Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
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Isabela Santos Rocha

Desfiles, bebidas, comida, sexo, comportamentos excessivos que fatalmente levam à violência, é uma característica típica do Carnaval, festa essa que carrega multidões. Em sua origem o carnaval é festejado para que as pessoas pudessem se esbaldar antes que chegasse o momento do jejum que antecede a páscoa, ou seja, a quaresma. De acordo com a mitologia romana, o que simbolizava o carnaval era o Deus Baco, deus do vinho e da orgia. No Brasil o Carnaval teve seu início em 1641, realizado pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João VI. Aos poucos foram surgindo as fantasias, máscaras e as marchinhas que chegou aos salões do país por volta de 1892. Já no início dessa folia, o carnaval também era comemorado nas ruas, o que impulsionou o surgimento dos blocos, escolas de samba, trios elétricos e as cordas. Carnaval do soteropolitano O turista se torna a celebridade do carnaval e o baiano o expectador de sua própria tradição. As cordas são carregadas pelas mãos calejadas dos cordeiros que também brincam, não se limitando a conter os foliões, uma maneira especial de participar da maior festa popular brasileira e se sentir menos excluídos. Já que é o divisor dos pagantes e não pagantes, do céu e o inferno, como diz Gilberto Gil “De um lado este carnaval, de outro a fome total”. E ainda acredita estar em vantagem pela recompensa dos dez reais ao longo de quilômetros percorridos e ter uma visão privilegiada dos dois universos que brincam ao seu lado. A polícia exercendo um papel fundamental, o de proteger a sociedade. Mas qual sociedade? A que é formada nos seis dias de folia ou a que está excluída pelo cordão? Hipocrisia buscar na pipoca rolos de "baseados" enquanto nos belos camarotes montados existe muito "combustível" capaz de abastecer os seus pagantes. E aos que exageram na dose, são conduzidos às pressas pela ambulância enquanto os expectadores ficam apenas observando, tentando se divertir ao menos por alguns instantes. O carnaval é o divisor dos pobres e ricos, pretos e brancos, é o céu e o inferno. A pipoca grita desesperadamente por socorro, pois já não agüenta mais a panela de pressão. *Isabela Santos Rocha é jornalista.