Salve o Policiamento Ambiental!

É lamentável que os policiais brasileiros sejam pouco formados para entender e atuar na repressão e prevenção de desmandos contra o meio ambiente. Além de terem pouco conhecimento sobre o assunto, dificultando a operação de normas específicas à área, os profissionais de segurança pública – civis ou militares – não são induzidos à apreensão da cultura ambientalista, onde o respeito à vida natural é motivo primeiro para garantir a nossa própria existência.

Como as unidades de policiamento ambiental não são prioridade nas polícias, que não são prioridades nos governos, o sucateamento acaba sendo a consequência natural – salvo a resistência de alguns abnegados – mesmo em unidades da federação onde falar em ambientalismo é o mesmo que falar da razão de ser do estado, como parece ser o caso do Amazonas:

Enquanto representantes do mundo discutem métodos eficazes para a preservação do meio ambiente mundial na Rio+20, os policiais militares lotados no único Batalhão de Polícia especializado em combate aos crimes ambientais no Estado do Amazonas denunciam precariedade nos materiais de serviço, além da falta de um quartel fixo para o desempenho dos seus trabalhos.

Com medo de represálias, os profissionais da segurança pública, que preferem não ter a identidade revelada, afirmam que “a situação está no limite”.

O ápice do problema foi o “despejo” dos policiais que atuam em área terrestre da sede do Batalhão, localizada na Travessa Hermes Fontes nº 60, bairro da Compensa III e que só servirá à equipe até a próxima quarta-feira (20).

Os policiais reclamam da falta mínima de uso das novas instalações oferecidas do Batalhão, um ambiente que serviu de alojamento para os operários que trabalharam nas obras do Programa de Saneamento dos Igarapés de Manaus (Prosamim), e que fica nos fundos do terreno da Vila Olímpica, localizada na Zona Centro-Sul da cidade. A reportagem foi até o local e pode verificar o motivo dos protestos.

O ambiente está aparentemente abandonado, sem janelas e com portas sendo recolocadas. As redes hidráulica e elétrica também estão sem funcionamento.

“Nunca tivemos um prédio fixo, sempre ficamos nesse troca-troca. Isso não só atrapalha nosso trabalho, mas também prejudica a manutenção dos nossos documentos. Muita coisa se perde nessas mudanças”, lamentou um dos denunciantes.

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Como o desmatamento e as poluições dificilmente são crimes cometidos significativamente pela população de baixa renda (salvo quando a serviço de patrões), não é difícil entender as forças ocultas que acabam fazendo com que as polícias ambientais fiquem amarradas.


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com





7 Comentários

  • 19 jun 2012 | Permalink |

    É realmente lamentável a pouca causa dada a questão ambientais..

    Não apenas para o treinamento e apoio aos Policiais, mais também dos políticos que cada vez mais acham um modo de prejudicar o meio ambiente, por um mundo capitalista.

  • 19 jun 2012 | Permalink |

    O último que sair não esquece de apagar a luz!

  • 19 jun 2012 | Permalink |

    Forças Ocultas!! ….. Realmente, essa é a realidade de muitas polícias ambientais por todo país. As forças ocultas são as responsáveis pela utilização de vendas dos gestores, que impedem liberação de recursos e de efetivo, para que as unidades possam ter estrutura operacional mínima.

  • 20 jun 2012 | Permalink |

    Como sempre em nosso país! Muita propaganda e pouca ação…quem olha de fora até parece que os governantes estão dando a condição para que seja feita a vigilância e cuidado dos patrimônio do país!!
    Pelo tamanho da resolução tirado no Rio+20 dá pra se ter uma ideia do quanto foi importante este evento!!!

  • 20 jun 2012 | Permalink |

    NA VERDADE NO BRASIL NÃO EXISTE UMA POLICIA AMBIENTAL, ASSIM COMO POLICIAS RODOVIARIAS ESTADUAIS. O QUE EXISTE SÃO POLICIAIS MIILTARES REALIZANDO ESSA ATIVIDADE.
    O POLICIAMENTO AMBIENTAL FICA RELEGADO AO EFETIVO OSTENCIVO DA PM, QUE PODE OU NÃO FAZER MODIFICAÇÕES NO EFETIVO AMBIENTAL E RODOVIARIO.
    O CORRETO SERIA QUE TANTO A AMBIENTAL QUANTO A RODOVIARIA FOSSEM POLICIAS AUTONOMAS, INDEPENDENTES.

  • 20 jun 2012 | Permalink |

    Wenderson, a desvinculação das polícias ambientais, pode sim ser uma realidade no futuro. Inclusive tenho certeza, que assim como a desvinculação dos bombeiros é algo positivo para as duas coorporações, uma possível desvinculação das Polícias Ambientais será muito interessante para essas. Digo isso, pois tenho acompanhado a distribuição de recursos e efetivo dentro das PM’s e em quase totalidade da Pm’s brasileiras, as unidades ambientais vêm sendo encaradas sem a merecida seriedade, tendo que buscar alternativas, como parcerias com outros órgãos que compõe o Sistema Nacional do Meio Ambiente ( SISNAMA) para subsistirem e desempenharem seu papel.O discurso via de regra, quando se fala em policiamento ambiental dentro das PM’s é que essa não é prioridade do momento. Mas qual será a prioridade do momento? Estamos vivendo um momento internacional aonde a preocupação com a conservação dos recursos naturais é alvo das maiores discussões entre as lideranças mundiais. É preciso que as PM’s abram os olhos para o momento e dêem a devida importância as polícias ambientais.

  • 26 jun 2012 | Permalink |

    A verdade é que os resultados obtidos pelos batalhões e companhias independentes de policiamento ambiental acontencem pelos esforços dos próprios policiais, que além de enfrentar as adversidades do serviço, têm que também enfrentar o descaso dos governos e “administradores” da PM, trabalhando e produzindo resultados sem o mínimo de condições adequadas, sendo até vergonhoso perante a sociedade quepor sua vez é enganada com a imagem de uma polícia bem equipada e qualificada para atendê-la.

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