Os nomes das unidades policiais

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O nome das coisas trazem relevantes ensinamentos do que elas são, ou de transformá-las, pelas expectativas impressões causadas. No campo da segurança pública, observar as denominações utilizadas no contexto das polícias nos dá alguma ideia das práticas adotadas, as intenções dos policiais, e, por que não dizer, os desdobramentos que as práticas policiais terão. Como diz o sociólogo Marcos Rolim, “Não há violência ou preconceito que se cristalize na linguagem de alguma forma. Palavras são aberturas de sentido; mas não são neutras”.

Esta carga de significações implícitas também ocorre em outros símbolos, a exemplo dos mascotes estampados em brevês e brasões de unidades policiais – impossível não lembrar do protesto do professor Fraga, em Tropa de Elite 2, em crítica à “polícia que tem como símbolo uma caveira”. Se em outras atividades o cuidado com estes elementos simbólicos é importante, na atividade policial torna-se fator de eficiência e redução de danos.

Neste domingo, no Twitter, alguns policiais conversavam justamente sobre a denominação dada às unidades policiais brasileiras, numa provocação feita pelo Cathalá (ex-oficial da PMDF). Sem qualquer crítica aos policiais pertencentes a estas unidades, citou alguns nomes peculiares entre as organizações policiais brasileiras:

FERA – Força Especial de Resgate e Assalto;

TIGRE – Táticos Integrados e Grupo de Repressão à Extorsão;

GARRA – Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos.

Parece impossível imaginar que um policial que atue em unidades assim denominadas seja cortez em algum momento no trato com o cidadão. Além disso, parece até que as siglas (e as impressões que delas tiramos) orientam a criação do nome completo.

Replicando à crítica do Cathalá, o Major PMERJ Alexandre, de modo bem humorado, sugeriu a criação de unidades com nomes menos, digamos, agressivos, e chegou às seguintes denominações:

CERVO – Comando Especial de Repressão à Violência Opressiva;

POODLE – Policiamento Ostensivo Orgânico Dedicado à Legislação Especial;

URSINHO – Unidade de Repressão Sinérgica aos Homicídios.

A ironia do major expressa de modo bastante claro como as palavras podem causar diferentes sensações, e expectativas, nas pessoas (participantes ou não da própria unidade): “A equipe ursinho azul invadiu uma residência que funcionava como boca de fumo na favela…”.

Seria bem interessante um seminário que discutisse o tema, com psicólogos, linguistas e até publicitários. Ou, como também sugeriu o Major Alexandre, podemos criar o PERU – Programa Especial para Renomear as Unidades. Fica a dica…

Comments

  1. Por renato cardoso

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  2. Por Ewerton Monteiro

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  3. Por Fradique Mendes

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  4. Por Thiago Martins

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  5. Por Joabas Kalliman

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  6. Por 2ºSgt Petry PMSC

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  7. Por Oliveira

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  8. Por SD KLEBER

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  9. Por Aço....

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  10. Por PMMG 26 anos

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  11. Por Teixeira

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  12. Por Sd Pm PIAUÍ

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  13. Por Luciana

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  14. Por Thiago Martins

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  15. Por SD PMBA

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  16. Por SD Bruno

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  17. Por Igor

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