Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Marcilio Reis

Nos Cursos de Formação de Policiais Militares, sejam para a formação do futuro soldado, sargento ou oficial, instrutores ensinam certas técnicas de abordagem a pé, a veículos, a ônibus e a edificação a fim de serem empregadas, quando houver necessidade, no cotidiano de sua atuação. Instruções marcadas pelas orientações minuciosamente detalhadas, categoricamente enfatizadas pelos instrutores através do estudo de ocorrências a nível local, nacional ou até mesmo internacional. Geralmente, analisamos os erros dos outros e correlacionamos com a técnica ensinada para nos servir como lição. Instrutores nos advertem: não façam isso, não façam aquilo, foi precipitação, foi imprudência e uma série de explicações a fim de identificar erros sob a ótica do emprego das técnicas policiais militares. Diante disso, deveríamos observar, ao menos, os princípios básicos de uma abordagem policial no desempenho das atividades de Policiamento Ostensivo. Mas, essa preocupação é demonstrada por parte de algumas guarnições e em casos raros. Em uma certa Operação Policial, uma tal guarnição com quatro homens, embarcada em uma viatura, estava realizando ronda em certo local, quando resolveu abordar um veículo suspeito e como foi ensinado no Curso de Formação, o Comandante da guarnição seguindo metodicamente o que lhe foi ensinado e o que é previsto nos Manuais de Técnicas e Táticas Policiais Militares ordenou ao motorista do veículo suspeito: "Motorista desligue o veículo, retire a chave do mesmo e a coloque sobre o teto, saia lentamente de costas com as mãos na cabeça...!". Assim a guarnição realizou todos aqueles procedimentos que chamamos "procedimentos padrão", observando os princípios da abordagem até a sua conclusão. Ao final agradeceu e explicou ao cidadão o motivo do seu veículo ter sido abordado, já que não foi encontrado nenhum objeto ilícito e o cidadão, além de sentir-se constrangido com todo aquele procedimento, não estava praticando nenhum tipo de crime. (mais…)
É de entristecer ver a sociedade tão ligada aos sustentáculos capitalistas. A busca exacerbada por lucros, desprovidas de todo senso de cidadania, coletividade e moral acaba gerando uma variedade de conflitos sociais. Tudo gira em torno do dinheiro. Individualismo, mesquinhez, avareza, egoísmo e competitividade são palavras que progressivamente extermina o objetivo de harmonia social que todos nós almejamos. Um dos motivos do grande índice de corrupção em nosso país é resultado do culto exacerbado e da idolatria ao dinheiro. Esse culto ao dinheiro é visível na sociedade, já que as pessoas, geralmente, são valorizadas de acordo com o seu poder aquisitivo. É uma inversão de valores morais e uma carência da essência educacional. São retrocessos e complexos sociais. Tentam preencher os seus vazios existenciais com o dinheiro. Bauman chamou essa modernidade de "líquida". Sempre atrelada ao imediatismo e ao individualismo. Não se solidificam mais as relações afetivas. Relacionamentos frágeis, amizades superficiais, avareza, vaidade, egoísmo, inveja e uma diversidade de atos desrespeitosos a dignidade da pessoa humana. Será que essas palavras são suficientes para ilustrar o quanto é inconveniente viver numa sociedade em que essas palavras dominam, prevalecem e direcionam a maneira de pensar e agir de cada indivíduo? Certamente não. A nossa sociedade escolheu a via errada dentro do labirinto que conduzirá o país ao desenvolvimento de maneira pacífica, harmônica e igual. (mais…)
Já não é novidade para ninguém os maus tratos que passa a população carcerária e o estado de falência do sistema prisional. Inúmeros são os casos de desrespeito aos Direitos Humanos, descumprimento das normas que regem o sistema prisional e os diversos casos de corrupção, descaso e omissão estatal. A sociedade também carrega a sua mea-culpa. O livro "Cobras e Lagartos" de Josmar Jozino é uma denúncia a mais da falência do sistema carcerário. Os presídios nacionais tornaram-se uma faculdade do crime. Relatos que se basearam em investigações jornalísticas, testemunhos, documentos e informações provenientes daquilo que chamamos de "fontes quentes", aqueles que participaram diretamente do crime organizado. É alarmante a conivência e a omissão das autoridades que deveriam zelar pelo fiel cumprimento das normas prisionais e pela legalidade dos procedimentos. Fazem "vistas grossas" a todas as práticas ilegais que ocorrem dentro dos presídios. Tais práticas são provenientes da parte dos presos, como também dos agentes penitenciários e todos os envolvidos na rotina prisional. As mazelas que ocorrem são diversas. São estarrecedoras, chocantes. "Cobras e Lagartos" é mais uma evidência de que o endurecimento das normas que regulam a população carcerária, sem que haja uma fiscalização constante, um comprometimento com a moral, respeito a dignidade da pessoa humana e o fiel cumprimento das leis, são ineficazes. (mais…)