
Se você, ao ler o título deste tópico, respondeu que vota no candidato, devo lhe informar que você está um tanto quanto enganado, ou, no mínimo, mal informado. Vou tentar explicar como funciona o processo eletivo no Brasil. Temos dois tipos de sistemas eletivos: O Majoritário e o Proporcional.
O Sistema Majoritário
Nos casos de eleições para Presidente, Senadores, Governadores e Prefeitos a coisa é bem simples, haja vista que é usado o Sistema Majoritário: neste sim você estará votando de fato no candidato porque ganha quem obtiver mais votos e pronto. Porém, nos casos de eleições para Chefes do Executivo (Presidente, Governadores e Prefeitos) existe uma correção para uma distorção que este sistema permite. O Chefe do Executivo é seu maior representante direto e, portanto, deverá ser eleito pela maioria, porém poderia não acontecer isso se não existisse a correção do Sistema. Como? Explico: Digamos que em uma eleição tenhamos 3 candidatos a governador sendo dois da Oposição e apenas um da Situação e tenhamos neste estado100.000 votos válidos (Leia-se: Sem contar votos nulos e brancos), os dois candidatos da Oposição somaram 56.000 votos, um com 20.000 e outro com 36.000. Já o candidato da Situação recebeu 44.000. Ora, se ele ganhar logo de cara ele irá representar a maioria? Não, justo por que a maioria votou na Oposição. Por isso existe um Segundo Turno, para corrigir esta distorção, onde se houver uma coligação da Oposição o candidato da Situação que ganhou no primeiro, poderá não levar no Segundo.
O Sistema Proporcional
Já no sistema Proporcional a coisa se complica um pouquinho: temos o tal “Quociente Eleitoral” e outro que pouco se ouve falar: o “Quociente Partidário”.
O Quociente Eleitoral é a quantidade de votos válidos em uma eleição, dividido pela quantidade de vagas que esta eleição se propõe. Este número é usado como referência mínima para que um partido ou coligação concorra a pelo menos uma das vagas oferecidas. Por exemplo: Se temos em um estado 120.000 votos válidos e temos 16 vagas para Deputado Estadual então o partido para concorrer a uma vaga terá que obter na soma de todos os seus candidatos, no mínimo, 7.500 votos (120.000 dividido por 16), sem isso ele não consegue sequer eleger um candidato. Já o Quociente Partidário é a quantidade de votos para cada partido dividido pelo Quociente Eleitoral. Este número serve como referência para quantidade de vagas que este ou aquele partido irá ocupar.
Vamos exemplificar: Se em uma eleição onde 4 partidos ou coligações concorrem a 16 vagas contando com 120.000 votos válidos o resultado fosse este do quadro abaixo:

Observação: Não se considera a fração no cálculo, nem para mais nem para menos.
Observe que neste processo acima ficaram 3 vagas remanescentes. O que faremos com elas? Aí entra em cena um novo cálculo: Divide-se o número de votos válidos de cada partido pelo número de vagas que ele conquistou mais um. Vejamos o quadro abaixo:

No quadro acima se vê claramente que quem ficou com a primeira vaga remanescente foi o partido A. Vejamos se em um segundo cálculo, com a nova distribuição, ele ficará com a segunda vaga:

Observe que agora o partido B foi o “agraciado” com a próxima vaga remanescente. Então este cálculo é refeito até todas as vagas remanescentes serem preenchidas. Com este conhecimento somos capazes de saber a importância do voto no partido no caso da votação pelo Sistema Proporcional. Portanto, digamos que você não tenha candidato para Governo nestas eleições, porém, quer muito que um candidato a Federal ou a Estadual ganhe esta eleição, daí erroneamente faz a seguinte opção: vota nulo para Governador e vota em seu candidato para Federal e/ou Estadual, com isso você perdeu a chance de ajudar seu candidato a ganhar, votando nulo para Governo quando poderia ter votado na Legenda de seu candidato e aumentar o Quociente Partidário dele.
Baseado nestes conceitos acima que foi criada a Lei de Fidelidade Partidária, onde está definido que o mandato pertence ao partido e não ao político, e nós brasileiros muitas vezes não entendemos o porquê disso por desconhecermos este processo de cálculo, e acharmos, erroneamente, que estamos apenas votando no candidato.
Este processo de cálculo também proporciona um efeito curioso: um candidato “A” que obteve 10.000 votos não se elege e um candidato “B” que obteve 3.000 é eleito, justo porque o partido do candidato “A” não obteve Quociente Partidário para elegê-lo. Outra coisa que pouco levamos em consideração e até estranhamos: o já falecido Enéias concorria pelo PRONA, mesmo sabendo que ia perder e muitos não entendiam qual era a jogada, porém, a quantidade de votos que ele recebia ajudava seu partido a eleger muitos deputados Estaduais e Federais. Só em São Paulo, na eleição de 2002, para Deputado Federal, Enéias foi eleito com uma votação monstruosa de 1,5 milhões de votos, o que acabou por eleger uma penca de candidatos do PRONA sem nenhuma expressão política ou pública.
Segundo a previsão do site Expressão Brasil a quantidade de votos válidos em 2010 na Bahia está acima dos 9.200.000 com Deputados Estaduais concorrendo a 64 vagas e Federais a 40. Baseado nisso, podemos dizer que para eleger um Deputado Estadual um partido precisaria de, no mínimo, 145.000 votos, aproximadamente, e para eleger um Federal 232.000 votos, também valor aproximado, porém, estes valores podem variar muito porque depende dos votos válidos no estado. Resumindo tudo e fazendo um trocadilho: para votarmos no Sistema Proporcional com consciência temos que nos ligar no Quociente.
Espero que estas informações ajudem a Categoria a definir, com consciência política, os candidatos que serão seus representantes no próximo mandato.
*Jorge Costa é soldado da Polícia Militar da Bahia e Diretor de Comunicação da ASPRA-BA.
O Especial Eleições 2010 e Segurança, é um espaço onde analisaremos as práticas políticas, as promessas, as propostas e as tendências no campo da segurança pública para o próximo pleito eleitoral. Naturalmente, sem discutir candidatos nem partidos, mas sempre focando nas idéias. Participe!
Autor: Jorge Costa -















24 Comentários
Caro Jorge,
Saudação Miliciana!
Quero parabenizá-lo pela brilhante explanação…é de informações como essas que a tropa precisa para obter consciência política…
Forte abraço!
RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS!
Parabéns Jorge Costa!
Muito esclarecedor este artigo.
Agora só fica na dúvida quem quer!
pelo amor de deus, a luta pela pec se acirrando, o movimento de amanhã sendo comentado na tv record rio e vcs ficam jogando papo fora sobre bobagem eleitoral…já tem alguns dias q n vejo este blog postar nada sobre a pec 300, começo até a desconfiar.
acorda ou assuma!
Muito bom, a maioria da população não tem essa noção de como funciona o processo, inclusive eu até poucos minutos, antes de ler o texto.
Excelente Jorge !
Muito bom artigo !
A sociedade carece muito de esclarecimentos, a fim de efetuar o voto com consciência. O que os políticos mais querem é a ignorância do povo e assim se perpetuar no poder.
Um abraço !
Parabéns Jorge! Bastante didático sua explicação
Parabéns Jorge Costa…
Portanto o bom mesmo é você conhecer a pessoa, o seu
histórico de luta, analisar minuciosamente o seu passado e
votar na pessoa independente do partido que ela pertença!!
Existem pessoas competentes em todos os partidos, como
também existem as incompetentes, aqueles que realmente
nos trás decepções futuras…
Muito bom! 2010 todos já sabem, praça vota em praça, oficial vota em oficial.
Muito elucidadivo o texto. Tomara que grande parte da tropa tome conhecimento de como tudo isso funcione, para valorizar melhor o seu voto nas próximas eleições. Parabéns pelas explicacações.
corrigindo: explicações.
b9j5bda
http://002evolves.blogspot.com
Para-fraseando … Assim como Partido está para Arvore, o Candidato para Fruto, penso que 1º devemos conhecer o histórico da Arvore que irá gerar o fruto. Uma árvore boa dará bons frutos; agora, uma árvore má ou um espinheiro não pode gerar maçã ou um fruto bom.
Discordo do companheiro que posicionou-se em votar na pessoa independente do partido que ela pertença!!
Existem pessoas competentes em todos os partidos, sim… isto concordo… porém, os competentes não poderão produzir, por causa das posições das bases de seus partidos. O Candidato para inserir-se no quadro politico deve primeiramente analisar o partido e deixar os eleitores avaliam por optarem pelo modo total. E tenho dito.
Parabéns Jorge muito boa asua explicação
parabéns agorei sua explicação, pois assim o povo fica mais informado sobre as eleições 2010 sabendo como tudo funciona
gostaria de votar em o pastor valdemiro santiago para o ministerio de deus comtinuar abençoado e quero saber o numero
Uma duvida. As vagas do partido são ocupadas pelos candidatos do mesmo por ordem de votação ou por vontade do partido?
Hipotese, supondo que os dois são do mesmo partido/coligação e o partido/coligação tem duas vagas. O primeiro mais votado foi tiririca com 10mil e o segundo maluf com 1000. Maluf pode conseguir a vaga?
Paula :
Não… Não é o partido quem decide e sim a quantidade de votos que cada um obteve… Se o Partido “A” obteve quociente para eleger 3 candidatos, estes candidatos serão os 3 mais votados do partido. Estas vagas não são ocupadas “ao gosto” do partido.
Inclusive há tb as vagas para suplentes, caso algum candidato saia para ocupar outro cargo, ou por ventura venha a bater as botas (Como foi o caso do falecido Clodovil)… Quem assumirá é o que teve mais voto, logo abaixo dos que foram “agraciados’ com as vagas… O partido também não tem influencia sobre isso.
Tem um parágrafo errado, cara. Quando você fala sobre votar nulo para governador, não tem nada a ver.
Como você disse no começo, só são contabilizados os votos válidos para os candidatos e para os partidos. Os votos para governador não entram nesse cálculo. Por isso, se você quiser ajudar seu candidato a se eleger, tanto faz você votar no candidato ou no partido dele (ou mesmo em um outro partido da coligação dele, tanto faz).
Acho que você deveria corrigir isso, amigo, caso contrário incitaria a votar em candidatos ao governo do estado em que ele não queira…
Fonte: http://www.tse.gov.br/internet/institucional/glossario-eleitoral/termos/quociente_partidario.htm
oi-Q TUDO BEM?
eu quero saber qual é a quantidade que havia de vagas para deputado federal, estadual,governador, presidente…
Como já citado o partido do candidato é 1.000 vezes mais importante que o próprio candidato pois a direção do partido orienta seus deputados, vereadores, etc a votar do jeito que eles negociaram lá em cima. Daí a necessidade de uma reforma política para diminuirmos ou até mesmo acabar com repasse de cargos e pastas em troca de apoio a isso ou aquilo. Vergonhoso.
o sistema do brasil é sim uma puta de uma injustiça com os candidatos que tem muito mais votos e ficam de fora!!!! BRASIL O PAÍS DA SAFADEZA….
Gostei muito da explicação, esclareceu todas minhas dúvidas, parabéns
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