
As armas de fogo não são apenas instrumentos de defesa: são também símbolo de poder, gerando uma espécie de fetiche principalmente entre os homens, culturalmente mais afeitos à agressividade. Se um objeto com potencial letal imediato é capaz de despertar tanta sedução nas pessoas, para aqueles que são obrigados a utilizá-los, ou, pelo menos, conviver com eles, é preciso administrar este “relacionamento”, que pode chegar à insensatez e à irracionalidade. Para isto, é indispensável que o trato com a arma de fogo seja técnico, estudado e treinado.
Há casos de policiais brasileiros que, por anos a fio, sequer dispararam um tiro com a arma de fogo que, orgulhosamente, portam na cintura ou no coldre. Além disso, não realizam manutenções e limpezas necessárias ao equipamento que pode vir a falhar no momento em que mais necessitar. Parece esquecer-se que a arma de fogo pode ser a garantia de sua vida em determinadas circunstâncias, e não uma espécie de estandarte a ser ostentado apaixonadamente.
Há quem confunda qualidade com quantidade: defendem o uso de fuzis, explosivos, grossos calibres, ignorando a adequada utilização do armamento, nas circunstâncias em que será empregado. A paixão pelo símbolo faz desejar cada vez mais potência, que, no final das contas, esta obsessão pode se transformar em tragédia, efeito colateral da escolha impensada do equipamento. Se estamos em circunstâncias de guerra, em que se admite a troca de fogo à vontade, sem o risco de ferimento de inocentes, o armamento a ser utilizado é um. No caso de patrulhamento urbano, a escolha é outra.
Nada impede, entretanto, que o policial conheça todos os tipos de armamento disponíveis, inclusive aqueles que possuem baixo nível de letalidade. É até desejável que os conhecimentos técnicos sobre armas trancendam o dia-a-dia do trabalho policial, reduzindo as possibilidades de utilização baseada no senso comum, que tende a ser desastrosa. Paixão não combina com arma de fogo. Conhecimento, sim.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















5 Comentários
Conhecer é fácil… pelo menos teoricamente, há vasto material sobre material bélico, no entanto, há uma necessidade mais emergente nas polícias brasileiras, sobretudo na PMBA, que é a de fornecer treinamento, de tiro prático, e outras técnicas policiais.
Existem policiais que não efetuam um disparo há mais de 10 anos, e quando combaterem e errarem, o juiz, os jurados, considerando-o um perito das armas, certamente, o condenarão…
Comentário acima o texto disperta para essa visão delicada quando se fala em arma de fogo na atividade policial militar, principalmente na Bahia, onde os cursos não oferecem metodologias de ensino adequadas com a atividade, aplicação de método de Giraldi entre outros, que passa desde a exitência de material bélico com boa manutenção a Stand de tiros adequados. Há artigo de Conclusão do CESP-BA que toca nesse aspecto, o da falta de cursos de aperfeiçoamento contínuo para o policial militar.
Novas armas estão sendo adquiridas mas a capacitação profissional está sendo sempre relegada a segundo plano.
A Policia Civil aqui na Bahia, pelo menos no quesito qualificação, está constantemente, via ACADEPOL, realizando treinamentos de tiro, não sei se está sendo extensivo ao interior.
Em relação ao dia a dia do policial sobre o armamento, sugiro assistirem ao filme,FBI na pista dos assassinos.
PC DA BA – Não, o interior não é contemplado com essa melhoria.
Conhecimento somente não basta! è preciso condicionamento e treinamento. Armas são sim importantes serem conhecidas, mas balistica e calibres irão definir qual arma a ser utilizada.