Como informei aqui no Abordagem Policial, desde terça-feira estava em São Paulo, participando da Campus Party Brasil 2010, evento que reúne milhares de pessoas interessadas em discutir e compartilhar conhecimento ligado à tecnologia e, principalmente, à internet. Na quarta, dia 27, participei do debate “Mídias Sociais nas Corporações”, juntamente com feras de destaque nacional no âmbito das redes sociais, como Wagner Fontoura, Jair Tavares, Beto Aloureiro e Antonio Mafra, todos moderados pelo professor Eric Messa.
O debate fluiu bem, e cada um pôde relatar suas experiências em mídias sociais – trazendo a visão de quem trabalha para uma corporação e desenvolve estratégias para ela e de quem faz isso numa empresa de comunicação, desenvolvendo projetos para várias empresas. Foi consenso entre os painelistas que qualquer empresa, pública ou privada, que deseje entender o que seus clientes estão pensando, e estabelecer um diálogo com eles nos tempos atuais deve investir em mídias sociais, medida que gerará retorno imediato ao investidor.
E a repressão? O caso de organizações que processam e boicotam impressões negativas publicadas em redes sociais? “Um tiro no pé”, foi a expressão utilizada na mesa. Quando a conversa chegou a esse ponto, alguém da platéia perguntou qual era minha opinião sobre o perfil no twitter que estava causando polêmica na PM do Rio de Janeiro, o Boca de Sabão (@bocadesabao), administrado por um grupo de policiais da PMERJ, e que denuncia a corrupção no âmbito da Corporação. “A polícia deve registrar as denúncias e apurar, sempre”, foi o que ponderei.

O mais interessante da minha participação na mesa é o fato de, há um ano atrás, ter ido à Campus Party para falar da Blogosfera Policial, tendo como principal assunto a censura que muitos blogueiros policiais estavam sofrendo. Naquela época, as corporações policiais não estavam entendendo como lidar com o fenômeno das mídias sociais. Em apenas um ano, vimos as polícias adotando blogs como ferramenta de suas estratégias de comunicação. Óbvio: ainda são poucas polícias que o fizeram, e todas elas ainda estão aprendendo a trabalhar com isso. Mas destaco aqui a mudança de postura e a iniciativa dos comandos.
Talvez essa seja a grande diferença entre uma corporação pública e uma privada na hora de investir em mídias sociais: a privada vive com a ansiedade de resultados à vista, enquanto a pública “pode” se dar o luxo de ir evoluindo progressivamente, a passos mais lentos, como ocorre com qualquer outra política pública.
Enfim, como no ano passado, valeu a pena estar na Campus Party. Conheci novas pessoas, revi outras, aprendi novas técnicas e estratégias de atuação na WEB e adquiri muito conhecimento. Principalmente, renovei algumas energias para implementar projetos que estavam dormindo. Aguardem!
PS1: Não posso deixar de agradecer ao Edney Souza, o Interney, e o Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece, ambos da Pólvora! Comunicação, pelo convite;
PS2: Vejam o site do movimento “Trânsito mais gentil”, da Porto Seguro, que marcou presença na Campus Party 2010, com ações de sucesso desenvolvidas com a ajuda do colega Antonio Mafra;
PS3: Leiam a matéria do Link (Estadão) sobre minha participação na Campus Party. Tem o vídeo de uma entrevista feita pela Tatiana de Mello Dias.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















5 Comentários
Parabéns, muito bom mesmo!
Boas iniciativas estão surgindo país a fora. O evento só consolida a presença cada vez mais forte das ferramentas de internet como meio de comunicação entre as instituições públicas e privadas. Ficamos felizes por termos bons representantes em nosso estado sobre o tema.
O blog está cada vez melhor. Notícias atualizadas e muito interessantes
Parabéns pelo blogs e pelo debate na CP.
Foi legal ler o post e compartilhar a mesa contigo na CParty deste ano. Entender um pouco mais sobre o ambiente público e ver as suas iniciativas.
Espero encontrá-lo mais vezes e debatermos o assunto, afinal somente assim é que podemos aprender mais.
Um abs.
Muito bom a post!
Vale salientar que entre os “posts relacionados” não consta um que considero relevante que é o “Blogosfera Policial no Brasil: do Tiro ao Twitter” sobre estudo realizado pela Unesco, publicado dia 04 de novenbro de 2009.
abraços