Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Ewerton Monteiro

"O mundo não anda mais violento, ele está mais televisivo" Autor desconhecido O trabalho de imprensa é uma tarefa árdua, desde seus primórdios, seja pelas implicações técnicas e éticas, passando pela formação e fomentação de opinião, até as idas e vindas reguladoras e/ou censoras dos governos, ora democráticos, outrora ditatoriais. Tudo isso com prós e contras para ambos – governo/sociedade e imprensa/sociedade – sendo um trabalho nada fácil, todavia de imensuráveis préstimos e relevância à sociedade. Nos dias atuais, apesar da imensa facilidade na propagação da informação e do conhecimento (devemos admitir os imensos avanços nesse campo em nosso país) via internet, sua compreensão e até a própria difusão não se democratizaram. Muitos pontos se notabilizam para esta constatação; um deles, logicamente, se deve à baixa escolaridade; igualmente, a padronização bovina de procedimentos e do conhecimento, muitas vezes responsável (óbvio que não somente isso) pelo aculturamento dos indivíduos. Outro ponto que pode ser creditado para este fim é o intento hegemônico dos meios de comunicação que aqui no Brasil são escandalosamente dominados por "meia-dúzia" de famílias (?) que se perpetuam no comando dessas entidades, exercendo atividade pública, haja vista serem concessões públicas, exploradas por particulares. O que em suma lhes acarretam responsabilidades em todos os campos de atuação. A título da não prolixidade do tema, que dispõe de fartos tentáculos para temas e sub-temas, faz-se necessário a regionalização do assunto. (mais…)
Falar sobre os fatídicos acontecimentos, ou os fatos, ou massacre, chacina, tragédia... Seja lá como queira chamar, ou termo empregado pela mídia, de agora em diante não será tarefa fácil, e com certeza será maçante, tanto para quem lê, como para quem escreve, isto porque não há tanto o que contar, não há novidades; muito embora a imprensa continue a nos bombardear com suas repetidas chamadas, suas massificantes entrevistas que torturam mais e mais os pobres jovens vítimas/testemunhas do fato, em detrimento de trazer-nos informações novas ou relevantes para o caso... Como se fosse suficiente para aplacar nossa ânsia 'necrófila' por entender o que, como e porque dos acontecimentos, que, sem sombra de dúvida não há o que explicar, não há o que motivar, até porque quem mais poderia nos subsidiar sobre isso, também está morto. Mas as grandes mídias e o geral não querem nem pensar em largar o osso, se sucede reportagens e mais reportagens; traçando o perfil do assassino, refazendo passo a passo seus últimos dias. E o pior, como abutres e urubus na carniça, parafraseando a ótima jornalista Jaciara Santos em belíssimo artigo no A Queima Roupa; correm atrás de entrevistas EXCLUSIVAS, com as vítimas/sobreviventes do acontecido, promovem o destemido Policial Militar (uns eleitoreiramente... O péssimo salário que ele recebe ninguém fala...), o 3° Sgt PM Alves, em herói (esquecendo dos outros dois parceiros dele), vizinhos e populares consternados, logo alçados a condição de celebridade (?) e como não poderia deixar de ser, o pior, como se tivessem esquecido que são apenas crianças, assolam os pequenos em entrevistas e mais entrevistas, em diversos programas e horários, esquecendo o trauma, desprezando a dor e o luto. Tudo é um show! É TV, é jornal é entrevista. E corroborando com o adágio popular, "Nada é tão ruim que não possa ser piorado"... Promovem o algoz das crianças mortas em celebridade, talvez tudo o que ele almejava, em prol da "explicação", "motivação", os "porquês" para os fatos, algo tão subjetivo que beira a anedota, isso pode, até deve ficar para o campo dos leigos, dos pouco compromissados socialmente, porém nunca para os estudiosos, os formadores, os de responsabilidade social. (mais…)
Um dos adágios mais populares na nossa sociedade é o que diz mais ou menos assim: a vingança é um prato que se come frio. Essa máxima popular, ou parte dela, serve de mote para um filme denso, forte e violento, mas nem por isso menos belo e sensível. O diretor francês Daniel Grou, inspirado no também ótimo livro de Patrick Senecal, reaviva dando imagens e cores (nem tantas cores assim...) ao romance. Les 7 Jours Du Talion - 7 Dias (2010), é um filme que com certeza não faz parte da filmografia policial tradicional, com tiros pra todos os lados, perseguições desenfreadas e efeitos especiais que só Hollywood sabe fazer, aliás, este nem ao menos é um filme americano, apesar de não correr no circuito independente/alternativo aos quais costumo garimpar filmes, ele não deixa de ter uma pecha indie. Na verdade esse thriller francês fala de vingança! Vingança cega, vingança colérica, vingança fria... Vingança. Estou-o citando aqui mais pela lição que passa do que por ser propriamente um filme policial. Nele veremos a história de Bruno Hamel, um bem sucedido cirurgião que mora em uma bela e confortável casa com a sua esposa Sylvie, e a sua filhinha Jasmine de oito anos. Eles vivem uma vida normal, até a tarde em que sua filhinha é estuprada e brutalmente assassinada. Daí segue-se as acusações de praxe, as perguntas corriqueiras e invariavelmente sem respostas, e o inconformismo silencioso com a situação quando da prisão do assassino, Hamel passa a lidar diferente com sua dor. Então planeja a captura do "monstro" e a forma de fazê-lo pagar pelo que fez a sua garotinha. (mais…)
No Brasil, quando se fala na crescente violência que assola o territóro, uma das primeiras causas apontadas para o desenfreio é o quantitativo policial, logo os politicos, governos e a imprensa creditam como solução o aumento do efetivo policial. Talvez seja verdade, talvez não, ou talvez seja verdade em partes e/ou em termos. Segundo estudos recentes, o Brasil encontra-se na sexta posição mundial em relação às taxas de homicídio por 100 mil habitantes. Mortes provocadas majoritariamente por armas de fogo, e que atingem mormente a população jovem (15 a 25 anos) do sexo masculino (Mapa da Violência, 2011). Em 2010, o Estado do Alagoas liderou o ranking do país em número de homicídios, com mais de 2.000 mortes violentas, algo em torno dos 70/71 pra cada 100 mil habitantes. O índice de homicídios em nossa São Salvador é de 61 por 100 mil habitantes - para a ONU, o aceitável é de 12 para cada grupo de 100 mil. Acima disso, a OMS classifica tal percentual como de violência-epidêmica... Quando noticiou-se sobre o descalabro de Alagoas, divulgou-se também que o Estado sofre com o déficit policial (tenho a impressão que todos os estados da federação devem sofrer com isso...). Doutra banda, o Estado de São Paulo, na mesma época, registrou sua menor taxa de homicídios, diga-se de passagem, a menor dos últimos tempos. Foram pouco mais de 4.300 assassinatos, ou seja, cerca de 10/11 homicídios por 100 mil pessoas. E neste diapasão, continuamos, é no Estado de São Paulo que está o maior contingente policial do país. Por aí dizemos o óbvio, Alagoas possui bem menos policiais que São Paulo, logo, o índice de mortes em Alagoas, em detrimento ao de São Paulo, maior, óbvio! Mas não é bem por aí não... Um olhar clínico desfaz de pronto toda essa mística em torno do policiamento ostensivo; e o enfrentamento a partir dele como única forma de combate à criminalidade e na erradicação da violência. Foi o que fez o sempre perspicaz Luiz Flávio Gomes, que estudou a fundo essa máxima, e chegou à conclusão contrária, exatamente contrária: não é precisamente o número de policiais fardados que coíbe ou elimina (ajudando na prevenção) o crime. (mais…)
Desde o fim de setembro que a capital baiana conta com uma legislação para regulamentar o uso dos celulares dentro de agências bancárias (lei municipal 7.850/2010), vale constar, não ser a única cidade com tal dispositivo; de acordo com levantamento da FEBRABAN - Federação Brasileira de Bancos, o estado de São Paulo conta com o maior número de cidades legislando a respeito: Franca, Jandira, Louveira, Nova Odessa, Ourinhos, São José do Rio Preto, São Vicente, Taubaté e São Roque. Não se restringindo aí, pois também existe nas cidades de Divinópolis, Minas Gerais; Curitiba, Paraná; Piçarras, Santa Catarina; Manaus, Amazonas e Canguçu no Rio Grande do Sul. Já a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro estuda a medida para todo o estado. Pois bem, Salvador vem engrossar a lista de cidades que dessa forma tentam garantir a segurança do cidadão na hora do saque/pagamento nos guichês eletrônicos. Por meio de uma lei, que invariavelmente tolhe direitos individuais, pois os aparelhos de telefones celulares incorporaram-se de tal forma no nosso cotidiano e em nossas vidas que passaram a ser indispensáveis para muitas pessoas, tanto como forma de trabalho até como meio de diversão. Às vezes seu uso é, como dizem: feito no automático. Assim tenta-se penalizar e tributar o cidadão e a entidade por dispor de um direito individual deste, que exerce-o tão somente pela garantia de indivíduo que o possui, óbvio que o que se almeja é a segurança do todo, da coletividade, sendo assim, remetemo-nos ao Contrato Social de Rousseau, para legitimar tal propositura, entretanto, deve-se observar que quem deve cumprir como seus deveres não cumpre, e transfere para a sociedade e seus entes as obrigações que outrora lhe foram confiadas. (mais…)