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Jailson Silva

Às margens do ano 2009, a Polícia Militar da Bahia começa a voltar suas atenções para o movimento de melhoria salarial. A evidência do fato inspira nos mais críticos um momento de reflexão, notadamente iniciado na análise dos acontecimentos atuais. É notório que as negociações aconteçam e que o diálogo seja pautado em cima da legalidade, porém: Será que não estamos cometendo os mesmos erros de 2001? Será que mais policiais terão que morrer sem ter como comprar uma moradia digna de um Agente Público? Certo é que muitos foram promovidos naquele momento fatídico, encheu-se a corporação de "graduados" porém, todos continuam humilhados pelo "CONTRA-SUSTO". A valorização tão esperada nunca aconteceu, porque esta instituição bicentenária não se colocou e nem se coloca no seu devido lugar de respeito. De que adianta ser promovido e continuar miserável? De que adianta aumentar o auxílio-alimentação se a diferença de salário entre um soldado e um sargento são pífios R$ 150,00? Até agora, ninguém ouviu nas negociações se falar dos valores salariais propostos pela categoria. Estes valores devem ser o foco primordial na mesa de negociação tão esperada pela categoria. Por que não se tratou em primeiro lugar dos baixos salários? Por que falar em ingresso na corporação em 2012 se a dor que nos corrói são salários dignos? Estamos maquiando nossos pedidos por quê? Fica evidente que o "sindicalista sabido" está ganhando tempo enrolando a tropa, até acalmar os corações dos fracos que desistem com facilidade. Para Karl Marx "entre as classes de cada sociedade há uma luta constante por interesses opostos, eclodindo em guerras civis declaradas ou não". Se nós quisermos acompanhar os Policiais de Sergipe, devemos focar prioritariamente nossa luta nos R$ 4.000,00, sem a famigerada gratificação que não levaremos à aposentadoria. Fiquei muito honrado em saber que na pequena Sergipe os coronéis colocaram seus cargos à disposição do Governador. Demonstraram que são corajosos, inteligentes e coesos em suas idéias. Por que os nossos comandantes não fazem o mesmo? A luta é só dos praças ou de todos os milicianos? Será que não conhecemos a história das lutas de classes proposta por Marx? "Os trabalhadores são forçados a vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que produzem, enquanto os proprietários se apoderam do restante" Observo indignado policiais brigando por gratificações no Tribunal de Justiça, um entregando o outro na Assembléia Legislativa e outros são humilhados nos quartéis por superiores hierárquicos para não perderem sua gratificação. Pomos nossas vidas em risco todos os dias garantindo a ordem pública, mas vejo que só temos valor para nossa Família. "Cada um policial por si, e Deus por nós todos" DESABAFO DE UM POLICIAL QUE CANSOU DE TER ESPERANÇA NOS HOMENS *Jailton dos Santos Silva é historiador e Soldado da PMBA lotado no Departamento de Apoio Logístico.