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“Aprecie com Moderação” é suficiente?

Várias fontes estatísticas demonstram que o uso de álcool é a principal causa de morte no trânsito brasileiro. As tragédias ocorrem vultosamente, ceifando vidas que diariamente tem o término anunciado nos jornais e noticiários:

Casal atropelado por bêbado foi enterrado

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o casal tentava atravessar uma avenida quando foram atingidos por um carro conduzido por um indivíduo embriagado. O motorista foi flagrado no teste do bafômetro com 0,85 mg de álcool por litro de sangue, o que configura crime de trânsito, e estava em alta velocidade. A mulher, vítima do acidente, estava grávida.”

Notícias como esta são acompanhadas de manifestações de revolta por parte dos órgãos de imprensa, que deveriam encampar um debate fundamental, mas capaz de enxugar parte dos seus orçamentos: qual o papel da propaganda na difusão e apologia ao uso do álcool?

A publicidade, ao tempo em que se exime da responsabilidade de obrigar seu público a consumir um produto, é paga justamente para exercer esse papel – e vem fazendo isso competentemente em nosso capitalismo, através de complexos e subjetivos mecanismos sensoriais. Em alguns aspectos, isso não chega a ser uma tragédia, mas em relação ao uso de drogas, como o álcool e o cigarro, a consequência é tenebrosa.

Vide os anúncios de cerveja, geralmente utilizando-se de belas mulheres, modelos e atrizes vistas, desejadas e copiadas pelo grande público, em roupas minúsculas, brindando vistosas canecas. A sexualidade é associada ao consumo da bebida. Beber se torna, no raciocínio implícito da publicidade, algo fundamental para possuir belas mulheres, grande desejo dos jovens, homens, entre 15 e 25 anos, não por acaso as principais vítimas de acidentes de trânsito no Brasil.

“Aprecie com Moderação”, estampam, minusculamente, os anúncios de bebidas alcoólicas, como se toda a carga de convencimento sexual-sensorial fosse demovida com pequenas letras pretas num fundo branco. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde divulga campanhas “chapa branca”, que são ineficazes no convencimento da juventude que protagoniza a violência no trânsito:

Nesse aspecto, temos exemplos mais bem sucedidos no exterior:

É impositivo que sejam extinguidas as propagandas de bebidas alcoólicas no país, como foi feito com o cigarro. Não há diferença entre uma droga e outra, já que ambas matam, sendo o álcool um grande vilão que apenas é respeitado por aspectos como o lobby das indústrias e da mídia, e a hipocrisia da sociedade que não enxerga a carnificina que o álcool vem gerando, pela cultura “descolada” e “social” que tem. Sem proibir o consumo, é possível controlar e negativar a imagem do álcool, como já é feito com o cigarro. Onde estão, por exemplo, as imagens de acidentes de trânsito nos rótulos das cervejas?



Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com


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4 Comentários

  • Victor F. Fonseca
    13 set 2010 | Permalink |

    Interessante a propaganda, mas já passou da hora de impor limites e promover o desestímulo efetivo. Um fortíssimo lobby serve pra comprovar como o capitalismo é contrário a princípios e virtudes humanitários. Álcool é estupidamente mais danoso do que tabaco, contudo a repressão ao fumo é altamente superior à de cerveja e semelhantes, uma evidente contradição incoerente.
    Quem sabe um dia surja uma autoridade que, em vez de priorizar interesses egoístas, financeiros ou irresponsáveis, passe a divulgar fortes imagens como as do vídeo, contendo embreagados na sarjeta, pré-adolescentes vomitando em festas, coma alcóolico em eventos comemorativos, vítimas de cirrose hepática, acidentes que além de vitimar o condutor lesam ainda inocentes que por azar são alcançados, desempregados endividados que perderam tudo pela bebida, participantes de brigas, esfaqueamentos e mortes, tão frequentes nas proximidades e interior dos bares pela noite, madrugada e finais de semana, pais de família ensandecidos em seus lares por conta dos efeitos…
    Por que maquiar e fugir da verdade? Para aumentar fortunas dos magnatas donos de cervejarias? É irracionalidade demais continuar assim, porém, na realidade de democracia, ou o governo assume o controle e age repressivamente em prol do bem-estar coletivo, ou o consumo de álcool continuará sendo mérito e orgulho na cultura popular, como se vê ao redor de cada um de nós.

  • Victor F. Fonseca
    13 set 2010 | Permalink |

    Complementando, medida imediatamente eficiente tomada foi a criação da lei seca, que enquanto era cumprida trouxe resultados incontestáveis e satisfatórios (não precisei de números pra constatar, apesar deles existirem, as janelas de onde moro foram suficientes para perceber), porém o desinteresse do governo e seus servidores tem feito essa eficaz repressão se tornar uma memória do passado, a bem do bolso de uns, e às custas da vida e da paz de outros.
    Brasil!

  • wcaf
    25 abr 2011 | Permalink |

    Observa-se que, as empresas de bebidas não chamam para serem garotos (as) propaganda um Adriano, um Wagner love e outros, pois seria a confirmação dos problemas que a bebida faz nas pessoas tidas como pessoas de bem, ou pelo menos, pessoas não problemáticas devido ao uso de bebidas. Gerson, ficou mau visto por ter sido o garoto propaganda de uma certa marca de cigarros e que é pior, levava vantagem em tudo. Temos que fazer o mesmo com estes personagens que ai estão. Gerson se redimiu, já até declarou em entrevistas do arrependimento por ter feito aquilo no paasado, e ainda disse: “Ainda bem que aquilo está no paasado”. Hoje temos que dar um “gelo” nestes que atualmente se mostram na tv com garrafas e copos nas mãos, dançando e pulando, cantando o que a bebida não proporciona realmente: a tarjeta em que muitos usuários se encontram.

  • wcaf
    25 abr 2011 | Permalink |

    Perdão… perdão… perdão… eu quiz dizer:SARGETA.

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