um grama de craque,? Isso realmente pessoalmente falando é um absurdo. E quem transporta toneladas como que fica a lei é a mesma?
Suez
setembro 19th, 2009 at 8:41
Ao meu ver, o Direito e a “Justiça”, continuam tendo em seu cerne o objetivo de segregação da sociedade, já que ambos existem para proteger o rico e “condenar” o pobre.
Sem falar no perfil de racismo velado que a sociedade brasileira hipocrita tem.
Não sei até quando vamos ficar discutindo o “sexo dos anjos” e tentando combater efeitos tomando-os por causa. É evidente que hoje não há projetos sociais no Brasil e pouco interesse há que sejam implementados, essas pessoas que hoje estão no tráfico de trogas são as grandes vítimas e a violência é reflexo da exclusão.
São décadas ou até século de omissão e discriminação social e racial.
Hoje quando se fala em violência logo se pensa em Polícia quando se deveria pensar em comida, educação, trabalho, lazer…
(…) enquanto o governo faz propaganda política se preparando para a caixinha de 2010, gastando montanhas de dinheiro, uso um binóculo e não consigo ver nenhum projeto social que se respeite.
O que se esperar de uma sociedade em que a educação é de faz de conta e o Art 5º da Constituição “cidadâ” é mais faz de conta que o”O Mágico de OZ”.
País de ladrão e povo hipocrita que só fica em suas cadeiras discutindo ciência política, vernáculos lindos de direito, que mais parecem bula de remédios.
Vejam a cor dos traficantes e a que classe social pertencem, vejam que enquanto o governo quer taxar a poupança, a criança passa fome, o juiz vende sentenças, o deputado vende emandas, o senador ter atos secretos, o polícial aceita propina, o… o…
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setembro 19th, 2009 at 9:06
[...] verdade sobre o tráfico de drogas [...]
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setembro 23rd, 2009 at 14:24
[...] a constatação de que o número de presos por tráfico de drogas (69.049 … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
LUIZÃO
outubro 18th, 2009 at 1:08
Penso o seguinte turma, todo o “CARA”que quer se drogar que vá para a PQP(puta que o pario). Lá no inferno estão lhes esperando seus OTÁRIOS.
Elizeu
março 2nd, 2010 at 14:59
No Pais temos que ter leis mais duras para traficantes de drogas…Familias ficam mas mãos de traficantes,eles matam,roubam a felicidade das pessoas…E é um caminho sem volta para quem entra nesse caminho…
znf7
junho 23rd, 2010 at 2:46
o8wx2j
http://002evolves.blogspot.com