O estrangulamento como técnica “não letal”

Muito se tem falado de equipamentos que reduzam os efeitos letais da atuação policial, desde pistolas que emitem descargas elétricas até espargidores de spray de pimenta. Existem, entretanto, possibilidades técnicas tradicionais que dispensam qualquer instrumento para sua aplicação, a não ser o tirocínio e o treinamento do policial que esteja apto a aplicá-las. Um bom exemplo é o estrangulamento, conhecido popularmente como “mata leão”, técnica que é adotada por diversas artes marciais (como o judô e o jiu-jitsu) para imobilizar oponentes.

O estrangulamento consiste no uso das mãos, braços ou pernas contra o pescoço do adversário aplicando uma pressão. Segundo especialistas, os possíveis efeitos da técnica são os seguintes:

1. Compressão das artérias restringindo o fluxo de sangue e de oxigênio para o cérebro;

2. Compressão da traquéia parando ou restringindo o ar para os pulmões;

3. Compressão do peito e do dos pulmões impedindo o adversário de inalar.

Antebraço comprimindo artéria carótida e traquéia em estrangulamento

O estrangulamento, se aplicado corretamente, faz com que o suspeito interrompa movimentos que esteja realizando, tais como golpes e ataques a terceiros. Em situações com grandes aglomerações de pessoas, onde agressões físicas estejam ocorrendo, é possível que o policial consiga cessar brigas e vias de fato utilizando a técnica. Naturalmente, como todo movimento de defesa pessoal, é preciso que o policial esteja devidamente treinado para sua aplicação, mesmo porque o “mata leão” tende a deixar o oponente inconsciente após 8 a 14 segundos do início da pressão no pescoço.

Há histórico de pessoas que morreram após sofrerem estrangulamento, o que justifica o cuidado no aprendizado adequado, com profissionais devidamente qualificados. Neste sentido, é importante conhecer formas de ressucitação para trazer a vítima do golpe à consciência

Policiais treinam técnicas de estrangulamento

Zelando-se pelo apuro técnico adequado, a prática do estrangulamento pode ser decisiva para o êxito de uma ocorrência, evitando mortes e lesões graves do(s) suspeito(s) e sua(s) vítima(s).


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com





14 Comentários

  • 18 abr 2012 | Permalink |

    É pegar, dormir! hehehe…

  • 18 abr 2012 | Permalink |

    Comentário
    onde tem contato fisico e emprego de arma tem possibilidade de mortes, então não tem essa conversa de ÑAO LETAL, tudo é letal, depende da forma como agir.

  • 18 abr 2012 | Permalink |

    Concordo com o Antônio. Não existe técnica não letal. Existe de BAIXA letalidade. Já vimos mortes com Taser, com estrangulamento, com queda, com tonfa, com spray de pimenta etc. Então, todos esses itens citados possuem um nível de letalidade, porém baixo.

  • 18 abr 2012 | Permalink |

    Sim, Bruno e antonio. Vejam este texto que escrevi sobre a não existência de equipamentos não letais – http://abordagempolicial.com/2012/03/as-armas-nao-letais-nao-existem/

    Por isso está entre aspas o ‘não letal’.

  • 18 abr 2012 | Permalink |

    Comentário

    Ok. Não conhecia o texto relacionado ao tema. Também não me atentei para as aspas.

  • 19 abr 2012 | Permalink |

    Vemos o desenhozinho, a técnica. Agora, numa situação de confronto dar um mata-leão é totalmente diferente de apenas mencioná-lo. Tem a exposição da arma, a exposição do policial a depender do número de sujeitos resistentes, e ainda ignorar que o outro desconhece técnicas marciais. Um policial se precipitar em aplicar tal técnica de imobilização em um lutador profissional é a mesma coisa que iniciar uma luta em praça pública. Prefiro a taser, o gás ou qualquer outro meio empregado na defesa policial…

  • 19 abr 2012 | Permalink |

    eu também não tinha conhecimento do texto sobre as armas nao letais, DANILO, me desculpe e pode desconsiderar o que eu falei ontem.

  • 19 abr 2012 | Permalink |

    “Fradique Mendes”, é por isso que o policial deve ter algum treinamento profissional fora do trabalho, até mesmo para uma defesa maior… para nessas horas saber o momento e a forma correta para aplicar o(s) golpe(s)…

  • 19 abr 2012 | Permalink |

    Comentário

    Well

    Ou o policial faz o famigerado bico ou treina.

  • 16 out 2012 | Permalink |

    Olá.
    Nas artes marciais cada uma têm a sua técnica, o jiu jitsu por exemplo, as formas de estrangulamento são precisas quando bem aplicada sem ou a necessidade de muita força e se o oponente estiver só, caso contrário a imobilização por si só ela deverá ser secundária no momento de ataque.

  • 16 out 2012 | Permalink |

    Na minha opinião todo aquele que fizer parte da segurança pública, deveria praticar artes marciais como sua primeira “arma”, por que é essencial a qualquer pessoa, é a unica arma que esta no seu interior corporal e espiritual.

  • 16 out 2012 | Permalink |

    Olá.
    Sou praticante da “arte suave” milênar o jiu jitsu, na ACT Associação Carlos Tevano – Garanhuns-PE, é um dos dojos que ensina com disciplina, educação e humildade para crianças, jovens, e adultos, não desmerecendo os outros dojos.
    Sou apaixonado por está arte, pretendo mesmo até quando velhinho.
    Quero aproveitando e deixar uma breve lembrança ao honrado e saudoso mestre Hélio Graice o pai do brasilian jiu jitsu.
    Um abraços á todos.

  • 21 out 2012 | Permalink |

    Como comentado as técnicas devem ser devidamente treinadas para minimizar os riscos, que aliás sempre irão existir..

  • 8 jan 2013 | Permalink |

    Válido apenas onde quando é treinado e o Estado não proporciona o treinamento. Essa coisa de treinar por fora é um perigo porque você pode ter possibilidade de treinar, o seu companheiro pode não ter, uma equipe que não tem procedimentos padronizados é temerária e amadora. Acharia interessante que posts como este sejam usados para incentivar mais instruções continuadas a tropa, de defesa pessoal, de tiro, de técnicas menos que letais, de educação física, se saísse uma lei obrigando o Estado a fazer isto a população seria melhor servida.

Deixe um Comentário

Adicione seu comentário abaixo, ou um trackback a partir do seu próprio site. Você pode também assinar os comentários via RSS.

Seu email não será divulgado. *Campos obrigatórios