No Brasil, a busca por uma polícia mais humana está pautada, em grande parte, em estratégias erradas. Embora concorde com o coro da militância dos Direitos Humanos em relação ao objetivo a ser alcançado, corporações policiais mais próximas da sociedade civil e respeitadoras do homem enquanto cidadão e pessoa humana, tenho sérias ressalvas aos métodos empregados na tentativa de convencer e formar profissionais com a visão adequada de Direitos Humanos.
O projeto Papo de Responsa, desempenhado por policiais civis do Rio de Janeiro, é um grande exemplo de eficácia nessa área. Talvez aqui a palavra “projeto” seja inadequada, já que o Papo de Responsa é apenas (e tudo isso!) uma proposta para a abertura do diálogo, a percepção da relevância das experiências alheias, seja de quem for, mesmo, e principalmente, de quem se tem como oponente.
Assim, o foco do Papo são ações como a promoção de conversas (papos) entre policiais civis e jovens que de algum modo se relacionam com a degradação que o tráfico de drogas vem promovendo em regiões do Rio de Janeiro. O único recurso necessário é a vontade e a coragem das partes de se despirem dos preconceitos que regem essa conflituosa relação, e a fé da mudança a partir desse entendimento.
Importante notar que iniciativas do tipo surgem mais facilmente onde há maior organização, espaço para reflexão e abertura para a proatividade. No âmbito em que o crime está inserido e dominando, atos de flexibilidade são mais facilmente suprimidos, pois é do crime a intolerância – apesar de existirem grandes iniciativas que vencem as teias do crime e forças tenebrosas que reprimem atitudes positivas em ambientes, a princípio, organizados.

Por isso as polícias devem ser celeiros de iniciativas como o Papo de Responsa. E aqui voltamos ao início do texto, quando dizia que as militâncias dos Direitos Humanos falham em seu foco de atuação. Vejo ONG’s e mais ONG’s se manifestando aguerridamente contra a atuação desumana de certos policiais, algo necessário e indispensável. Porém, poucas delas estão dentro das corporações policiais, promovendo o diálogo, entendendo as partes, fazendo com que todos se vejam humanos.
No fim, quem defende os Direitos Humanos acaba replicando o embate existente entre os policiais e os jovens envolvidos com o crime. Eis que mais pólvora é adicionada à explosiva mistura de preconceitos que hoje rege a segurança pública no Brasil. Precisamos de mais Papos de Responsa.
PS1: Importante lembrar que o Papo de Responsa possui o selo de qualidade AfroReggae;
PS2: Tive o prazer de entrar em contato com o Papo de Responsa e seus idealizadores na 1ª CONSEG.
Yende
fevereiro 10th, 2010 at 13:00
No ano de 1986 numa abordagem de rotina por ocasião da festa da Conceição flagrei a presença de três jovens menores fazendo uso de droga.
Decidi fazer diferente e em lugar da Delegacia conduzi os rapazes até as suas residências e os entreguei aos pais em meio a alguns conselhos e esclarecimento acerca das consequencias do uso das drogas.
Resumindo: um desses rapazes é hoje uma figura importante do judiciário…pessoa justa honesta e extremamente competente.
Thiago Ferreira Rabelo
fevereiro 10th, 2010 at 19:00
Boa Tarde amigo!
Gostaria de convidá-lo a visitar meu blog. Se possível gostaria que me indicasse como parceiro e assim indico você no meu, fortalecendo mais ainda a força policial em todo país.
Um fraterno abraço!
Luciana
fevereiro 14th, 2010 at 15:38
Muito bom termos esses exemplos. Afinal, toda mudança parte da possibilidade de se estabelecer um diálogo. O entendimento é fruto da sensibilização das partes, através da identificação das dificuldades. Iniciativas como essa devem ser copiadas e aplicadas à nossa realidade.
pharmacy technician work
junho 18th, 2010 at 9:27
nice post. thanks.