E o Governo Federal, através do Ministro da Justiça, Tarso Genro, vem falando da Bolsa Olímpica. No horizonte das propostas de aumento salarial das polícias, este é o terceiro sol que nasce para os policiais brasileiros – o primeiro, a PEC 300, o segundo, a PEC 41. A ideia do Ministro Tarso é que a partir de 2010 os policiais militares do Rio de Janeiro passem a ter o piso salarial de R$ 3200,00, valor que seria espandido às polícias dos outros estados paulatinamente, até que chegássemos em 2016, ano das olimpíadas no Brasil, com o piso nacional.

A Bolsa Olímpica, ou Bolsa Olimpíada, funcionará do mesmo modo que a Bolsa Formação, onde o policial só recebe o benefício se realizar os cursos disponibilizados pelo Ministério da Justiça. Eis que surge uma nuvenzinha no “terceiro sol”, já que a Bolsa Formação, por falta de aprovação do Congresso Nacional, acaba de ser bloqueada, deixando dezenas de milhares de policiais a ver navios logo no final do ano. Como as “bolsas” não são parte efetiva do salário, o pagamento fica a mercê dos ventos políticos. O MJ quer que a Bolsa Olímpica passe a integrar o salário de todas as polícias em 2016:

Para o Rio, o custo para financiar um novo piso para as polícias custaria cerca de R$ 900 milhões. De acordo com o ministro, até 2016, a responsabilidade de fazer o pagamento seria divido entre os governos federal e estadual. “Depois das Olimpíadas, o estado assumiria sozinho. O pagamento dessa bolsa obrigaria o governador a remeter uma lei para a Assembleia Legislativa se comprometendo a incorporar esses valores ao salário após 2016″.

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É curioso como as propostas de piso salarial surgem justamente quando conseguimos alcançar alguma relevância na mobilização em torno da PEC 300, grande responsável pelo atual nível de debates. A PEC 41, que não garante melhorias em seu bojo (pois não define o piso), veio ser discutida após a PEC 300. A Bolsa Olímpica parece daquelas ideias que surgem para incluir mais um ator político no mérito de uma medida. 2016 está muito longe, a lei que define os proventos dos policiais deve ser a Constituição, o Governo Federal deve criar um fundo para contribuir, e a contrapartida deve ser o interesse dos profissionais por formação continuada. Para mim não importa quem vai dizer que foi o autor político da medida, pois se ela ocorrer, será por mérito da união dos policiais. Cada indivíduo construiu o horizonte, com três sóis em um (por enquanto).

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