UPP atacada. Policial morta.

Situação tensa e triste ocorrida na última segunda, no Rio de Janeiro: uma policial militar foi morta após ser atingida por um tiro de fuzil 7,62 que transpassou o colete balístico que utilizava. Fabiana Aparecida de Souza, 30 anos, estava de serviço, em uma Unidade de Polícia Pacificadora:

Um grupo de bandidos atacou a base e o container da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Zona Norte, na noite desta segunda-feira. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado com pedido de prioridade por policiais da UPP para a Avenida Itararé, que fica nos acessos do Alemão.

Policiais do 16º BPM (Olaria) também estão no local. Os tiros dos bandidos atingiram a fachada do local e o container próximo à base. Fabiana Aparecida de Souza, de 30 anos, que estava ao lado do container, morreu após levar um tiro de fuzil 762. A bala teria atravessado o colete sem transpassá-lo.

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Vários aspectos podem ser refletidos do caso, como a obviedade do exagero nas propagandas governamentais, que tentam passar a impressão de “pacificação” em toda localidade onde há UPP. Na verdade, sabem bem a comunidade local e os policiais que vivem o cotidiano dessas áreas que o contexto não é pacífico como parece, mesmo porque os problemas a se resolver possuem complexidades que devem ser desmontadas com certo esforço cotidiano, de médio e longo prazo.

Outro apontamento necessário se refere à vulnerabilidade a que estão submetidos os policiais, já que neste caso não é possível dizer que a policial “estava envolvida com o crime”, justificativa sempre aceita pela maioria para legitimar a morte de um policial. Em resumo, não é possível negar que a profissão policial é arriscada, tensa e traz àquele que se compromete com seu desempenho perigos inexistentes na maioria das profissões.

Evitar que casos semelhantes ocorram é fundamental para que os colegas da policial vítima não se precipitem em atitudes de ressentimento, gerando “caçadas” vingativas como se os policiais – teoricamente preparados e alinhados aos princípios da legalidade – tivessem os mesmos ímpetos sanguinários dos assassinos da colega. Quanto mais trivial for a morte de um policial, mais os próprios policiais se sentirão pouco dignos de Direitos Humanos. E quanto menos sentirem sua humanidade, menos terão condição de observá-la no outro.


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com





16 Comentários

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    E o que mais indigna a gente é que este crime ocorreu num dos locais, onde o governo estadual insiste em querer mostrar à população e à mídia que tudo sob controle do estado, através das policias…. é muita maquiagem desse (des)governo.
    Agora só nos resta lamentar a perda da vida de uma guerreira, já que para os governantes, somos apenas NÚMEROS DESCARTÁVEIS…. Sai um entra outro.

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    Terça-feira, 24 de julho de 2012

    Projeto garante ao militar o direito à associação sindical e à greve
    A Câmara analisa a Proposta de Emenda à Constituição 186/12, do deputado Pastor Eurico (PSB-PE), que garante ao militar o direito de greve, de livre associação sindical e a outras formas de manifestação coletiva. Esses direitos serão definidos e limitados em lei específica.
    Atualmente, a Constituição impede que o militar participe de qualquer movimento de sindicalização e greve. Por isso, é comum ver a associação das mulheres dos militares em busca dos direitos dos maridos.
    O deputado argumenta que, ao negar o direito de greve e sindicalização, a Constituição nega aos militares a condição plena de cidadania. Ele explica ainda que o Brasil já ratificou convenções internacionais sobre direitos de organização e negociação coletiva com direitos aplicáveis às polícias e às Forças Armadas.
    “A partir da ratificação dessas convenções, elas passaram a alcançar necessariamente, as Forças Armadas e as forças auxiliares do País, restando ao legislador apenas a alternativa de definir as normas que serão aplicadas de forma restritiva, mas nunca proibitiva”, justifica.
    Conheça a história do direito de greve no Brasil

    Fonte : Blog Oficial do Cabo Júlio

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    perfeito bruno, para o governo a morte dessa policial é apenas mais um numero para as estatisticas. Isso mostra tambem como a midia manipula as massas, com informações tendenciosas de acordo com que eles querem. Uma prova disso foi como a imprensa massacrou aqueles policiais de sp que mataram o publicitário durante erro grave de abordagem, e no caso desta policial pelo que vi na tv deram apenas uma simples nota como se fosse normal o assassinato de pm´s…

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    Muito triste. Esse fato só vem confirmar o que os amigos policiais sempre falam neste blog: a UPP é muito mais uma ação promocional do governo do que uma medida concreta de segurança pública.

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    Muito triste. Tão jovem, tinha sonhos e a vida toda pela frente. Meus sentimentos aos familiares e amigos desta guerreira.

    Será que o trecho: “Em quatro anos de pacificação, é a primeira vez que um membro das Unidades de Polícia Pacificadora é morto por bandidos.” é verdade? Nem sabia que já tinha 4 anos de “pacificação”. Um agente morto em 4 anos. Se está pacificado não era para morrer ninguém. A mídia e Ségio Lalau seguem afirmando que aquela área está pacificada e que é modelo para outros países civilizados. Tá bom!

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    Quem acredita em UPP deve acreditar também em Papai Noel, ET de Varginha,lobisomem,etc.

    “somos apenas NÚMEROS DESCARTÁVEIS…. Sai um entra outro.”(2)

  • 24 jul 2012 | Permalink |

    UPP = Engodo!!!

  • 25 jul 2012 | Permalink |

    Comentário

  • 25 jul 2012 | Permalink |

    9

    Vida de Delegado

  • 25 jul 2012 | Permalink |

    Quando os coletes não estão vencidos,não são suficientes para evitar tragédias como essa,pro governo investir em equipamento é muito caro.PM na rua sem proteção,sem salário decente e sem esperança de melhorar essa situação.É só mais uma PM que se foi,pro governo e a mídia ta tudo certo…

  • 25 jul 2012 | Permalink |

    Que pena que essa bandidagem insistem em não respeitar a ordem pública,e infelizmente mais uma vida de um policial foi ceifada por bandidos covardes.Eles se enganam que a força policial vai baixar a cabeça diante de tantas atrocidades.

    Obs:Acho que deveria mudar a foto acima,pois num momento deste não fica bem colocar uma foto de um policial sorrindo ao lado de um vidro estilhaçado por arma de fogo.Um abraço a todos e meus pêsames.

  • 25 jul 2012 | Permalink |

    Que ironia em colegas. Tragédia inédita, logo na UPP!!! É muita ousadia desses bandidos…nesta situação será difícil lembrar da dignidade da pessoal humana…
    Lamentável!!!!

  • 26 jul 2012 | Permalink |

    A exposição e vulnerabilidade dos policiais que trabalham em UPPs é extrema. À semelhança de PMs que trabalham naqueles postos de rua…Sempre tive esta opinião.

  • 26 jul 2012 | Permalink |

    ATE HJE NÃO ENTENDI PORQUE UM JOVEM SEM A MINIMA EXPERIENCIA, E JOGADO NUM LUGAR DESTE PERIGOSO, ISSO E MISSAÕ PARA O BOP ,E BP CHOQUE, OU ENTÃO APOIADO PELOS MIS ANTIGOS……ENGANA-SE QUEM PENSA QUE SAIU DO CEFAP, JA ESTA APTO A ENFRENTAR A CRIMINALIDADE, PARA O GOV E MAIS UMA NA ESTATISTICA……A FAMILIA DA SD FABIANA OS SENTIMENTOS DESTE INTERNAUTA INDIGNADO………E AOS MEUS COLEGAS DA ATIVA, FORÇA FE EM DEUS, PASSEI 30 ANOS NA ATIVA,E HJ VEJO COLEGAS TENDO SUAS VDAS CEIFADAS, MUITO TRISTE ABRAÇOS.

  • 27 jul 2012 | Permalink |

    tremenda covardia,esperaram a PFEM ficar só para atacar,bando de covardes quando o BOPE sbe o morro saem todos correndo.
    Só queria saber se os homosexuais dos direito humanos foram até a familia dessa moça para prestar algum tipo de auxílio duvido.

  • 29 jul 2012 | Permalink |

    Danillo Ferreira, como sempre, perfeito ao falar sobre a questão. O trecho “Quanto mais trivial for a morte de um policial, mais os próprios policiais se sentirão pouco dignos de Direitos Humanos. E quanto menos sentirem sua humanidade, menos terão condição de observá-la no outro” relata perfeitamente a situação atual da polícia no Rio de Janeiro.

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