Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Jose Carlos Vaz

A famosa citação do poeta romano Juvenal "Mens sana in corpore sano" (uma mente sã num corpo são), tem dado margem a uma série de interpretações, vulgarizadas, inclusive, pelo seu uso repetido. O entendimento mais comum é o de que devemos viver de tal forma que haja um equilíbrio entre a mente e o corpo, caso contrário, as mazelas que esta sofrer, serão expressas através de doenças psicossomáticas às mais variadas. No mundo das tecnologias de informação e da globalização, a sociedade humana tem alcançado altos índices de desenvolvimento dos aspectos científicos, da nanotecnologia, do domínio do espaço cósmico, da biociência e da ciência médica, entre outros parâmetros de evolução. No entanto, no que diz respeito à autoconsciencia, ao conhecimento da mente e de seus intrincados mecanismos, ainda estamos tropeçando nos primeiros passos. A mente humana e seus variados aspectos continua tal qual caixa de pandora, guardando segredos que despertam interesses e temores ao mesmo tempo. Neste viés, as chamadas doenças da alma, tal qual o estresse, a depressão, a esquizofrenia e os transtornos mais diversos da psiquê humana, têm sido considerados o mal de nosso século, acometendo milhares de pessoas, ceifando vidas amarguradas e solitárias. No momento histórico em que o homem domina as ferrametas de comunicação, assistimos, intrigados, o desenvolvimentos de patologias da solidão e da falta de diálogo. É neste contexto que, alguns profissionais, pela natureza e especificidades da atividade que exercem, vivenciam a influência mais danosa do modelo sociocultural vigente, sofrendo uma série de pressões que podem levar desde a desequilibros emocionais pontuais até os extremos das enfermidades psicológicas. (mais…)
"Existe um Programa que vai lhe ajudar, Existe um amigo que vai lhe ensinar..." Trecho da Canção do PROERD O PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência) foi criado em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 1983 com o nome de DARE (Drug Abuse Resistance Education) ou DARE América, através de uma parceria entre o Distrito Escolar Unificado e o Departamento de Polícia daquela cidade, para ser implantado nas escolas. O principal objetivo do programa é prevenir o uso indevido de drogas entre crianças e adolescentes em idade escolar. No Brasil, o programa iniciou-se pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) em 1992, a qual tinha interesse em desenvolver um projeto de prevenção relacionado aos diversos aspectos das drogas. Surgiu então a denominação de PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas). Em seguida, no ano de 1993 o programa foi recepcionado pela Polícia Militar de São Paulo (PMESP) e passou a se chamar “Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência”, porém mantendo a sigla PROERD. Daí em diante, o PROERD se multiplicou e hoje está em todas as Polícias Militares do nosso país. É um programa de caráter social preventivo, posto em prática pelas Polícias Militares, junto aos alunos do 5º ano que encontram-se na faixa etária de 09 a 12 anos de idade e dos adolescentes do 7º ano, na faixa etária de 12 a 14 anos de idade. O programa é aplicado nas escolas da rede de ensino público e privado, através do esforço cooperativo entre Polícia Militar, Escola e família, oferecendo atividades educacionais em sala de aula, que inserem nas crianças e adolescentes, a necessidade de desenvolver as suas potencialidades, ajudando a preparar cidadãos conscientes dos malefícios das drogas, e menos propensos aos efeitos da violência. (mais…)
O escritor inglês de The Doors of Perception (As Portas da Percepção), Aldous Huxley, afirmava que "Parece extremamente improvável que a humanidade, de um modo geral, jamais seja capaz de passar sem Paraísos Artificiais." A afirmação de Huxley parece bem atual e contextualizada com a escalada desenfreada da humanidade em busca desses "paraísos artificiais", sejam eles caracterizados culturalmente como lícitos ou ilícitos. O grande flagelo humano é que, na busca de abrir as portas da percepção, perde-se o controle, e abre-se na verdade uma espécie de "Caixa de Pandora", libertando-se todos os males íntimos, muitas vezes expressos em violências de todos os matizes, na desagregação da família, nas doenças da alma que encharcam a nossa selva de pedras social. É desta forma que o pretendido "Paraíso" acaba por se transformar em "Inferno" com adornos e facetas que nem mesmo Dante Alighieri na sua "Divina Comédia", ousou descrever. Alguns dos dados e fatos que mais chamam a atenção com relação ao mundo das drogas é que a maioria dos usuários e daqueles que estão diretamente ligados ao movimentado e brutal mundo do tráfico, são adolescentes e jovens, sem nenhuma perspectiva de futuro, a não ser os horrores das casas de acolhimentos de menores, a convivência diária com a guerra das facções, o confronto com as forças policiais, até o dia fatal, onde o seu corpo será fotografado com uma tarja no rosto e o seu nome será escrito apenas pelas iniciais... ("Olha ai, o meu guri..." – Chico Buarque) (mais…)
As concepções atuais de gestão de empresas, sejam elas públicas ou privadas, buscam consolidar a qualidade na prestação de serviços e ou produtos como fator primordial para o sucesso de qualquer empreendimento. São apresentadas metodologias, ferramentas, gráficos, concepções avançadas, entretanto, muitas vezes, mesmo com todo esse aparato, a organização não consegue desenvolver bem as suas metas e objetivos. Creio que as respostas se encontram justamente relacionadas com o baixo nível de prioridade nos campos da comunicação, liderança e motivação. Observamos que estas três palavras guardam uma relação harmônica. Para Eltz (2005), a origem da palavra comunicação está no latim "communicare" , ou seja, "pôr em comum", o que pressupõe entendimento das partes envolvidas. Nesta mesma linha, Ribeiro (1992) acentua que, depois da sobrevivência física, a comunicação é a mais básica e vital necessidade humana. Assim, não se pode falar em qualidade de relacionamento sem um bom desenvolvimento da comunicação. Infelizmente, e vale ressaltar isso, na maioria das vezes entendemos comunicação apenas como projeção de mensagens pelos mecanismos disponíveis. O escritor Rubens Alves faz um alerta interessante quando relembra que temos muitos cursos de oratória e, nunca se ouviu falar em um curso de "escutatória". Essa capacidade de escutar o outro dentro do espectro da comunicação é a habilidade que mais enobrece um líder. As organizações têm sofrido de uma carência de lideranças dispostas a ouvir os sentimentos, os anseios, as sugestões e mesmo os reclames dos seus colaboradores. E assim, lembrando de Maslow e de sua pirâmide das necessidades, as organizações vivenciam a crise de motivação, ou melhor, da falta dela. Chefes que nunca se aventuram no universo da escuta, possivelmente sofrem de miopia no que diz respeito à visão estratégica da organização. Neste ponto, concordo com SENGE (2006, P.239) quando assevera que: "As organizações que tencionam criar visões compartilhadas estimulam continuamente seus integrantes a desenvolver suas visões pessoais. Se não tiver sua própria visão, restará às pessoas simplesmente 'assinar em baixo' a visão do outro. O resultado é a aceitação, nunca o comprometimento" Concluo retomando essa palavrinha mágica, tão ausente em nosso vocabulário organizacional: COMPROMETIMENTO. Pessoas comprometidas são motivadas, inovadoras, criativas e lideram mesmo em momentos de crises. Esse tripé organizacional formado pela comunicação, liderança e motivação, necessita ter como base a busca desse comprometimento, dessa visão compartilhada, pois juntos, podemos enxergar mais longe e com maior nitidez. *José Carlos Vaz é policial militar, poeta, especialista em Comunicação Social com Ênfase em Ouvidoria (UNEB – 2006) e Especialista em Polícia Comunitária (UNISUL - Santa Catarina - 2009).