Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Kalil Reboucas

Hoje em dia notamos diversas formas para se exercer a liberdade de expressão: músicas, propagandas de TV, outdoors, passeatas etc., porém, existem algumas destas manifestações que sequer podem ser chamadas de artísticas, e são totalmente diversas do que se chama de cultura, indo de encontro à chamada livre manifestação. Qual seria então o limiar entre o direito e a censura? Qual a fronteira entre a liberdade de expressão e a apologia ao crime e a instigação à violência, por exemplo? Planet Hemp: a banda chegou a ser proibida de tocar por decisão judicial - Foto: OGlobo Certamente, em algumas situações não resta dúvida de que o autor não se preocupa, definitivamente, com a ordem pública, tampouco com os alarmantes índices de violência publicados nos mais diversos meios de comunicação quando vai criar sua obra. Alguns inescrupulosos autores não têm a noção da proporção que tomaria suas produções. Percebe-se, muitas vezes, que a primeira hipótese, a da despreocupação, é a mais cabida, considerando que com a tecnologia e acesso a informações que temos hoje, não se permite mais a alegação da "inocência". Ao que me parece, um forte exemplo nesta seara é uma produção da Banda "Fantasmão", corriqueira nas festas populares e carnavais na cidade de Salvador, que além de expor o nome do boxeador Acelino Popó Freitas, convida, por intermédio da música, a população a ter atos violentos descabidos em festas populares, como já é de costume nas suas numerosas e desastrosas músicas (veja o vídeo). Frases como "[...] eu não sou Popó mas vou dar murro na cabeça dele que é pra ele se ligar [...]", e "[...] cola atrás do trio, todo marrento, se o cara tira onda, ele sempre cai pra dentro [...]", fazem parte da sessão de sandices na música. Além disso, existem gravações desta mesma banda tocando uma já polêmica música de outro grupo, o Planet Hemp (antiga banda do cantor Marcelo D2, que já chegou a ser proibida de tocar por ato judicial), com algumas modificações, a seu próprio critério, agora já cantando apologia ao uso de drogas e sua a rebeldia com a Polícia Militar. Entendo que não se pode admitir que músicas e bandas com esse tipo de produção façam parte de um cenário musical nas festas de grandes e médias aglomerações, onde a violência se prolifera com bem mais facilidade. O incentivo também faz parte das fases do crime. Ao invés de mostrar alegria e festividade nas comemorações, só atrairá a violência e o caos que, sem sombra de dúvida, será bastante reprimido por todos os ramos da segurança pública. "Apenas uma laranja pode levar todo o cesto a perder". *Kalil Rebouças é Aluno-a-oficial da PMBA e atualmente cursa o 3º ano do Curso de Formação de Oficiais.