Uma mulher por guarnição policial…

13 Flares 13 Flares ×

Um dos temas mais polêmicos nas discussões sobre segurança pública no Brasil é a presença das mulheres nas polícias. Apesar de todas as organizações policiais brasileiras já admitirem que parcela do seu efetivo deve ser feminino, ainda prevalece a cultura que desabona as mulheres enquanto profissionais de polícia, notadamente quando vislumbramos o perfil do policial ligado à linha de frente, à operacionalidade, ao serviço de rua. Como é costume no Brasil, o preconceito não se manifesta explicitamente, mas de modo velado e corrosivo. Discutir a questão, buscando entendimentos, é o primeiro passo para amenizar os danos que esta visão ocasiona.

Primeiro é preciso que identifiquemos a gênese da supervalorização do homem nas polícias. Tal sentimento está diretamente ligado ao que é a polícia para nós, às definições de qual deve ser o papel da polícia na sociedade, enfim, à identidade da polícia.

Por que conseguimos tão facilmente adaptar a ideia que temos da polícia à ideia que temos do masculino?

Provocados esses questionamentos no leitor, cabe ressaltar que a masculinidade em nosso mundo está fortemente associada à ideia de agressividade e de violência, observação feita por inúmeros estudiosos, intuitivamente fácil de conceber, e provada pelos números da violência em qualquer cidade do mundo. (Leiam “Violência e estilos de masculinidade”, de Fátima Regina Ceccheto, para um aprofundamento).

O perfil do macho, e sua virilidade, se adéquam facilmente ao perfil geralmente formulado para o policial. Quantos de nós, policiais homens, num simples gesto de cordialidade ou polidez já não fomos surpreendidos com a frase: “nem parece que você é policial…”?

Em poucas palavras, a exaltação do homem nas polícias está ligada a um conceito equivocado do que vem a ser a atividade policial. As políticas públicas, ou falta delas, que sucessivamente o Brasil tem visto no campo da segurança fortalecem a intervenção do senso comum na atuação policial, que acaba reproduzindo a cultura do homem macho, viril, agressivo, violento.

Em texto recente neste blog, a Aluna a Oficial PM e antropóloga baiana Luciana Prazeres disse que as policiais femininas brasileiras eram “destacadas como ‘bibelôs’ que salvaguardavam o caráter politicamente correto que o ambiente (policial) enseja”. Perfeita construção, que merece ser expandida, para mostrarmos quantos outros “bibelôs” temos nas corporações policiais brasileiras – o conceito de “Polícia Comunitária”, os “Direitos Humanos”, o “policiamento de proximidade” e “cidadão” etc.

Nada mais natural que neste contexto de equívocos, ignorado e exaltado inclusive por muitas mulheres policiais, as PFem’s sejam subempregadas, relegadas à atuação administrativa (sem desmerecer tal função), uma vez que elas mesmas são as primeiras a rechaçar a participação numa atividade tão viril quanto o policiamento de rua parece ser (o policiamento de ruados moldes atuais sofre a mesma impopularidade entre as mulheres que o balé sofre entre os homens, por motivos culturais/tradicionais).

Julgo que a atividade policial deva ser técnica, profissional, pautada em princípios de negociação e interação com os cidadãos. Eis o que é preciso ser entendido para que deixe de ser óbvio que todos os policiais devem ser do sexo masculino.

Uma boa medida para dar início a esta tendência, seria empregar pelo menos uma mulher policial em cada guarnição na rua. Intuo que os abusos e agressões em serviço diminuiriam significativamente. Mas é preciso lembrar que nós, homens, além de termos como valores a violência e a agressividade, temos também a sedução pelo poder. Deste modo, adotar medidas como a sugerida seria um risco muito grande, não acham?

*Este texto é uma exaltação à posse de Regina Miki como Secretária Nacional de Segurança Pública.

Comments

  1. Por Victor F. Fonseca

    Responder
  2. Por Salles

    Responder
  3. Por Tigre da Caatinga

    Responder
  4. Por Alberto Baraúna-PMSP

    Responder
  5. Por TEN Herlan

    Responder
  6. Por antonio

    Responder
  7. Por Luciana

    Responder
  8. Por Danillo Ferreira

    Responder
  9. Por Victor F. Fonseca

    Responder
  10. Por Dalila e Barbara

    Responder
  11. Por Dalila e Barbara

    Responder
  12. Por Policial Feminina

    Responder
  13. Por Ewerton Monteiro

    Responder
  14. Por Elias Suzart

    Responder
  15. Por Vinicius

    Responder
  16. Por SARGENTO GARCIA

    Responder
  17. Por DINEY

    Responder
  18. Por antonio

    Responder
  19. Por Victor F. Fonseca

    Responder
  20. Por Lucas

    Responder
  21. Por Pfem

    Responder
  22. Por Feminina sim e forte

    Responder
  23. Por Pfem

    Responder
  24. Por Dalila

    Responder
  25. Por Murilo Petry

    Responder
  26. Por Sgt Petry

    Responder
  27. Por PFem Bahia - Sd Eliz

    Responder
  28. Por Alberto Baraúna-PMSP

    Responder
  29. Por Edson

    Responder
  30. Por Ewerton Monteiro

    Responder
  31. Por candidata a pm

    Responder
  32. Por antonio

    Responder
  33. Por antonio

    Responder
  34. Por Jorge

    Responder
  35. Por Victor F. Fonseca

    Responder
  36. Por Aspira

    Responder
  37. Por antonio

    Responder
  38. Por antonio

    Responder
  39. Por Sd Fernando

    Responder
  40. Por Soares

    Responder
  41. Por Victor F. Fonseca

    Responder
  42. Por Oziel

    Responder
  43. Por Sd Raul

    Responder
  44. Por antonio

    Responder
  45. Por candidata a pm

    Responder
  46. Por Luciana P. de Lima

    Responder
  47. Por Pfem

    Responder
  48. Por Patrícia Quirino

    Responder
  49. Por Anderson

    Responder
  50. Por Anderson

    Responder
  51. Por HELLOISA

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

13 Flares Twitter 12 Facebook 1 Google+ 0 Email -- 13 Flares ×