Os problemas com as armas Taurus 
O retrato da violência armada no Brasil 
Os sistemas para detecção de disparo de arma de fogo 

Armas de Fogo

O site The Intercept Brasil publicou uma extensa matéria sobre problemas envolvendo as armas da Forjas Taurus. De autoria da jornalista especializada em Segurança Pública Cecilia Olliveira, a reportagem traz fatos preocupantes e de interesse de todos os policiais brasileiros: Policiais civis e militares de todos os estados são reféns do armamento da brasileira Forjas Taurus, maior fabricante de armas da América Latina, que, há anos, vem sendo denunciada por disparos acidentais. Beneficiados por uma legislação que abre portas para o monopólio da empresa, instituições policiais não conseguem adquirir outros armamentos. Enquanto isso, as armas já fizeram mais de 50 vítimas só no Brasil. A empresa, que movimentou 823 milhões de reais em 2015 e era financiadora de campanhas de deputados federais, segue com o negócio intocado – e na sombra, já que a transparência não é o forte do setor. Laudos, perícias e depoimentos de vítimas têm sido sistematicamente desconsiderados. Responsabilidades não são apuradas e, há pelo menos dois anos, com o conhecimento dos Governos Federal e Estaduais, policiais vêm matando e morrendo acidentalmente. O Exército acusa a Taurus, sediada em Porto Alegre, de falhar no controle de qualidade de seus armamentos. Por sua vez, a empresa, que exporta para mais de 80 países, diz que jamais foi comunicada a respeito disso pelo órgão que a fiscaliza e adverte: vai processar quem insiste em disseminar “acusações falsas” ou tentar “prejudicar sua reputação”. Leia toda a matéria no The Intercept!
Conter a violência armada representa um enorme desafio no Brasil. Em 2012, 71% das mortes por agressão registradas no país envolveram o uso de armas de fogo, em comparação com 40% no mundo, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). No entanto, as estatísticas criminais produzidas pelos estados somente indicam o número de vítimas de violência intencional, não quantas foram mortas com armas de fogo. Esse dado é disponibilizado para todos os estados e anos pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) do Ministério da Saúde na categoria mortes por agressão por armas de fogo. A consulta ao DATASUS permite saber quantas pessoas morreram em decorrência de agressões envolvendo armas de fogo, mas não quais delas foram vítimas de homicídios, latrocínios ou lesões corporais seguidas de morte. Partindo da premissa que informações de qualidade devem ser acessíveis ao público e nortear o desenho e implementação de planos de atuação eficazes no enfrentamento da violência, o Retrato da Violência Armada visa reunir dados e facilitar a análise sobre mortes por agressão com arma de fogo em cada unidade federativa. O Retrato permite a consulta e comparação de informações sobre a violência armada em todos os estados e disponibiliza as médias para o Brasil em todas as consultas realizadas para explicitar como os dados estaduais se comparam à média nacional. Clicando sobre qualquer estado no mapa – e podendo comparar até três estados por vez – o usuário terá acesso aos seguintes dados: MORTES POR ARMA DE FOGO E MORTES POR AGRESSÃO POR ARMA DE FOGO Taxa por 100 mil habitantes de mortes por agressão por arma de fogo de 2003 a 2013; Participação das armas de fogo nas mortes por agressão de 2003 a 2013; Distribuição das mortes por agressão registradas em 2013, por instrumento/meio utilizado: arma de fogo, arma branca, e outros instrumentos/meios; Distribuição das mortes por arma de fogo registradas em 2013, por circunstância: agressão, morte com intenção indeterminada, suicídio e acidente; Perfil das vítimas de agressão por arma de fogo em 2013: gênero, faixa etária, cor. ESTATÍSTICAS CRIMINAIS: OCORRÊNCIAS E TAXAS Homicídio: Números absolutos e taxas por 100 mil habitantes de 2010 a 2013; Latrocínio: Números absolutos e taxas por 100 mil habitantes de 2010 a 2013. Acesse agora o site do Retrato da violência armada no Brasil!
De acordo com o Mapa da Violência 2015, mais de 90% dos homicídios cometidos no Brasil ocorreram com uso de armas de fogo. Esse número deixa claro que as políticas públicas da área de segurança devem focar na prevenção e repressão a esse tipo de violência. Uma medida tecnológica aparentemente eficiente, que vem sendo utilizada em várias cidades norte-americanas, são os sistemas de detecção de disparo de arma de fogo, que apontam com bastante exatidão que um disparo de arma de fogo ocorreu. Existem sistemas que podem ser instalados em uma cidade inteira, e outros que podem ser colocados em prédios escolas etc: Detecção de tiros em bairros e cidades A primeira pergunta feita por quem ouve falar desse tipo de tecnologia é sobre a capacidade de acerto desses sistemas. Segundo fabricantes, é possível diferenciar o disparo de armas de outros ruídos parecidos, como fogos de artifício, escapamentos de veículos e bombas. Com um índice de acerto que chega a mais de 90%, eles podem até mesmo identificar o calibre e o tipo de arma. Veja no gráfico abaixo a estrutura desse tipo de equipamento: O detector faz a triangulação das ondas sonoras e identificam o ponto exato onde o disparo foi feito. Em poucos segundos as informações sobre o disparo (tipo de arma, localização etc) são enviadas para a central de monitoramento. No vídeo a seguir você vê a divulgação da tecnologia (em espanhol): https://www.youtube.com/watch?v=mytq4hjHyBc A única cidade brasileira que utiliza esse recurso foi o município de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre-RS. Na época, no ano de 2010, o investimento foi de cerca de R$2 milhões de reais, oriundos do PRONASCI (Governo Federal), em apenas um bairro com cerca de 70 mil habitantes. Detecção de disparos em prédios e lugares fechados Existem também tecnologias que detectam disparos de arma de fogo em locais fechados, como escolas, creches, ginásios, prédios etc. Nesse caso, além da detecção via áudio, instala-se câmeras com tecnologia infravermelho capaz de detectar o clarão do disparo da arma. Além de enviar o alerta à central da polícia, esse tipo de detector avisa a todas as pessoas que estiverem no local do disparo através de mensagens em seus smartphones. Veja o vídeo de apresentação (em inglês): https://www.youtube.com/watch?v=DwUp0zkt3Ss Iniciativa brasileira de detecção de disparos No ano passado uma iniciativa interessante nessa área foi divulgada no Brasil, o Microfone Inteligente Conectável (MIC), desenvolvido por pesquisadores em Recife-PE, apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). O MIC parece ser algo mais amplo que a tecnologia norte-americana, pois tem a pretensão de detectar tanto disparos de armas de fogo como ataques a bancos, caixas eletrônicos e residências, por meio do reconhecimento de batidas em paredes, vidros quebrando etc. Em tese, até na área de saúde o dispositivo poderá ser usado, na detecção de eventos como quedas, gemidos e pedidos de socorro. O projeto está em desenvolvimento, e tem a ambição de "rodar" em pequenos dispositivos como celulares e minicomputadores, permitindo que o MIC tenha tamanho reduzido, baixo consumo elétrico e custo acessível. Saiba mais sobre o Microfone Inteligente Conectável!
Doze anos depois de ser discutida de modo questionável, e aprovada em referendo, a legislação que versa sobre o controle de armas no Brasil está sendo revista através de um projeto de mudança. Sete aspectos se destacam no rol das alterações pretendidas, é válido observá-las sob diversas óticas para se chegar a uma conclusão. 1 - Reduzir de 25 para 21 anos a idade mínima para compra de armas Em tempos onde se discute a redução da menoridade, é compreensível repensar a faixa etária a partir da qual se confia a responsabilidade de conferir a propriedade de uma arma de fogo. Contudo, há de se pensar sobre a destinação que teria o artefato nas mãos de quem está na juventude, às vezes ainda como estudante, sem ocupação que motive a necessidade de defesa constante de riscos. 2 - Liberar a compra de armas a quem já esteve preso ou investigado por crimes violentos Aqui fica claro um flerte com a irresponsabilidade de atribuir tamanha confiança a quem já apresentou indicativos claros de dificuldades de obediência às leis. Parece um dispositivo unicamente comprometido com o aumento da busca no mercado, sem considerar o risco potencial que representa à coletividade. 3 - Liberação do porte de arma para particulares Mais pessoas armadas nas ruas podem representar melhoria na segurança, desde que haja critério correto para tal concessão, o que não fica evidenciado no item acima discutido, por exemplo. Massacres em escolas seriam interrompidos se alguém estivesse apto a neutralizar a atitude do criminoso antes da chegada da Polícia. Casos de violência fatal poderiam ser reprimidos por quem presenciasse tendo meios suficientes para agir. 4 - Registro de arma definitivo, sem necessidade de renovação a cada 3 anos A eventual supressão dessa exigência dificulta o controle que se tem quando alguém necessita se apresentar a uma autoridade, comprovar a manutenção da posse da arma, entre outros requisitos que demonstram a regularidade do uso. Difícil encontrar vantagem em meio a aparente permissividade irresponsável desta iniciativa. 5 - Acabar com a perda automática do porte para quem for flagrado armado e sob efeito de drogas ou álcool Será possível que alguém considere correto conciliar a condição de um sujeito entorpecido ou embriagado ter em mãos um objeto capaz de ceifar vidas? É o tipo de ajuste que nem deveria ser posto em pauta, tamanha a sandice que representa. Muitas vidas de inocentes seriam poupadas justamente pela via contrária, aumentando a repressão contra quem bebe ou se entoxica levando consigo uma arma de fogo. Péssima ideia. 6 - Liberação da publicidade de armas e munição Não há motivo para tornar material bélico um objeto de fetiche, despertando necessidade de consumo para ostentação. Quem detectar sua necessidade, tem lojas e o universo da internet para buscar informações. Propaganda constante serve apenas para vulgarizar um assunto sério, criando nas massas impressões equivocadas sobre o assunto. Conceder posse e porte a quem se deve é diferente de estimular tal condição a todos, indiscriminadamente. 7 - Autorizar a compra de até nove armas por pessoa Nem é preciso dizer que ninguém será capaz de usar tanta arma ao mesmo tempo. É preferível pensar em como um cidadão será capaz de guarnecer com segurança tamanho arsenal. Um número elevado assim faz com que a investida de criminosos se torne vantajosa, e de uma vez só várias armas passem para as mãos do crime. Um volume bem menor, talvez duas ou três armas, seriam suficientes para diferentes condições e necessidades que se apresentem. E para você, que outras ideias despertam essas propostas de modificação?
Muita comoção na Polícia Militar de Alagoas: uma policial militar foi vítima de mais de quinze disparos de uma submetralhadora que estava no interior da viatura em que estava embarcada. Confira o relato dos policiais que estavam com a PFem: A soldado da Polícia Militar atingida por 17 tiros de metralhadora quando fazia ronda no bairro do São Jorge, em Maceió, não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã deste domingo (31), após passar por três cirurgias no Hospital Geral do Estado (HGE). A informação foi confirmada pelo Serviço Social do hospital. De acordo com o HGE, após ser submetida às cirurgias, Izabelle estava sendo preparada para ser transferida para a UTI da unidade, mas faleceu antes disso. Segundo informações do major Jota Claúdio, da PM, a polícia acredita que a arma tenha sido disparada acidentalmente, pois a metralhadora estava travada e posicionada no chão da viatura. O major disse ainda que os companheiros de trabalho da soldado informaram que a arma disparou durante uma curva brusca do veículo. "Não se sabe o que realmente aconteceu, o IC [Instituto de Criminalística] já recolheu o veículo e a arma para que seja feita a perícia e descobrir porque a arma disparou mesmo estando travada", disse. Ainda de acordo com o major, este tipo de arma mesmo destravada só pode disparar dois tiros no máximo, e no caso da soldado, disparou 30. Destes, 17 tiros atingiram a vítima nas regiões do braço, axila e abdômen. "Os companheiros da soldado serão ouvidos e o caso deve ser investigado para saber se realmente foi acidental ou se a guarnição foi vítima de emboscada". Após o incidente, a soldado foi levada em estado grave para o Hospital Geral do Estado (HGE), no bairro do Trapiche da Barra, onde foi submetida a três cirurgias, mas não resistiu. Familiares e colegas de farda da soldado aguardavam notícias sobre a morte da vítima em frente ao HGE. A família de Izabelle não quis falar com a imprensa. Todos estavam muito sensibilizados e abalados com o que aconteceu. Por meio de nota, a Polícia Militar de Alagoas informou que lamenta o falecimento da soldado. "Esse é um momento de tristeza e consternação para toda família miliciana. Daremos início à apuração dos fatos para elucidar as circunstâncias de incidente". Fonte: G1/Alagoas O caso é bastante questionado quanto à sua real causa. Que as investigações apontem logo para a verdade.
É comum os Ministérios Públicos darem pouca atenção para os problemas e o desenvolvimento da atividade policial, focando somente na investigação de casos com suspeita de abuso cometidos por policiais. Uma matéria publicada pelo Estado de São Paulo mostra pelo menos uma exceção, onde um Promotor alerta sobre o defeito em pistolas da marca Taurus, utilizadas por policiais militares do estado de São Paulo: "A Polícia Militar do Estado de São Paulo usa uma pistola, a Taurus calibre.40, que tem apresentado falhas, como disparos acidentais e até disparos sucessivos, sem controle, depois do primeiro tiro. O alerta é do Ministério Público Estadual (MPE) em Presidente Prudente. "Essa arma não é segura mesmo travada", afirmou o promotor criminal Jurandir José dos Santos. Santos não sugere de imediato a troca da arma e, sim, "a solução do problema". "Essa pistola não dá segurança ao policial e à população. Se não houver uma solução, pode até se pensar na troca do fornecedor", disse o promotor, que enviou ofício à Secretaria da Segurança Pública (SSP). O promotor lembrou que o acervo de 98 mil pistolas da PM foi revisado pela Forjas Taurus, fabricante das armas. "Só que não equacionou o problema mesmo após a revisão", completou. Algumas peças das pistolas foram substituídas pelo fabricante, segundo o Comando da Polícia Militar, em São Paulo, que confirmou a revisão. As falhas, no entanto, persistiram e algumas armas dispararam sem o manuseio do policial. Também houve disparos sucessivos depois do primeiro tiro. O comando, por meio do Centro de Comunicação Social, disse que as armas que apresentaram defeitos foram recolhidas e substituídas. Ainda de acordo com o comando, a fábrica se comprometeu em solucionar o problema e que espera um 'relatório final e conclusivo'." Abaixo, um vídeo com defeitos apresentados na pistola de modelo 24/7, da Taurus, encontrado no Youtube: httpv://www.youtube.com/watch?v=C9_YWNo1f-o A preocupação com esse tipo de problema é essencial para a integridade do policial e dos que participam de ocorrências onde a arma de fogo precisa ser utilizada.
De maneira geral, é muito importante que a atividade policial seja orientada por procedimentos técnicos claros, que deem subsídio para que o desenvolvimento do serviço policial seja facilitado nos diversos desafios característicos da nossa atuação. Se isso é verdade em praticamente todos os âmbitos dessa função pública, quando se trata de arma de fogo estamos falando de um mandamento sem o qual vidas podem ser perdidas. É neste contexto que está situada a obra recém-publicada pelo Major da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Erico Marcelo Flores, um dos grandes especialistas do país no estudo de armas de fogo. "A mesma sociedade que nomeia um policial e coloca uma arma na cintura deste, espera que seja feito um bom uso do equipamento, salvando vidas" O livro "Armas Policiais - Procedimentos & Segurança" é um manual indispensável na biblioteca de qualquer policial, pois traz de forma ampla, técnica, científica, legal e ética conhecimentos indispensáveis aos policiais que lidam com armas de fogo. A obra está dividida nos seguintes tópicos: - Evolução das Armas de Fogo; - Aspectos Jurídicos do Tiro Policial; - Armas Curtas Policiais; - Armas Longas Policiais; - Armas não-letais; - Técnicas básicas, princípios e fundamentos; - Balística para policiais; - Proteção balística - princípios de uso policial; - Munições; - Perguntas Frequentes; - Glossário de termos da área de armas e munições. Neste livro você entenderá sobre temas tão diversos como a estrutura física dos coletes balísticos até os princípios de utilização de lanternas policiais, além de ensinamentos sobre as características das armas curtas e longas usadas pelas polícias brasileiras atualmente. "O ato de fugir de uma abordagem de busca pessoal não se constitui em qualquer agressão, portanto não justifica o emprego de arma de fogo" Ousaria dizer que o livro constitui-se já em um clássico da literatura policial brasileira, como diz o editor-chefe da Revista Magnum no prefácio da obra, "trata-se de obra maior [...] altamente recomendável para aqueles que fazem da função policial o seu dia-a-dia". Eu sei que muitos policiais já estão se perguntando como fazer para adquirir o livro. Pois bem... Basta entrar em contato com o autor através do email tiropolicial@gmail.com ou do blog armaspoliciais.blogspot.com.br Vale muito a pena fazer esse investimento!   [Agradecemos ao Maj PM Erico pelo envio da obra para nossa análise]
Enquanto os olhos do Brasil se voltam para a possibilidade do filho ter matado o casal de policiais em São Paulo é no mínimo polêmica a afirmação da psicóloga do Centro de Apoio Social da PMESP, que entende que policiais devem amenizar a curiosidade dos filhos em relação à arma de fogo ensinando-lhes procedimentos de segurança e procedimentos de manuseio. Discordo. Arma de fogo, parece-me, é equipamento exclusivamente policial, que exige não apenas conhecimento procedimental, mas psicológico, legal etc. Para que serviriam os exames psicológicos que a Polícia Federal aplica em pretendentes ao portar arma de fogo? Crianças e adolescentes possuem características comportamentais e emocionais que impedem que se admita qualquer contato delas com este tipo de equipamento. Em momentos extremos, em uma briga na escola, por exemplo, será que a arma de fogo dos pais não passa a ser uma possibilidade de resolução do problema (mesmo que o jovem não saiba onde está a arma)? Mantê-la em contato com a arma não aumenta o entendimento de que ele pode utilizá-la? É o que acho, embora não seja psicólogo. Segue a opinião da especialista: Para a soldado Rosângela Francisca da Silva Penha, 47, psicóloga do CAS (Centro de Apoio Social) da Polícia Militar de São Paulo, crianças podem manusear armas de fogo, desde que acompanhadas pelos pais. "O filho do policial tem curiosidade sobre o instrumento de trabalho do pai, assim como o filho do médico tem com o estetoscópio", afirmou a psicóloga, que atende PMs na corporação há 14 anos. A opinião não é unânime entre psicólogos. Rosângela diz que a curiosidade sobre os instrumentos de trabalho é natural. "O policial não pode ignorar. Tem que mostrar noções de segurança e responsabilidade, ou a criança vai ficar com essa necessidade." Na semana passada, o estudante Marcelo Pesseghini, de 13 anos, se tornou o principal suspeito das mortes do pai, da mãe --ambos policiais militares--, da avó e da tia-avó, na Brasilândia (zona norte de SP). A polícia acredita que Marcelo se matou com um tiro em seguida. Para a professora Maria de Lourdes Trassi, supervisora da área de crianças e adolescentes da Faculdade de Psicologia da PUC-SP, a analogia com o trabalho médico "é complicada". "O cirurgião pode até dar o estetoscópio, a luva, mas não vai apresentar o bisturi ao filho", diz. Ela afirma que elementos associados à violência devem ficar longe do universo infantil. "O argumento dela tem a ver com a corporação na qual ela está, que naturaliza muitas práticas agressivas." Em entrevista à Folha publicada na última quinta, o psiquiatra Daniel de Barros, chefe do núcleo forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, disse que ter armas em casa eleva em 30 vezes as chances de um adolescente se matar. "PUNITIVO E OPRESSOR" Durante oito anos, a pesquisadora Henriette Morato, do Instituto de Psicologia da USP, trabalhou no 16º batalhão da PM para avaliar o nível de estresse dos policiais. Segundo a professora, o trabalho dos psicólogos da corporação tem "caráter punitivo e opressor", porque "se resume a avaliar se os policiais têm ou não condições de continuar trabalhando". Henriette diz que seu trabalho ia "na contramão dessa proposta". "O policial militar de São Paulo é estigmatizado: ele é um defensor encarado como ameaça. A maior preocupação desses policiais é não levar o peso da farda para a família." O tenente-coronel Alberto Tamashiro, chefe do CAS, disse que estatísticas sobre os atendimentos psicológicos na PM são confidenciais. Segundo a PM, os psicólogos do CAS e de 22 núcleos no Estado atuam em três frentes. A primeira é no recrutamento, com testes psicológicos que confirmam ou não a aptidão à profissão. Os policiais também podem ser encaminhados aos profissionais por seus superiores, após traumas, ameaças ou situação violenta. A terceira via é a apresentação voluntária para acompanhamento psicológico. Leia na Folha...
Há economias feitas pelo Estado, em relação a gastos na Saúde e na Educação, que implicam em grandes prejuízos a longo prazo, em troca de sobras para campanhas publicitárias. Trata-se de um artifício terrível, mas que se infiltra silenciosamente nas diversas esferas, causando danos severos em áreas críticas da sociedade. Na área da Segurança também pode acontecer uma poupança fatal, que reduz despesas à custa da destruição de vidas: a máxima restrição ao gasto com munição das Polícias. Cartuchos podem nem ser tão caros para o Governo, mas esse gasto não parece ser atrativo a alguns gestores. Talvez, na mente desses, pode parecer que o Poder Público está preparando seus servidores para matar, quando na verdade é justamente o oposto – quanto mais disparos o policial fizer em treinamento, mais vidas serão salvas, sobretudo de inocentes. Por certo existem policiais utilizando em serviço armas novas, com as quais jamais fizeram um único disparo. É bem provável que, fazendo uma pesquisa, seja detectado que inúmeros agentes de segurança do campo operacional, que trabalham nas ruas todos os dias para enfrentar o crime, estejam há dois, cinco, dez ou mais anos, sem ter praticado disparos em instrução. Qual a consequência dessa realidade? A grande possibilidade de inocentes serem atingidos. Por perder a familiaridade com o ato de atirar, o policial se afasta da noção exata de recuo, desvio, alcance, entre outros aspectos que devem ser analisados pelo subconsciente na fração de segundo do acionamento do gatilho. Bem intencionado, atira no que vê, mas acerta no que não vê. Aí se desenha a grande tragédia, uma vida inocente perdida e um trabalhador transtornado, preso, com remorso e um peso na consciência que o acompanhará por toda existência. Sua família vai sofrer ao extremo, de privações financeiras com os custos de processo ao drama social de passar por essa situação. O alcance de impacto do disparo é multiplicado por todos que viviam em torno de quem foi atingido, o qual, ainda que sobreviva, vai carregar também marcas que não se apagam. Mas quem tem a verdadeira culpa nessa história? É definitivamente inadmissível que o investimento em capacitação seja visto meramente como um gasto que pode ser cortado em prol de outras despesas talvez bem menos essenciais, mas que trazem retorno eleitoral, por exemplo. Cada real poupado em cartuchos que deixam de ser utilizados em treinamento é uma probabilidade maior de que um profissional tenha sua carreira destruída e algum inocente tenha a vida interrompida. Talvez essa situação ocorra em algum lugar e a velocidade das notícias de mortes indesejadas não permita a todos analisar pelo ponto de vista aqui exposto.
Não é novidade para os policiais brasileiros que as armas de fogo da fabricante austríaca Glock são muito mais seguras, resistentes e eficientes que as conhecidas e distribuídas nas polícias brasileiras. O problema é que, no Brasil, há resistências à importação de armas de fabrico internacional, como a Glock - no caso do uso particular, mesmo para o policial, só são autorizadas as armas de uso permitido, neste caso, pistolas .380. A novidade é que a Glock está se mobilizando para instalar uma fábrica no país: A empresa austríaca Glock, fabricante das famosas pistolas automáticas que levam seu nome, está negociando com o Exército a instalação de uma fábrica de armas no Brasil. A companhia já teria escolhido o Rio de Janeiro como sua base de produção local. Além de abastecer o mercado nacional, em especial o das Forças Armadas, a Glock deve usar a unidade brasileira para atender os demais países da América Latina. Em e-mail enviado à DINHEIRO, a fabricante confirmou seus planos, mas não definiu uma data para começar a operar. Sua maior dificuldade, no entanto, será superar o lobby da gaúcha Taurus, que atualmente equipa a maioria das forças policiais do País e que, no passado, impediu os austríacos de darem seus tiros por aqui. Em 2006, a empresa chegou a anunciar a construção de uma fábrica em Minas Gerais, na qual seriam investidos R$ 30 milhões. De início, os planos contavam com o apoio do Exército. A ideia era fazer uma sociedade com a estatal Imbel, fabricante de fuzis e pistolas vinculada às Forças Armadas. Um ano depois, as negociações azedaram por conta das exigências feitas pelo governo para autorizar a construção da fábrica. Na época, o presidente da Glock na América Latina, o brasileiro Luiz Antônio Horta, em entrevista à revista ISTOÉ, afirmou que seria a fábrica mais moderna do mundo. "Mas o lobby da Taurus não deixa o projeto andar", disse o executivo. O esforço austríaco para construir sua fábrica no Brasil e não se explorar a via da exportação se justifica. Por lei, as Forças Armadas só podem comprar armamentos de fabricantes estabelecidos no País. É verdade que as polícias civis e militares podem importar pistolas. Mas a Glock tem tido pouco sucesso nesse mercado. É um cenário bem diferente do que acontece nos Estados Unidos, onde suas armas equipam mais de 65% das forças policiais. Em Hollywood, elas também são cultuadas e ganharam frases de efeito, como a do austríaco Arnold Schwarzenegger, no filme Fim dos Dias (1999): "Só confio em Deus e na minha Glock". No Brasil, por enquanto, apenas o cinema parece ter se rendido ao carisma dos austríacos. No filme Tropa de Elite 2, os integrantes das temidas milícias cariocas ostentavam com orgulho suas pistolas Glock 17. Procurada, a Taurus não deu entrevista. Na medida em que é necessário que os policiais brasileiros qualifiquem seu equipamento, estando tecnicamente aptos para atuar, é positivo que a Glock se instale no Brasil, garantindo a possibilidade de melhores condições de trabalho para nossas polícias.
Um novo desafio se avizinha para o ideal de uma sociedade desarmada: através de impressoras 3D, máquina que constrói peças plásticas a partir de um modelo formulado no computador, já há quem produza peças de armamentos e até armas de fogo inteiras "artesanalmente". Assim como podemos baixar uma imagem na internet e imprimi-la no papel em uma impressora (neste caso, a impressão é "2D"), as impressoras 3D permitem que o mesmo seja feito, mas construindo o objeto de fato. Este vídeo mostra como esta possibilidade está gerando polêmica nos Estados Unidos. Leiam a matéria tratando do assunto: Desde que as impressoras 3D chegaram, temos visto coisas incríveis serem desenvolvidas com elas, desde peças simples até mesmo objetos mais complexos. Recentemente, surgiu em um blog especializado em armas uma postagem de um dos usuários, em que um homem alega ter construído armas de verdade com uma impressora 3D. E o mais impressionante: elas funcionam perfeitamente, inclusive atirando balas de verdade. Esse é o primeiro registro de uma arma funcional criada com uma impressora 3D. O equipamento usado foi uma Stratasys 3D Printer e as armas criadas foram uma pistola .22 e uma .223, ambas perfeitas réplicas em tamanho real. O atirador alega que disparou mais de 200 vezes e as armas funcionaram perfeitamente. O atirador disponibilizou o projeto dos equipamentos na internet para quem quiser tentar. Entretanto, é sempre bom alertar que esse projeto é algo que deve ser feito somente por especialistas em armas. Além de ser muito perigoso manusear tais equipamentos, o plástico não é exatamente o material mais adequado para a construção de armas de fogo. Elas podem explodir e causar sérios ferimentos ao atirador, podendo, inclusive, levá-lo à morte. É realmente maravilhoso ver o que as impressoras 3D podem fazer. Em breve, poderemos fazer o download de praticamente qualquer coisa e construir tudo em casa. Que tal baixar um carro de verdade na internet? Em um futuro não muito distante, pode ser que isso seja possível. Leia no Tecmundo... Difícil enxergar o futuro da segurança pública onde organizações criminosas, tais quais as existentes no Brasil, possuam cacife financeiro para bancar minifábricas de armamentos, e a distribuição destes artefatos se torne mais popularizada. Começar a discutir esta possibilidade é urgente.

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