Instrumentos perfurantes, cortantes e contundentes

A linguagem e os termos técnicos são fatores fundamentais para definir o nível de profissionalismo de determinada categoria. No caso dos policiais, a utilização correta das palavras é fundamental até mesmo para obter êxito em determinada ocorrência. O homem que tem o primeiro contato com uma denúncia deve saber bem especificar os detalhes para os demais policiais de serviço, bem como aquele que primeiro chegará ao local do crime. Se houver dubiedade na terminologia, o cumprimento da lei pode ficar comprometido.

Também são necessárias especificações técnicas nos relatórios de serviço, boletins de ocorrência, depoimentos etc. Desses termos, a diferenciação entre instrumentos cortantes, contundentes e perfurantes chegam a gerar confusão em alguns. Uma faca é perfurante ou cortante? Um martelo é contundente ou perfurante? Numa diligência, ao informar que um cidadão sofreu um golpe de objeto contundente sendo o objeto cortante pode gerar uma confusão tal que o autor pode deixar de ser preso por isso.

Para dirimir as dúvidas, vamos ver abaixo a diferença entre esses três termos:

Instrumentos Cortantes

São aqueles que produzem as chamadas feridas incisas, ou “cortes”, como vulgarmente se chama. As feridas incisas possuem duas características básicas: levam ao sangramento e possuem comprimento maior que a distância entre as bordas. Além disso, possuem maior profundidade no centro da ferida. Giletes e navalhas são típicos objetos cortantes.

Instrumentos Perfurantes

Os instrumentos perfurantes produzem o que se chama feridas punctórias, ou as vulgares “perfurações” ou “furos”. Nelas, a profundidade da ferida é maior que o diâmetro de sua superfície. Geralmente não há sangramento, ou ele ocorre em pequena quantidade. Pregos, garfos e chaves de fenda são considerados objetos perfurantes.

Instrumentos Contundentes

Os instrumentos contundentes provocam lesões através da pressão exercida em alguma parte do corpo, batendo ou chocando. A forma da lesão provocada é irregular, manifestando-se com hematomas ou escoriações. Quando alguém está com o “olho roxo” provavelmente foi vítima dum instrumento contundente. Esses instrumentos podem ser a mão de uma outra pessoa (soco), um pedaço de madeira, uma pedra etc.

* * *

É bom frisar que um só instrumento pode ser, por exemplo, perfuro-cortante, como as facas que conhecemos. Ao tempo em que fura, pode também cortar, pois possui uma ponta e uma lâmina. Daí temos as outras designações: perfuro-contundente, corto-contundente…

Agora, quando for preencher seu Boletim de Ocorrência, não cabe mais escrever que uma vítima sofreu uma “facada” ou “paulada”. Sejamos profissionais…


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com





16 Comentários

  • 29 set 2010 | Permalink |

    Excelente informação, ilustrada e com explicação clara e simples.

    Disse tudo! Profissionalismo, conhecimento…
    BRASIL!

  • dmm
    29 set 2010 | Permalink |

    nao acho que seja falta de profissionalismo vc escrever facada ou paulada , acho que quanto mais simples e direto for a redecao melhor

  • Dalila
    29 set 2010 | Permalink |

    Sempre bom aprimorar nossos conhecimentos.
    Adorei a matéria!

  • BRUNO
    1 out 2010 | Permalink |

    …concordo. Profissionalismo define bem a utilização de termos tecnicos. No mais, de maneira simples, mas profissional, textos com estes estão expandindo nosso conhecimento. Muito bm.

  • 3 out 2010 | Permalink |

    Ótima matéria! Colaborando: Freud, o pai da Psicologia Moderna, afirmava: “Só o conhecimento traz o poder.” Só nos tornaremos mais fortes, respeitados, admirados e amados pela parcela boa da sociedade, com o uso conhecimento técnico e da ciência. Devemos excluir o “achismo” no embasamento das nossas ações . Um abraço fraternal a todos os irmãos policiais do país.

  • antonio
    5 out 2010 | Permalink |

    Pra quem vislumbra a possibilidade de algum dia vir a perceber um salário, não só justo mas condizente com a qualidade de seus serviços prestados de segurança pública, tem mais é que se preocupar verdadeiramente com uma melhor qualificação tanto intelecto quanto profissional. E isso só se consegue através do conhecimento.
    Afinal, somos nós (PMs) o cartão de visita de nossa instituição perante a sociedade de bem.
    Não devemos esquecer também que uma boa e precisa redação de B.O. é a peça mais importante de qualquer inquérito polical.

  • Claudio
    9 out 2010 | Permalink |

    Chega de desconhecimento,pois só assim ,mostraremos
    um policial embasado em sua função.

  • 9 jan 2011 | Permalink |

    Estou divulgando para muitas organizações policiais, no RS, esta pequena mas esclarecedora matéria; divulgando os merecidos créditos da autoria e do endereço para leitura na íntegra.
    Parabéns. Também compactuo com a sua convicção de que temos que usar termos técnicos nas documentação operacional e nas Relações Interpessoais, quando representamos as instituições policiais. “Fugou”, “nóis”, “caza”, e outros devem ser repensados.
    Um abraço e Feliz 2011 para todos os policiais, militares e GM do Brasil.

  • Sandive Santana
    13 jan 2011 | Permalink |

    Prezados

    O texto é simples, explicativo e didático já que tem associado ilustrações. Contudo ressalto que a especificidade dos termos numa comunicação escrita ou verbal, é importante e vindo pelaa vias de uma Polícia categorisada de científica, não cabe outra atitude senão a recomendada clareza.

    Sandive Santana
    Esp. Pedagogia Empresarial

  • jose rogerio de sales
    4 jul 2011 | Permalink |

    Fui Delegado de Policia e atualmente me dedico a pura advocacia. O trabalho apresentado se encontra de forma brilhante, na qualidade de advogado e na minha concepção a confusão entre objetos (contundentes, corto contundente, cortante, perfuro-cortante, etc…) causadores de lesões se não bem indentificados pode gerar a liberdade de um acusado.
    Apenas para ilustrar quando ainda academico tive a honra de pagar a cadeira de Medicina Legal com o grande mestre GENIVAL VELOSO DE FRANÇA, na Universidade Federal da Paraíba.
    Transmito a todos uma grande abrraço e que mande noticias para o meu E-mail.

  • Cassule
    22 dez 2011 | Permalink |

    gostei da materia, bem precisava de estabelecer esta diferença, à dias entrei em choque com o meu superior, por eu ter dito que a faca era um objecto perfurante!

  • 23 jun 2012 | Permalink |

    O brasileiro deve comprar um dicionário e estudar principalmente as palavras que são mais usadas diariamente por ele e por seus familiares. A palavras devem ser estudadas e desenvolvidas por todos, para que por exemplo
    um incentivo não seja entendido como uma ordem.

  • 30 nov 2012 | Permalink |

    Comentário: Senti muito orgulho de ter um Tenente desse gabarito na PM da Bahia, fui Oficial na PM de São Paulo (hoje na reserva) e sinceramente imaginava (confesso a minha ignorância) que as outras coirmãs não tivesse pessoas tão gabaritadas.
    Parabens Tenente Danilo e parabens a gloriosa Polícia Militar do grande Estado da Bahia.
    Se possível continue a bridar com outros possíveis conhecimentos

  • 30 dez 2012 | Permalink |

    Prezado, É imprescindível que o senhor referencie as informações constantes nesse artigo. O livro utilizado como fonte (inclusive das ilustrações) foi:

    GALVÃO, Luis Carlos Cavalcanti (Org.). Estudos Médico-legais. Porto Alegre: Sagra, 1996.

    Estou lendo este livro e fiquei surpresa quando vi este blog. Surpresa não pela informação, mas pelo fato de não haver referência da excelente fonte utilizada!!!

    Atenciosamente,
    Gabriela

  • 7 mar 2013 | Permalink |

    Gostei das fotos e do resumo. Simples e objetivo. Fácil de visualizar e entender. Obrigada.

  • 17 abr 2013 | Permalink |

    Ótimo comentário de Lauro Pedot. Sobre ser profissional, em qualquer profissão temos que ter a ciência de um conhecimento mais apurado, profundo, técnico. Três são as áreas que devemos ter profissionais deste perfil. Saúde, Educação e Segurança. Policial então, deve saber o que diz, o que faz. Acredito na mudança e na melhora dos profissionais. Policial, profissão de guerreiros!

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