Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Marcos Fabricio Viana

É espantoso que no país da impunidade o emprego de algemas se torne um assunto de pauta nacional. Por que tanta discussão sobre o uso de algemas? Será que realmente toda essa mobilização é para assegurar a todos, indiscriminadamente, o princípio constitucional da inocência presumida ou alimentar a vaidade de poderosos? Sendo um ou outro, é fato que, há mais de 24 anos, a lei de execuções penais dispõe que a matéria será disciplinada por um decreto federal, no entanto, tanto tempo se passou e nada foi criado. Mas, a partir de 2003, momento em que a Polícia Federal teve uma atuação expressiva no cenário nacional e que inúmeros " tubarões" dos poderes executivo, legislativo e judiciário caíram na malha fina da PF esse assunto entrou em discussão. É preocupante o recente caso de prisão envolvendo o milionário banqueiro Daniel Dantas, caso em que o Supremo Tribunal Federal trabalhou num ritmo nunca visto antes, desfazendo atos de um Juiz Federal e elaborando em pouco mais de 20 dias uma súmula que determina a maneira de atuar da polícia com criminosos de "colarinho branco" pois endossa a perpétua tradição de tratamento desigual nesse país. Durante toda a história, as instituições policiais envolviam-se predominantemente com "peixes pequenos", motivo pelo qual esse assunto esteve enterrado por décadas e, por conseqüência, o uso de algemas nunca teve importância tão significativa quanto o que vimos, porque o que "degrada" a ralé é permitido, e só se proíbe o que "degrada" a fidalguia. Com vistas a todo esse clamor do Presidente da Suprema Corte Judiciária do Brasil, torna-se mais do que justa toda a indignação e revolta do povo brasileiro que, em sua maioria esmagadora não faz parte do seleto "cardume" de Daniel Dantas. *Marcos Fabrício Viana é Aluno-a-oficial da PMBA, atualmente cursando o 3º CFO PM.