Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Fabio Nilo

Há tempos estamos lutando uma guerra perdida. Batalhas sem vencedores, onde a única certeza são as baixas de ambos os lados. Será que podemos elencar rivais dentro dessa visão maniqueísta onde se digladiam o Estado e seus agentes de um lado e do outro o "bandido"? As políticas repressivas, fruto da ideologia "War on drugs", encabeçadas pelos Estados Unidos da América, há muito tempo não surtem efeito. Podem até servir pra vender jornais, financiar a indústria bélica, fazer marketing eleitoreiro, menos para diminuir o tráfico de entorpecentes e o crime que se imbrica nesta relação de mercado e de poder. No entanto, há tempos toda essa repressão aguçou a criatividade desses criminosos que buscam outras formas de lucro quando o mercado do narcotráfico vai mal. É preciso discutir um pouco mais sobre essas vias de lucro paralelas e interligadas ao mercado do narcotráfico. O tráfico de armas é a mais expressiva modalidade criminosa que tem sua razão de ser para defender os territórios do tráfico. Os roubos a carros e cargas são feitos com armas oriundas das transações de traficantes ou por grupos de narcóticos decadentes. O investimento na pirataria muitas vezes tem recursos de alianças criminosas como forma de criar um caixa paralelo as suas movimentações com pó. Os senhores do crime que financiam o tráfico de pessoas tem ramificações com o descaminho, entorpecentes e armas ilegais. (mais…)
O desenvolvimento econômico mostrou às superpotências da atualidade a necessidade de se ter aparatos jurídico-policiais mais bem preparados para suprir o agravamento das demandas sócio-economicas fruto do capitalismo. As policias, em geral, tem a finalidade de resguardar os bens mais preciosos que todo cidadão possui a listar: vida, liberdade, honra, patrimônio e segurança. A função da lei é suprir o uso da força, logo o Estado de Direito possui no arcabouço do seu ordenamento jurídico leis que defendem os bens acima expostos sendo as polícias a sua forma de demonstração da força. Numa visão superficial percebemos um sistema perfeito onde os homens abrem mão de parte de suas liberdades individuais em prol da convivência pacífica com a comunidade. Em troca o Estado deve protegê-lo e guiá-los no caminho do bem comum. No entanto, esquecemos que vivemos numa sociedade ainda fruto de uma revolução burguesa que muito prometeu e até hoje nada se concretizou. A proteção aos bens e a liberdade se torna um discurso vazio nos ouvidos dos pobres e despossuídos, que não estão inseridos dentro da sociedade de consumo. Daí surge os conflitos sociais e a violência. Para conter essa violência surgem os aparatos policias, mostrando para os despossuídos do mundo qual o seu lugar e o seu papel na sociedade, aparatos policias que também, independente do lugar de atuação, estão embasados num sistema jurídico que privilegia as elites. Seja num regime jurídico positivado ou consuetudinário, as potências econômicas caminham para encontrar os mesmos problemas de ordem de segurança: tráfico de drogas e armas com escalas internacionais, evasão e sonegação fiscal, tráfico de pessoas... A plasticidade que essas formas "globalizadas" de ações ilegais possuem é devido a sua forma rápida de se adaptar aos mecanismos de controle criados pelos Estados. Assiste-se a falha dos órgãos policiais em suas respectivas áreas de competência, embora isso não queira dizer que não estejam realizando suas funções, e se procuram culpados e soluções em curto prazo para os problemas. (mais…)