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Todo direito estará diretamente ligado a um dever. Em alguns casos, os próprios direitos se relacionam de fato a um dever. Em exemplo a isso temos a Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde os direitos lá expostos se constituem de fato em um dever de cada cidadão. Pode parecer até estranho um direito ser um dever, mas de fato é. Logo de cara em seu primeiro artigo consta:
“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos e, como são dotados pela natureza de razão e consciência, devem proceder fraternalmente uns para com os outros”.
Se observarmos bem, este direito exposto contém um dever embutido não é mesmo? O dever óbvio de darmos liberdade, igualdade e agir com fraternidade. Neste ponto vem a pergunta que não se cala: Será isso de fato um direito ou muito mais um dever? Este exposto está justo no primeiro artigo para que reconheçamos nele os que são de fato merecedores do restante da Declaração?
O fato é que em uma sociedade que temos apenas deveres, sem direitos, não pode nem deve ser chamada de democrática e sim ditatorial. Bem como uma que só contenha direitos poderá ser chamada de anárquica. Chegamos num ponto importante da reflexão onde as entidades ligadas aos Direitos Humanos têm que ser repensadas, justo por que podemos ser vítimas de nossos próprios dispositivos.
Vemos diariamente pessoas que não respeitam seus deveres como cidadão serem totalmente “abraçadas” por estas entidades e serem praticamente blindadas por elas. Por outro lado vemos cidadãos de bem e cumpridores de seus deveres serem relegados a própria sorte ou azar, depende do ponto de vista.
Acredito que o papel destas entidades, no caso do cidadão que vive à margem da lei, seja apenas de garantir para eles um julgamento justo e que ele cumpra sua pena com dignidade. Enquanto que seu foco principal estaria voltado justamente aos cidadãos cumpridores de seus deveres. Mas o que vemos hoje é uma completa e total inversão de valores onde o cidadão comum pouco ou nenhum direito tem, enquanto os que vivem à margem da lei são totalmente blindados.
Esta inversão provoca no cidadão cumpridor da lei, e aos que vivem à margem dela, uma sensação de impunidade. Se somarmos isso a uma justiça morosa e a uma legislação penal arcaica e cheia de brechas, temos exatamente o panorama que assistimos hoje: A criminalidade cada vez mais ousada e o cidadão de bem se trancafiando em busca de segurança, e o que é pior, este último, sim, cerceados de alguns de seus direitos fundamentais.
Infelizmente este estado atual de coisas provoca na sociedade como um todo, principalmente naqueles que é dada a missão de fazer cumprir a lei, a sensação errônea de pensar que a única forma de se fazer justiça é com as próprias mãos. Outro efeito colateral disso é que pelo fato de alguns profissionais de segurança fazerem este papel de justiceiro, todos os outros são maculados e a sociedade, influenciada pela mídia sensacionalista, pelos oportunistas e carreiristas de plantão, generalizam estas atitudes, fazendo com que haja mais uma inversão de valores: O Policial que deveria ser o guardião da sociedade e seus direitos se torna um vilão e o infrator se torna a vítima.
Com isso a sociedade acaba tendo uma visão tendenciosa, por que ao invés de valorizar o profissional que a protege, enxerga-o como um algoz.
Facilmente manipulada pelos que se perpetuam no poder, assistem aplaudindo a execração pública de um profissional que dedicou sua vida ao combate ao crime, o transformando imediatamente em um criminoso, que muitas vezes, onde mesmo não havendo nem sequer provas consistentes contra ele, é julgado e condenado pela mídia e é privado dos mesmos Direitos Humanos que é dado com tanta amplitude aos infratores e até mesmo a réus confessos.
Foi o que lamentavelmente acabamos de assistir em Vitória da Conquista. Sem querer entrar no mérito da culpabilidade ou não dos Policiais, por que a mim não cabe julgar ou investigar, mas ficou óbvio que eles foram de fato privados de seus direitos fundamentais enquanto cidadãos. Foram julgados e praticamente condenados através da mídia, detidos perante seus pares e familiares e levados para longe do convívio de seus familiares e amigos, sob a posterior alegação das autoridades competentes de proteção a eles mesmos. Como um cidadão de bem poderia assistir passivamente a um abuso destes? Como o estado esperava que isso iria repercutir no seio da tropa? Esperavam que a tropa ficasse inerte a esta atitude?
Se de fato eles cometeram abusos, investigue-se, julgue-se e aí sim, se for o caso, condene-se.
Enquanto isso não for feito esperamos nós, não passivamente, mas ainda confiantes, que os tais Direitos Humanos também olhem por nós, porque antes de sermos policiais, somos humanos, cidadãos, pais e mães de família e, até que se prove o contrário, cumpridor de nossos deveres e dignos de nossos direitos.
*Jorge Costa é soldado da Polícia Militar da Bahia.
James
fevereiro 26th, 2010 at 20:57
Otimo artigo, gostaria de parabenizar Jorge pela grande lucidez e comentarios dignos. E parabenizar tb toda a tropa pela união e força neste momento tão dificil para todos nós policiais, que somos visto infelizmente como cidadãos descartaveis mal pagos, que a morte é um objetivo buscado. Parabens tb ao blog, com mais uma matéria importante!!
Saudações Milicianas!
sd prisco
fevereiro 26th, 2010 at 21:08
olha jorge realmente vc esta certíssimo, o que aconteceu com os companheiros em conquista foi um absurdo tremendo e total desrespeito a CF, mais graças a Deus com a ajuda da juspm e dos familiares dos policiais e porque não ressaltar a união da tropa de conquista quer participou de todo o ato da manifestação pacifica e ordeira em solidariedade aos companheiros, foi uma luta linda entre tantas quer participei essa mais uma vez me emocionou muito e valeu apena estar com todos nessa luta.
DIEGO
fevereiro 27th, 2010 at 0:37
Tudo isso é culpa dos “direitos dos manos” que condena o policial, e torna herói o bandido! E como se já não bastasse, a midia alimenta cada vez o ódio da população alienada pela PM!
Lamentável essa inversão de valores!
Ewerton Monteiro
fevereiro 27th, 2010 at 1:17
Amigo Jorge, Parabéns, nada mais…
ParabénsS!
Eduardo Macambira
fevereiro 27th, 2010 at 10:21
Parabéns, Jorge.
Excelente texto.
Sugiro que vc envie este mesmo texto para o Blog da PMBA, Sessão a VOZ DO PM, o email é este: dmt.midiasocial@pm.ba.gov.br mas antes leia algumas orientações e dados necessários, pois corretamente não é aceito documentos apócrifos, sendo então necessário a identificação do autor.
As orientações estão aqui: http://blogdapmba.blogspot.com/search/label/A%20Voz%20do%20PM
Eduardo
fevereiro 27th, 2010 at 10:40
A culpa do que vemos ai é do cidadão, que elege os mesmos patifes e depois vem se fazer de vítima.
Aposto os braços e pernas que um candidato que prometesse acabar com o bolsismo, que prometesse fazer prisões seguras e afastadas dos centros urbanos e tal, não chegaria sequer ao segundo turno.
Fabiano Santos
fevereiro 27th, 2010 at 10:41
Belíssimo texto!!!
Parabéns, Jorge!
Z.
fevereiro 27th, 2010 at 10:44
Excelente comentario Jorge, nos policiais estamos perplexos com essas atitudes do judiciario de nosso estado. Aqui em conquista o sentimento é de muita revolta. O que mostra mais clara a inversão de valores.
Geisa Nunes
fevereiro 28th, 2010 at 18:29
Parabéns!! Um texto excelente, que realmente retrata a situação de uma sociedade injusticada e privada dos seus direitos.Mais uma vez, PARABÈNS!!!!
CAD PM SOARES
março 1st, 2010 at 9:26
Parabéns pelo texto, SD PM Jorge!!
Você está completamente correto em sua análise. É uma pena que uma instituição de objetivo tão nobre (orgãos resposáveis pelo respeito aos direitos humanos) possam prestar um desserviço colosal como este.
Como operacionalizar uma filosofia de policiamento comunitário em uma sociedade alienada e instituições que desapoiam as ações dos orgãos de segurança pública?
O primeiro passo é nosso, porém a continuidade é de todos!!
e acho que já demos esse passo…
Francsico Xavier
março 3rd, 2010 at 14:16
Deve-se investigar as trê forças armadas, todas as contas e gastos, há nepotismo (basta quebrar o sigilo telefônico), apadrinahmento. Para os oficiais luxo e conforto total. Para os subalternos nada, sem direito de descansar na hora do almoço. Sem folga do plantão, plnatão de 36 horas, salários um merreca, família passando fome, etc… Enquanto os generais, brigadeiros e almirantes nadam no dinheiro e na luxúria…
Edmundo
março 8th, 2010 at 20:52
Este artigo é excelente! Meus parabéns ao discernimento e clareza do autor neste texto. Atualmente os cidadãos exigem direito e esquecem de cumprir os deveres que estão vinculados aos direitos.
lazaro jorge leao xavier
março 11th, 2010 at 19:32
dieogo ; parabensssssss
Marcelo
abril 29th, 2010 at 0:22
Muito bom o texto. Junto da assinatura automática dos email que envio vai a seguinte frase no rodapé (criada por mim): “A inversão de valores transformou as entidades de direitos humanos em afiliadas da sociedade protetora do animais”. Ou seja, o animal só tem que ser protegido por todos. Ele não tem que submeter-se à leis e cumprir regras. Só serem protegidos e nada mais.
um cidadão comum e preocupado do Parana- fronteira
junho 3rd, 2010 at 23:04
meu amigo,vejo o seu comentario e fico contente em ver que tem soldados do seu nivel e que valorizam a profissão que tem,mas no lugar de onde sou e bem diferente.Temos que pensar assim, O NOSSO PAÍS ESTA ASSIM PORQUE TAMBEM SOMOS CULPADOS.eu como cidadão tenho culpa tanto como a sua corporação que tem influencia politica.Voces policiais tem que criar uma forma de adquerir confiança da população.ai sim os direitos humanos vai ficar para traz, qual e o direito daquele que perde seu filho , onde fica os direitos humanos. meus parabens e assim que se começa a ter ATITUDE.o nosso povo tem que ter. obrigado
SANTOS
junho 8th, 2010 at 12:02
Enquanto isso, na Bahia:Não consigo acreditar que todos os PMs.PFEMs e BMs inválidos em decorrência do serviço, alguns em cadeiras de rodas, outros prostrados em leitos sendo necessário ajuda de terceiros para satisfazer suas necessidades fisiológicas e higiêne pessoal , serem todos completamente esquecidos no texto do projeto de lei 18.627/2010 na emenda aditiva 38/2010.Acho que é uma grande covardia contra quem deu sua vida a favor da sociedade baiana. Tenho fé que a assembléia legislativa da Bahia não compactuará com tamanha crueldade.