Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Valter Menezes

Já escrevi uma vez em um Blog que se tem coisa que gosto de fazer é ir para a estrada, talvez pela minha vontade quando pequeno, de ser carreteiro. Até os meus brinquedos de infância tinham que ter muitos carros e caminhões. Também, eu morava na Cidade Baixa de Salvador, perto de duas fábricas que recebiam caminhões todos os dias, de sebo para fazer sabão e grão de café, para a torrefação, mas deixa para outros momentos essas histórias. Não tenham dúvidas que as estradas do Brasil tiveram e continuam tendo melhoras significativas. Observamos muitos, mas muitos tratores fazendo as ampliações das vias – tornando as BR's mais importantes, duas pistas em cada sentido, separadamente - alguns locais com o piso de cimento em vez de asfalto - coisa bem antiga nas vias de outros países - muitos trabalhadores bem equipados, desvios e a presença do Exército Brasileiro nessa melhora. Parabéns! Já era tempo, uma vez que as nossas riquezas escorrerem pelo grande Brasil sobre rodas, e temos uma nação com espaço continental. Também têm pontos que nada fizeram ou que a empresa ganhadora da licitação abandonou os trabalhos. A imprensa de um dos estados que visitei estava abrindo a boca para essas irregularidades. Todavia, o que ainda muito me assusta é a imprudência de muitos motoristas. Vamos começar pelos potentes carros de alta cilindrada, como as caminhonetes turbinadas, os automóveis de grande porte, que passam como se nós estivéssemos parados. E o pior é que essas ultrapassagens são, muitas vezes, em locais totalmente proibidos, arriscados, em curvas, pistas molhadas, lombadas, em longos congestionamentos, em desvio etc. Risco puro! Eles nunca pensam que no contra fluxo poderá aparecer um carro também em alta velocidade, um animal ou qualquer outra coisa?! Volto a dizer o que falei em 2010, no primeiro artigo sobre esse fato: Talvez se possa atribuir esse aumento no excesso de velocidade dos veículos em virtude das visíveis melhoras das pistas. Existem condutores que, imprudentemente, estão voando baixo, fazendo ultrapassagem em locais proibidos, trafegando pelos acostamentos e se arriscando mais e mais. (mais…)
É muito difícil o ser humano se livrar de uma tragédia da natureza, quando ela tem que acontecer mesmo e não é previsível da forma que vai ocorrer. Acho que as grandes tragédias da humanidade, que a natureza fez ou contribuiu, não tinham como se livrar. Mas as tragédias que são previsíveis, onde o ser humano não tenta evitar, essas são as piores e dão mais dor pela má vontade, ineficiência, falta de ação ou omissão. Não é feita a leitura que o pior poderá acontecer, onde você poderá ser uma vítima. Muitas e muitas dessas podem ser evitadas, ou pelo menos minimizadas quando o Estado, junto com a sociedade, faz a previsibilidade delas. Mas quando se fecham os olhos por causa do jeitinho brasileiro, da corrupção, do pedido amigo, da constante omissão etc, etc, aí já viu que a tragédia tem um culpado direto e centenas de indiretos. Vejam essas mortes que ocorreram em 03/07/2012 na BR 324 aqui na Bahia! Onze mortes e vários feridos. Testemunhas disseram que cotidianamente os veículos tipo vans que fazem o transporte clandestino trazem e levam pessoas para as cidades da Região Metropolitana ou para outras cidades mais distantes, sem autorização. É novidade para você? Passe no terminal Ferry boat, em Itaparica e ouça: Valença – Nilo Peçanha – Itabuna – Itacaré! Chegue na Rodoviária e ouça também: Feira, São Gonçalo, Cachoeira... E lá vão eles, lotados e desautorizados. Porém, esses precisam trabalhar! E o pior é que esse transporte clandestino é irregular e regular, pois quando tem greve de ônibus intermunicipal, ele é aceitável, ligeiramente permitido para que as pessoas cheguem ao trabalho e voltem para casa! Mas não é clandestino? Rodam como se fosse normal o ano todo. Veja essa matéria que li no blog Bahia Noticiais: "A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) suspendeu nesta quarta-feira (23/05/2012) a fiscalização do transportes clandestinos que fazem linha para as cidades do interior baiano. "A decisão veio de cima. É uma situação chata para nós, pois como é que vamos apreender veículos com pessoas dentro, se não temos vias alternativas de transportes para esses passageiros? A Agerba não tem como locomover os passageiros para seus destinos, mas isso não quer dizer que o órgão indica o uso desses veículos clandestinos. Nós saímos das rodovias para evitar indisposições com as pessoas que necessitam ir parar outros lugares..." Leia no Bahia Notícias (mais…)
"Paz no coração, sem drogas, sem canhão" No dia 29 de março de 2011, a Cidade do Salvador fez 462 anos. Muitos falaram da nossa terrinha boa, alegre, azeitada e hospedeira. Mas vou escrever um pouco sobre a Chapada do Nordeste de Amaralina, local onde passei essa data natalícia para todos os soteropolitanos e os últimos dias em virtude dessa grande operação que a Polícia Militar da Bahia vem fazendo lá dentro. Muita gente de Salvador nem sabe onde fica este local e muitos outros que sabem têm medo de entrar. O lugar é cortado de altos e baixos, becos apertados e vielas irregulares e muita gente andando de um lado a outro. A presença do Negro aqui é marcante! O local é bem maior que o bairro da Liberdade e segundo os últimos dados que busquei na 40ª Cia Independente da PM, que tem a responsabilidade pela área, chega a ter mais de 100 mil habitantes. Ali não é um bairro único, mas três ou quatro juntos. O Nordeste de Amaralina que tem vista privilegiada para o Oceano, o Vale das Pedrinhas que é um verdadeiro vale, o Alto da Chapada do Rio Vermelho e a Santa Cruz. Existem três pontos finais de ônibus, e por sinal o da Santa Cruz é um desorganização total, com ônibus estacionados no passeio, no contra-fluxo e por aí vai! A grande área está cercada de outros bairros de maior poder econômico, que são os da Pituba, Itaigara, Parque da Cidade, Rio Vermelho, Amaralina, e o Horto de Brotas que fica perto da Chapada. (mais…)
A profissão de policial tem muitos riscos, fartos momentos de poder ajudar várias pessoas ao mesmo tempo, muitas emoções positivas e muitos momentos para se fazer reflexões de como se comporta um grupo social. A visão do policial sobre sua comunidade, seja ela em um bairro pobre ou nobre, um conjunto de bairros, estradas ou qualquer outro espaço de atuação, deve ser sempre a visão do guardião, do grande protetor-legal do ser humano, do patrimônio de todos, pois ele é um representante do Estado, que na maioria das vezes chega primeiro ao local da crise e todos colocam nele ou nela policial, um monte de esperanças para as soluções do cotidiano. Dessas enormes emoções, também temos as negativas, que volta e meia chegam para a sociedade e para nós, como uma verdadeira bomba. Elas fazem parte do grosso do nosso trabalho! Resolver crises da população! Acidentes, roubos, furtos, suicídios, homicídios, brigas de família, menores perdidos ou em ato infracional, outros delitos e ações que não chegam a se constituir crimes, mas geram grandes crises. No início da carreira, nunca imaginava como deveria ser a dor de um passamento de um colega de farda da mesma Unidade, estando você na posição de Comandante. Principalmente se essa morte ocorre de uma forma que tanto combatemos, que é o crime violento, covarde, que deixa rastro de consternação em muitos e por muito tempo. Caro leitor, quantos enterros de colegas, por acidente de trabalho, você já foi na sua vida? Lembro que fui fazer uma inspeção administrativa em Paulo Afonso, e tive que participar de dois enterros de dois colegas. Um PM, o outro da Polícia Civil, que foram mortos por marginais em um assalto a banco, em uma cidade próxima. Foi pesado! Quando a morte de um policial ocorre em outra Unidade da PM, Instituição policial ou localidade, também existe dor e muitas vezes as lágrimas vêm aos nossos olhos, encharcando os nossos corações de amargura e angústia com aquele fato. Dizem que a morte é a única certeza que temos, e ela é bastante "democrática", pois é para todos, em qualquer lugar do mundo, sem observar cor, raça, hora, local, credo, posição econômica, ângulos ou motivos que separam as classes de uma complexa sociedade, como é a nossa. Crimes, guerras, pessoas dadas a andarem as margens das leis, sempre existirão em todos os locais! A paz mundial é uma utopia eterna! Como tudo tem a primeira vez, essa dor começa a acontecer na nossa profissão com os colegas, que morrem nos combates. Vem o aviso, o deslocamento para hospital ou local onde está o corpo, as primeiras lágrimas, a angústia do corredor frio dos hospitais, as primeiras orações, o esforço da equipe médica que não tem partido, os depoimentos a favor, os nervosos – que atrapalham mais do que resolvem algo! – a imprensa, os curiosos, as ligações para saber a situação e a espera! A longa espera! No Hospital a sua dor se mistura a dor de outros que já estão lá, e aos demais que chegam nas ambulâncias. O que você não quer ouvir, é dito, seja por telefone ou lá mesmo. "Ele não agüentou!" Mais dor, mais tristeza! Mais esforços junto aos colegas do DPT/IMLNR nos trabalhos legais. Todo ser humano deveria um dia assistir uma necropsia! Talvez houvesse mais valor pela vida! Muitos dizem: "Já não tenho mais força para assistir esses pesados momentos!" Como é duro escrever sobre esse passado e pesado momento! Escolha do cemitério pela família, a funerária, tamanho da urna, as flores, os deslocamentos, a imprensa, curiosos, família, amigos e colegas. Mais dor e mais lágrimas! Na cerimônia fúnebre, você é mais um, pois perdeu um colega da tropa da RONDESP, um parceiro que morreu cumprindo o seu dever, "defender a sociedade, mesmo com o risco da própria vida"! Notamos mais as ausências, do que as presenças, pois sempre pensamos que é uma obrigação daquele que faltou está ali, ao seu lado, mas quantas vezes eu e você faltamos? Será que é obrigação? E a hora que não passa? Lágrimas, orações, entrevistas, palavras de carinho para a família e até o Comandante recebe os sentimentos. Consternado e sem palavras, agradece as presenças. As palavras e orações ditas pelo Capelão! E a hora chega, a tampa da urna se fecha, o cortejo sai pelos caminhos sinuosos e estreitos do cemitério. Palavras de ordem são ditas, em respeito ao servidor público morto, o canto da PM, o Hino da Força Invicta é entoado com ardor e calor! É mais um da nossa Centenária Milícia de Bravos que passou para o outro lado da história da vida! Salva de tiros, torque de corneta, sirene de viaturas e lágrimas, nada disso vai trazer o nosso herói da sociedade de volta, mas é um bálsamo em nossos corações. Mais lágrimas! Obrigado para o colega! O Comandante pega a alça do caixão. É como se fosse seu amigo, irmão ou seu filho! Mas, é tudo isso, pois no fundo do coração, todos sabem a importância que teve seu comandado que passou para o outro lado da vida, pois todos somos filhos de um Grande Pai! A urna chega ao seu destino! É carregada e nada acaba ali, pois a saudade continua, os trabalhos, as rondas, os crimes, a dor da família do falecido, enfim, parecem um filme inacabado. Fica na memória o toque solitário do corneteiro! Palmas e lágrimas se misturam! Flores acompanham a urna! Algumas palavras que vem do fundo do coração! Prefiro o silêncio! Prefiro a oração! A sociedade precisa valorizar a sua polícia! Valter Souza Menezes – Major PM Comandante da Rondesp/Atlântico *Esse texto é uma homenagem ao o soldado da PM Genésio Neves Conceição, que era lotado na RONDESP/Atlântico. Ele tomou um tiro durante um ataque de marginais, no Dique do Tororó, em uma noite da sexta-feira e morreu no dia 18/07/2009, no Hospital Geral do Estado – SSA - Bahia.