Quem vem acompanhando os noticiários certamente está absorto com a tragédia que ocorreu no Haiti, país historicamente carente, que viveu períodos políticos sangrentos e que recentemente tem sido assolado pela fome e miséria de seu povo. Como se não bastasse, um terromoto que chegou aos 7 graus na escala Richter atingiu a capital Porto Príncipe, devastando as estruturas físicas e a ordem estabelecida na localidade – as previsões apontam para mais de cem mil mortos. Como se sabe, a ONU mantém Missão de Paz no Haiti, havendo entre os militares lá presentes alguns oriundos do Brasil. Já se tem notícia de que 14 militares brasileiros morreram na catástrofe.

Dentre os militares brasileiros presentes, que felizmente não estão entre os atingidos letalmente pelo terremoto, existem policiais militares. O Tenente Couto, da Polícia Militar de Pernambuco, enviou um relato marcante de suas experiências durante o terremoto, que foi publicado no Blog “Policiais Brasileiros em Missões de Paz“:

“QUANDO VOLTAVA DO LOCAL DO DESASTRE PARA A LOG BASE ESTAVA AMANHECENDO, E AÍ, AMIGOS, FOI QUANDO EU VI REALMENTE O QUE O TERREMOTO TINHA FEITO COM O PAÍS… FOI SIMPLESMENTE DEVASTADOR, NÃO TENHO PALAVRAS PRA DESCREVER O QUE MAIS ESSE POVO AGUENTA SOFRER… ALÉM DE MISÉRIA, FOME, VIOLÊNCIA, AGORA DEVASTAÇÃO E DESOLAMENTO?

Eu e o Cap. PMAM Algenor fizemos um pacto, sabe? Vamos fazer a diferença aqui, não vamos simplesmente ficar de braços cruzados olhando e esperando o tempo passar! Vamos fazer a diferença e elevar o nome do nosso País e todos vão saber que existem pessoas que realmente se importam com a questão catastrófica, por nós vividas em terras além-mar… Somos Brasileiros, muitas vezes não reconhecidos pelo trabalho que desempenhamos, mas não vamos deixar que tais fatos não coloquem a fortaleza da bondade em nossos corações, a humildade, o trabalho árduo pelos necessitados que já desistiram de viver vão nos guiar e teremos nossas recompensas nos sorrisos daqueles que clamam por assistência de quem nunca viu, de quem não conhece.”

Leia todo o relato do Tenente Couto

Morre Zilda Arns, militante dos Direitos Humanos

Se pudéssemos aferir o valor de vidas humanas, certamente um dos critérios para torná-la mais cara seria a dedicação ao outro durante sua trajetória. Zilda Arns, uma das mais atuantes militantes dos Direitos Humanos no Brasil, fundadora da Pastoral da Criança, entidade que se empenha em fornecer condições de vida adequada às crianças brasileiras seria um exemplo nesse sentido. Zilda estava no Haiti para ministrar uma palestra, e foi morta durante a catástrofe. Vejam a nota emitida pelo Arcebispo Dom Aldo di Cillo Pagotto, em pesar à morte de Zilda Arns:

Nota Oficial de Dom Aldo di Cillo Pagotto (Arcebispo da Paraíba)

João Pessoa (PB), 13 de janeiro de 2010.

Nota Oficial

É com grande pesar que a Arquidiocese da Paraíba recebe a lamentável notícia da morte da Dra. Zilda Arns Neumann, fundadora da Pastoral da Criança. Ela foi uma das vítimas do terremoto que devastou o Haiti.

A nossa querida Zilda continua viva em nossos corações pelo exemplo de mulher sempre preocupada com os mais desassistidos nos grandes bolsões de pobreza do nosso Brasil e também de outros países. O bem-estar das nossas crianças foi a preocupação que regeu a vida dessa batalhadora que chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Humanitária, preocupou-se também com o outro extremo da nossa vida terrestre: as pessoas idosas, sendo fundadora da Pastoral que atende a esse público.

Dra. Zilda deixa milhares de seguidoras do seu trabalho. São líderes comunitárias espalhadas pelo mundo, que vão de porta em porta, de casa em casa, ensinando às mães noções simples de cuidados com os filhos que possam, em áreas sem condições humanas básicas, garantir a sobrevivência de milhares de meninos e meninas.

Ficará guardado na nossa memória, eternamente, aquele sorriso aprazível, de carinho, de conselheira, de mãe. Foi isso que Dra. Zilda foi: uma mãe para todos os brasileiros.

+ Aldo di Cillo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba
Presidente do Conselho Diretor da Pastoral da Criança

Deixamos aqui nosso pesar pelo acontecimento, pelas vidas ceifadas e pelas famílias que hoje choram a perda de seus entes. Aos familiares dos militares brasileiros, resta o consolo que traz a nobreza da causa por que lutavam no Haiti.O Mundo está de luto.

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