
A Polícia Civil de Minas Gerais deu um passo importante na observância aos crimes que possuem como fator determinante a orientação sexual das vítimas, ao que nos parece, sendo a primeira corporação policial brasileira a criar uma estrutura formal/institucional de atenção aos crimes contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Trata-se de uma medida louvável, que concede esforços a uma parcela de cidadãos e cidadãs que possuem mais dificuldade de acesso a direitos do que a sociedade mais ampla, sendo muitas vezes (e as estatísticas e manifestações cotidianas de ódio são conhecidas por todos) discriminados e negados enquanto sujeitos de cidadania.
Não se trata de sexualizar a polícia, como muitos que raciocinam homofobicamente dizem, confundindo o homossexualismo com compulsão sexual (segundo essas mentes férteis, os homossexuais querem que toda a sociedade se torne gay, e criar uma divisão policial do tipo, seria uma medida de institucionalizar o homossexualismo). O núcleo da polícia mineira, entretanto, serve-se ao mesmo objetivo das delegacias especializadas em crimes contra as mulheres, vítimas intensas do machismo agressivo. Saiba mais:
BELO HORIZONTE (19/10/11) – Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais poderão contar com uma proteção formal da Polícia Civil de Minas Gerais. Nesta quinta-feira (20), será inaugurado o Núcleo de Atendimento e Cidadania (NAC), que receberá denúncias de violência e discriminação contra pessoas que integram este segmento, conhecido pela sigla LGBT.
O NAC/LGBT funcionará na sede da Divisão Especializada de Crimes contra a Mulher, Idoso e Portador de Deficiência, de 8h às 18h30. O núcleo fará o primeiro atendimento, lavrando, quando for o caso, a ocorrência e encaminhando o procedimento a uma das unidades da Polícia Civil que fará a investigação.
Para a titular da Divisão, delegada Margaret de Freitas Assis Rocha, o núcleo permitirá fazer o acompanhamento da ocorrência policial relacionada à identidade de gênero e orientação sexual, desde a avaliação preliminar do fato; registro da motivação presumida do crime, com a correta orientação da vítima; registro e a requisição de exames necessários, além do encaminhamento do caso à unidade policial da área para apuração e, finalmente, consolidação dos resultados obtidos.
“O Núcleo é peça importante das políticas públicas de respeito e valorização da vida digna e sem qualquer distinção, inclusive, em relação à identidade de gênero e orientação sexual”, ressalta a delegada.
Parabéns à polícia mineira, que deve ampliar a ação e quem sabe colher os frutos de seu progressismo com a redução de crimes contra a população LGBTT. Um exemplo a ser seguido.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















19 Comentários
Tomei um susto com o título, por um momento fiquei surpreso achando que era algo com a Polícia Militar de Minas Gerais, mas felizmente ainda não “modernizaram” tanto ao ponto de desconstruir e ferir de morte o caráter militar da instituição.
Tb tomei um susto….rsrs
Depois de liberarem os policiais pra irem fardados à passeata gay…não duvido de nada…
Estamos vivendo uma era de mudanças.
Apesar de ser novo (23 anos), na minha época nós podíamos brincar com os colegas, hoje é bullying.
Se um negro vai mal no teste, é racismo.
Se eu discordo da opinião de um homossexual, eu sou homofóbico.
Um dia perceberão que o mundo precisa de educação, e não de leis e delegacias especializadas.
Vou embora pra PF antes que essa moda chegue a PM, se Deus assim permitir. Anda cada vez mais difícil ser policial neste País…
Não tenho nada contra gays. Só não suporto que queiram ter mais direitos do que os outros. Daqui a pouco vai ter cota pra gay entrar em faculdade, bolsa pra estudante gay, etc.
Para mim, ser gay é comportamental! E se formos para o campo do militarismo, não há como ser gay assumido e ser respeitado dentro de um quartel. Essa é minha opinião!
Primeiro, gostei da iniciativa da polícia civil mineira. Segundo, isso não se trata de aquisição desigualitária de direitos, e sim duma iniciativa que é necessária, pois refere-se a grupo social que sofre constantemente com preconceitos e agressões somente pelo fato de sua escolha sexual. Num mundo onde a diversidade impera, chega a ser incabível qualquer espécie de preconceito ou discriminação, mormente por parte dos chamados cidadãos “civilizados”. Não é preciso que se entenda o homossexualismo, apenas que aceite a diversidade de escolha de cada um, já que mesmo que não queiramos irá sempre existir. Mas, de qualquer forma, respeito a opinião dada por cada um, pois o direito de manifestar o pensamento é resguardado Constitucionalmente e quem sou eu para contrariá-lo?!!!
Esse blog está cada vez mais abrangente.
Não falando no assunto do tópico em si, mas já pegando um gancho, me veio uma dúvida à cabeça.
Tenho visto e tido conhecimento de uns anos pra cá, de um maior contingente de homosexuais nas polícias, em todas elas e em todos os níveis. São capitães, delegados, agentes, soldados, cadetes, e por aí vai. Vocês, usuários do blog, me respondam, realmente já existia o homosexualismo nessa proporção e ficavam “dentro do armário” por conta da maior opressão na época ou de repente muito homosexual resolveu adentrar na polícia? Apenas achei curioso o fato de ultimamente ter tomado conhecimento de vários casos.
Acho que a postura do policial é mais importante que a sua opção sexual em si, então, do mesmo jeito que não cabe um policial covarde, bebâdo, etc., também acho que não cabe um policial desmunhecando. Então, se o sujeito for homosexual e resolver ser policial, tudo bem; mas que se contenha, senão ficará difícil ganhar o respeito da equipe, da tropa e até mesmo da população.
É o que penso.
Pelegro, cuidado. Dizer que um policial não pode desmunhecar pode ser considerado homofobia… (ironia)
a cada dia q se passa o mundo fica mais gay…
a policia deveria ser uma só , uma formacao só , treinamento , no inicio , e durante , treinamneto só com isso a coisa melhora , hoje é nucleo para gays , amanha para amarelos , depois cada classe tem um nucleo
E está cada dia mais difícil ser policial. Esses gays estão dominando o mundo, imaginem se resolvem criar uma companhia especializada em em policiamento para gays, qual seria a insígnia? rsrsrs. (como diria o poeta: ado, aado, cada um no seu quadrado).
que jojo
digo: Profissionalismo não tem sexo, mais também entendo que minha opção de ser hétero sexual tem ser respeitada e trabalhar junto com um sujeito “desmunhecando”, principalmente em serviço policial, pra mim é constrangedor.
Achei muito interessante a iniciativa. Seria desnecessária se os distritos funcionassem bem.
Vejo muito preconceito em vários comentários, principalmente sobre trabalhar com algum gay ou coisas do tipo “gays querem dominar tudo”..
No serviço oque importa é o profissionalismo. Porém concordo que independentemente da opção sexual qqr pessoa deve saber se portar num amibente de trabalho.
Excelente iniciativa da PMMG, espero que esse exemplo seja seguida por outras PM’s do Brasil…
A demanda por uma estrutura institucional dentro da PM é resultado de uma sociedade que violenta homossexuais e policiais despreparados para lidar com essas questões.
Infelizmente precisamos de espaços como esses para se discutir a aceitação dessas minorias. A polícia tem a obrigação de salvaguardar as liberdades individuais, de preconizar o respeito ao próximo, de agir ao lado da lei, por ela e pela sociedade.
Quantas mil vezes precisamos repetir que a orientação sexual de uma pessoa não define sua índole, sua conduta e muito menos sua ética.
Ponto para a prevalência de ações que respaldem a democracia e garantam as liberdades individuais!!!
O que é ocorre neste País é a segregação de valores e a desagregação de preceitos e princípios constitucionais. “Todos são iguais….” está lá escrito na Carta Magna. Precisamos é políticas públicas sérias, que respeitem a todos, sejam homo, hetero, preto, branco, enfim…! O crime é crime seja ele praticado contra GLBT, ou contra heteros, ou contra pretos, contra amarelos. Devíamos e brigar e gastar nosso tempo para que sejam respeitadas as normas constitucionais já estabelecidas e não inventar vítimas mais vitimizadas do que outras. Tô de saco cheio disso!!!
Muller,
Realmente há alguns comentários preconceituosos e não devem ser levados em consideração.
Mas também não pode ocorrer um certo tipo de preconceito às avessas, que é o heterosexual ser censurado pela sua escolha.
Ou seja, se um hetero diz que certa atitude do gay é desnecessária, logo dizem ser homofobia e o crucificam; já um gay pode sair por aí chamando hetero de homofóbico, machista, e etc., e ainda posa de coitadinho.
Isso é incabível, deve-se prestar atenção e fazer uma avaliação imparcial acerca de cada caso concreto, e não fazer essa generalização que vem ocorrendo, de que gay é frágil, coitadinho e oprimido e hetero é machão, não presta e agressor.
De toda forma, deve-se haver uma convivência pacífica e harmônica, já que todos fazem parte da mesma sociedade, deve-se evitar a discriminação (por ambos os lados) em qualquer situação, sem distinguir a classe social ou a patente, seja o homosexual soldado ou coronel…
Sem mais.
Os militantes gays querem se fazer de vítimas e serem respeitados ao mesmo tempo! São o que lhes convem ser quando lhe convem ser! Não aceitam crítica! querem igualdade e privilégio ao mesmo tempo! loucura!
Que discurssão sem propósito. KKKKKKKKKKKKKKKKK