Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 
"O que dizer da dor que não pode ser dita? Sem causa ou natureza definíveis, sem possibilidade de compreensão? Dor do nada, simplesmente do vazio de existir, indiscutível, incomensurável (...)" (Peres, 2003:07) Embora a depressão e o suicídio sejam fenômenos que atravessam toda a sociedade e todos os tempos, não existindo ninguém nem nenhuma profissão que lhe seja imune, não é sem sentido que a profissão policial é considerada, mundialmente, como uma das que apresentam maiores riscos de se vir a desenvolver comportamentos depressivos e/ou suicidas. Contribuem para isso vários fatores, entre os quais se destacam a própria conjuntura da segurança pública, a estrutura organizacional das corporações, a cultura policial, o isolamento social próprio da atividade e a imagem pública negativa. No mundo inteiro, a incidência da depressão e suicídio nos policiais tem aumentado, levando vários países a desenvolverem planos de prevenção que contemplam entre outras medidas a criação de linhas SOS e a reorganização dos cuidados de saúde mental. No Brasil, em meio ao cenário de guerra urbana que se estabeleceu nas grandes cidades, os policiais, tornando-se, ao mesmo tempo, fonte e alvo da violência, experienciam, diariamente, perdas emocionais e materiais num padrão que se perpetua com o subseqüente acúmulo de medo, ressentimento, frustração, raiva e mais violência. Independentemente da necessidade de estudos aprofundados para aquilatar o real impacto da variedade de acontecimentos traumáticos característicos da atividade policial (acidentes de transito graves, crianças sexualmente abusadas ou mal-tratadas, mortes, ferimentos ou suicídio de colegas, homicídios, etc.), torna-se evidente a sua influencia na etiologia da depressão e da tendência suicida entre esses profissionais. Ser policial no Brasil é desgastante e frustrante, mas, inegavelmente, dentre as três forças policiais que integram o sistema estadual de segurança pública, é na Polícia Militar que se encontram os maiores índices de desmotivação, desânimo e depressão, decorrente de insatisfação no trabalho, o que, dada a importância que o contexto organizacional exerce na depressão e no suicido, é extremamente preocupante. Além da inegável correlação positiva entre o índice de desânimo e o uso/abuso de drogas licitas (tabaco, álcool, ansiolíticos, antidepressivos e indutores de sono) e ilícitas, a satisfação no trabalho correlaciona-se negativamente com a depressão e o desânimo existindo correlações positivas entre o índice de depressão e as várias questões que caracterizam o comportamento suicida, não sendo difícil encontrar-se um policial militar que já tenha pensado em suicidar-se, apresentando alguns sintomas de depressão moderada. Embora a ideação/comportamentos suicida não pareça ser influenciada por características individuais, como a idade, tempo de serviço, estado civil, grau de instrução, existência de filhos, o mesmo não pode ser dito com relação à insatisfação com o trabalho, pois o sofrimento psíquico e a depressão dela decorrentes já constituem sinais de alerta que não podem ser desprezados. As evidencias indicam que uma quantidade relativamente alta dos policiais baianos sofra de problemas de saúde mental considerados sérios, a exemplo de depressão e ansiedade patológica (fobia simples, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático, fobia social e outras) ou apresente níveis de estresse e/ou algum tipo de desconforto psíquico menor que prejudica o desempenho de seu trabalho. Se o sofrimento psíquico dos policiais está diretamente relacionado ao fazer da polícia e, portanto, à qualidade que esse fazer apresenta, deveríamos estar preocupados com as suas condições de trabalho e, principalmente, com a sua saúde mental, mas estamos sacrificando o bem-estar psicológico destes homens e mulheres de maneira fria e brutal. A absurda falta de condições de trabalho desses profissionais que deveria ser um escândalo é abrandada na consciência coletiva, reprimindo-se as culpas com a alegação simplista: "Ninguém está na Polícia obrigado. Eles sabiam onde estavam entrando". Nessa ótica, faz-se necessário que o Estado, o Governo e a sociedade encarem séria e definitivamente as questões relativas à motivação e à saúde física e mental dos policiais porque, em última análise, além de vitimá-los e aos seus familiares, atingem ampla e gravemente a todos nós, na forma da violência policial, pois, não raro, as atitudes arbitrárias, cometidas contra a população constituem mecanismos defensivos do ego, construídos individual e/ou coletivamente, visando a manterem-se dentro das fronteiras da sanidade. Necessitamos cobrar das autoridades governamentais que cuidem mais dos nossos cuidadores, pois isso interessa a todos nós. Devemos nos preocupar com sua educação, suas carreiras, os seus salários, as suas condições de trabalho e sua saúde. Assim poderemos separar o joio do trigo. Não é mais plausível conceber que "erros" ou problemas comportamentais vivenciados por policiais tenham suas etiologias buscadas apenas em suas histórias de vida, por ser essa estratégia instrumental apenas à construção de um confortável efeito vacina que embasa práticas de exclusão, temporárias ou definitivas, conduzidas por aqueles que não percebem ou não se querem perceber que o trabalho tanto pode conduzir as pessoas à saúde como à doença. Para finalizar, parodiando as palavras de Freud, me arrisco dizer que não acredito ser necessário definir a angústia, o sofrimento psíquico, a depressão dos policiais. Todos nós já devemos ter experimentado, uma vez que seja, esta sensação, ou, melhor dito, este estado afetivo. *Antonio Jorge Ferreira Melo é Coronel da Reserva da PMBA, professor da Academia de Polícia Militar da Bahia e professor e pesquisador do PROGESP (Programa de Estudos, Pesquisas e Formação em Políticas e Gestão de Segurança Pública) da UFBA.
O Orkut é a rede social mais popular do Brasil, e não por acaso é a mais utilizada por policiais para discutirem assuntos relacionados a polícia e segurança pública. O recente movimento realizado na PMSE e o posteriormente tentado na PMBA, teve o orkut como ferramenta-chave nas discussões e planejamento das ações reivindicatórias. A PEC 300 tem uma comunidade com mais de doze mil usuários para discutí-la, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), da PMERJ, tem mais de cinquenta mil pessoas em sua comunidade. Com as possibilidades de interatividade, que vão desde fóruns até anúncio de eventos e enquetes. Por isso, o Abordagem Policial possui sua própria comunidade no orkut, com o intuito de reunir os leitores do blog naquela rede social, e gerar discussões sobre temas que tratamos aqui ou, a critério dos usuários, do que ainda não abordamos. Neste momento, destaco as discussões acerca da desmilitarização das polícias e outra que trata dos aspectos legais que envolvem o uso de uniformes da PM por civis. Além disso, criei uma enquete perguntando aos usuários se eles são a favor ou contra a lavratura do Termo Circunstanciado pelas PM's. Se você ainda não faz parte da comunidade, está perdendo a oportunidade de discutir esses e outros temas, além de poder incentivar nosso trabalho, pois quanto mais leitores na comunidade, maior a quantidade de pessoas se identificando com o blog, e maior é nossa motivação. Clique na imagem e acesse a comunidade.
Rio de Janeiro já tem 50 policiais mortos em 2016 
Estudo mostra que maioria de menores infratores não tem pai em casa 
Todos os dias surgem nas bibliotecas jurídicas inúmeras publicações com novas normas editadas e alteradas, de modo que os operadores do direito são obrigados a ficar atentos a essas mudanças, já que norma publicada é norma vigente, e não é dado o direito do desconhecimento da lei - principalmente àqueles que trabalham em seu dia-a-dia com ela. Nesse sentido, a inciativa do Ministério da Justiça em criar um software online que compila toda a legislação penal brasileira, o SISPENAS, é interessantíssima. Leiam abaixo o release do programa, e saibam suas funcionalidades: Brasília, 08/10/09 (MJ) - A partir desta semana, advogados, estudantes, professores, formuladores de políticas públicas e demais operadores do Direito têm à disposição um banco de dados com toda a legislação penal em vigor no Brasil. O software, que recebeu o nome de Sispenas, está disponível na página do Ministério da Justiça: www.mj.gov.br/sispenas ou www.mj.gov.br/sal. Além dos crimes, o banco de dados mostra as respectivas penas e as alternativas possíveis à prisão. A proposta é oferecer informações para tornar a relação entre os tipos penais e benefícios mais clara e acessível. Didático, o sistema permite fazer pesquisa de diferentes formas: por ano de criação de leis, penas máximas e mínimas ou palavras-chave. Se o interessado digitar, por exemplo, a palavra “prostituição”, ele terá em sua tela todos os crimes relacionados, as penas e os benefícios previstos no Brasil. O Sispenas também possibilita a realização de simulações simples diante de propostas de alteração legislativa. A ausência do quadro geral das penas aplicáveis no país dificultava o acesso dos operadores do Direito a uma descrição mais ampla do sistema jurídico-penal brasileiro para identificar seus gargalos e desconformidades. "Esse é um grande esforço do Ministério da Justiça a fim de que possamos conseguir racionalidade para o sistema penal. O Sispenas é uma ferramenta fundamental para atingirmos esse objetivo", destaca o secretário de Assuntos Legislativos, Pedro Abramovay. O Sispenas é mais um resultado do Projeto Pensando o Direito, que promove a parceria entre o Executivo e a academia por meio do financiamento de projetos de pesquisa que proporcionem ganho qualitativo às atividades da Secretaria de Assuntos Legislativos, do Ministério da Justiça, em temas considerados prioritários. Vencedora do edital na área de "penas alternativas", a Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas foi a responsável pelo desenvolvimento do software. Trata-se de um link para constar como favorito no navegador de todos os policiais. Com o SISPENAS fica mais fácil saber o que é, ou não, crime. E, de acordo com a pena cominada, saber qual medida deve ser adotada na prisão de infratores. Acesse o SISPENAS.
A tecnologia avança a passos largos, e embora boa parte dessa evolução nos traga impasses éticos e morais, não podemos negar o quanto o desenvolvimento de novos paradigmas técnicos têm servido aos fins nobres da humanidade. Imaginem, por exemplo, a utilidade de um colete à prova de balas de fuzil 7,62 e 5,56, e até mesmo com a capacidade de proteger seu usuário do impacto gerado por uma granada. Se você acha que essa tecnologia ainda não existe, precisa assistir o documentário "Armas do Futuro: as armas próprias para defesa", do canal Discovery Channel, que nos foi indicado por alguns leitores para fazer parte do nosso Especial Armas de Fogo. O documentário, com cerca de 40 minutos de duração, trata também de um lançador de granada semi-automático, com capacidade para 06 disparos. Isso mesmo: enquanto no dia-a-dia policial muitos convivem com os seis cartuchos do tradicional revólver .38, a indústria bélica norte-americana já criou uma arma com os mesmos seis disparos, mas de granada - incluindo munições que filmam e iluminam o ambiente. Entenda tudo assistindo o documentário, que está disponível gratuitamente no UOL. Clique na imagem e veja: O Especial Armas de Fogo é uma série de posts publicados sempre nas terças-feiras, tratando das principais armas de fogo utilizadas no Brasil e no Mundo. Caso você tenha sugestões, mande um email para abordagempolicial@gmail.com
O noticiário dos últimos dias tem se dedicado a exibir as cenas dos mais recentes capítulos da tragédia da insegurança no Rio de Janeiro. Dessa vez, a convulsão teve efeitos mais desastrosos que o comum - mesmo tendo como referência do "comum" a anormalidade vigente no Rio. Se a morte, por si só, é suficiente para abalar e surpreender, a morte injusta de homens empregados numa missão nobre é algo ainda mais constrangedor. Junte-se a isso a aparência cinematográfica do caso, ressaltado pela imprensa que sabe bem confundir tais incidentes com cenas hollywoodianas - aumentando nossa insensibilidade - e teremos o ambiente perfeito para a estupefação. Não que outras mortes não devam ser lamentadas, como disse, todas elas são dignas disso. Mas meu compromisso, e meu sentimento, apontam para a identificação com os dois soldados que faleceram em serviço, ambos à bordo do helicóptero da PMERJ. Impossível não se emocionar ao ver na tevê o enterro dos companheiros, com o choro dos familiares e amigos, e de vários colegas de trabalho abalados. A farda é um meio de identificar e uniformizar os policiais militares, e quando algum de nós é atingido em virtude dela, todos sofremos uniformemente, todos reconhecemos uma perda à coletividade PM, mais um guerreiro saiu de forma. Este é um texto de luto. Um texto ao som do toque fúnebre da corneta e da salva de tiros. Não apenas em saudação aos soldados que tombaram, mas em lamento a uma guerra que não reconhecemos bem qual é. Uma guerra de início sorrateiro, mas que não sabemos sequer se já estamos em sua metade. Às vezes, é inevitável pensar: "onde nós iremos parar?", pergunta que muitos de nós se faz, mas que poucos a exercem de modo efetivo, no sentido de ajudar a pressionar o freio desse veículo desgovernado. Alguns até morrem tentando fazer isso, como nossos dois soldados. Onde nós iremos parar?