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Hoje, somos como os antigos “Capitães do Mato”, perseguindo e matando semelhantes: Negros e Pobres sem oportunidade. Oportunidade, eu disse. Porque se eles pudessem escolher entre ser um Executivo ou Empresário, um autônomo ou profissional liberal ou ser a escória da sociedade, por certo fariam a escolha certa.
E digo mais: Não foi o caso de não terem oportunidade. Na verdade não lhes deram oportunidade. Lhes foi negado qualquer acesso, afinal, se nós, da classe média, os ditos civilizados e cumpridores dos seus deveres, já vivemos numa sociedade hipócrita e em estágio de putrefação, o que será daqueles que nasceram em meio as favelas, sem acesso a educação de qualidade ou até mesmo na ausência dela, sem qualquer infraestrutura, ou mesmo condição de vida? São sobreviventes.
Pouco ou nada mudou desde 13 de Maio de 1888. Antes vivíamos em Senzalas, agora, nas Favelas: Boqueirão, Brongo, Pela Porco, Beirut, Malvinas, Calabar, Guigó, Calafat…
É, mas chegou a hora, enquanto o sangue estava sujando apenas as vielas das Invasões e das “Bocadas”, estava “tudo bem.” Mas hoje o sangue desce ladeira abaixo e chega ao asfalto, suja a pavimentação, os automóveis, e já começou a respingar na classe média e nos condomínios de luxo.
Ou repensamos o nosso Modelo de Segurança Pública e mudamos a nossa maneira de pensar e agir, ou é melhor nos mudarmos para o Afeganistão.
Segurança Pública se faz em conjunto. É uma tarefa cíclica. Enquanto continuarmos a usar o APARELHO POLICIAL no combate a violência e a criminalidade, visto que este expediente é utilizado por ser o MAIS BARATO… em que pese também ser ao mesmo tempo O MENOS EFICAZ, estamos fadados a Barbárie.
Segurança Pública se faz com Políticas Públicas Sociais. Os organismos e Instituições devem trabalhar mais próximos e integrados. O aparato policial tem que agir em conjunto com a comunidade e as Associções de Moradores e junto à Iniciativa Privada, temos que utilizar o que está dando resultado, a exemplo do Disep, o Ministério Público e o Judiciário, devem trabalhar em conjunto, portanto mais próximos da comunidade e das Polícias – é muito cômodo ficar em gabinetes lendo letras frias.
Segurança Pública EFICIENTE é sinônimo de trabalho em conjunto e integrado, ao mesmo tempo em que cria Políticas Públicas que criem e proporcionem uma maior qualidade de vida e oportunidades iguais à todos.
Enquanto as Polícias continuarem a realizar o trabalho sujo, exterminando e matando, trucidando e espacando, acobertados pelas excludentes da Adjetiva Lei Penal, estaremos fadados a continuar neste ciclo.
Enquanto existirem alienados para vibrar e tirar a vida de seus iguais continuaremos submersos.
Outros PM’s vão ser executados. Outras chacinas vão continuar ocorrendo. A resposta policial será dada, mais marginais vão ser executados, outros policiais executados… e o ciclo continuará.
Voltaremos então, ao “Talião”, ao tempo de Moisés, à Torá, às 12 tábuas, ao Tempo da Lei “Olho por olho, dente por dente”. Afinal, Dura lex, sed Lex, não?
Alguém já se preocupou em ler Beccaria “dos Delitos e das Pena”? Pois é… já sabia.
Finalmente, cumpre aduzir que quando passamos muito tempo a olhar para dentro dos abismos, quando passamos muito tempo a olhar para dentro dos montros, estamos correndo o sério risco de nos tornar um deles.
Chega de sermos “Capitães do Mato”, a Segurança Pùblica não é um problema seu ou meu, mas do Poder Público Instituído e de toda Sociedade. Ou se respeitam as leis e agimos com profissionalismo, ou voltemos à época da Barbárie.
Mas decidam logo. Façamos uma reflexão. Políticas Públicas já.
*Fábio Brito é Bel. em Direito e Pós Graduado em Segurança Pública pela Universidade Federal da Bahia; além disso, é Diretor Jurídico da ASPRA-BA.
Yende
março 4th, 2010 at 12:53
Bela matéria…capitães do mato é o que somos!
Deilma
março 6th, 2010 at 22:39
No Brasil já foi decretada a pena de morte e as vítimas somos nós: pobres, negros e favelados. Como policiais, observamos colegas sendo assassinados e o descaso do poder público diante da situação, pois como “capitães do mato” podemos ser substituídos facilmente. Precisamos ter consciênscia do nosso verdadeiro papel na sociedade e cobrar dos nossos governos políticas públicas que possibilitem oportunidades para combatermos as desigualdades históricas existentes no nosso país.
Alex Gondim Lima
março 9th, 2010 at 12:07
Mais uma vez foi Birlhante Danilo e Ousado, parbéns belíssimo texto
CB MÁRIO LUIZ - PMERJ
março 10th, 2010 at 12:00
CAMPANHA PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES: ” SE NÃO VOTAM A PEC, NÃO VOTAMOS EM NINGUÉM “. UNIDOS SOMOS FORTES. VAMOS MOSTRAR DO QUE SOMOS CAPAZES.
Sgt Gecinaldo Falcão
abril 13th, 2010 at 10:13
DO JEITO QUE AS AUTORIDADES “COMPETENTES” AGEM, EM BREVE HAVERÁ UMA INSTITUIÇÃO CEGA E DESDENTADA.
Jorge Costa
abril 20th, 2010 at 11:13
Elogiar Brito é chover no molhado. Um dos cidadãos mais inteligentes (e mais loucos…. mas quem não é? Creio que de perto todos nós somos) que eu conheço.
Uma política de segurança pública sem a devida política social é apenas tapar o Sol com a peneira. Ou os governos começam a investir no social (Leia-se: Saúde, Educação e Cultura), ou estaremos sempre reprensentando os “Capitães do Mato” do estado, inibindo o nosso próximo de se manifestar seja de forma legal ou não contra o sistema.
O Governo se omite de suas responsabilidades sociais e depois determina que seu braço armado, que somos nós Policiais, principalmente os militares, para reprmir o povo.
Isso me lembra uma questão que já postei em comunidade da PM:
“Santo Agostinho disse: ‘Uma Lei Injusta, não é Lei alguma’…
E portanto eu tenho o DIREITO e mesmo o DEVER de resistir…
Com violência ou desobediência civil…
Rezem para que eu escolha a última”
Frase dita em debate na Universidade de Harvard
por James Farmer Jr que aos 14 anos foi integrante da primeira Equipe
Negra de debatedores que enfrentou uma Equipe de brancos.
Infelizmente, alguns cidadãos, sentindo-se orfão do estado, optam pela desobediência das leis vigentes. E aí caí em nossos ombros a responsabilidade de apagar a “fogueira social” que estamos metidos. Mas aí, cabe a nós PMs refeltirmos e vermos se vale a pena ir com tanta sede ao pote. Por que a displicência ou inobservância desta reflexão pode nos custar de uma simples punição ao término de nossas carreiras, quando não raramente pode também exterminar a nossa vida, e aí companheiros, quem sofrerá de fato são os nossos mais próximos ainda.
Abços e Sds.
Edmilson Silva
abril 20th, 2010 at 16:45
Bela mensagem, é como já dizia o nosso ilustre Edson Gomes – músico e compositor – o sistema de fato, é bruto.
silva
abril 30th, 2010 at 21:18
Não é de hoje que a polícia é tratada como um mal necessario,ideias mirabolantes e nada de concreto acontece,o descaso com o sistema carcerario é uma bomba que tem hora e data certa para explodir,infelismente vamos assistir novamente um massacre.Será que ninguém consegue ver que esse modelo de gestão não funciona?Talvez tercerizar seria uma bela ideia.