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A Revista Veja edição 2141 de 02 de dezembro passado, publica uma matéria muito elogiada, inclusive por policiais sob o título “sem medo da verdade”, uma excelente matéria que demonstra a realidade sobre o que pensa a sociedade a respeito dos policiais militares e toda a carga de discriminação e preconceito por que passam.
Na referida matéria, no subtítulo “No rumo correto”, buscando ressaltar a capacidade profissional de um oficial da Polícia Militar de Minas Gerais, consta a seguinte frase:
“Não fosse pela farda, o comandante da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Renato de Souza, 46 anos, em nada lembra um policial, gestos suaves, vocabulário preciso, ele parece mais um acadêmico. É quase isso. Presença constante em seminários e congressos sobre segurança pública, Souza tem um currículo de tipo ainda incomum no Brasil, mas que começa a ser usual nas melhores policias do mundo…”
A análise do referido comentário, no mínimo, dá a depreender que para o editor os policiais militares são semi incultos, violentos e arbitrários, sendo incomum e raro os profissionais de segurança pública serem educados e cultos.
Tal comentário correspondente ao estereótipo existente no imaginário popular, inserido em uma publicação formadora de opinião, representa uma demonstração explícita de preconceito e discriminação que necessita de reparo imediato. Assim, na condição de policial militar, não me permito o silêncio sem promover os esclarecimentos que o caso requer.
O desconhecimento público do processo educacional dos policiais militares no Brasil, não raro, gera comentários dessa natureza, alimentados voluntária ou involuntariamente, pela mídia. Em verdade, para nós policiais militares, não se constitui novidade, em reuniões de trabalho, apresentações, encontros, seminários ou até mesmo no convívio social ouvirmos elogios do tipo: “Você é muito educado, competente e inteligente. Nem parece policial”. Elogio? Ou ofensa?
Para ser um policial militar é necessário passar num concurso, dos mais concorridos no país, isto em qualquer unidade da federação, constituído de exames intelectuais, psicológicos, médicos e físicos, para depois cursar, no mínimo, dez meses para ser Soldado e três anos para ser Oficial.
Os cursos oferecidos pelas Academias das Polícia Militar são considerados de nível superior, tanto que o exame admissional é equivalente ao exame vestibular e, após a conclusão do curso, o oficial, com o seu diploma reconhecido pelo MEC, pode matricular-se como aluno especial nas universidades públicas e privadas.
Cumpre ressaltar que ao ingressar na PM mais da metade dos aprovados, tanto nos cursos de formação de oficiais, como nos de soldados, já possuem nível superior ou estão em curso. Na Bahia, por exemplo, mais de 70% dos alunos do Curso de Formação de Oficias possuem nível superior.
O processo de busca do conhecimento dos policiais não pára por aí, para terem acesso aos postos e graduações que constituem a hierarquia da corporação, internamente, são exigidos dois cursos de especialização “lato sensu” para os oficiais e um para as praças, em sua grande maioria efetivados em convênio com universidades.
Bastaria uma pesquisa rápida, no próprio estado de Minas Gerais e nas outras unidades da federação, para que o nobre jornalista pudesse perceber que o currículo do Cel. PM Renato Souza não é de um tipo tão incomum no Brasil.
Com certeza, em todos os postos e graduações, do norte ao sul do Brasil, existem muitos homens e mulheres com o perfil pessoal e profissional do Cel. Renato, mas sem a visibilidade que o exercício do cargo de Comandante Geral proporciona, pois, via de regra, os critérios usados pelos Chefes do Executivo para escolha dos que ocupam os cargos públicos do alto escalão governamental, em todas as áreas, inclusive na segurança pública, passam bem longe da competência profissional.
Se o nobre jornalista quiser prestar uma valiosa colaboração à segurança pública deste país, sugiro-lhe que seja mais cuidadoso com suas palavras, e se quiser criticar, que o faça, velada ou explicitamente, aos “Donos do Poder”, pois a eles cabem as críticas e a responsabilização pelas escolhas que fogem de tal padrão.
*Carlos Henrique Ferreira Melo é Major da Policia Militar da Bahia, comandante da 39ªCIPM, especializado lato sensu em Gestão Estratégica em Segurança Pública (CEGESP- UFBA) em Defesa Social e Cidadania – UFPA e professor da Academia de Polícia Militar do Estado e da UNEB.
Discriminação Nacional | Blogosfera Policial
janeiro 1st, 2010 at 16:20
[...] Discriminação Nacional janeiro 1st, 2010 (29 minutes ago) A Revista Veja edição 2141 de 02 de dezembro passado, publica uma matéria muito elogiada, inclusive por policiais sob o título “sem medo da verdade”, uma excelente matéria que demonstra a realidade sobre o que pensa a sociedade a respeito dos policiais militares e toda a carga de discriminação e preconceito por que passam. Na referida matéria, no subtítulo “No rumo correto”, buscando ressaltar a capacidade profissional de um oficial da Polícia Militar de Minas Gerais, consta a seguinte frase: “Não fos ler mais Salvar/Compartilhar [...]
Aldecy de Veras Brasileiro
janeiro 1st, 2010 at 22:14
Infelizmente eesa é uma realidade ainda mascarada em diversas vertentes da sociedade brasileira. Assim como a figura da mulher, do negro, entre outros, a do policial militar é estereotipada. É como se a esses, fosse possível apenas a força bruta desprovida de qualquer intelecto ou pior, desprovida de qualquer resquício de humanidade. Essa imagem é tão forte que ao policial às vezes são conferidas as características do bandido: corruptos, brutos, irracionais.
É triste constatar que os meios de comunicação em nada ajudam a reverter esse quadro. Pelo contrário, apenas intesificam, de uma forma covarde, mascarada e arbitrária. Às vezes, os donos das palavras são os responsáveis indiretos pela disseminação de grandes males que eles mesmos dissimulam lutar.
Suez
janeiro 2nd, 2010 at 15:02
Se formos observar com olhar acurado e crítico vamos notar que a polícia é o espelho da sociedade e é com muita hipocrisia que a sociedade se coloca num papel de “melhor” quando se trata de discriminar os policiais, se um PM não tem educação, significa que toda a população não teve acesso a ela, significa que o Estado é omisso, e que o marketing político funciona.
Lembro-me bem quando um determinado coronel da PM BA foi processado por ter desviado tickets restaurante que seria destinado aos policiais de serviço na chamada “operação Ferry boat” e até segundo a mídia da época teria adquirido veículos com tal dinheiro.
Fora os episódios mais contemporâneos em que até comandante geral recebia propina para sua “caixinha pessoal”… O que vejo é um sistema torpe em que oficiais superiores são corruptos, e apenas somos parte de um sistema podre que inclui todos os segmentos da sociedade, imprensa vendida conveniente e corrupta, governadores, prefeitos, deputados, senadores, o cidadão marginalizado, o individuo civil, mas que comete crimes contra ordem financeira, o ladrão de banco, o lançador de carteiras…
…Até a anistia internacional entra nessa corrupção, cruz vermelha, BIRD, empresas do bloco econômico norte americanas…
Diga-me, quem é que tem moral ilibada para criticar, condenar e queimar os policiais?
Políticos? A “Santa Igreja”? O papa sentado em sua cadeira de ouro com seu cetro de ouro maciço nas mãos? A sociedade podre e corrupta, que dirigem bêbados e colocam som alto nas ruas, Usam drogas alucinógenas e psicotrópicas? Deixemos de ser hipócritas.
Nem vou entrar no assunto sobre os salários que são pagos aos policiais hoje.
Que Deus nos ajude.
suez
janeiro 3rd, 2010 at 0:00
Infelizmente meu comentário a rspeito do tópico acima foi vetado pelos administradores do site, o que lamento já que se travava de fatos de domínio público sem acusação pessoal a quem quer que seja e sem declinar nomes, no “link” que fiz a respeito do tema em questão.
De minha parte só posso lamentar, e confesso que estranho tal atitude por parte dos administradores do blog.
Sem problemas, cada um manda em sua casa e eu não fujo a regra.
Desejo boa sorte a vocês.
suez
janeiro 3rd, 2010 at 0:04
Gostaria de fazer uma correção:
Por problemas no navegador da empresa não tive acesso as informações do tópico em questão, redundando em um equivoco e um grande lapso, a que peço a todos sobretudo os administradores do Blog que desconsidere as linhas acima, em que faço referência a moderação do meu comentário anterior, e na oportunidade peço desculpas por quaisquer transtornos causados, por força do mal entendido, ao qual lamento profundamente.
Obrigado.
The Punisher
janeiro 3rd, 2010 at 12:47
Mas são poucos os países que possuem uma polícia ostensiva “militar”. O autor do texto se esquece que em nosso caso, a PM teve papel importante na repressão da ditadura de 64, ranço que ficou gravado na memória da sociedade brasileira…
Esses “fatores” tem que ser levados em conta aqui…
GM Leon
janeiro 3rd, 2010 at 17:34
A Segurança Pública é sim alvo de infundadas criticas e generalizações, é claro não podemos negar que muitos em nossas tropas preferem mesmo o estereotipo da arrogância e do poder de fogo nas mãos, contudo sei que os tempos têm trazido mudanças e com certeza grandes exemplos serão vistos ainda, haja visto que o acesso a educação vem aumentando.Digo isso e sou prova viva pois estudo Filosofia na UFBA, e pretendo utilizar meu conhecimento acadêmico no exercício da minha função de GM bem como outras fontes de capacitação como os cursos da senasp.
Major Adrianizio
janeiro 3rd, 2010 at 19:14
Coloca ai o meu banner ou link; no seu blog. Já coloquei o seu banner no meu blog.
http://majoradrianizio.blogspot.com/
Obrigado!!!
Alberto Bevinievisque
abril 3rd, 2010 at 8:22
Quando se aceita aquela condição ou esteriotipo que lhe é dado, então tratamos de comodismo, falta de personalidade, bajulação e adjetivos do genero. Vejamos o relações públicas da polícia militar do ceará, que nas suas explicações não passa o mínimo de credibilidade e que chega a ir de encontro com as barreiras da ficção nas suas declarações à imprensa. Quando se aceita essa condição, então não podemos esperar o mínimo de apoio da sociedade esclarecida, pois ela está vendo o tipo de policial que somos, pois, o oficial que é oficial acieta aquela condição de negar o obvio na tv, imagine o pobre praça. Acredito que temos jeito, nossas ações devem ser lúcidas a focadas em um só obetivo, se nos unirmos, nos policiarmos e nos politizarmos, então teremos uma chance nesse cenário que nos cerca.
antonio
maio 20th, 2010 at 11:50
Após dar uma rápida espiada no blog do Maj Adrianizio, só posso parabenizá-lo, e aos demais combatentes pela coragem e comprometimento com o bem-estar da tropa da PMCE. São essas qualidades que nós subordinados apreciamos e gostaríamos de que nossos comandantes honrassem, e não essa vaidade de simplesmente ostentar galões nos ombros, e se achar o máximo. Na realidade, a maioria deles (oficiais), embora saibam que serão também beneficiados pela aprovação da PEC, ficam em “cima do muro”, “na moita”, não dão as caras, por mera covardia. Se outros oficiais das demais PPMM estaduais se espelhassem nesse belíssimo exemplo, com certeza a nossa tão sonhada pec já teria sido votada e aprovada.