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“Quando a Polícia cai em cima de mim, até parece que eu sou fera…” – Edson Gomes
“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro…” – Marcelo Yuka – O Rappa
O Brasil tem uma dívida incalculável com a questão histórica do preconceito racial e, embora haja algumas ações afirmativas das várias instâncias governamentais, tudo ainda é muito tímido no sentido de reparar uma ferida que permanece aberta, sendo magoada constantemente pelos contornos sociais estigmatizantes.
É certo que os navios negreiros não singram mais os mares, porém, os negros continua sendo tratados como escravos, alijados dos processos sociais, amontoados nos guetos onde o poder público não chega, onde o amparo à saúde é quase nulo e onde cultura, educação e lazer, são artigos de luxo, nem sonhados por aquela parte da população.
Há uma frase do poeta Carlos Drummond de Andrade, a qual tomo emprestada para o meu raciocínio: “As flores não nascem da lei”. Creio que mais do que leis que promovam cotas para os negros nas Universidade, que estabelecem ações afirmativas, precisamos de uma mudança íntima na nossa forma de pensar e agir. O preconceito, não apenas o racial, mas em seus vários prismas, nasce do entedimento deturpado de que “fulano” é superior a “beltrano” por conta de sua cor, de sua opção sexual, de seu status social, e tantos outros parâmetros usados para medir e justificar a opressão e a dor imposta ao outro, ao diferente.
Olhando agora para a instituição Policia Militar, é preciso se perceber que as ações individuais de seus membros, ainda que recorrentes, não são institucionalizadas, ou seja, não são passadas nos cursos de formação, nas regras de conduta interna. Muito pelo contrário, baseado na Constituição Cidadã, os regramentos internos das Polícias, estabelecem que todo polical deve “tratar a todos com urbanidade, independente do credo, da cor, da opção sexual…”. Então, por que as cenas de violência contra negros praticadas por policiais? Por que esse sentimento de repulsa à Polícia cantada em versos e prosas? Creio que pela natureza cerceadora da atividade policial, ela, a Instituição, acaba sendo identificada como “algoz que domina a chibata”. Esse sentimento histórico é ampliado pelas ações desastrosas e eivadas de preconceitos de alguns de seus integrantes, que, desmerecendo a Corporação e o juramento que relizaram, no qual prometeram “proteger a sociedade (sem discriminações), mesmo com o risco da própria vida…”, maculam o nobre papel de protetora e guardiã da comunidade.

O policial que age com truculência ou leniência diante de um fato, motivado pela cor da pessoa envolvida, não aprendeu essa atitude na Corporação. Ele já alimentava esses sentimentos e, usando uma farda da polícia, encontrou lugar para ampliar, injustificadamente os seus sentimentos e atitudes.
Por isso, creio que não podemos falar de preconceito racial praticado pela Instituição Policial, e sim, por alguns de seus membros, isoladamente. O preconceito racial, assim como um câncer, é um mal que acaba eclodindo em todos os sistemas e instituições da sociedade. Ele ganha lugar no coração e na mente do homem. Como as instituições são formadas por pessoas, são elas as responsáveis por propagar ou debelar os preconceitos de todos os matizes.
Assim, talvez de uma maneira romântica e utópica, creio que o grande desafio da sociedade, no sentido de desarraigar o preconceito racial, é o estabelecimento de um pacto que envolva o processo educativo, cultural, social e econômico, tendo como alvo o lugar onde nasce o preconceito: o coração e a mente de cada homem e mulher. Em arremate, este é um desafio para a Polícia, a Universidade, a Escola, a Família, a Igreja, em suma, para aqueles que não perderam a capacidade de ouvir os ecos do passado e se aventuram na contrução de um mundo novo, a começar pelo seu mundo interior.
*José Carlos Vaz é policial militar, poeta, especialista em Comunicação Social com Ênfase em Ouvidoria (UNEB – 2006) e Especialista em Polícia Comunitária (UNISUL – Santa Catarina – 2009).
Vaz
novembro 20th, 2009 at 23:03
ERRATA: No segundo parágrafo, na segunda linha, onde se lê ” os negros continua” leia-se “os negros continuam”.
Eduardo C Rocha
novembro 21st, 2009 at 11:12
Comecei a ler o texto e parei. Não aceito que digam que o país tem uma dívida com o passado dos negros. Não reconheco negros, reconheco pessoas, independente da cor, sexo ou qualquer outra coisa.
Além disto, os negros escravos do Brasil foram capturados por negros na África e isto ninguém cita, fazendo com que apenas os ‘brancos’ sejam o culpados. Não, o culpado é aquele que captura e escraviza e NINGUÉM mais.
O que estabeleceu-se no país através de cotas é absurdo e ridículo. Se alguém pode ser beneficiado por ser negro, também pode ser prejudicado? Ou a lei apenas colhe bonus sem colher onus? Exemplo? Se uma pessoa bate na porta de minha empresa para pedir emprego e eu sei que ela entrou através de cotas para negros, eu posso dizer que não contrato negros na minha empresa sem que isto configure racismo? Pois é, apenas os bonus, que são as vagas, mas sem os onus, que é ser chamado de negro ou perder alguma coisa pela cor da pele.
Não eu não reconheco cor de pele e sugiro que aqui, por ser um um blog policial, que é a democracia e a lei na forma de pessoa, siga o que diz a Constituição, em que NINGUÉM pode ser discriminado.
Hebert
novembro 21st, 2009 at 16:41
Fiz pesquisa a respeito do tema na Academia da Polícia Militar de Minas Gerais e cheguei a conclusão de que o preconceito existe, seja quanto a cor, quanto a idade e, menos, quanto a classe social, porém, concluí que isso é fruto da organização social brasileira e não condição de policial e que isso sempre exisitirá idenpendentemente do que se faça, sendo um problema que deve ser controlado, mas que não pode ser extinto. A raiz do problema está na socieade, o policial é preconceituoso e mais violento contra certos estereótipos não por ser policial ou por estar em uma organização que é assim, mas simplesmente porque ele é um cidadão e, como tal, acaba contaminado pela noção geral de preconceito que a sociedade lhe impõe. A diferença do preconceito investido no policial é que ele tem poderes que outras pessoas não têm, mudando, por isso, a forma de manifestação do preconceito de acordo com os atos do seu dia-a-dia profissional.
Segue o Link para a pesquisa completa:
http://www.scribd.com/doc/2837894/Os-estereotipos-dos-cidadaos-abordados-pela-Policia-Militar-e-a-pratica-de-violencia-policial
Yende
novembro 21st, 2009 at 17:24
“Absurdo” é negar o preconceito.
A violência policial também é algo não podemos fingir que não existe (já fiz muito isso).
Esses elementos covardes e violentos inseridos no nosso meio são os grandes responsáveis por todo esse ódio e preconceito a todos nos atribuídos indistintamente.
Falo sobre isso no meu songbook “NÃO SOMOS AMADOS” disponível no http://www.naosomosamados.vai.la
POLICIAL MILITAR BAHIA
novembro 23rd, 2009 at 14:57
Realmente é inegável o preconceito que os negros são vítimas até os dias atuais, seja por parte da Polícia, do poder público, bem como por toda a sociedade que discrimina os negros em todos os ambientes, seja no trabalho, na escola, ou mesmo na rua, no seu dia a dia.
Ficaria menos triste, entretanto, no dia que lesse nesses textos que falam sobre discriminação, sobre preconceito, algo que discorresse sobre o imenso preconceito que os policiais sofrem no ambiente das UNIVERSIDADES, que tanto pregam a inclusão social, mas que, quando DESCOBREM (esse é o verdadeiro termo, pois os policiais vão às faculdades, principamente a UFBA escondendo a sua profissão) sofrem o mais elevado grau de preconceito, sendo taxados de facistas à serviço do estado policial, dedos-duros, algaguates, e fica isolados quando há qualquer movimento reinvindicatório pela melhoria do ensino público nas universidades.
É triste ver filhinhos de Papai, que ocupam os lugares das pessoas mais humildes, segregarem policiais, somente pelo fato de serem POLICIAIS!!!!
Vamos então enxergar a discriminação de maneira mais ampla, e vamos marchar em prol de uma sociedade, aí incluída a POLÍCIA, longe de todas as formas de discriminação.
POLICIAL MILITAR BAHIA
novembro 23rd, 2009 at 14:59
ERRATA: . . . dedos-duros, alcaguetes, e ficam isolados . . .
Rogerio dos Santos
maio 17th, 2010 at 23:09
Descordo completamente do texto dizendo que sao fatos isolados, sou um PHD em abordagem policial (a ultima foi ha 3 semanas indo buscar minha esposa no metro e olha que meu carro é um palio 98 preto), eu sou negro tenho 44 anos casado e um filho sou tecnico agricola e viajou pelo Brasil inteiro e essas abordagens policiais;infelizmente ocorrer em todo territorio Brasileiro. ex.;
Tenho um amigo meu que trabalha comigo e tem 38 anos anos engenheiro agronomo branco e as tres vezes na vida em que ele tomou abordagens com exatamente qdo ele estava em companhia com um negro, inclusive duas delas eue stava com eleum foi e Recife e outra em Limeira interior de Sp, e uma deles discofianro que ele estava sendo vitima de sequestro, pqe so eu fui resvistado e ele nao.Afinal qdo nos negros iremos andar com nossos carros novos sem serem abordados pela nossa cor de pele, hein?
tranin
agosto 4th, 2010 at 19:39
redação
tranin
agosto 4th, 2010 at 19:42
brasil
reinaldo
agosto 4th, 2010 at 19:44
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