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Trata-se de um remake de um filme de sucesso, a produção investe num intenso thriller que tem um forte viés psicológico que se mistura numa trama que se baseia em uma experiência científica. A direção fica por conta do Paul Sheuring, o criador da famosa série Prison Break. Os atores Adrien Brody e Forest Whitaker são seus protagonistas, ambos em papéis muito bem desenvolvidos. O interessante é que o roteiro é assinado pelo mesmo roteirista da primeira versão alemã (“Das Experiment”, 2001).
Precisamos de uma pausa para dar a atenção que esse filme enseja, detenção é um filme que revela inconveniências acerca da natureza humana que nos incomoda justamente por desmistificar valores e hipocrisias que se encontram internalizadas em nossas condutas invioláveis.
O filme conta a história de uma pesquisa que investiga o comportamento humano diante as relações de poder, a seleção dos indivíduos que serão as “cobaias” já denota, de antemão, algumas características pretendidas para a construção do objeto de pesquisa desejado. Os voluntários são atraídos para tal projeto em função do pagamento que o mesmo faria, nesse sentido, o incentivo pecuniário é o único elemento comum dessas pessoas que foram selecionadas.
A proposta do enredo é de compor dois grupos que se rivalizaria, o primeiro seriam os “guardas” – àqueles encarregados de estabelecer a ordem e mantê-la, gozariam de posição privilegiada, sendo, portanto, os detentores de um poder de direito, eram instruídos pelos cientistas a agirem coercitivamente sobre os demais. Por outro lado, os demais seriam os subordinados e estariam sob a tutela dos “guardas”, suas vidas seria responsabilidade destes.
É possível, aliás, é sugestionado estabelecermos uma metáfora com a situação de um presídio. A adesão a certos padrões de comportamentos torna bem analógica essas realidades, entretanto, o contexto que é construído se torna um terreno propenso para o desenvolvimento de desvios de personalidade e o afloramento de extravagâncias comportamentais.
As relações de poder e controle entre esses dois grupos progressivamente vai assumindo uma tensão no decorrer do filme. As atitudes de violência são admitidas para a manutenção de valores incorporados a essa realidade. Abandona-se, nesse instante, o sentido do respeito ao indivíduo e a imposição de um processo de desumanização, chegando-se ao limite que a apenas uma realidade naturalista pudesse explicar. O abuso de poder juntamente com assédio moral se estrutura como elementos mantenedores do status quo daqueles que acreditam que detém um poder real, o que era uma experiência começa a se parecer demais com a realidade.
É um filme instigante, violento e que prende a atenção do espectador. Durante o filme passam as entrevistas que foram feitas pelos pesquisadores para selecionar os “voluntários”. Os discursos para conseguirem ganhar a vaga se contrapõem muito com suas atitudes durante a experiência. É um exercício de autoconhecimento que suscita um debate filosófico acerca da natureza humana e suas aptidões naturais e questionamentos morais.
Autor: Luciana Prazeres -















8 Comentários
Faltou apenas comentar que o filme foi baseado em um estudo real.
http://en.wikipedia.org/wiki/Stanford_prison_experiment
Leiam, o assunto realmente inspira atenção.
Hoje existem estudos que fazem um paralelo entre esses acontecimento e os de Abu Ghraib: http://www.prisonexp.org/
Mim recordo o período de formação na caserna, não encontram semelhanças senhores? Confinamento/ mudança de comportamento, dirigentes/subordinados, fantasmas que ainda mim rodeia. O filme nos dá chance de discutimos questões relevantes para repensarmos nossa formação militar, vou além, nos chama para pensarmos nossa forma de enxergarmos as coisas.
Vi o filme e achei muito bom. Interessante que a coisa começou a degringolar no presídio por causa de uma “idiotice”, que poderia ter sido facilmente contornada.
Semelhante ao que ocorre em algumas ocorrências, quando a situação já está praticamente contornada quando um policial ou um particular toma uma atitude tresloucada e a uma ocorrência comum acaba numa delegacia, no hospital ou coisa pior.
Também recomendo o filme. Nos proporciona uma ótima reflexão sobre nossa realidade.
Ótimo filme! Como disse o escritor José Saramago na epígrafe do seu livro AS INTERMITENCIAS DA MORTE: “saberemos cada vez menos o que é um ser humano”
Eu assisti o “Das Experiment”, e seu que é um ótimo filme, esse remake eu não vi, na verdade nem sabia que tinha sido feito… Mas vou ver se vejo-o.
Por sinal Lú esse ai é mais um filme experimental “estilo a onda”…
Abraços!
Costumo dizer que, todo filme baseado em fatos reais e em livros escritos por escritores sérios, é sucesso na certa. É bilheteria na certa. Tropa de elite, por exemplo, tem duplo valor, é baseado em livro que também foi baeado em fatos. Vi o Tropa no dia do lançamento, adiquiri o DVD e o assisto na TV a cabo sempre que anunciados (O 1 e o 2). Esta na categoria de Exelente, 5 estrelas. Vale a pena ver de novo e de novo.
Assisti a este filme ontem. Foi um filme que me impactou como poucos, e gostei muito dele justamente pelo debate filosófico suscitado. Mais ou menos como em “ensaio sobre a cegueira”; em condições extremas de sobrevivência ou vivendo em condições que deterioram cada vez mais a humanidade de um indivíduo, ele tende a dissolver ou esquecer-se de seus valores morais, e transparece, com a revolta, o animal homem. Mais interessante ainda é como eles voltam ao normal, finda a experiência.