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Já escrevi aqui sobre a irresponsabilidade vigente na falta de controle sobre as propagandas de bebidas alcóolicas no Brasil, que sequer deveriam existir, reduzindo a hiperpositivação do álcool como única via de diversão para as pessoas, que procuram seguir os padrões das belas celebridades que encenam as produções publicitárias – mulheres e homens com corpos esculturais que, se bebessem como boa parte do público influenciado por eles, provavelmente estariam com outra estrutura física.
Outras associações falaciosas são feitas, como aquela que diz que ‘futebol e cerveja’ tem tudo a ver, quando vemos craques do esporte mais adorado pelos brasileiros com a carreira degradada principalmente por sua relação irresponsável com o álcool. Sem falar no banho de sangue que os acidentes e incidentes envolvendo o álcool dá no país, tudo omitido e escondido nas propagandas, inclusive aquelas “chapa branca” de prevenção, divulgadas pelo governo.
O principal seguimento etário atingido com esta glamurização é, naturalmente, o dos jovens, que se identificam plenamente com o que veem, e acabam “vendo demais”, como diz a sabedoria popular. Para entender um pouco dos efeitos que o abuso do álcool vem tendo na vida do jovem brasileiro, vale a pena assistir o programa Profissão Repórter, da Rede Globo, que tratou do assunto, em três breves vídeos:
A política de repressão e negativação ao cigarro, continuo a insistir, é um bom modelo inicial para sustar a tragédia que o consumo irresponsável do álcool vem fazendo acontecer no Brasil. Não é a tôa que o consumo do cigarro decresce e o de álcool só faz aumentar. Enquanto este golpe publicitário não for dado, nossa produção de bebida alcoólica será diretamente proporcional à produção de sangue.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















3 Comentários
As vítimas penam, os magnatas cervejeiros agradecem, e os alcoólatras (em potencial ou consolidados) se regozijam em achincalhar os abstêmios… Que racionalidade.
A bebida é uma DROGA que mata 2,5 milhões de pessoas por ano e causa diversas doenças. Está presente na maioria dos acidentes de transito e em 80% dos casos de agressão.
Por incrível que pareça não apareceu NINGUÉM pra condenar seu consumo ou pra pedir controle mais rigoroso sobre ela.
Ao mesmo tempo sou xingada de fanfarrona incoerente por pedir que o governo controle uma outra droga que atualmente está servindo de fonte de renda de marginais traficantes e que nunca registrou índices de mortalidade por seu consumo.
Recebeu cerca de 50 comentários e diversos deles impedindo que o governo a controle, impedindo sua legalização e regulamentação.
Sinceramente não dá pra entender.
Talvês as pessoas gostem mesmo é de conviver com o tráfico, com as guerras, com o consumo descontrolado.
Caros
Produtor de cachaça ostenta proibidíssimo OUTDOOR na BR 459, na entrada de Itajubá, no sentido Dutra-Anhanguera desafiando a lei que proibe esse tipo de propaganda e, mais ainda, sem sequer apresentar a advertencia legal ” consuma com moderação.
A agencia de publicidade, TRAÇO LEAL, que deve ter conhecimento da proibição ( ela é igualmente responsavel e tambem sujeita as multas e penas da lei ) deve ser conivente com o seu “cliente”. Anotei o telefone da dita agencia: 35 3622-3540.
Falta de consciencia e se, o menor censo de cidadania!Querem vender a cachaça a qualquer preço, mesmo que seja de vidas!
PROTESTEM: tracoleal@tracoleal.com.br
Fotos disponiveis!
N Razzo
2 Trackbacks
[...] e até hoje não vi algo que se assemelhe a “apologia ao uso” de drogas – nada indecente como as propagandas de cerveja, por exemplo. Também dizem que nessas marchas “as pessoas fazem suas reivindicações fumando [...]
[...] Já discutimos muito sobre o tema da descriminalização das drogas neste blog, onde por reiteradas vezes defendi o caminho da descriminalização e negativação cultural de toda e qualquer droga – tal como é feito atualmente com o tabaco (hoje, no Brasil, por motivos culturais, todo fumante “está parando de fumar”). Negativação esta que não ocorre com o álcool, muitas vezes utilizado abusiva e precocemente pelos nossos jovens (as propagandas de cerveja estão aí!). [...]