
Quem acompanha o noticiário policial brasileiro certamente já ouviu falar do Comandante Hamilton, o mais célebre piloto de helicóptero do Brasil, responsável pela cobertura jornalística de ocorrências criminais e eventos semelhantes através de sua aeronave. Em sua atividade, registrou inúmeras perseguições, fugas e atuações da Polícia Militar do Estado de São Paulo, colaborando para divulgar o trabalho da polícia – registrando a tensão própria das ocorrências policiais.
Formado em jornalismo, e atuando há muitos anos na televisão, o Comandante Hamilton concedeu ao Abordagem Policial uma entrevista exclusiva, falando sobre os riscos e peculiaridades de sua atuação como piloto jornalístico de ocorrências de segurança pública.
Abordagem: O espectador que acompanha suas matérias às vezes se pergunta se a polícia não possui pilotos/equipamentos que realizem os flagrantes que o Sr. realiza (perseguições, fugas etc). O Comandante Hamilton consegue mais “flagrantes” que os pilotos das polícias?
Cmt. Hamilton: Temos objetivos diferentes. O nosso objetivo é manter o telespectador bem informado e com rapidez. Helicóptero policial atua como uma plataforma aérea apoiando as viaturas e policiais no solo, e também como veículo rápido para levar uma equipe médica até o local de um acidente. Na verdade, a polícia é personagem frequente nos flagrantes. Os helicópteros da PM de São Paulo voam em média 11 horas por dia, atuando em resgate e ocorrências policiais. Só acompanhamos uma parte dessas ocorrências .
Abordagem: Já houve alguma filmagem que o Sr. não pôde publicar, por atrapalhar alguma investigação policial ou mesmo por ser muito comprometedora para a polícia?
Cmt. Hamilton: Procuramos mostrar tudo que acontece em São Paulo de forma rápida, mas sem atrapalhar o trabalho da polícia. Não podemos comprometer a segurança pública para ter uma notícia, isso seria um “desserviço” para a sociedade .
Abordagem: Quais são os riscos da atuação “jornalística” de um piloto que cobre matérias de segurança pública?
Cmt. Hamilton: O perigo é o piloto dar mais atenção para o Jornalismo do que para a Segurança do Vôo. Em todos esses anos de aviação nunca tivemos incidentes ou acidentes, isso se deve ao fato de sempre ter como prioridade a segurança de nossa operação. Muitas vezes tive atritos ou deixei de atender solicitação da TV porque colocaria em risco a segurança de vôo.
Abordagem: Qual a matéria mais arriscada/emocionante que o Sr. já cobriu?
Cmt. Hamilton: A perseguição a um carro na Barra Funda, região oeste de São Paulo, foi a que mais me preocupou – pelo número de inocentes envolvidos. No fim, ninguém se feriu com gravidade, mas o desfecho poderia ser muito triste diante das imagens captadas e transmitidas pela nossa câmera ao vivo, em rede nacional.
Abordagem: Como é sua rotina de trabalho? Sobrevoa apenas no horário em que os noticiários vão ao ar, ou vai à caça de notícias em outros horários?
Cmt. Hamilton: Normalmente atendemos o Jornalismo da Record, que começa às 06h00 e vai até às 09h00, e também das 12h00 até 14h30 – de segunda a sexta. No restante do dia ficamos de plantão, sempre que acontece algo importante e de interesse jornalístico na Grande São Paulo ou cidades próximas nós decolamos para entrada ao vivo, ou gravamos para telejornais da Record e Record News.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















7 Comentários
Para mim, a maior virtude do Cmt Hamilton é aturar o Datena.
Gosto muito da postura do CMT Hamilton e do apresentador Datena por estarem sempre do lado da policia. São os únicos jornalistas que eu conheço que nos defendem.
nao li a entrevista
Muito boa a entrevista… com certeza muito emocionante o vídeo. Parabéns!!!
Os helicópteros em São Paulo estão 11 horas por dia em média no ar.
E o GRAER?
O Cmt. Hamilton, esta de parabéns, é um profissional de gabarito, e esta sempre ao lado da Justiça.
excelente profissional! sem comentários…