Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Francisco Xavier Ataide

Há certos assuntos do cotidiano que estão sempre presentes em nossas conversas e na nossa Corporação não é diferente. Há temas que sempre voltam à tona. Um deles, evidenciado freqüentemente, é o famoso "APERTO" durante a formação dos policiais militares, em especial, quando se refere aos Soldados. Imaginamos que certos leitores, antes de conhecer o teor do texto a seguir fiquem se perguntando: Será que não estaríamos equivocados ao dar prioridade a estas coisas? Será que realmente não é isso que está faltando? Acreditamos que, na verdade nada é desvinculado, nem uma mera questão de futuro. Determinados temas passam a ser realidade a partir do momento em que se tornam presentes nas nossas vidas e influenciam diretamente na sociedade como um todo. Freqüentemente quando ocorre algum fato isolado envolvendo um policial militar, em especial, aqueles que estão na base da pirâmide, vários são os adjetivos utilizados para justificar o motivo da atitude adotada pelo envolvido, tais como – é um despreparado, é um criminoso, é um marginal, é falta de caráter – e em seguida vem a solução final e simplória pregada por alguns: "é falta de APERTO durante a formação", como se este fosse o único "remédio" para conter qualquer tipo de problema. Esse conceito de "APERTO" ainda hoje evidenciado por algumas pessoas, que talvez não queiram acompanhar a evolução da própria dinâmica da sociedade, foi adotado dentro dos quartéis muitas vezes mascarado sob os nomes de HIERARQUIA e DISCIPLINA, tornando-se meramente um instrumento de humilhações, arbitrariedades, traquejos, dominação e controle "destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes, moldar as suas condutas e formatar até o pensamento" dos que estariam em fase de formação. Ao mesmo tempo foi tomado no seu sentido amplo como um "mecanismo de controle que mantinham as pessoas na iminência da punição", que poderia ser comparado com o que Michel Foucault denominou de "tecnologia política", ou seja, aquele "mecanismo com poderes de manejar espaço, tempo e registro de informações que tinha como elemento unificador a hierarquia". (mais…)