Os problemas com as armas Taurus 
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Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 

Leonardo Barreto

Estamos visualizando a destruição generalizada da sociedade brasileira diurna e comodamente nos nossos sofás em frente à TV e ao PC, tanto os cidadãos mais abastados quanto os desprovidos de recursos. O "espetáculo" produzido tanto em rede aberta como em banda larga pela mídia nunca dantes foi tão impactante sobre a opinião pública e isso se deve dentre outras razões ao "manto democrático" vigente no país desde a implantação da CF 88. O fato é que a mídia vem exercendo o seu papel de fiscalizadora e mostra muitas vezes ao vivo aquilo que já foi um dia muito mais escondido e acobertado pelas autoridades: a corrupção. O câncer da corrupção está presente em todos os níveis, órgãos e funções estatais. Autoridades são acusadas, defendem-se, não convencem, não comprovam sua inocência, muitas vezes as infrações são comprovadas, e apesar disso raramente são presas ou perdem o cargo, ou devolvem o montante subtraído dos cofres públicos. Entretanto, várias pessoas são presas por praticarem crimes falimentares! Não estou aqui incentivando a impunidade destas, apenas a correção daquelas. Mas não nesse instante, pois aqui devo ressaltar outra questão: o exemplo. Há alguns anos atrás, as crianças sonhavam ser como seus pais e hoje não é diferente, pois, para elas, todo pai é super-herói, e, em verdade, todas as autoridades o são, devido a sua importância social no sentido de reger com igualdade a sociedade. O juiz Rocha Matos escoltado pela PF: quem deveria ser exemplo demonstra condutas reprováveis - Foto: Tiago Queiroz/Agência Estado Os brasileiros tinham na época de 1960, 1970, instituições e autoridades respeitadas (ou temidas) e admiradas por todos (claro, com todos os malefícios do Regime Militar), afinal, quem não queria ter o prestígio gozado por um ministro, senador, juiz, deputado, governador, prefeito, etc.? Essas gerações possuíam exemplos positivos a seguir, ainda que as possíveis falhas desses profissionais fossem em algum momento apagadas. E o que a nova geração possui? Qual dessas autoridades citadas não esteve ou está envolvida em algum tipo de escândalo? Nenhuma. Estamos construindo um país de pessoas que sonham em ter sua chance de extorquir, sua chance de subornar (como faz o cidadão pego em situação de erro numa blitz), sua chance de enriquecer, demonstrando um total desajuste social já previsto por Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". Damos tratamento desigual para os financeiramente desiguais e nossos jovens estão desaprendendo que não vale a pena trabalhar incessantemente por um salário injusto e insuficiente para o sustento digno. E é justamente dessa sociedade corrompida que egressa outra autoridade: o policial. Vítima de muitas denúncias, vítima de muitas injustiças, porém algoz de inúmeros feitos negativos, advindos daqueles jovens interessados nas regalias que o dinheiro fácil pode oferecer, urge resgatar o prestígio institucional, estendendo-o aos seus integrantes de forma que a comunidade consiga observar uma diferença fundamental: "Quando você observa um criminoso, sabe que ele é criminoso porque tem marcadas características de atuação. Quando você observa o policial é importante que fique claro que ele é 'o contrário do outro'. Tomara que pais e mães possam voltar a afirmar o desejo de que os filhos escolham a profissão policial, porque seus operadores, independentemente das muitas vezes adversas condições de trabalho e salário, DEVEM SER pessoas admiradas pela comunidade".** Policiais militares da Paraíba: ainda há quem sonhe ser policial? - Foto - Portal Bayeux Essa diferença deve fazer-se presente na mente do cidadão a respeito de todas as autoridades citadas acima, pois não pretendo aqui sugerir policiais e polícias numa ilha de honestidade e respeito, já que o caos social está instalado e todas as instituições estão aos poucos afundando. O que sugiro são operações do tipo "Navalha na Carne" (sem as possíveis dramatizações e efeitos especiais), diminuição nas críticas ao governo (apesar de merecidas) e intensa busca por capacitação já que criticar não resolve o problema e apenas desmotiva aquele que trabalha, pois: "Ao longo dos anos, diante da incúria do Estado que se sucede e da não resolução dos problemas, esse grupo tende a desanimar, a 'perder o fôlego', a deixar-se abater pela desesperança e pela decadência da auto–estima".** E se todos conhecem os problemas institucionais e financeiros das instituições públicas, sobretudo das polícias, é necessário, para quem reclama por melhorias, demonstrar antes o seu valor e prestar à sociedade aquilo que tem de melhor, pois só assim alcançará o respaldo para lutar pelos seus direitos negados, fornecerá à mídia matérias enobrecedoras à sua profissão e darão à grande massa um exemplo positivo tão raro de se obter, trazendo de volta às fileiras da corporação (e das outras instituições) jovens que além de um salário buscam a oportunidade de serem reconhecidos pela integridade e retidão condignos a uma autoridade, e devido a esse exemplo positivo alcançará a liderança necessária para nortear o cidadão que obedecerá facilmente suas ordens e decisões simplesmente por respeitá-lo e admirá-lo. **Citações do livro "Direitos Humanos: Coisa de Polícia", de autoria do atual secretário nacional de segurança pública, Ricardo Balestreri. *Leonardo Barreto Santana é Aluno-a-oficial da PMBA, praça da corporação desde 10/03/2003, estudou Pedagogia por 2 Semestres, e freqüenta atualmente o 3º ano do CFOPM-BA.