
Atitudes humanitárias, onde a sensibilidade se manifesta para colaborar com a aflição alheia, nem sempre são vistas na sociedade como um todo, e, nas polícias, é ainda mais difícil manter esta chama, dada a quantidade de problemas e crueldades que cotidianamente os policiais têm contato. Como diz um amigo policial antigo, a tropa acaba criando uma “casca”, com a qual nos relacionamos com as desumanidades com certa naturalidade – o que acaba sendo necessário até para a manutenção da sanidade. Deste modo, é sempre necessário que a dimensão humana dos policiais sejam trabalhadas, para que, quando necessário, aflorem corrigindo injustiças.
Esta reflexão é fruto de um caso simbólico ocorrido na Bahia, em que um policial militar lotado no Batalhão de Camaçari se deparou com a seguinte situação:
Não satisfeito com apenas salvar a vida da criança, o policial militar, sensibilizado, foi além, e resolveu se voluntariar à adoção do bebê:
O sargento Bonfim que socorreu um bebê na noite da quarta-feira (13) em um posto de combustíveis de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, se dirigiu ao Conselho Tutelar da cidade nesta quinta-feira (14) para solicitar a guarda da criança. “Eu quero a guarda. Não só pelo o que fiz, mas também porque ela é um ser humano e não posso deixar naquela situação. O Conselho Tutelar me disse que já tem muita gente querendo a guarda dela, mas mesmo assim eu pedi”, conta.
O sargento é casado há 25 anos e possui seis filhos. Cinco deles estão casados e residem nas cidades de Brasília, São Paulo, Salvador e Camaçari. O caçula tem 16 anos e mora com o pai e a mãe em Camaçari. O PM disse que a esposa o incentivou a pedir a guarda da criança. “Eu sugeri e ela aceitou e me incentivou. Ela ainda não conhece a menina, só viu pela televisão e pelas fotos que mostrei, mas quero levá-la ao hospital”, diz.
Uma atitude para poucos, destacável, e que nos faz crer na humanidade dos policiais militares.
Autor: Danillo Ferreira - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com















Um Comentário
Belíssima demonstração de humanidade desse SARGENTO (isso mesmo, por extenso e em maiúscula) que esse exemplo seja seguido por outras pessoas, as quais, às vezes têm todas as condições, mas por um ou outro motivo banal não faz sequer uma visita a uma instituição de caridade, quanto mais praticar um ato grandioso como esse.
Já que a recem-nascida vai ficar com uma familia provisoria, por que não a do policial militar?? , o Conselho Tutelar nem deveria pensar duas vezes e não só entregar logo a criança para esto Sgt, como agilizar os trâmites legais para a adoção, visto ter o graduado demontrado, de imediato, o maior de todos os requisitos nesses casos que é o AMOR. Comentário