A Representatividade dos Oficiais da PMBA

Em outros momentos já discuti aqui os dilemas por que passam as organizações “representativas” de policiais no Brasil. Dizia o seguinte:

“Se tivéssemos organizações fortes, opinativas e críticas em todos os aspectos que envolvam a segurança pública, de modo que a sociedade as percebessem desse modo, o respeito à causa policial seria outro. Ou alguma associação policial discute seriamente a relação entre Direitos Humanos e atividade policial, por exemplo? Qual organização superou o discurso classista, de modo que não fôssemos vistos apenas como interessados em ganhos particulares, isolados dum projeto consistente de mudança da segurança pública?”

Leia mais em “Votar pela Polícia ou pela Segurança?”

Se esta é uma questão que, no âmbito policial militar, as associações de praças devem se debruçar para implementar, quando falamos de organizações representativas de oficiais esse é um problema ainda mais urgente. Não por qualquer desprestígio às associações de praças, mas porque o chamado oficialato é, por dever e obrigação, o maior responsável pela evolução da corporação policial militar enquanto instituição de segurança pública. Dos oficiais espera-se organização, gestão, administração.

Por isso, se é grave o erro duma associação de praças que articula mal sua estratégia de resolução de problemas, é gravíssimo no caso de uma associação de oficiais. No caso específico da Bahia, as organizações que deveriam realizar o papel representativo deixam a desejar até mesmo nas discussões meramente classistas: a Associação dos Oficiais da PMBA e o Clube dos Oficiais da PMBA.

A primeira, da qual sou sócio, após a derrocada do Movimento Polícia Legal, vem atuando improvisadamente, quando o faz, sem causas nítidas nem posturas proativas. A Proposta de Emenda Constitucional de nº 300, por exemplo, foi descartada como tema discutível e digno de mobilização, vindo a ser considerada apenas após a reclamação de alguns associados – que foram censurados pela reclamação num informativo da Força.

Já o Clube dos Oficiais… Este não se posiciona, nem vem se posicionando no passado recente, em questões quaisquer – apesar do grande número de associados e da disponibilidade de sede ampla para realizar eventos, debates, reuniões etc.

Mas o descaso dos representantes se vê refletida na apatia dos representados. Só para se ter idéia do que vivemos, é muito provável que a esmagadora maioria dos sócios do Clube dos Oficiais PMBA, por exemplo, não saiba que amanhã, quarta-feira, se realizará a eleição para a presidência do Clube, onde serão candidatos a chapa da situação, encabeçada pelo Cap PM Francisco Alves, e uma outra, que tem como candidato o Coronel Cláudio Brandão, que vem fazendo duras críticas à letargia do COPM no campo representativo dos oficiais.

Os oficiais, dos tenentes aos coronéis, incluindo os alunos em formação, devem se inteirar dos processos políticos no âmbito da Corporação, pensar métodos de ascensão coletiva da Polícia Militar, sem desconsiderar os ganhos que a sociedade vislumbra em nosso serviço. Qual tem sido o papel de cada oficial, individualmente, nessa missão? A quem interessa a desorganização e a falta de estratégias na área?


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com





Um Comentário

  • SANTOS
    28 jul 2010 | Permalink |

    Governador da Bahia diz que policial militar é semelhante a burro de carroça, tem que trabalhar na base da chicotada

    O Governador da Bahia, Jaques Wagner, que é candidato a reeeleição para o referido cargo, durante pronunciamento no Palácio de Ondina, disse que, os policiais militares, são semelhantes a burros de carroça, têm que trabalhar recebendo chicotadas, pois se assim não for, não comparecem ao local de trabalho, deixando a população insegura.

    Jaques Wagner disse ainda que, um soldado da Polícia Militar, quer trabalhar pouco e ganhar bem mais que um oficial. Mas ressaltou o governador baiano que, enquanto ele administrar o Estado da Bahia, não vai permitir tamanha falta de respeito para com o povo.

    “Burro de carroça, trabalha muito, e ganha quase nada, não tem direito de reclamar. Se um policial militar na Bahia, não ganha tão mal e não trabalha o suficiente, está reclamando de que e porque?. Perguntou o Governador da Bahia.

    Um PM na Bahia ganha bem no meu governo, pois antes não tinha bom salário. Já investir em novas viaturas e coletes a prova balistica. Eles querem mais o que?. Isso custa muito caro e a Bahia não está nadando em dinheiro. Disse ainda, “nas manifestações passadas fui razoável, tendo em vista a constatação de algumas falhas e achar coerente algumas solicitações. Mas de agora em diante vou apenas fazer cumprir a lei e se ocorrer desvios de conduta através de manifestações,passeatas ou coisas do gênero suspenderei todos os portes de armas dos praças e determinarei ao secretário de segurança pública o devido indiciamento de todos os envolvidos. PM não pode fazer manifestação e se fizer é porque não quer ser PM”.

    Fonte: Blog Correio do Estado

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